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Livros essenciais de m

April 27, 2003

Aproveitando a “boleia” dada pelo dia Mundial do Livro, celebrada no passado dia 23 do corrente m

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NUSRAT FATEH ALI KHAN: Ecos do para?so

April 16, 2003

Nusrat Fateh Ali Khan
Final Studio Recordings
American Recordings / Sony M?sic

V?rios Artistas
Hommage a NFAK
World Network / Megam?sica

Em Pleno dia Mundial da Voz, vale a pena recuperar uma das melhores vozes de sempre: a do paquistan?s Nusrat Fateh Ali Khan e o seu ?ltimo disco de est?dio. Aproveito para recuperar dois textos escritos h? j? algum tempo. O primeiro para o s?tio j? extinto M?sicnet e o segundo o antigo suplemento “Vidas” do seman?rio “O Independente”

Nusrat Fateh Ali Khan, durante a sua vida, contraiu bastantes inimigos no Paquist?o por ter subvertido as r?gidas regras da m?sica qawwali de devo??o a Deus, que os m?sticos isl?micos Sufis interpretam. As experi?ncias que fez entre a rigidez da tradi??o qawwali e diversas ?reas do mundo ocidental (rock, dan?a, experimentalismo) com gente t?o ilustre quanto Michael Brook, Eddie Vedder e Massive Attack, entre outros, transformou-o num Judas aos olhos do universo isl?mico. Este pioneirismo, apesar de contestado por muitos, serviu de motor de arranque para outros mestres do qawwali fazerem tamb?m eles outras experi?ncias na ?rea da pop dan??vel, casos de Shabaz e e dos sobrinhos de Nusrat, Rizwan-Muazzan Qawwali.

“The Final Studio Recordings” ?, como o pr?prio nome indica, a ?ltima grava??o em est?dio de NFAK, que ficou incompleta devido ? tr?gica morte do cantor paquistan?s provocado por ataque card?aco em 1997. Produzido por Rick Rubin, com cr?ditos firmados na ?rea do rock e mais recentemente country, “The Final Studio Recordings” ? uma surpreendente invers?o de trajecto art?stico de NFAK. Um regresso ?s origens e ? m?sica de amor e louvor ao profeta Maom? no formato mais puro – vozes, harmonium e tablas – isento de malabarismos de est?dio, pr?ximo de registos como “Shahen-Shah” (1989). NFAK em fase terminal de vida e com a voz um pouco mais rouca, consegue manter a toda a pot?ncia e requebros hipn?ticos do seu canto que, durante a sua vida terrena, nunca foi deste mundo. NFAK, enquanto foi vivo, afirmou que uma boa festa qawwali ter? necessariamente de lan?ar um feiti?o sobre a audi?ncia, apesar de esta n?o compreender a l?ngua. Em mais de duas horas de verdadeiro transe distribu?das por um CD duplo, o mestre cumpre a sua fun??o: a de ser reduzir a dist?ncia entre o criador e a sua audi?ncia, seja qual for o credo desta.

Nusrat Fateh Ali Khan a quem o cora??o atrai?oou no passado dia 16 de Agosto de 1997, morreu feliz. Com o sentimento de ter cumprido a sua miss?o na terra.

Nusrat, como Sufi que era, procurava na m?sica e nos poemas da sua tradi??o espiritual levar a palavra de Al? aos quarto cantos do mundo.

Na compila??o “Sufi Soul” (Network 97) pode ler-se as seguintes palavras de NFAK: “Quero transmitir a mensagem de paz e amor ao mundo e trazer a palavra de Deus bem pr?ximo do povo. Para n?s, a m?sica dos Sufis ? como uma ponte que une v?rios povos. Convida todos a darem as suas m?os. ? o caminho da reconcilia??o.”

De facto, se olharmos para a not?vel carreira de NFAK, chegamos ? conclus?o que este “quarto tenor” espalhou pelo mundo as mensagens do Isl?o e do Sufismo, impregnadas de amor e devo??o, afecto e tranquilidade. Algumas das mat?rias base dos poemas que interpreta, muitos deles escritos h? mais de 500 anos.

Venerado como um semi Deus no Paquist?o, NFAK cedo foi descoberto no Ocidente por Peter Gabriel. O seu nome ? sin?nimo de met?foras que demonstram liga??es indissoci?veis entre Ocidente e Oriente, tradi??o e modernidade, sagrado e profano, por culpa das suas m?ltiplas experi?ncias com m?sicos de ?reas t?o diversas como o rock, o trip hop, a dan?a e o experimentalismo.

Os seus trabalhos com Michael Brook, Massive Attack, Eddie Vedder, Bally Sagoo e Peter Gabriel, apesar de levarem as mensagens dos Sufis para fora do seu ambiente, foram respons?veis pelo surgir de inimigos no seio da comunidade de m?sicos qawwali (m?sica de devo??o dos Sufis), que sentiram a sua cultura contaminada.

A sua exemplar t?cnica vocal, plena de improviso em m?ltiplas inflex?es, foi provavelmente melhor compreendida no Ocidente. Entre os in?meros f?s de NFAK, Jeff Buckey foi aquele que melhor descreveu e interiorizou o sentimento de escutar um disco daquele que ? considerado por muitos o Pavarotti asi?tico. Vale a pena ler as palavras de Jeff publicadas na compila??o de NFAK “The Supreme Collection Vol 1″, editada pela label americana Caroline Records dez dias depois da morte deste carism?tico paquistan?s. Disco que viria a ser dedicado ? mem?ria de Jeff Buckey que morreu afogado, a 29 de Maio de 97, cerca de tr?s meses antes do cora??o de NFAK ter batido pela ?ltima vez.

Jeff contava-nos que “a primeira vez que ouvi Nusrat Fateh Ali Khan estava em Harlem, em 1990. Eu e o meu companheiro de quarto ouv?amos m?sica em volume muito alto. Nessa altura and?vamos imersos no toque da mar? ondulante dos ritmos sombrios de tablas do Punjab, espica?ados pelo sincronizado bater de palmas que irrompia de cima e de baixo num ritmo r?gido e perfeito. (…) De repente escut?mos uma, depois dez vozes pairando no ar como se tratasse de um bando de gansos ascendendo ao c?u em forma??o. Finalmente a voz de NFAK. Parte Buda, parte dem?nio, parte anjo louco… a sua voz era suave e escaldante, simplesmente incompar?vel.

A mistura do improviso na arte cl?ssica do ‘qawwali’, combinado com o seu estilo audacioso e a sua sensibilidade, transporta-o para uma categoria s? sua, acima de todos os outros que se movem na sua ?rea… Para os verdadeiros qawwalis todos os significados na m?sica existem simultaneamente e n?o h? necessidade de um dogma religioso. H? apenas a peregrina??o em direc??o ? luz que procuramos no fundo do cora??o, que ? a casa de Deus. Existe apenas a pura devo??o e um feroz virtuosismo para ganhar asas e planar atrav?s da m?sica. De dar um beijo nos olhos de Al? e cantar o seu olhar de amor pelos homens.”

Apesar de ter NFAK como pano de fundo, esta “Hommage ? Nusrat Fateh Ali Khan” ? uma compila??o que abre com um tema do antigo mestre do qawwali e depois vagueia algures entre a S?ria, o Azerbeij?o, Uzebequist?o, Ir?o, Senegal, ?ndia, Paquist?o e Punbjab, atrav?s de m?sicos associados ? tradi??o Sufi. Esta poderia ser uma esp?cie de segundo volume da colec??o “Sufi Soul”. Mas n?o ?. A diferen?a est? em que todos os grupos, apesar de n?o efectuarem quaisquer “covers” de NFAK, escolheram poemas apropriados ? mem?ria do paquistan?s e musicaram-nos. Ao longo dos dois discos ouvem-se mensagens m?sticas como “hoje ? o dia em que a minha alma parte do meu corpo”, “o meu amado regressou a casa”, “a vida n?o ? a mesma sem ti”, ou mais realistas como: “sei que nada regressa”.

Tal como em “Sufi Soul”, esta ? uma oportunidade para tomarmos um primeiro contacto com alguns nomes que merecem alguma aten??o por parte de quem tem o ouvido mais exercitado para tais devo??es sonoras. Caso de Munadjat Yulchieva, uma blues woman do Uzebequist?o, dona de uma profunda e intensa voz. Atributos que contrariam a tese de NFAK, quando afirmava que as mulheres n?o t?m resist?ncia para cantar qawwali. Outras descobertas felizes prendem-se com a calorosa voz do iraniano Sharam Nazeri, ou a curiosidade de escutarmos o senegal?s Cheik L? em andamento bem diferente do seu disco de estreia “N? La Thiass”. Ele que faz parte do movimento Sufi senegal?s Baye Fall.

“Hommage ? NFAK” ? uma compila??o no estilo mais puro e duro da tradi??o Sufi. Bem longe do conceito de “Star Rise” lan?ado pela Real World no final de 97, disco que re?ne remisturas de temas gravados por Nusrat e Michael Brook, assinadas por Asian Dub Foundation, Fun~da~Mental, Talvin Singh e Nitin Sawhnew, entre outros.

Dado a forma de jogar em muitos tabuleiros que caracterizou a carreira e obra de NFAK, s? nos resta ficar ? espera que um dia surja uma outra homenagem a este ?cone Sufi. E essa, feita por gente como Eddie Vedder, Peter Gabriel, Mick Jagger (que se confessa f? de NFAK), Trent Reznor e at? mesmo o malogrado Jeff Buckley (caso aproveitem uma vers?o de 20 minutos de “Hulka-Hulka” que este gravou nas sess?es de “Live at Sin-?”).

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NUSRAT FATEH ALI KHAN: Ecos do para�so

April 16, 2003

Nusrat Fateh Ali Khan
Final Studio Recordings
American Recordings / Sony M�sic

V�rios Artistas
Hommage a NFAK
World Network / Megam�sica

Em Pleno dia Mundial da Voz, vale a pena recuperar uma das melhores vozes de sempre: a do paquistan�s Nusrat Fateh Ali Khan e o seu �ltimo disco de est�dio. Aproveito para recuperar dois textos escritos h� j� algum tempo. O primeiro para o s�tio j� extinto M�sicnet e o segundo o antigo suplemento “Vidas” do seman�rio “O Independente”

Nusrat Fateh Ali Khan, durante a sua vida, contraiu bastantes inimigos no Paquist�o por ter subvertido as r�gidas regras da m�sica qawwali de devo��o a Deus, que os m�sticos isl�micos Sufis interpretam. As experi�ncias que fez entre a rigidez da tradi��o qawwali e diversas �reas do mundo ocidental (rock, dan�a, experimentalismo) com gente t�o ilustre quanto Michael Brook, Eddie Vedder e Massive Attack, entre outros, transformou-o num Judas aos olhos do universo isl�mico. Este pioneirismo, apesar de contestado por muitos, serviu de motor de arranque para outros mestres do qawwali fazerem tamb�m eles outras experi�ncias na �rea da pop dan��vel, casos de Shabaz e e dos sobrinhos de Nusrat, Rizwan-Muazzan Qawwali.

“The Final Studio Recordings” �, como o pr�prio nome indica, a �ltima grava��o em est�dio de NFAK, que ficou incompleta devido � tr�gica morte do cantor paquistan�s provocado por ataque card�aco em 1997. Produzido por Rick Rubin, com cr�ditos firmados na �rea do rock e mais recentemente country, “The Final Studio Recordings” � uma surpreendente invers�o de trajecto art�stico de NFAK. Um regresso �s origens e � m�sica de amor e louvor ao profeta Maom� no formato mais puro – vozes, harmonium e tablas – isento de malabarismos de est�dio, pr�ximo de registos como “Shahen-Shah” (1989). NFAK em fase terminal de vida e com a voz um pouco mais rouca, consegue manter a toda a pot�ncia e requebros hipn�ticos do seu canto que, durante a sua vida terrena, nunca foi deste mundo. NFAK, enquanto foi vivo, afirmou que uma boa festa qawwali ter� necessariamente de lan�ar um feiti�o sobre a audi�ncia, apesar de esta n�o compreender a l�ngua. Em mais de duas horas de verdadeiro transe distribu�das por um CD duplo, o mestre cumpre a sua fun��o: a de ser reduzir a dist�ncia entre o criador e a sua audi�ncia, seja qual for o credo desta.

Nusrat Fateh Ali Khan a quem o cora��o atrai�oou no passado dia 16 de Agosto de 1997, morreu feliz. Com o sentimento de ter cumprido a sua miss�o na terra.

Nusrat, como Sufi que era, procurava na m�sica e nos poemas da sua tradi��o espiritual levar a palavra de Al� aos quarto cantos do mundo.

Na compila��o “Sufi Soul” (Network 97) pode ler-se as seguintes palavras de NFAK: “Quero transmitir a mensagem de paz e amor ao mundo e trazer a palavra de Deus bem pr�ximo do povo. Para n�s, a m�sica dos Sufis � como uma ponte que une v�rios povos. Convida todos a darem as suas m�os. � o caminho da reconcilia��o.”

De facto, se olharmos para a not�vel carreira de NFAK, chegamos � conclus�o que este “quarto tenor” espalhou pelo mundo as mensagens do Isl�o e do Sufismo, impregnadas de amor e devo��o, afecto e tranquilidade. Algumas das mat�rias base dos poemas que interpreta, muitos deles escritos h� mais de 500 anos.

Venerado como um semi Deus no Paquist�o, NFAK cedo foi descoberto no Ocidente por Peter Gabriel. O seu nome � sin�nimo de met�foras que demonstram liga��es indissoci�veis entre Ocidente e Oriente, tradi��o e modernidade, sagrado e profano, por culpa das suas m�ltiplas experi�ncias com m�sicos de �reas t�o diversas como o rock, o trip hop, a dan�a e o experimentalismo.

Os seus trabalhos com Michael Brook, Massive Attack, Eddie Vedder, Bally Sagoo e Peter Gabriel, apesar de levarem as mensagens dos Sufis para fora do seu ambiente, foram respons�veis pelo surgir de inimigos no seio da comunidade de m�sicos qawwali (m�sica de devo��o dos Sufis), que sentiram a sua cultura contaminada.

A sua exemplar t�cnica vocal, plena de improviso em m�ltiplas inflex�es, foi provavelmente melhor compreendida no Ocidente. Entre os in�meros f�s de NFAK, Jeff Buckey foi aquele que melhor descreveu e interiorizou o sentimento de escutar um disco daquele que � considerado por muitos o Pavarotti asi�tico. Vale a pena ler as palavras de Jeff publicadas na compila��o de NFAK “The Supreme Collection Vol 1″, editada pela label americana Caroline Records dez dias depois da morte deste carism�tico paquistan�s. Disco que viria a ser dedicado � mem�ria de Jeff Buckey que morreu afogado, a 29 de Maio de 97, cerca de tr�s meses antes do cora��o de NFAK ter batido pela �ltima vez.

Jeff contava-nos que “a primeira vez que ouvi Nusrat Fateh Ali Khan estava em Harlem, em 1990. Eu e o meu companheiro de quarto ouv�amos m�sica em volume muito alto. Nessa altura and�vamos imersos no toque da mar� ondulante dos ritmos sombrios de tablas do Punjab, espica�ados pelo sincronizado bater de palmas que irrompia de cima e de baixo num ritmo r�gido e perfeito. (…) De repente escut�mos uma, depois dez vozes pairando no ar como se tratasse de um bando de gansos ascendendo ao c�u em forma��o. Finalmente a voz de NFAK. Parte Buda, parte dem�nio, parte anjo louco… a sua voz era suave e escaldante, simplesmente incompar�vel.

A mistura do improviso na arte cl�ssica do ‘qawwali’, combinado com o seu estilo audacioso e a sua sensibilidade, transporta-o para uma categoria s� sua, acima de todos os outros que se movem na sua �rea… Para os verdadeiros qawwalis todos os significados na m�sica existem simultaneamente e n�o h� necessidade de um dogma religioso. H� apenas a peregrina��o em direc��o � luz que procuramos no fundo do cora��o, que � a casa de Deus. Existe apenas a pura devo��o e um feroz virtuosismo para ganhar asas e planar atrav�s da m�sica. De dar um beijo nos olhos de Al� e cantar o seu olhar de amor pelos homens.”

Apesar de ter NFAK como pano de fundo, esta “Hommage � Nusrat Fateh Ali Khan” � uma compila��o que abre com um tema do antigo mestre do qawwali e depois vagueia algures entre a S�ria, o Azerbeij�o, Uzebequist�o, Ir�o, Senegal, �ndia, Paquist�o e Punbjab, atrav�s de m�sicos associados � tradi��o Sufi. Esta poderia ser uma esp�cie de segundo volume da colec��o “Sufi Soul”. Mas n�o �. A diferen�a est� em que todos os grupos, apesar de n�o efectuarem quaisquer “covers” de NFAK, escolheram poemas apropriados � mem�ria do paquistan�s e musicaram-nos. Ao longo dos dois discos ouvem-se mensagens m�sticas como “hoje � o dia em que a minha alma parte do meu corpo”, “o meu amado regressou a casa”, “a vida n�o � a mesma sem ti”, ou mais realistas como: “sei que nada regressa”.

Tal como em “Sufi Soul”, esta � uma oportunidade para tomarmos um primeiro contacto com alguns nomes que merecem alguma aten��o por parte de quem tem o ouvido mais exercitado para tais devo��es sonoras. Caso de Munadjat Yulchieva, uma blues woman do Uzebequist�o, dona de uma profunda e intensa voz. Atributos que contrariam a tese de NFAK, quando afirmava que as mulheres n�o t�m resist�ncia para cantar qawwali. Outras descobertas felizes prendem-se com a calorosa voz do iraniano Sharam Nazeri, ou a curiosidade de escutarmos o senegal�s Cheik L� em andamento bem diferente do seu disco de estreia “N� La Thiass”. Ele que faz parte do movimento Sufi senegal�s Baye Fall.

“Hommage � NFAK” � uma compila��o no estilo mais puro e duro da tradi��o Sufi. Bem longe do conceito de “Star Rise” lan�ado pela Real World no final de 97, disco que re�ne remisturas de temas gravados por Nusrat e Michael Brook, assinadas por Asian Dub Foundation, Fun~da~Mental, Talvin Singh e Nitin Sawhnew, entre outros.

Dado a forma de jogar em muitos tabuleiros que caracterizou a carreira e obra de NFAK, s� nos resta ficar � espera que um dia surja uma outra homenagem a este �cone Sufi. E essa, feita por gente como Eddie Vedder, Peter Gabriel, Mick Jagger (que se confessa f� de NFAK), Trent Reznor e at� mesmo o malogrado Jeff Buckley (caso aproveitem uma vers�o de 20 minutos de “Hulka-Hulka” que este gravou nas sess�es de “Live at Sin-�”).

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KIMMO POHONEN, KROKE, BORIS KOVAC: A Sant?ssima trindade da folk europeia

April 14, 2003

Kroke
Ten Pieces to Save the World
(Oriente / Megam?sica)

Kimmo Pohjonen
Kluster
(Rocadillo / Mundo da Can??o)

Boris Kovac & Ladaaba Orkest
Ballads at the End of Time
(Piranha / Megam?sica)

Kroke, Kimmo Pohjonen e Boris Kovac encontram-se no clube restrito dos compositores e int?rpretes da folk do velho continente que, ap?s terem estudado a fundo as suas tradi??es musicais (afinal, a matriz do seu trabalho), conseguem apresentar solu??es inovadoras, extravasando a geografia e as compartimenta??es estanques a que muitos g?neros estavam sujeitos pelos mais puristas, conferindo uma nova e empolgante dimens?o ao seu legado, sem necessidade de ceder aos clich?s das modas da miscigena??o de ocasi?o, impostas pelo mercado editorial e pelos produtores de espect?culos.

Os polacos Kroke de s?lida forma??o cl?ssica e jazz?stica, para quem a m?sica klezmer ? um modo de vida, continuam a esbater todas as fronteiras da m?sica caracter?stica da di?spora judaica, aprofundando a ruptura com o modelo de base um pouco mais conservador (mas que, m?os dos Kroke ? bastante criativo, basta escutar o ?lbum ao vivo “Live at The Pit”) assente na tr?ade violino, contrabaixo e acorde?o. “Sounds Of The Vanishing World” (de 99) f?-los olhar para o Universo atrav?s de uma janela em Crac?via. Em “Ten Pieces To Save The World” os Kroke tornam-se cidad?os errantes do mundo, sem contudo perderem as suas maiores refer?ncias. O sangue klezmer a continua a correr-lhes nas veias. Em “Cave”, tema inicial, mant?m o mesmo tom fren?tico, a sublime t?cnica com que mudam frequentemente de ritmo e pe?a, incorporando agora instrumentos de sopro, guitarra e percuss?o (al?m daquela que Tomasz Kukurba improvisa com o seu contra-baixo), em flashes de flamenco e m?sica mediterr?nica de aroma turco que encaixam na perfei??o, como num puzzle, entre andamentos klezmer de euforia e tristeza. Em “Cave”, escutam-se pingos a cair por entre ambientes electr?nicos e soturnos de contempla??o aos Boards of Canada. “Montains” repleto de altos e baixos como as montanhas e a folk norueguesa, revela-nos o lado mais cl?ssico-contempor?neo por via das cordas. Um ?lbum inovador, com solu??es simples onde uns assobios, um estalar de dedos, um dedilhar do contra-baixo e um acorde?o manso, chegam para construir uma pe?a carregada de swing (“Take It Easy”).

Embuido do esp?rito da Sibelius Academy e de um dos mais carism?ticos professores de m?sica finlandeses, Heikki Leitinen que aconselha primeiro a estudar a fundo a tradi??o e posteriormente a efectuar trabalho explorat?rio, a ir mais al?m, Kimmo Pohjonen cedo se revelou como um dos mais criativos, rebeldes e consistentes m?sicos da folk europeia. J? no seu anterior projecto, os Ottopasuuna, testava o experimentalismo (sobretudo em “Suokaasua”), incorporando ru?dos de correntes a serem arrastadas, decompondo melodias, sem perder a adocicada sonoridade da folk finlandesa. No seu projecto a solo, Pohjonen, transcende-se, projectando momentos de tens?o e ambientes sombrios kalevaliano-cibern?ticos. “Kluster” ? a parte dois de “Kielo” onde a folk purista ? literalmente implodida. Aqui Pohjonen usa o acorde?o como um instrumento de destrui??o maci?a, ocupando todo o nosso espectro sonoro, inquietando-nos, amorda?ando-nos a alma. As notas que tira do fole contaminado por overdubs e samples do pr?prio acorde?o usados como percuss?o, s?o como m?sseis que explodem nas nossas colunas, anunciando o apocalipse de forma t?o veemente quanto a israelita Meira Asher.

Boris Kovac apresenta a sequela de “Last Balkan Tango”, m?sica p?s-apocal?tica para fazer dan?ar quem sobreviveu ao fim do mundo, carregada de nostalgia, humor negro e eleg?ncia, de coordenadas bem definidas no grande caldeir?o balc?nico da extrema pobreza cigana, mas a piscar o olho ?s vetustas e decandentes valsas, cha cha chas e tango de requintada ostenta??o, prato forte dos bailes nobres dos grandes sal?es imperiais da velha e rica Europa. H? na m?sica deste jugoslavo um certo toque minimal e cin?filo, tornando-o numa op??o pertinente para criar os ambientes sonoros dos maravilhosos universos imagin?rios de Peter Greenway, em alternativa a Michael Nyman. S?o deliciosas as passagens em que se escutam vozes de rua que parecem ser italianas e que se erguem dos escombros de uma guerra nuclear, ou quando o jazz swingante rasga a toda a tristeza melanc?lica que atravessa o ?lbum e devolve-nos a alegria esfuziante de uma big band dos anos 40 / 50.

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KIMMO POHONEN, KROKE, BORIS KOVAC: A Sant�ssima trindade da folk europeia

April 14, 2003

Kroke
Ten Pieces to Save the World
(Oriente / Megam�sica)

Kimmo Pohjonen
Kluster
(Rocadillo / Mundo da Can��o)

Boris Kovac & Ladaaba Orkest
Ballads at the End of Time
(Piranha / Megam�sica)

Kroke, Kimmo Pohjonen e Boris Kovac encontram-se no clube restrito dos compositores e int�rpretes da folk do velho continente que, ap�s terem estudado a fundo as suas tradi��es musicais (afinal, a matriz do seu trabalho), conseguem apresentar solu��es inovadoras, extravasando a geografia e as compartimenta��es estanques a que muitos g�neros estavam sujeitos pelos mais puristas, conferindo uma nova e empolgante dimens�o ao seu legado, sem necessidade de ceder aos clich�s das modas da miscigena��o de ocasi�o, impostas pelo mercado editorial e pelos produtores de espect�culos.

Os polacos Kroke de s�lida forma��o cl�ssica e jazz�stica, para quem a m�sica klezmer � um modo de vida, continuam a esbater todas as fronteiras da m�sica caracter�stica da di�spora judaica, aprofundando a ruptura com o modelo de base um pouco mais conservador (mas que, m�os dos Kroke � bastante criativo, basta escutar o �lbum ao vivo “Live at The Pit”) assente na tr�ade violino, contrabaixo e acorde�o. “Sounds Of The Vanishing World” (de 99) f�-los olhar para o Universo atrav�s de uma janela em Crac�via. Em “Ten Pieces To Save The World” os Kroke tornam-se cidad�os errantes do mundo, sem contudo perderem as suas maiores refer�ncias. O sangue klezmer a continua a correr-lhes nas veias. Em “Cave”, tema inicial, mant�m o mesmo tom fren�tico, a sublime t�cnica com que mudam frequentemente de ritmo e pe�a, incorporando agora instrumentos de sopro, guitarra e percuss�o (al�m daquela que Tomasz Kukurba improvisa com o seu contra-baixo), em flashes de flamenco e m�sica mediterr�nica de aroma turco que encaixam na perfei��o, como num puzzle, entre andamentos klezmer de euforia e tristeza. Em “Cave”, escutam-se pingos a cair por entre ambientes electr�nicos e soturnos de contempla��o aos Boards of Canada. “Montains” repleto de altos e baixos como as montanhas e a folk norueguesa, revela-nos o lado mais cl�ssico-contempor�neo por via das cordas. Um �lbum inovador, com solu��es simples onde uns assobios, um estalar de dedos, um dedilhar do contra-baixo e um acorde�o manso, chegam para construir uma pe�a carregada de swing (“Take It Easy”).

Embuido do esp�rito da Sibelius Academy e de um dos mais carism�ticos professores de m�sica finlandeses, Heikki Leitinen que aconselha primeiro a estudar a fundo a tradi��o e posteriormente a efectuar trabalho explorat�rio, a ir mais al�m, Kimmo Pohjonen cedo se revelou como um dos mais criativos, rebeldes e consistentes m�sicos da folk europeia. J� no seu anterior projecto, os Ottopasuuna, testava o experimentalismo (sobretudo em “Suokaasua”), incorporando ru�dos de correntes a serem arrastadas, decompondo melodias, sem perder a adocicada sonoridade da folk finlandesa. No seu projecto a solo, Pohjonen, transcende-se, projectando momentos de tens�o e ambientes sombrios kalevaliano-cibern�ticos. “Kluster” � a parte dois de “Kielo” onde a folk purista � literalmente implodida. Aqui Pohjonen usa o acorde�o como um instrumento de destrui��o maci�a, ocupando todo o nosso espectro sonoro, inquietando-nos, amorda�ando-nos a alma. As notas que tira do fole contaminado por overdubs e samples do pr�prio acorde�o usados como percuss�o, s�o como m�sseis que explodem nas nossas colunas, anunciando o apocalipse de forma t�o veemente quanto a israelita Meira Asher.

Boris Kovac apresenta a sequela de “Last Balkan Tango”, m�sica p�s-apocal�tica para fazer dan�ar quem sobreviveu ao fim do mundo, carregada de nostalgia, humor negro e eleg�ncia, de coordenadas bem definidas no grande caldeir�o balc�nico da extrema pobreza cigana, mas a piscar o olho �s vetustas e decandentes valsas, cha cha chas e tango de requintada ostenta��o, prato forte dos bailes nobres dos grandes sal�es imperiais da velha e rica Europa. H� na m�sica deste jugoslavo um certo toque minimal e cin�filo, tornando-o numa op��o pertinente para criar os ambientes sonoros dos maravilhosos universos imagin�rios de Peter Greenway, em alternativa a Michael Nyman. S�o deliciosas as passagens em que se escutam vozes de rua que parecem ser italianas e que se erguem dos escombros de uma guerra nuclear, ou quando o jazz swingante rasga a toda a tristeza melanc�lica que atravessa o �lbum e devolve-nos a alegria esfuziante de uma big band dos anos 40 / 50.

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WATERSON CARTHY + ELIZA CARTHY: A fam?lia inglesa que adoramos e detestamos

April 10, 2003

Waterson: Carthy
Dark Light
Topic / Megam?sica

Eliza Carthy
Anglicana
Topic / Megam?sica

Clientes habituais das listas de fim de ano referentes aos melhores ?lbuns de folk, o cl? Waterson: Carthy assina provavelmente o disco mais inspirado deste colectivo. Um disco que reconcilia os portugueses que assistiram recentemente ? arrog?ncia de Martin Carthy no Teatro Cam?es com a real fam?lia da folk brit?nica. Nessa curta actua??o, o melhor que se viu foi o esp?rito endiabrado do novo elemento Tim Van Eyken (em melodion) em perfeita sintonia com o violino da tamb?m irreverente Eliza Carthy (muito melhor aqui do que enquanto solista). Ora escute-se o set “Balancy Straw”. “A Dark Light”, recebe toda essa energia renovada e, contrariamente ao que o t?tulo possa transparecer, ? o ?lbum mais luminoso dos Waterson: Carthy. Este tributo aos cantores brit?nicos que influenciaram a carreira destes m?sicos, tem o dom de colocar o registo vocal de Norma Waterson num tom menos sofrido do que ? habitual. Sublime a graciosidade que emana do dueto entre m?e e filha (Eliza) em “Crystal Spring”. Martin Carthy abandonou o autoritarismo denotado no “Festival da M?sica e dos Portos” e o seu ego diluiu-se num trabalho que resulta mais pelo colectivo do que pelas individualidades, apesar da sua marcante carreira que representar? sempre o passado o presente e o futuro da folk brit?nica.

Em “Anglicana” Eliza passou bruscamente da rebeldia para a maturidade, assinando o melhor disco da sua carreira, que sucede ao pior “Angels and Cigarretes”. Um registo que estava a lev?-la para o gueto de um sub produto folk punk de linhagem Oyster Band e Pogues. Agora sim, Eliza edita um ?lbum cujos pais, Martin Carthy e Norma Waterson, podem orgulhar-se. “Anglicana” pode bem ser considerado uma extens?o do trabalho do trio desenvolvido no projecto Waterson: Carthy. Tendo como objectivo recuperar antigas can??es brit?nicas e com elas o profundo sentimento de “englishness”, Eliza eleva-se ao Olimpo das grandes divas da folk da velha albion, exibindo uma seguran?a e um tom cristalino de voz not?vel, sobretudo em “Just As The Tide Was Flowing” e “Willow Tree”, onde se encontra mais exposta. Em “Anglicana”, a autora definitivamente convence-se que para modernizar melodias e arranjos, n?o ? necess?rio interpretar a m?sica popular no formato de uma banda rock. Basta deixar-se levar pela simplicidade e agilidade dos m?sicos que a acompanham, ora no som met?lico das cordas de uma guitarra ac?stica (”Limbo”), ora com o acorde?o em di?logo infernal com o violino (”No Man’s Jig”) e que nos remete para aquele universo irland?s, pleno de espontaneidade e vigor.

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WATERSON CARTHY + ELIZA CARTHY: A fam�lia inglesa que adoramos e detestamos

April 10, 2003

Waterson: Carthy
Dark Light
Topic / Megam�sica

Eliza Carthy
Anglicana
Topic / Megam�sica

Clientes habituais das listas de fim de ano referentes aos melhores �lbuns de folk, o cl� Waterson: Carthy assina provavelmente o disco mais inspirado deste colectivo. Um disco que reconcilia os portugueses que assistiram recentemente � arrog�ncia de Martin Carthy no Teatro Cam�es com a real fam�lia da folk brit�nica. Nessa curta actua��o, o melhor que se viu foi o esp�rito endiabrado do novo elemento Tim Van Eyken (em melodion) em perfeita sintonia com o violino da tamb�m irreverente Eliza Carthy (muito melhor aqui do que enquanto solista). Ora escute-se o set “Balancy Straw”. “A Dark Light”, recebe toda essa energia renovada e, contrariamente ao que o t�tulo possa transparecer, � o �lbum mais luminoso dos Waterson: Carthy. Este tributo aos cantores brit�nicos que influenciaram a carreira destes m�sicos, tem o dom de colocar o registo vocal de Norma Waterson num tom menos sofrido do que � habitual. Sublime a graciosidade que emana do dueto entre m�e e filha (Eliza) em “Crystal Spring”. Martin Carthy abandonou o autoritarismo denotado no “Festival da M�sica e dos Portos” e o seu ego diluiu-se num trabalho que resulta mais pelo colectivo do que pelas individualidades, apesar da sua marcante carreira que representar� sempre o passado o presente e o futuro da folk brit�nica.

Em “Anglicana” Eliza passou bruscamente da rebeldia para a maturidade, assinando o melhor disco da sua carreira, que sucede ao pior “Angels and Cigarretes”. Um registo que estava a lev�-la para o gueto de um sub produto folk punk de linhagem Oyster Band e Pogues. Agora sim, Eliza edita um �lbum cujos pais, Martin Carthy e Norma Waterson, podem orgulhar-se. “Anglicana” pode bem ser considerado uma extens�o do trabalho do trio desenvolvido no projecto Waterson: Carthy. Tendo como objectivo recuperar antigas can��es brit�nicas e com elas o profundo sentimento de “englishness”, Eliza eleva-se ao Olimpo das grandes divas da folk da velha albion, exibindo uma seguran�a e um tom cristalino de voz not�vel, sobretudo em “Just As The Tide Was Flowing” e “Willow Tree”, onde se encontra mais exposta. Em “Anglicana”, a autora definitivamente convence-se que para modernizar melodias e arranjos, n�o � necess�rio interpretar a m�sica popular no formato de uma banda rock. Basta deixar-se levar pela simplicidade e agilidade dos m�sicos que a acompanham, ora no som met�lico das cordas de uma guitarra ac�stica (”Limbo”), ora com o acorde�o em di�logo infernal com o violino (”No Man’s Jig”) e que nos remete para aquele universo irland�s, pleno de espontaneidade e vigor.

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V?RTTIN?: Depois da pop, em busca de ra?zes carelianas

April 10, 2003

V?rttin?
6:12
(Resistencia / Sabotage)

Ao longo de mais de vinte anos, os finlandeses V?rttin? j? sobreviveram a um pouco de tudo. ? perda da antiga l?der Sari Kaasinen. ?s constantes mudan?as na forma??o, quer no quarteto de vozes femininas, quer no sexteto de instrumentistas. ? chegada de m?sicos oriundos de outras paragens al?m Raakkylaa (a localidade natal que marcou a sonoridade da banda). ? press?o de carregarem consigo pelo mundo o ep?teto de principal banda da folk finlandesa (e uma das refer?ncias obrigat?rias da tradi??o Escandin?via). E, consequentemente, ? tentativa de equil?brio de for?as entre as ra?zes da m?sica de Car?lia e ? formata??o pop. As raparigas da frente continuam com o mesmo vigor e calor vocal que sempre as caracterizou, agora um pouco mais controladas relativamente aos excessos de uma coreografia algo de festival da can??o. A base r?tmica continua s?lida como uma rocha, excessivamente eficiente, com certo preju?zo para a espontaneidade. “6:12″, ?lbum ao vivo editado por uma das mais excitantes bandas que se pode ver em cima de um palco, surge num momento chave em que os V?rttin? parecem estar a fazer uma invers?o na sua carreira: a pouco e pouco v?o deixando de fazer concess?es ?s leis de mercado, deixando os arranjos pop, para mergulharem a fundo nas suas ra?zes r?nicas milenares (como ? vis?vel por exemplo em “Aij?”), ? semelhan?a do que tem acontecido com os Hedningarna. O anterior ?lbum de est?dio, “Ilmatar” (provavelmente o melhor depois da fase mais depurada que tem em “Oi Dai” a principal refer?ncia), deu o mote. Alguns dos temas em “6:12″ parecem prenunciar essa hip?tese. No entanto, os la?os do passado recente ainda est?o bem apertados. Da? que as expectativas sejam grandes, relativamente a um pr?ximo ?lbum de originais.

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V�RTTIN�: Depois da pop, em busca de ra�zes carelianas

April 10, 2003

V�rttin�
6:12
(Resistencia / Sabotage)

Ao longo de mais de vinte anos, os finlandeses V�rttin� j� sobreviveram a um pouco de tudo. � perda da antiga l�der Sari Kaasinen. �s constantes mudan�as na forma��o, quer no quarteto de vozes femininas, quer no sexteto de instrumentistas. � chegada de m�sicos oriundos de outras paragens al�m Raakkylaa (a localidade natal que marcou a sonoridade da banda). � press�o de carregarem consigo pelo mundo o ep�teto de principal banda da folk finlandesa (e uma das refer�ncias obrigat�rias da tradi��o Escandin�via). E, consequentemente, � tentativa de equil�brio de for�as entre as ra�zes da m�sica de Car�lia e � formata��o pop. As raparigas da frente continuam com o mesmo vigor e calor vocal que sempre as caracterizou, agora um pouco mais controladas relativamente aos excessos de uma coreografia algo de festival da can��o. A base r�tmica continua s�lida como uma rocha, excessivamente eficiente, com certo preju�zo para a espontaneidade. “6:12″, �lbum ao vivo editado por uma das mais excitantes bandas que se pode ver em cima de um palco, surge num momento chave em que os V�rttin� parecem estar a fazer uma invers�o na sua carreira: a pouco e pouco v�o deixando de fazer concess�es �s leis de mercado, deixando os arranjos pop, para mergulharem a fundo nas suas ra�zes r�nicas milenares (como � vis�vel por exemplo em “Aij�”), � semelhan�a do que tem acontecido com os Hedningarna. O anterior �lbum de est�dio, “Ilmatar” (provavelmente o melhor depois da fase mais depurada que tem em “Oi Dai” a principal refer�ncia), deu o mote. Alguns dos temas em “6:12″ parecem prenunciar essa hip�tese. No entanto, os la�os do passado recente ainda est�o bem apertados. Da� que as expectativas sejam grandes, relativamente a um pr�ximo �lbum de originais.

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MALINKY: A revolu??o brit?nica

April 9, 2003

Malinky
Three Ravens
Greentrax / Mundo da Can??o

A experi?ncia diz-nos que a folk da Gr?-Bretanha, ao contrario da n?rdica, dificilmente se compadece com grandes inova??es. Apesar de pertencer ? nova gera??o de m?sicos escoceses, os Malinky demarcam-se de bandas como os Burach, Shooglenifty ou Peatbog Fearies, ao abordarem can??es escocesas e composi??es instrumentais irlandesas pela via ac?stica. As inebriantes vozes de Karine Polwart e Steve Byrne, devolvem-nos a celestial experi?ncia de escutar um disco dos Planxty. O bouzouky de Byrne, a “button box” de McCann e o violino de Bews evocam a destreza m?gica do novo sangue de uns Dervish. Fazendo apologia de “a tradi??o deve ser como sempre foi”, os Malinky n?o est?o, contudo presos ao passado. V?o temperando a sua m?sica com pequenas mas certas doses de especiarias (o sussurrar de fundo na can??o em accapella “The Sound of a Tear Not Cries”, o “drone” provocado pelo violino em “Three Ravens”). A par com os galeses Fernhill, os Malinky figuram no lote das novas bandas brit?nicas com um futuro mais promissor.

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MALINKY: A revolu��o brit�nica

April 9, 2003

Malinky
Three Ravens
Greentrax / Mundo da Can��o

A experi�ncia diz-nos que a folk da Gr�-Bretanha, ao contrario da n�rdica, dificilmente se compadece com grandes inova��es. Apesar de pertencer � nova gera��o de m�sicos escoceses, os Malinky demarcam-se de bandas como os Burach, Shooglenifty ou Peatbog Fearies, ao abordarem can��es escocesas e composi��es instrumentais irlandesas pela via ac�stica. As inebriantes vozes de Karine Polwart e Steve Byrne, devolvem-nos a celestial experi�ncia de escutar um disco dos Planxty. O bouzouky de Byrne, a “button box” de McCann e o violino de Bews evocam a destreza m�gica do novo sangue de uns Dervish. Fazendo apologia de “a tradi��o deve ser como sempre foi”, os Malinky n�o est�o, contudo presos ao passado. V�o temperando a sua m�sica com pequenas mas certas doses de especiarias (o sussurrar de fundo na can��o em accapella “The Sound of a Tear Not Cries”, o “drone” provocado pelo violino em “Three Ravens”). A par com os galeses Fernhill, os Malinky figuram no lote das novas bandas brit�nicas com um futuro mais promissor.

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13� Interc�ltico do Porto: Sinal Menos

April 8, 2003

MERCEDES PE�N

Quem tinha a obriga��o de defender um dos mais interessantes �lbuns de folk editados recentemente, n�o podia apresentar um concerto destes. A actua��o de Mercedes Pe�n foi a nega��o de tudo aquilo que �Isu� (o excelente �lbum) representa: a diversidade da m�sica tradicional galega aberta a miscigena��es �rabes e navegando aqui e ali por �guas brit�nicas. O som n�o era o melhor, � certo, com total preju�zo para as gaitas e para a voz secund�ria. Mas, a constante op��o por converter todos os temas num formato rock algo saudosista de guitarra el�ctrica estafada e um baixo intensamente decalcado que, em vez de marcar o ritmo de forma discreta, tornou-se numa presen�a omnipresente e de grande protagonismo. J� algu�m dizia que juntar comida boa com comida estragada, d� comida estragada e n�o comida assim-assim. Foi o que aconteceu. Nem zumbidos de sanfona, nem um pouco da riqueza dos instrumentos locais feitos com mat�ria natural (pinhas, conchas, etc). Apenas uma ENCHADA e uma pedra num batuque incipiente. Tudo, ou quase tudo foi remetido para o formato b�sico guitarra-baixo-bateria, com alguma gaita e pandeireta � espa�os. Se quis�ssemos escutar rock galego, ficar�amos bem melhor servidos com grupos como os Ressentidos ou os Siniestro Total.

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13� Interc�ltico do Porto: Sinal Intermitente (2)

April 8, 2003

SHANTALLA

Foram v�timas da gritante falta de p�blico no primeiro dia e da inesperada aus�ncia da vocalista (e �bohdran player�) escocesa, Helen Flahenty. N�o fizeram gala das mort�feras mudan�as de tempo entre �jigs� e �reels�, que exibem nos seus dois discos editados pela belga Wild Boar Music (para breve, uma recens�o cr�tica a �Seven Evenings, Seven Mornings�), acabando por se tornar nuns filhos de um Dru�da menor. Faltou vivacidade, alguma t�cnica sobretudo �s uillean pipes de Michael Horgan e um melhor entrosamento entre o quarteto e a vocalista-bombeira contratada para a ocasi�o: Niamh Parsons, dona de uma excelente voz, que j� esteve no Interc�ltico h� uns sete anos atr�s com os Arcady. Ela que � uma representante da fac��o de mais cl�ssica da folk das ilhas brit�nicas, trouxe sobretudo maior serenidade ao grupo, quando deveria incutir exactamente o contr�rio. Mais um colectivo que n�o deixou saudades.

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13� Interc�ltico do Porto: Sinal Intermitente

April 8, 2003

GAITEIROS DE LISBOA

A noite foi aziaga para os Gaiteiros de Lisboa. O som n�o era o melhor. E o acerto dos aerofones tamb�m n�o. O factor novidade tamb�m n�o se fez sentir, num espect�culo que n�o acrescentou pouco acresentou �s actua��es da Aula Magna e de Sendim, j� l� vai quase um ano. As percuss�es (mais um momento magn�fico de Jos� Salgueiro secundado por Paulo Charneca) e alguns dos temas de �Invas�es B�rbaras� (como �o Menino Est� na Neve�, �Lhoba�, �N�s Daqui Vos Dali�) foram a espa�os despertando, mais pela t�cnica da for�a, do que pela for�a da t�cnica, o interesse da audi�ncia que enchia a plateia (a tribuna encontrava-se vazia) do Coliseu. No entanto, alturas houve em que os Gaiteiros iam passando completamente ao lado do p�blico, que n�o deu pelo rebentar do �Macar�u� nem pelo chilrear do pardal. Talvez por isso n�o tenha havido �Tr�ngulo M�ngulo� nem t�o pouco �Subir Subir�, no encore. Apesar de este ter sido um concerto desinspirado e, talvez, pouco ensaiado, tal facto n�o mancha o estatuto de melhor e mais audacioso projecto de m�sica de cariz tradicional em Portugal. No entanto, momentos destes n�o ajudam nada quem j� devia, h� muito, ter-se afirmado no circuito de folk / world europeu. Com um pouco mais de consist�ncia que se consegue com mais ensaios, doseando melhor a criatividade e passando para um patamar t�cnico um pouco mais elevado, os Gaiteiros de Lisboa podem tornar-se, finalmente, numa das bandas de ponta da folk europeia. Sofrem um pouco do s�ndroma de alguns g�nios do futebol portugu�s: muito criativos e sedutores mas, por vezes, pouco eficazes.

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13� Interc�ltico do Porto: Sinal Mais (2)

April 8, 2003

FOUR MEN AND THE DOG

Privados do seu entretainer mor, Gino Lupari, os irlandeses Four Man and The Dog, fizeram pela vida e mostraram-nos aquilo que melhor sabem fazer: cruzar o melhor da m�sica tradicional irlandesa com algum bluegrass americano e algumas pinceladas de rhythm & blues (poucas). Sem efectuarem um espect�culo que prometera ser vistoso e interac��o com o p�blico, os m�sicos refugiaram-se na execu��o de mort�feras dan�as polkas, jigs e reels, com o bodhram a marcar os ritmos de constantes e deliciosos despiques entre violino e banjo (por vezes eram dois). Apesar de o banjo nos fazer saltar � mem�ria os saloons, os chap�us de cowboy e as vertiginosas persegui��es de cavalos, o banjo, como fez quest�o de frisar, Gerry O�Connor tornou-se um instrumento muito popular na Irlanda, devido � ac��o de Barney MacKeena dos Dubliners. Para o final, o grupo reservou-nos uma nova leitura de �Music For Found Harmonium� de Simon Jeffs, provavelmente o tema n�o tradicional mais interpretado por bandas folk, num registo assaz acelerado e repleto de emotividade, numa tr�ade violino-acorde�o-guitarra de encher a alma.

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13� Interc�ltico do Porto: Sinal Mais

April 8, 2003

BRIGADA V�TOR JARA

Na antevis�o, dizia-se que apesar do rigor, eleg�ncia e seriedade, a Brigada V�tor Jara dificilmente conseguiria apresentar arranjos arrojados do cancioneiro nacional. Pois enganei-me redondamente. Com a responsabilidade de abrir o festival e perante uma plateia despida de p�blico (no primeiro dia), a Brigada deu provavelmente o melhor concerto que me recordo de ter visto deste colectivo. Arriscaram e trouxeram o sexteto Tom�s Pimentel, com quem estavam a trabalhar h� cerca de cinco dias, para o seu novo discon que, pelo que aqui foi revelado, promete. Se o colectivo da Brigada j� � enorme, imagine-se mais uma meia d�zia de m�sicos em cima do palco. Uma verdadeira big band de cerca de 20 elementos que, apesar de n�o ter solistas, foi trabalhando o legado de mais de tr�s d�cadas de can��es com o requinte de um joalheiro habituado a manusear pe�as de filigrana, ora atrav�s de arranjos jazz�sticos subtis que davam uma vis�o tridimensional ao legado popular, eficazmente acompanhado pelo pianista de servi�o (que borrava um pouco o quadro quando optava pelos tapetes ambientais do sintetizador), ora em registos contidos de fanfarra. Um regalo para os ouvidos. Manuel Rocha, o porta-voz do grupo manteve a sua postura de excelente mestre de cerim�nias, quer apresentando com � vontade os temas que se iam sucedendo, quer borrifando a assist�ncia com um certo humor mordaz, ao explicar a g�nese do nome da banda, afirmando que tinham optado pelo lado dos �maus�, j� que na outra trincheira estava o General Pinochet. Ainda sobre a situa��o cr�tica que se vive actualmente, Manuel Rocha afirmava ter um certo receio �de plantar um campo de trigo nas Lajes, pois temia ser v�tima de danos colaterais�. Mais do que pertencer a determinado eixo, a Brigada fez quest�o de frisar que pertence a �meio qualquer coisa�.

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13� Interc�ltico do Porto: Sinal Mais Mais

April 8, 2003

ALTAN

Que melhor banda poderia escolher a organiza��o para fechar com chave de ouro mais uma edi��o do Interc�ltico sen�o, provavelmente, o melhor colectivo irland�s da nova gera��o (apesar de estes j� contarem com cerca de 20 anos de estrada)? Embora os mais recentes registos discogr�ficos j� n�o tenham a frescura e o efeito surpresa daqueles de h� dez / quinze anos atr�s (como por exemplo �Red Crow� ou �Island Angel�), os Altan, perante a plateia e tribuna do Coliseu praticamente cheios, cedo come�aram a desferir golpes certeiros com sets de �jigs� e �reels�, causando a rendi��o imediata do p�blico que nem sequer regateou aplausos euf�ricos de p�, logo no segundo embate, num Interc�ltico que at� aqui ainda n�o tinha fervido verdadeiramente de emo��o como em outros anos. A arma secreta dos Altan reside no toque certeiro, �gil e contagiante do acordeonista �voador�, Dermot Byrne, mais r�pido do que a sua pr�pria sombra, em infernal despique com os violinos inflamados de Mairead, a mentora e vocalista do colectivo de Donegal, e Ciarian Tourish. Raz�o tinham os antigos crist�os noruegueses em queimar tal instrumento por o considerar obra do dem�nio. Para por �gua na fervura, Mair�ad alterna as dan�as demon�acas com baladas onde o seu registo vocal parece j� n�o ser o mesmo de h� uns anos atr�s (ou pelo menos aquele que escutamos nos discos), no entanto � suficiente para nos transmitir a ideia de para�so na terra, depois de experimentarmos o Inferno. Brilhante.

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13� Interc�ltico do Porto: Sem romper com a tradi��o

April 8, 2003

Longe da euforia dos outros anos, O Interc�ltico completou a sua 13� edi��o com um contigente not�vel de m�sicos irlandeses, sem bret�os, onde tamb�m se notou a aus�ncia da continuidade das festividades em tons oficiais. Sim porque a festa continuou no Valentino�s com membros dos Galundum Galundiana.
Apesar de a primeira noite ter sido algo despida de p�blico (ser� a crise? ser� a sobre oferta de espect�culos musiais? Ser� o facto de o Interc�ltico ter este ano come�ado a uma quinta-feira?), o �ltimo dia que oferecia os Altan como cabe�a de cartaz devolveu a anima��o e entusiasmo de edi��es anteriores. Apesar de este ano n�o ter havido a abertura a outros horizontes como aconteceu o ano passado com a tunisina Ghalia Benali (e em outros anos com V�rttin� (Finl�ndia), Garmarna (Su�cia) e Muzisk�s (Hungria), pela boa sa�de do festival, as Cr�nicas da Terra recomendam que se retome tal pr�tica, alargada a leste (Kroke, Vasmalom, Besh�o�Drom), aos pa�ses n�rdicos (Frifot ou qualquer projecto que envolva Ale M�ller e Lena Willemark, Kimmo Pohjonen, Mari Boine) ou ao novo sangue brit�nico (Malinky � Esc�cia, Ferhill � Gales, Poozies � Inglaterra, Swap � Inglaterra / Su�cia). LR

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ORCHESTRA BAOBAB: Os “All Star” africanos

April 3, 2003

Orchestra Baobab
Specialist In All Styles
World Circuit / Megam?sica

Aproveitando a oportunidade de a Orchestra Baobab tocar em Aveiro, no pr?ximo dia 11 de Abril, aqui fica uma recens?o cr?tica ao ?lbum que a banda senegalesa vem promover. Texto publicado em Dezembro de 2002 na revista Beija Flor Natural.

A hist?ria repete-se. Depois de Buena Vista Social Club, o produtor Nick Gold volta promover o encontro de lendas das m?sicas do mundo em idade de reforma. Depois de Cuba, o Senegal. A orquestra que tocou durante os anos 70 e 80 para as principais cerim?nias da elite pol?tica africana, mant?m intacta a sonoridade de banda de baile aud?vel na reedi??o do duplo ?lbum “Pirate’s Choice”. A sua m?sica ? mutante. Tanto est? embebida em ra?zes locais mbalax, mandinga e sobretudo da regi?o Casamance (de clima ainda mais tropical), como sofre um processo de ida e volta a Cuba recebendo influ?ncias r?tmicas de salsa, de son e de bolero. Sem perder todas as qualidades t?cnicas que os notabilizaram, tanto na complementaridade vocal das cinco vozes de diferentes etnias, como na for?a da sec??o de metais (por vezes com ecos de afro beat nigeriano) e na destreza do guitarrista Barthelemy Attisso e seus intermin?veis solos que chegam a evocar a m?sica surf de Dick Dale (sobretudo em “Bul ma Miin”), a Orchestra Baobab regressa pela porta presidencial. Um registo com ares de super produ??o onde n?o falta a presen?a de Ibrahim Ferrer e Youssou N’ Dour. O produtor Nick Gold sabe o que faz e, possivelmente, conseguiu construir o pr?ximo fen?meno das m?sicas do mundo, p?s Buena Vista Social Club.

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ORCHESTRA BAOBAB: Os “All Star” africanos

April 3, 2003

Orchestra Baobab
Specialist In All Styles
World Circuit / Megam�sica

Aproveitando a oportunidade de a Orchestra Baobab tocar em Aveiro, no pr�ximo dia 11 de Abril, aqui fica uma recens�o cr�tica ao �lbum que a banda senegalesa vem promover. Texto publicado em Dezembro de 2002 na revista Beija Flor Natural.

A hist�ria repete-se. Depois de Buena Vista Social Club, o produtor Nick Gold volta promover o encontro de lendas das m�sicas do mundo em idade de reforma. Depois de Cuba, o Senegal. A orquestra que tocou durante os anos 70 e 80 para as principais cerim�nias da elite pol�tica africana, mant�m intacta a sonoridade de banda de baile aud�vel na reedi��o do duplo �lbum “Pirate’s Choice”. A sua m�sica � mutante. Tanto est� embebida em ra�zes locais mbalax, mandinga e sobretudo da regi�o Casamance (de clima ainda mais tropical), como sofre um processo de ida e volta a Cuba recebendo influ�ncias r�tmicas de salsa, de son e de bolero. Sem perder todas as qualidades t�cnicas que os notabilizaram, tanto na complementaridade vocal das cinco vozes de diferentes etnias, como na for�a da sec��o de metais (por vezes com ecos de afro beat nigeriano) e na destreza do guitarrista Barthelemy Attisso e seus intermin�veis solos que chegam a evocar a m�sica surf de Dick Dale (sobretudo em “Bul ma Miin”), a Orchestra Baobab regressa pela porta presidencial. Um registo com ares de super produ��o onde n�o falta a presen�a de Ibrahim Ferrer e Youssou N’ Dour. O produtor Nick Gold sabe o que faz e, possivelmente, conseguiu construir o pr�ximo fen�meno das m�sicas do mundo, p�s Buena Vista Social Club.

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