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KIMMO POHONEN, KROKE, BORIS KOVAC: A Sant�ssima trindade da folk europeia

April 14, 2003 · Print This Article

Kroke
Ten Pieces to Save the World
(Oriente / Megam�sica)

Kimmo Pohjonen
Kluster
(Rocadillo / Mundo da Can��o)

Boris Kovac & Ladaaba Orkest
Ballads at the End of Time
(Piranha / Megam�sica)

Kroke, Kimmo Pohjonen e Boris Kovac encontram-se no clube restrito dos compositores e int�rpretes da folk do velho continente que, ap�s terem estudado a fundo as suas tradi��es musicais (afinal, a matriz do seu trabalho), conseguem apresentar solu��es inovadoras, extravasando a geografia e as compartimenta��es estanques a que muitos g�neros estavam sujeitos pelos mais puristas, conferindo uma nova e empolgante dimens�o ao seu legado, sem necessidade de ceder aos clich�s das modas da miscigena��o de ocasi�o, impostas pelo mercado editorial e pelos produtores de espect�culos.

Os polacos Kroke de s�lida forma��o cl�ssica e jazz�stica, para quem a m�sica klezmer � um modo de vida, continuam a esbater todas as fronteiras da m�sica caracter�stica da di�spora judaica, aprofundando a ruptura com o modelo de base um pouco mais conservador (mas que, m�os dos Kroke � bastante criativo, basta escutar o �lbum ao vivo “Live at The Pit”) assente na tr�ade violino, contrabaixo e acorde�o. “Sounds Of The Vanishing World” (de 99) f�-los olhar para o Universo atrav�s de uma janela em Crac�via. Em “Ten Pieces To Save The World” os Kroke tornam-se cidad�os errantes do mundo, sem contudo perderem as suas maiores refer�ncias. O sangue klezmer a continua a correr-lhes nas veias. Em “Cave”, tema inicial, mant�m o mesmo tom fren�tico, a sublime t�cnica com que mudam frequentemente de ritmo e pe�a, incorporando agora instrumentos de sopro, guitarra e percuss�o (al�m daquela que Tomasz Kukurba improvisa com o seu contra-baixo), em flashes de flamenco e m�sica mediterr�nica de aroma turco que encaixam na perfei��o, como num puzzle, entre andamentos klezmer de euforia e tristeza. Em “Cave”, escutam-se pingos a cair por entre ambientes electr�nicos e soturnos de contempla��o aos Boards of Canada. “Montains” repleto de altos e baixos como as montanhas e a folk norueguesa, revela-nos o lado mais cl�ssico-contempor�neo por via das cordas. Um �lbum inovador, com solu��es simples onde uns assobios, um estalar de dedos, um dedilhar do contra-baixo e um acorde�o manso, chegam para construir uma pe�a carregada de swing (“Take It Easy”).

Embuido do esp�rito da Sibelius Academy e de um dos mais carism�ticos professores de m�sica finlandeses, Heikki Leitinen que aconselha primeiro a estudar a fundo a tradi��o e posteriormente a efectuar trabalho explorat�rio, a ir mais al�m, Kimmo Pohjonen cedo se revelou como um dos mais criativos, rebeldes e consistentes m�sicos da folk europeia. J� no seu anterior projecto, os Ottopasuuna, testava o experimentalismo (sobretudo em “Suokaasua”), incorporando ru�dos de correntes a serem arrastadas, decompondo melodias, sem perder a adocicada sonoridade da folk finlandesa. No seu projecto a solo, Pohjonen, transcende-se, projectando momentos de tens�o e ambientes sombrios kalevaliano-cibern�ticos. “Kluster” � a parte dois de “Kielo” onde a folk purista � literalmente implodida. Aqui Pohjonen usa o acorde�o como um instrumento de destrui��o maci�a, ocupando todo o nosso espectro sonoro, inquietando-nos, amorda�ando-nos a alma. As notas que tira do fole contaminado por overdubs e samples do pr�prio acorde�o usados como percuss�o, s�o como m�sseis que explodem nas nossas colunas, anunciando o apocalipse de forma t�o veemente quanto a israelita Meira Asher.

Boris Kovac apresenta a sequela de “Last Balkan Tango”, m�sica p�s-apocal�tica para fazer dan�ar quem sobreviveu ao fim do mundo, carregada de nostalgia, humor negro e eleg�ncia, de coordenadas bem definidas no grande caldeir�o balc�nico da extrema pobreza cigana, mas a piscar o olho �s vetustas e decandentes valsas, cha cha chas e tango de requintada ostenta��o, prato forte dos bailes nobres dos grandes sal�es imperiais da velha e rica Europa. H� na m�sica deste jugoslavo um certo toque minimal e cin�filo, tornando-o numa op��o pertinente para criar os ambientes sonoros dos maravilhosos universos imagin�rios de Peter Greenway, em alternativa a Michael Nyman. S�o deliciosas as passagens em que se escutam vozes de rua que parecem ser italianas e que se erguem dos escombros de uma guerra nuclear, ou quando o jazz swingante rasga a toda a tristeza melanc�lica que atravessa o �lbum e devolve-nos a alegria esfuziante de uma big band dos anos 40 / 50.

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Comments

2 Responses to “KIMMO POHONEN, KROKE, BORIS KOVAC: A Sant�ssima trindade da folk europeia”

  1. Lua on April 13th, 2004 5:17 pm

    Rromano suno

    Rromano suno - Gypsy Music from the Balkans 1. Esma Redzepova - Hajri ma te dike 2. Earh Wheel Sky Band…

  2. No Mundo on September 8th, 2004 3:44 am

    O Regresso II

    Just imagine there is only one stary night until the end of the world. What would we do? (…) The Ladaaba orchest offers you the perfect tour for the very last night spent in this world!!! The Last Dance Party!!!…

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