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CHICO C�SAR: UM �SANDOKAN� EM TONDELA

July 30, 2003

O Familycat foi a Tondela ver o Chico C�sar e saiu de l� encantado. Escreveu um pequena aprecia��o ao evento e publicou-o no F�rum Sons. Pedi-lhe para �postar� esse testemunho aqui. Ele s� podia dizer que sim.

Estive ontem em Tondela no lind�ssimo espa�o da ACERT onde ele deu um concerto encantador. Apenas ele, tr�s viol�es, um humor contagiante e conversa delirante com um p�blico primeiro curioso, depois surpreendido e, logo a seguir, completamente rendido.

O concerto recuperou o formato �Voz, Viol�o e Voc� (em detrimento da banda completa, e ainda bem) id�ntico ao que se encontra no cl�ssico Aos Vivos. S� deu CHICO: uma figurinha atarracada, com aquele cabelo � Sandokan-depois-de-ter-enfiado-a-cabe�a-na-turbina-de-um-Boeing-747, uma t�nica negra e vermelha sem mangas, tr�s viol�es, uma vontade enorme de conversar (fala pelos cotovelos: antes, depois, entre as can��es, comenta as letras e os acordes, improvisa�), um rebuli�o em palco que quase parece uma figura de desenho animado. One man show como j� n�o se v�em muitos.

Come�ou, como j� � h�bito, apenas com a sua voz a interpretar B�rad�ro e, antes que nos recompus�ssemos, j� est�vamos todos a cantar e dan�ar Mama Africa e a sussurrar � Primeira Vista. Praticamente, correu quase tudo de Aos Vivos e v�rias coisas do Cuzcuz Cl� e seguintes. No meio de toda a festa, apenas achei que podia ter arriscado mais coisas do �ltimo Respeitem Meus Cabelos, Brancos que �, de longe, o melhor �lbum de est�dio que ele gravou. Foi pena n�o ouvirmos P�tala Por P�tala ou Flor do Mandacaru.

N�o tivemos a N� LADEIRAS mas a galega UX�A subiu ao palco para um dueto seguida de uma maravilhosa FILIPA PAIS que partiu todos os cora��es da plateia ao cantar Onde Estar� o Meu Amor. O momento m�gico da noite.

Pelo meio ainda celebrou ZECA BALEIRO (Pedra de Responsa), JACKSON DO PANDEIRO (Sebastiana) e - depois de dois encores e com o p�blico com muito pouca vontade de o deixar ir embora - CAETANO VELOSO com Irene a encerrar um medley final (eu quero ir minha gente / eu n�o sou daqui).

Magn�fico! N�o percam se tiverem a oportunidade de o ver ao vivo. (Familycat)

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O RETRATO DE MARI BOINE

July 30, 2003

NO CANAL ARTE (Hoje

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FESTIVAL RA�ZES DO ATL�NTICO: UMA SEREIA EM MAR AGITADO

July 30, 2003

O Funchal recebeu, durante toda a semana que passou, a quinta edi��o do Festival Ra�zes do Atl�ntico. Como tantos outros, sofre as agruras dos or�amentos municipais ou governamentais dispon�veis que, atendendo � conjuntura actual, tendem a ser mais curtos. Quem n�o tem c�o ca�a com gato. Al�m de um nome de luxo � Ces�ria �vora � o evento contou com a participa��o de um grande contigente madeirense � Encontros da Eira, Pipi Noir e Xarabanda � e de um projecto a capella de Sintra (agrad�vel surpresa estes Officium) que trabalha boa parte do esp�lio madeirense recolhido pelo projecto de Rui Camacho (Xarabanda).

A excel�ncia da folk europeia

Na �ltima noite, os catal�es L�Ham de Foc exibiram todas as credenciais de um projecto a jogar nitidamente na liga dos campe�es europeus da folk europeia, em contraste com os escoceses Mac Umba, divertidos mas tecnicamente limitados a militar na 2� divis�o B.
Custa a acreditar que os festivais do continente n�o tenham �pegado� nestes valencianos. Al�m de terem dois �lbuns t�o interessantes quanto complexos (�Can�� de Dona i Home� de 2002, bem melhor que �U� de 1999), a banda tamb�m � grande, muito grande, ao vivo. Num festival de entrada gratuita, repleto de espectadores acidentais, foi not�rio o enorme respeito por quem estava em cima do palco. Coisa que raramente acontece nos festivais de maior dimens�o e de bilhetes (bem) pagos. Momentos houve, de pausa, em que se escutou… sil�ncio. Nem se ouvia t�o pouco o vizinho do lado a falar. Nem as crian�as a brincar ou a chorar. Nada. Foi bonito de se sentir. Para isso contribuiu o extremo profissionalismo dos m�sicos e dos t�cnicos de som e de luzes que conseguiram transformar metal em ouro, gra�as � simpatia de ambos e de uma not�vel disciplina em palco a fazer lembrar projectos indianos Ghazal, cujos mestres de c�tara indiana acordavam diariamente os protagonistas por volta das tr�s da manh�, para estes praticarem o instrumento.
A receita parece ser simples. � beira do mediterr�neo procura-se um ponto de contacto entre o contempor�neo e o medieval, colocam-se todos os ingredientes provenientes de Creta, do norte de �frica, da P�rsia, da folk italiana, albanesa e b�lgara num �nico caldeir�o. Serve-se tudo em bandeja de prata, num banquete que requer mais talheres do que uma refei��o imperial. � impressionante a forma como os v�rios instrumentos v�o desfilando ao longo de uma hora de �xtase. H� cordas para todos os gostos: ala�des, sanfona, cavaquinho, mandola, c�tara, salt�rio, bouzouki. H� �vientos� (como eles dizem): gaita galega, b�lgara, dol�aina, didgeridoo, clarinete e outro tipo de aerofones aparentados com a bombarda bret� e o duduk arm�nio. H� tamb�m muita percuss�o: darbuca, bendir, pandeireta, menuda, tamborina de cordas e tablas. Excelente os cinco minutos de fama de Diego L�pez, a s�s com as tablas. Mas � em Efr�n L�pez e Mara Aranda que gira todo o universo dos L�Ham de Foc. Ele � a art�ria que bombeia o sangue para toda a cria��o. Ela, a alma que ilumina esta viagem do fant�stico � intemporal pangeia mediterr�nica. Quando � que � mesmo o pr�ximo concerto dos L�Ham de Foc?

Samba com whisky

A seguir, os Mac Umba tinham por miss�o oferecer-nos a boda de um peculiar �casamento� entre as gaitas escocesas das terras altas e a percuss�o brasileira em andamento de samba. Humanamente s�o do melhor que h�. Tecnicamente, n�o escondem a limita��o harm�nica e r�tmica. Pobres em cima de um palco, ricos a animar uma festa de rua.

Mais m�sica menos palavra

Na passada quinta-feira, a institui��o madeirense Xarabanda, que tem feito um trabalho incans�vel de recolha e de forma��o de novos m�sicos, n�o gostou da forma como a organiza��o os recebeu. Um dos interlocutores, Rui Camacho, fez estalar o verniz. Queixou-se do som da organiza��o, da falta de apoios monet�rios para as bandas madeirenses (s� faltou chamar-lhes cubanos), a um rep�rter mais habituado a transcrever declara��es dos intervenientes e da assist�ncia, do que propriamente a escrever um par�grafo que seja de an�lise ao concerto. � verdade que houve problemas de som, mas Rui Camacho ter� de olhar primeiro para a forma ca�tica como � montado um espect�culo dos Xarabanda. Gabo-lhes o m�rito de apresentaram uma verdadeira orquestra de cerca de uma dezena de violas de arame e raj�es, tocados por alunos da sua associa��o. H� (novas) vozes femininas apreci�veis, um bom mestre de cerim�nias (Roberto Moniz). Mas � intoler�vel a forma como se perde tempo a entrar e sair do palco em cada can��o, quebrando toda a poss�vel din�mica de um espect�culo pensado para ir crescendo momento a momento. Como � poss�vel n�o sair de nove ou dez m�sicos em cima do palco um rasgo mais ousado de criatividade, quebrando a linearidade como denominador comum?
No final, a machadada final na nossa paci�ncia. Com todo o respeito pela Dona Isabel Gon�alves, que � uma das fundadoras dos Xarabanda… mas n�o deveria esta senhora tocar percuss�o e cantar apenas fora dos palcos? Assim � dif�cil que o mar passe a ponta de S�o Louren�o, como deseja Rui Camacho. Vai continuar a bater e a voltar para tr�s.

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GALANDUM GALUNDAINA: “QUE SEIA UN EISITO I 1 PURMEIRO DE MUITOS I BUONOS, CHENOS D’ALMA”

July 23, 2003

GALANDUM GALUNDAINA
1 PURMEIRO
Emiliano Toste / Mundo da Can??o

Para o bem e para o mal, as Tierras de Miranda continuam bem longe das principais redes de estradas nacionais e a piscar o olho ao vizinho de Arag?o, onde ? semelhan?a desta zona raiana transmontana est? enraizada a tradi??o da fraita (flauta pastoril de tr?s orif?cios) e tamboril, tocado em simult?neo. Ir de Lisboa a Miranda do Douro ? uma verdadeira aventura de pelo menos seis horas de viagem que, apesar de tudo, vale a pena ser feita. O planalto transmontano ? deslumbrante. A riqu?ssima cultura, apesar vetada ao esquecimento do poder central, tem sido o baluarte da identidade de um povo culturalmente homog?neo, que tem o desplante de falar uma outra l?ngua: o mirand?s (at? existe blogue sobre o assunto). S?o os benef?cios da interioridade, que t?m preservado um fil?o precioso de gaiteiros, tamborileiros e vozes sexagen?rias e septuagen?rias, oportunamente registadas em suporte digital pela editora Sons da Terra de M?rio Correia. ? profus?o de antigos mestres de cerim?nias, tem-se assistido ao interesse crescente dos jovens m?sicos pela recupera??o das mais enraizadas cultura mirandesa. No epicentro de todo este crescente orgulho regional vis?vel no rosto de uma nova gera??o de m?sicos, encontram-se os Galandum Galundaina, secundados por Lenga Lenga e pelo grupo de ?rock agr?cola com mentalidade de tractor? Pica Tomilho. M?sicos de altos estudos e professores de m?sica, os Galandum Galundaina exibem todo o r?stico e pastoral de composi??es cantadas em mirand?s e tocadas com gaita de foles transmontana, tamboril, caixa de guerra, conchas de Santiago e castanholas. Em bom tempo perceberam que n?o iam a lado nenhum com as experi?ncias mais jazz?sticas de hotel, de h? uns cinco anos atr?s. Depois disso, o quarteto recuperou o seu lado genu?no e de excelentes animadores de rua (dois dos seus maiores trunfos), apostando em regar a raiz, tornando-se mais forte e consistente, do que a querer ser a folha de pl?tano que dura apenas uma Primavera. ?1 Purmeiro? demonstra que os Galundum se encontram agora numa encruzilhada. Depois deste ?lbum, ser? dif?cil criar um novo registo sonoro que n?o soe um pouco como uma sequela. Apesar de tudo, prefiro v?-los e ouvi-los neste registo, de prefer?ncia nas arribas do Douro e em cima de um burro.

N?s tenemos muitos nabos

N?s tenemos muitos nabos
a cozer nua panela,
nun tenemos sal nien unto
nien presunto nien bitela
Mirai qu’alforjas, mirai qu’alforjas
uas mais lhargas, outras mais gordas
uas de lhana, outras de stopa
Ls chocalhos r?gen, r?gen
ls carneiros alh? ban
an chegando a Ourri?ta Cuba
ls carneiros bulberan.
Mirai qu’alforjas, mirai qu’alforjas
uas mais lhargas, outras mais gordas
uas de lhana, outras de stopa.

Nota: Durante os dias 30 de Julho e 1 de Agosto, no arranque de mais uma edi??o do Festival Interc?ltico de Sendim, ter? oportunidade de descobrir as Terras de Miranda por aldeias, caminhos e estradas mouriscas e ouvir os Galandum Galundaina, montado num asininolocal, que acabou de merecer a protec??o da Comunidade Europeia (parab?ns pelo seu trabalho engenheira zoot?cnica Lu?sa Sam?es). O programa est? dispon?vel no s?tio dos Galandum Galundaina .

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GALANDUM GALUNDAINA: “QUE SEIA UN EISITO I 1 PURMEIRO DE MUITOS I BUONOS, CHENOS D’ALMA”

July 23, 2003

GALANDUM GALUNDAINA
1 PURMEIRO
Emiliano Toste / Mundo da Can��o

Para o bem e para o mal, as Tierras de Miranda continuam bem longe das principais redes de estradas nacionais e a piscar o olho ao vizinho de Arag�o, onde � semelhan�a desta zona raiana transmontana est� enraizada a tradi��o da fraita (flauta pastoril de tr�s orif�cios) e tamboril, tocado em simult�neo. Ir de Lisboa a Miranda do Douro � uma verdadeira aventura de pelo menos seis horas de viagem que, apesar de tudo, vale a pena ser feita. O planalto transmontano � deslumbrante. A riqu�ssima cultura, apesar vetada ao esquecimento do poder central, tem sido o baluarte da identidade de um povo culturalmente homog�neo, que tem o desplante de falar uma outra l�ngua: o mirand�s (at� existe blogue sobre o assunto). S�o os benef�cios da interioridade, que t�m preservado um fil�o precioso de gaiteiros, tamborileiros e vozes sexagen�rias e septuagen�rias, oportunamente registadas em suporte digital pela editora Sons da Terra de M�rio Correia. � profus�o de antigos mestres de cerim�nias, tem-se assistido ao interesse crescente dos jovens m�sicos pela recupera��o das mais enraizadas cultura mirandesa. No epicentro de todo este crescente orgulho regional vis�vel no rosto de uma nova gera��o de m�sicos, encontram-se os Galandum Galundaina, secundados por Lenga Lenga e pelo grupo de �rock agr�cola com mentalidade de tractor� Pica Tomilho. M�sicos de altos estudos e professores de m�sica, os Galandum Galundaina exibem todo o r�stico e pastoral de composi��es cantadas em mirand�s e tocadas com gaita de foles transmontana, tamboril, caixa de guerra, conchas de Santiago e castanholas. Em bom tempo perceberam que n�o iam a lado nenhum com as experi�ncias mais jazz�sticas de hotel, de h� uns cinco anos atr�s. Depois disso, o quarteto recuperou o seu lado genu�no e de excelentes animadores de rua (dois dos seus maiores trunfos), apostando em regar a raiz, tornando-se mais forte e consistente, do que a querer ser a folha de pl�tano que dura apenas uma Primavera. �1 Purmeiro� demonstra que os Galundum se encontram agora numa encruzilhada. Depois deste �lbum, ser� dif�cil criar um novo registo sonoro que n�o soe um pouco como uma sequela. Apesar de tudo, prefiro v�-los e ouvi-los neste registo, de prefer�ncia nas arribas do Douro e em cima de um burro.

N�s tenemos muitos nabos

N�s tenemos muitos nabos
a cozer nua panela,
nun tenemos sal nien unto
nien presunto nien bitela
Mirai qu’alforjas, mirai qu’alforjas
uas mais lhargas, outras mais gordas
uas de lhana, outras de stopa
Ls chocalhos r�gen, r�gen
ls carneiros alh� ban
an chegando a Ourri�ta Cuba
ls carneiros bulberan.
Mirai qu’alforjas, mirai qu’alforjas
uas mais lhargas, outras mais gordas
uas de lhana, outras de stopa.

Nota: Durante os dias 30 de Julho e 1 de Agosto, no arranque de mais uma edi��o do Festival Interc�ltico de Sendim, ter� oportunidade de descobrir as Terras de Miranda por aldeias, caminhos e estradas mouriscas e ouvir os Galandum Galundaina, montado num asininolocal, que acabou de merecer a protec��o da Comunidade Europeia (parab�ns pelo seu trabalho engenheira zoot�cnica Lu�sa Sam�es). O programa est� dispon�vel no s�tio dos Galandum Galundaina .

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REPORTAGEM EM LISBOA NA FOLK ROOTS DE JULHO

July 18, 2003

H� uns dias, neste blogue, fiz o resumo da reportagem que a Folk Roots fez em Lisboa, em casas de fado e de m�sica africana. Com a ajuda do Ant�nio Rebelo da Janela Indiscreta, disponibilizamos as quatro p�ginas do artigo. Pode fazer o download do documento pdf, aqui.

Ps: definitivamente, a Folk Roots rendeu-se � lusofonia e � folk oriunda da Pen�nsula Ib�rica. Depois de Mariza e Manecas Costa terem sido capa desta publica��o, � agora a vez das galegas Faltriqueira, na edi��o dupla de Agosto / Setembro (com CD inclu�do). Grupo que tamb�m tem sido extremamente elogiado nos programas de r�dio da BBC Radio 3: ‘Late Junction’ e ‘World Routes’.

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LILA DOWNS: NA LINHA DA MORTE

July 15, 2003

LILA DOWNS: NA LINHA DA MORTE

Nasceu no outro lado da fronteira. No lado de l� da linha. Lugar que maioria dos mexicanos deseja alcan�ar. A raz�o pela qual muitos deles perderam a vida.

Filha de um professor de arte e pintor norte-americano e de uma ind�gena mexicana de etnia Mixteca, Lila Downs � uma esp�cie de Manu Chao no feminino. Antes da gl�ria de �Burn It Blue�, tema gravado em dueto com Caetano veloso para a banda sonora do filme �Frida�, editou o �lbum �La Linea� (o seu terceiro disco).

Mais um manifesto anti-globaliza��o, �La Linea� p�e a n� a pol�tica econ�mica global da NAFTA, a imigra��o prec�ria num mundo de (apenas e s�) livre circula��o de bens financeiros e as situa��es desumanas que se vivem em solo mexicano. Aborda as quest�es da explora��o do trabalho feminino nas �maquiladoras�, a falta de direitos civis dos mais de 10 milh�es de ind�genas que a� vivem, o infort�nio daqueles que pagam com a vida o facto de tentarem passar a fronteira entre o M�xico e os EUA.

Al�m de um discurso inflamado pela defesa dos pobres e exclu�dos, Lila Downs exibe uma abrang�ncia sonora not�vel, centrada sobretudo no universo latino-americano. Sem nunca esquecer as suas ra�zes �ndias � ela pr�pria veste-se a rigor e vive numa comunidade mixteca � Lila Downs, ora exibe a sensualidade serena de excelsas vozes hispano-americanas como Susana Baca e Toto La Momposina, ora revela o seu lado negro de trag�dia e dramatismo inspirado em Lhasa, ao qual n�o falta a refer�ncia � lenda de �La Llorona�.

Entre arranjos jazz e pop t�o sofisticados como aqueles que moldam �Eco de Sombras� de Baca, Lila Downs apresenta v�rias facetas em �La Linea�. A cl�ssica, r�gida e s�bria, centrada na cultura popular mexicana, em cumbias e boleros. E a experimentalista e irreverente, ironizando a m� sorte daqueles que tentam passar a linha com rancheras (�El Bracero Fracasado�), decompondo o intervencionismo de Woody Guthrie, revestindo todo o dramatismo das suas palavras com ritmos de hip hop e reggae, dando uma leitura afro-cubana - num jeito semelhante ao dos norte-americanos Pink Martini - a �Perhaps, Perhaps, Perhaps�. Uma obra t�o interessante, quanto desequilibrada.

Lila Downs estar� em Portugal, no pr�ximo s�bado, dia 19 de Julho, para abrir o ciclo �Noites no Pal�cio� (Jardins do Pal�cio de Cristal, Porto). A 25 do corrente m�s, apresenta-se no festival �Tom de Festa (em Tondela)

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[entrevista] MASTER MUSICIANS OF JAJOUKA:

July 15, 2003

MASTER MUSICIANS OF JAJOUKA: Cristãos, Muculmanos, Berberes e Hindus

[entrevista a propósito do álbum "Master Musicians of Jajouka Featuring Bachir Attar" realizada em 2000 e publicada na revista "On"]

Depois de Brian Jones e Bill Laswell é a vez do indiano Talvin Singh gravar e produzir, provavelmente, o clã musical mais antigo do mundo. Apesar da tecnologia e das tablas empregue pelo anglo-indiano, os Master Musicians of Jajouka mantém intacta toda a sua aura de misticismo e hipnose de uma música de transe capaz de curar moribundos.

Marrocos tem sido durante este século XX um verdadeiro ponto de passagem e inspiração para artistas das diversas artes. Mark Twain, Jack Kerouac, Paul Bowles, William Borroughs, são alguns dos homens da escrita tocados nas suas obras pelas culturas árabe e berbere à beira Atlântico.
Em 1958, o pintor Brion Gysin descobriu perto de Tanger, os Master Musicians of Jajouka durante as festividades de um dos eventos sagrados destes berberes. O Pan Festival em memória de Bou Jeloud, um Deus animal representado nas cerimónias sagradas através de um figurante metade bode, metade homem (um pouco à selhança do mito grego do Minotauro) que dança freneticamente e cujo ritual anual propicia maior saúde aos aldees. Gysin captou o espito e a magia destes m�sicos de transe que, revezando-se, conseguem tocar interminavelmente durante dias. Uma d�cada depois, Brian Jones dos Rolling Stones aterra nesta aldeia berbere para registar aquele que seria o primeiro disco oriundo de Marrocos editado no mundo ocidental: ?Brian Jones Presents The Pipes of Pan At Jajouka?. Bachid Attar, filho do antigo l�der Hadj Abdesalam Attar que herdou a chefia de um cl� musical com mais de 600 anos revela que ?ele ouviu cassetes gravadas pelo Brain Gyson e adorou. Disse-lhe que tinha de ir a essa vila e trabalhar na m�sica. Gravou mais de 7 horas da nossa actua��o, como se estiv�ssemos a tocar nas cerim�nias da nossa aldeia, foi para Londres onde estava a trabalhar num disco dos Rolling Stones e a� mostrou a nossa m�sica ao resto do grupo. Misturou o �lbum e editou-o, em 71, pela editora deles.?
A partir daqui, o universo de Bachid Attar e dos Master Musicians Of Jajouka ampliou-se consideravelmente. Desde ha s�culos, ?a nossa m�sica tem sido oferecida como oferenda aos sucessivos reis de Marrocos. Sempre serviu para celebrar actos de extrema import�ncia para o nosso povo como casamentos, nascimentos, circuncis�es e tomadas de trono?.
S�o estes possantes ritmos e harmonias hipn�ticas interpretadas atrav�s de instrumentos como ghaita (esp�cie de obo�), percuss�o, flauta e gimbri (ala�de de tr�s cordas) que conferem aos cerca de 50 m�sicos que constituem o cl� o estatuto de m�gicos e curandeiros. �, � semelhan�a da tradi��o gnawa dos sufis uma m�sica ?que comunica com os esp�ritos, de forma a curar e a aben�oar pessoas. Quando tocamos sentimos os nossos antepassados o tempo todo, porque esta m�sica de fam�lia � um presente que nos foi oferecido por eles.?
Depois de mais de doze anos de estrada pelos quatro cantos do mundo, de outras visitas not�veis a Marrocos efectuadas por Bill Laswell que produziu o segundo disco do grupo ?Apocalypse Across The Sky? e de Bachid Attar ter residido em Nova Iorque, onde gravou com Maceo Parker e tocou, por exemplo, com Lee Ranaldo dos Sonic Youth, � natural que os horizontes deste berbere agora sejam outros: ?ao longo da minha vida, tudo tem influenciado o meu trabalho: a beat generation, o rock?n?roll, o jazz. O Brian Jones foi o primeiro a querer juntar a m�sica de Jajouka � ocidental e de diferentes culturas. Foi o primeiro com a mente aberta para a m�sica marroquina. Atrav�s dele, conheci e toquei com muita gente do rock e do jazz, como o Ornette Coleman, os Rolling Stones no �lbum ?Steel Wheels?. Tamb�m conheci os Aerosmith, os Guns N?Roses. Estive no Woodstock de 94 e toquei l� com o Santana.?
� por isso normal que Talvin Singh, mestre anglo-indiado do ?tabla?n?bass?, tenha em Mar�o do ano passado subido as montanhas Rif para captar, uma vez mais, toda a aura de misticismo que envolve uma sonoridade, segundo Bachid, que n�o se cansa de pegar nas palavras de Burroughs, ?soa a uma banda de rock?n?roll com 4000 anos de exist�ncia?.
Talvin Singh, considerado por Bachid Attar ?uma ben��o divina? integrou-se no cl� e conduziu o processo sem restri��es”. � que ?existe uma liga��o hist�rica entre minha fam�lia que tem ra�zes indianas de h� centenas de anos e Talvin Singh. � por isso que neste disco tocamos a m�sica dos Jajouka com tablas. Houve uma liga��o forte entre n�s. � dif�cil encontrar algu�m que perceba aquilo que fazemos. O Talvin trouxe o est�dio para a nossa aldeia e gravou a nossa m�sica, tocou percuss�o, levou os registos para Londres e convidou-me a ir com ele, de forma a trabalharmos em est�dio. Neste �lbum apenas tr�s can��es foram registadas integralmente na nossa aldeia, sem qualquer tratamento posterior, o resto do disco foi todo trabalhado no est�dio em Londres.?
Ap�s esta experi�ncia com Singh e logo a seguir a uma digress�o de apresenta��o ao vivo do disco que passar� pela Europa, Am�rica e Australia, Bachid Attar planeia gravar um disco a solo. Conforme confessa, ?pretendo unir a minha cultura com influ�ncias indianas, americanas, europeias e africanas. Preciso de tempo para isso e para tentar contactar Keith Richard, David Gilmour e outros m�sicos indianos de c�tara.
N�o h� nada em concreto, s�o apenas ideias.?

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DISCOGRAFIA ESSENCIAL (10) MIRIAM MAKEBA - “GUINEA YEARS”

July 8, 2003

Miriam Makeba
Guinea Years
Sterns / Mundo da Can??o

Aos 72 anos, pode dizer-se que Miriam Makeba j? viveu ? como os gatos ? 7 vidas, no m?nimo. Resistiu a tudo. A 4 (quatro!) div?rcios. ? morte da sua filha. A acidentes de via??o e avia??o. ? persegui??o dos Afrikaans e do FBI, devido ? sua luta pelos direitos civis dos negros. A 30 anos de permanente ex?lio. Ao ?apartheid? e ?s contra-ofensivas governamentais norte-americanas dirigidas ao ?black power?. Makeba n?o esmoreceu, antes pelo contr?rio. Foi a porta-voz do presidente guineense (de Conacri) S?kou Tour? em Nova Iorque e embaixatriz africana da ONU, trabalhando de perto com a FAO (Food and Agriculture Organisation), no sentido de fazer lobbying pela diminui??o da fome no mundo. Aquela que o governo sul-africano apelidava de subversiva, mesmo que cantasse can??es de amor, conquistou o pr?mio de paz Dag Hammarskjold (antigo secret?rio geral das Na??es Unidas) de 86.
? parte da carreira pol?tico-social, na m?sica, Makeba coleccionou recordes. N?o pelos mais de 40 discos que gravou, mas por ter sido a primeira artista africana a conquistar um grammy em 65, com ?An Evening With Harry Belafonte?; e a atingir o top ten de singles norte-americano em 67, com ?Pata Pata?.
?The Guinea Years? ? uma antologia que retrata o tempo em que Makeba viveu exilada na Guin?-conacri, entre as d?cadas de 70 e 80. Depois de ter enfrentado problemas com a justi?a norte-americana, devido ao matrim?nio que havia contra?do (em 68) com o l?der radical dos Panteras Negras, Stokely Carmichael. Um disco que mostra acima de tudo a grande veia soul-jazz, a expressividade vocal de uma artista que cresceu a ouvir Duke Ellington, Billie Holiday e Ella Fitzgerald, e a extrema habilidade para cantar em nove l?nguas (franc?s, ingl?s, ar?bico, xhosa, kikongo, maninka, fula, nyanja e shona). Em suma, a excelente Miriam Makeba que ainda nos brindava com o seu melhor. Ainda n?o tinha descambado para a afro-pop f?cil e pl?stica de ?Homeland? (2000). Hipn?tico. Belo. Indispens?vel.

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DISCOGRAFIA ESSENCIAL (10)
MIRIAM MAKEBA - “GUINEA YEARS”

July 8, 2003

Miriam Makeba
Guinea Years
Sterns / Mundo da Can��o

Aos 72 anos, pode dizer-se que Miriam Makeba j� viveu � como os gatos � 7 vidas, no m�nimo. Resistiu a tudo. A 4 (quatro!) div�rcios. � morte da sua filha. A acidentes de via��o e avia��o. � persegui��o dos Afrikaans e do FBI, devido � sua luta pelos direitos civis dos negros. A 30 anos de permanente ex�lio. Ao �apartheid� e �s contra-ofensivas governamentais norte-americanas dirigidas ao �black power�. Makeba n�o esmoreceu, antes pelo contr�rio. Foi a porta-voz do presidente guineense (de Conacri) S�kou Tour� em Nova Iorque e embaixatriz africana da ONU, trabalhando de perto com a FAO (Food and Agriculture Organisation), no sentido de fazer lobbying pela diminui��o da fome no mundo. Aquela que o governo sul-africano apelidava de subversiva, mesmo que cantasse can��es de amor, conquistou o pr�mio de paz Dag Hammarskjold (antigo secret�rio geral das Na��es Unidas) de 86.
� parte da carreira pol�tico-social, na m�sica, Makeba coleccionou recordes. N�o pelos mais de 40 discos que gravou, mas por ter sido a primeira artista africana a conquistar um grammy em 65, com �An Evening With Harry Belafonte�; e a atingir o top ten de singles norte-americano em 67, com �Pata Pata�.
�The Guinea Years� � uma antologia que retrata o tempo em que Makeba viveu exilada na Guin�-conacri, entre as d�cadas de 70 e 80. Depois de ter enfrentado problemas com a justi�a norte-americana, devido ao matrim�nio que havia contra�do (em 68) com o l�der radical dos Panteras Negras, Stokely Carmichael. Um disco que mostra acima de tudo a grande veia soul-jazz, a expressividade vocal de uma artista que cresceu a ouvir Duke Ellington, Billie Holiday e Ella Fitzgerald, e a extrema habilidade para cantar em nove l�nguas (franc�s, ingl�s, ar�bico, xhosa, kikongo, maninka, fula, nyanja e shona). Em suma, a excelente Miriam Makeba que ainda nos brindava com o seu melhor. Ainda n�o tinha descambado para a afro-pop f�cil e pl�stica de �Homeland� (2000). Hipn�tico. Belo. Indispens�vel.

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DISCOGRAFIA ESSENCIAL (9) L?NASA - “MERRY SISTERS OF FATE”

July 8, 2003

Lunasa
Merry Sisters of Fate
(Resistencia / Sabotage)

Por mais que se tente revolucionar a m?sica tradicional de raiz celta, fundindo-a com sonoridades de outras etnias, com o rock, ou com a electr?nica, o melhor ? deixar tudo como est?, que est? bem. Projectos como o dos K?la, Peatbog Fearies, B?rach, Shooglenifty, Afro Celt Sound System, Cappercaillie e de Eliza Carthy na sua veia pop, nunca merecer?o outro estatuto que n?o o ep?teto entre razo?vel e com algum interesse. Enquanto algumas das propostas mais interessantes do territ?rio escandinavo apresentam-se sob o dom?nio da miscigena??o entre a raiz e a novidade de sujeito indefinido, a renova??o musical bem sucedida na Irlanda tem origem na pura e dura tradi??o.
N?o alterando um mil?metro ?quilo que j? tinham apresentado em 98, no ?lbum de estreia hom?nimo (e que era sublime), os L?nasa assumem-se como os filhos pr?digos da memor?vel Bothy Band de Donal Lunny e de Matt Molloy. Sem alterar a estrutura, o quinteto injecta sangue puro e irreverente nas veias de uma velha senhora que continua jovem, emotiva, capaz de correr de forma perfeita a v?rias velocidades, sem nunca perder o ritmo. Os L?nasa escrevem assim a mesma hist?ria de uma forma pessoal e actual. O contrabaixo do ex-Waterboys, Trevor Hutchinson, ? um dos principais protagonistas de uma sec??o r?tmica reformada, isenta do (quase) incontorn?vel Bodhran, e excelentemente bem complementada pelo guitarrista Donogh Hennessy. Ambos criam as funda??es ideais para que as flautas e gaitas irlandesas de Kevin Krawford e Cillian Vallely em m?tuo entendimento com o violino de Se?n Smyth, edifiquem as paredes e o telhado de uma casa irlandesa, concerteza, de novos tra?os arquitect?nicos, decorada aqui e ali por um clarinete ou uma ?lap steel guitar?, mas que se confunde com a t?pica paisagem rural.

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DISCOGRAFIA ESSENCIAL (9)
L�NASA - “MERRY SISTERS OF FATE”

July 8, 2003

Lunasa
Merry Sisters of Fate
(Resistencia / Sabotage)

Por mais que se tente revolucionar a m�sica tradicional de raiz celta, fundindo-a com sonoridades de outras etnias, com o rock, ou com a electr�nica, o melhor � deixar tudo como est�, que est� bem. Projectos como o dos K�la, Peatbog Fearies, B�rach, Shooglenifty, Afro Celt Sound System, Cappercaillie e de Eliza Carthy na sua veia pop, nunca merecer�o outro estatuto que n�o o ep�teto entre razo�vel e com algum interesse. Enquanto algumas das propostas mais interessantes do territ�rio escandinavo apresentam-se sob o dom�nio da miscigena��o entre a raiz e a novidade de sujeito indefinido, a renova��o musical bem sucedida na Irlanda tem origem na pura e dura tradi��o.
N�o alterando um mil�metro �quilo que j� tinham apresentado em 98, no �lbum de estreia hom�nimo (e que era sublime), os L�nasa assumem-se como os filhos pr�digos da memor�vel Bothy Band de Donal Lunny e de Matt Molloy. Sem alterar a estrutura, o quinteto injecta sangue puro e irreverente nas veias de uma velha senhora que continua jovem, emotiva, capaz de correr de forma perfeita a v�rias velocidades, sem nunca perder o ritmo. Os L�nasa escrevem assim a mesma hist�ria de uma forma pessoal e actual. O contrabaixo do ex-Waterboys, Trevor Hutchinson, � um dos principais protagonistas de uma sec��o r�tmica reformada, isenta do (quase) incontorn�vel Bodhran, e excelentemente bem complementada pelo guitarrista Donogh Hennessy. Ambos criam as funda��es ideais para que as flautas e gaitas irlandesas de Kevin Krawford e Cillian Vallely em m�tuo entendimento com o violino de Se�n Smyth, edifiquem as paredes e o telhado de uma casa irlandesa, concerteza, de novos tra�os arquitect�nicos, decorada aqui e ali por um clarinete ou uma �lap steel guitar�, mas que se confunde com a t�pica paisagem rural.

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DISCOGRAFIA ESSENCIAL (8) ORLANDO CACHAITO LOPEZ - “CACHAITO”

July 8, 2003

Orlando Cachaito Lopez
Cachaito
World Circuit / Megam?sica

Buena Vista Social Club foi a engrenagem que furou o bloqueio cultural a Cuba, resgatando in?meros m?sicos talentosos da gera??o de ouro (anos50) que, antes da revolu??o de Fidel e Guevara e da ca?a ?s bruxas de Kissinger, brilharam em palcos de todo o mundo. Este projecto-?lbum, foi a chave mestra que abriu os ouvidos do mundo ? m?sica cubana e deu tamb?m uma nova projec??o internacional a m?sicos de idade avan?ada que j? tinham h? muito arrumado os seus instrumentos no s?t?o. Casos de Compay Segundo, Ibrahim Ferrer, Ruben Gonzalez e Omara Portuondo.
Se estas figuras de primeiro plano tem interpretado a solo o politicamente correcto da m?sica cubana, o homem-ritmo, Orlando ?Cachaito? Lopez, respons?vel pelo contra-baixo das sess?es Buena Vista, subverte todas as regras que, todos os outros elementos da sociedade Buena Vista, respeitam religiosamente.
Orlando ?Cachaito? Lopez, de 70 anos, ? membro de uma fam?lia de 16 contrabaixistas, havendo quem diga s?o bem mais numerosos - cerca de 100. ? o filho de Orestes Lopez e sobrinho de Israel ?Cachao? Lopez. Ambos estiveram na vanguarda das revolu??es musicais cubanas, entre os anos 30 e 50, ao criarem o ritmo mambo e ao desenvolverem a m?sica improvisada (descarga).
?Cachaito?, ? um ?lbum onde as ra?zes encontram-se bem debaixo de solo cubano, mas as folhas andam ao sabor de outros ventos. H? em ?Cachaito? (o artista) o deslumbramento por Mingus e Coltrane que se reflecte nas constantes descargas ao longo do disco. O improviso empreendedor de uma nova linguagem, reveste-se de jazz latino, de uma fervorosa sec??o de percuss?es (congas, timbales, bongos) e at? de dub e hip hop, sem nunca perder o Norte. Al?m da forte carga jazz?stica onde brilha o trompete do sul-africano Hugh Masekela, ?Cachaito? (o ?lbum) ? perfumado pelo ?rg?o hammond do jamaicano Bigga Morrison em contempla??o saudosista da sonoridade t?pica de Jackie Mitto (?Tumbanga?), e pelos beats manipulados no gira-discos do DJ franc?s DeeNasty (?Cachaito en Laboratory?).
Orlando ?Cachaito? Lopez criou um livro de estilo a seguir pela nova gera??o de m?sicos cubanos que olha al?m mar das Cara?bas.

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DISCOGRAFIA ESSENCIAL (8)
ORLANDO CACHAITO LOPEZ - “CACHAITO”

July 8, 2003

Orlando Cachaito Lopez
Cachaito
World Circuit / Megam�sica

Buena Vista Social Club foi a engrenagem que furou o bloqueio cultural a Cuba, resgatando in�meros m�sicos talentosos da gera��o de ouro (anos50) que, antes da revolu��o de Fidel e Guevara e da ca�a �s bruxas de Kissinger, brilharam em palcos de todo o mundo. Este projecto-�lbum, foi a chave mestra que abriu os ouvidos do mundo � m�sica cubana e deu tamb�m uma nova projec��o internacional a m�sicos de idade avan�ada que j� tinham h� muito arrumado os seus instrumentos no s�t�o. Casos de Compay Segundo, Ibrahim Ferrer, Ruben Gonzalez e Omara Portuondo.
Se estas figuras de primeiro plano tem interpretado a solo o politicamente correcto da m�sica cubana, o homem-ritmo, Orlando �Cachaito� Lopez, respons�vel pelo contra-baixo das sess�es Buena Vista, subverte todas as regras que, todos os outros elementos da sociedade Buena Vista, respeitam religiosamente.
Orlando �Cachaito� Lopez, de 70 anos, � membro de uma fam�lia de 16 contrabaixistas, havendo quem diga s�o bem mais numerosos - cerca de 100. � o filho de Orestes Lopez e sobrinho de Israel �Cachao� Lopez. Ambos estiveram na vanguarda das revolu��es musicais cubanas, entre os anos 30 e 50, ao criarem o ritmo mambo e ao desenvolverem a m�sica improvisada (descarga).
�Cachaito�, � um �lbum onde as ra�zes encontram-se bem debaixo de solo cubano, mas as folhas andam ao sabor de outros ventos. H� em �Cachaito� (o artista) o deslumbramento por Mingus e Coltrane que se reflecte nas constantes descargas ao longo do disco. O improviso empreendedor de uma nova linguagem, reveste-se de jazz latino, de uma fervorosa sec��o de percuss�es (congas, timbales, bongos) e at� de dub e hip hop, sem nunca perder o Norte. Al�m da forte carga jazz�stica onde brilha o trompete do sul-africano Hugh Masekela, �Cachaito� (o �lbum) � perfumado pelo �rg�o hammond do jamaicano Bigga Morrison em contempla��o saudosista da sonoridade t�pica de Jackie Mitto (�Tumbanga�), e pelos beats manipulados no gira-discos do DJ franc�s DeeNasty (�Cachaito en Laboratory�).
Orlando �Cachaito� Lopez criou um livro de estilo a seguir pela nova gera��o de m�sicos cubanos que olha al�m mar das Cara�bas.

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DISCOGRAFIA ESSENCIAL (7)
SUSANA BACA - “ECO DE SOMBRAS”

July 8, 2003

Susana Baca
Eco de Sombras
(Luaka Bop / EMI)

Quem teve a oportunidade de assistir � actua��o de Susana Baca no festival Cantigas do Maio, h� uns anos atr�s, verificou que a sua m�sica pode ser comparada a um prato de alta cozinha francesa. A voz de Baca re�ne todos os ingredientes que lhe conferem o t�tulo de diva afro-peruana: simp�tica por natureza, proporciona-nos estados de esp�rito antag�nicos, ora de uma fragilidade radiante de crian�a, ora de profundidade e sentimento tr�gico, cuja aura sombria se encontra embebida no fado e no tango, tornando-a para muitos numa esp�cie de Ces�ria �vora das Am�ricas.
Bastaria a Susana Baca uma simples guitarra para nos fazer render � forma como interpreta a sua poesia. Mas a sua m�sica tem muito mais que a j� por si s� sedutora voz. � feita de uma complexidade ac�stica not�vel, vivendo muito de preciosidades r�tmicas, marcadas por instrumentos como o caj�n, quijada, yembe, que os escravos negros reconstru�ram, quando chegaram ao Per�. A presta��o do colectivo sul americano j� �, por si s�, sublime. E que dizer agora do confronto que Susana Baca e a sua banda teve, neste disco, com outros m�sicos de est�dio, de quadrantes que v�o do jazz e da pop � m�sica improvisada?
�Eco de Sombras� resulta num trabalho de grande sensibilidade art�stica, n�o s� porque a base � consistente e dela emana o peso e a alma da m�sica dos escravos peruanos que Baca recuperou, atrav�s das extensivas recolhas que efectuou, como tamb�m o recheio � vulgo arranjos �ocidentais� � intensificam o ambiente que se vive em �Eco de Sombras�. � a cereja em cima do bolo que n�o peca por excesso (facto comum nas fus�es que hoje em dia se fazem). A guitarra de Marc Ribot � m�gica, feita de pequenos pormenores que imprimem maior amplitude ao refinamento sonoro do disco, compar�vel �quilo que Ry Cooder fez em Buena Vista Social Club. John Medeski (piano e �rg�o), Cyro Baptista (percuss�es), Greg Cohen (contra-baixo) e Rob Burger (acorde�o e �rg�o), que absorveram a m�sica de Baca, contribuem tamb�m para uma obra que ro�a a perfei��o.

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DISCOGRAFIA ESSENCIAL (6) JUNE TABOR - “ALEYN”

July 8, 2003

June Tabor
Aleyn
Topic / Megam?sica

“Aleyn” continua na linha a que esta senhora nos habituou. Pleno de charme, beleza e sensibilidade ? flor da pele, “Aleyn” ? um ?lbum soturno, carregado de uma densa nuvem negra, que percorre diferentes ambientes que se relacionam como um puzzle.
S?o hist?rias de amores infelizes, de solid?o, de abandono e de sangue, muito bem contadas pela maturidade e profundidade de June Tabor. O jogo da voz s?frega com as pausas e os sil?ncios, por forma a dar mais autenticidade ao seu quadro sombrio, ? perfeito. E aqui a novidade ? o facto de June Tabor se aventurar por terras klezmer com a interpreta??o de “di nakht”. Trata-se de um tema escrito em Nova Iorque em 1929 por dois emigrantes judeus e que reflecte o isolamento e o desespero daqueles que se fixaram nos Estados Unidos.
O suporte instrumental, como tem sido h?bito neste “colar de p?rolas”, assenta que nem uma luva na palavras e pausas de June Tabor. Exploram-se, atrav?s do piano de Huw Warren, momentos siderais de profunda calma. O clarinete e sax de Mark Lockeheart e o contrabaixo de Dudley Phillips d?o uma vertente mais jazz?stica associada ? cortina de fumo pr?pria de cabarets. ? preciso n?o esquecer o ex?mio trabalho de Andy Cutting em acorde?o diat?nico, que ora salta para a frente da “orquestra” para dar o devido andamento, ora est? l? atr?s a dar pequenos retoques de maior preciosismo e naturalidade ao aspecto sombrio desta verdadeira obra-prima.

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DISCOGRAFIA ESSENCIAL (6) JUNE TABOR - “ALEYN”

July 8, 2003

June Tabor
Aleyn
Topic / Megam�sica

“Aleyn” continua na linha a que esta senhora nos habituou. Pleno de charme, beleza e sensibilidade � flor da pele, “Aleyn” � um �lbum soturno, carregado de uma densa nuvem negra, que percorre diferentes ambientes que se relacionam como um puzzle.
S�o hist�rias de amores infelizes, de solid�o, de abandono e de sangue, muito bem contadas pela maturidade e profundidade de June Tabor. O jogo da voz s�frega com as pausas e os sil�ncios, por forma a dar mais autenticidade ao seu quadro sombrio, � perfeito. E aqui a novidade � o facto de June Tabor se aventurar por terras klezmer com a interpreta��o de “di nakht”. Trata-se de um tema escrito em Nova Iorque em 1929 por dois emigrantes judeus e que reflecte o isolamento e o desespero daqueles que se fixaram nos Estados Unidos.
O suporte instrumental, como tem sido h�bito neste “colar de p�rolas”, assenta que nem uma luva na palavras e pausas de June Tabor. Exploram-se, atrav�s do piano de Huw Warren, momentos siderais de profunda calma. O clarinete e sax de Mark Lockeheart e o contrabaixo de Dudley Phillips d�o uma vertente mais jazz�stica associada � cortina de fumo pr�pria de cabarets. � preciso n�o esquecer o ex�mio trabalho de Andy Cutting em acorde�o diat�nico, que ora salta para a frente da “orquestra” para dar o devido andamento, ora est� l� atr�s a dar pequenos retoques de maior preciosismo e naturalidade ao aspecto sombrio desta verdadeira obra-prima.

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DISCOGRAFIA ESSENCIAL (5) GJALLARHORN - “CALL OF THE SEA WITCH”

July 3, 2003

Gjallarhorn
Call of the Sea Witch
Finland Innovator / Warner

Com sede em Vaasa, os Gjallarhorn fazem parte dos seis por cento de fino-suecos a viver na Finl?ndia, mas cuja l?ngua nativa ? o sueco. Da? que a m?sica que este grupo pratica, denuncie bem as marcas que este povo deixou aquando da sua ocupa??o. Apenas uma das baladas ? de ra?z fino-?grica que reporta aos tempos medievais do Kalevala. Todas as outras s?o cantadas em sueco, e tamb?m em noruegu?s. Enquanto grupos como V?rttin? e Hedningarna parecem agora sofrer do s?ndroma “j?-fizemos-o-?lbum-da-nossa-vida-e-agora?”, os Gjallarhorn, sem uma pesada cruz como ?Oi Dai? ou ?Kaksi? para carregar, apresentam-se como uma fresqu?ssima revela??o da folk destas g?lidas paragens, sem necessitar de recorrer ?s novas tecnologias. Desprovidos de pretens?es em atingir uma plenitude criativa e subversiva de um Kaksi, os Gjallarhorn arquitectam um disco totalmente ac?stico, mas n?o menos inovador, que possui uma capacidade ?mpar de nos surpreender. Ateus como os Hedningarna, v?o buscar a ess?ncia da sua m?sica ?s ra?zes da terra e ao mar profundo da Yggdrasil (?rvore de sabedoria) Viking. Eles, que est?o, na costa Finlandesa, a dialogar com a outra costa Sueca atrav?s do golfo da Ostrob?tnia. Da? que, ao longo de Ranarop - Call of The Sea Witch, n?o nos seja de todo estranha a presen?a de temas e ambientes marinhos. Um disco praticamente voltado para o mar, erigido na cidade mar?tima de Vaasa, onde nos encontramos (de barco) a tr?s horas da Su?cia. Veja-se o t?tulo do disco que ? dedicado a Ran, a deusa dos oceanos na mitologia n?rdica e protectora deste trabalho, ou “Herr Olof”, uma balada sobre um Rei que se apaixona por uma sereia, musa que o convida a descer ao fundo do mar para visitar o seu condado, sem esquecer Sj?jungfrun och Konungadottern/The Mermaid and the Princess que aborda a mesma tem?tica. Aqui, Jenny Wilhelms (a voz e um dos violinos) tem o dom de nos hipnotizar com o seu sumptuoso e c?ndido canto, pr?prio de uma menina de 23 anos, qual sereiazinha de Hans Christian Andersen, acompanhada pela melodia compassada das mar?s que se confundem na suavidade da harpa e na gravidade do didgeridoo de Jakob Frankenhaeuser (que aprendeu a tocar o f?lico instrumento na Austr?lia).

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DISCOGRAFIA ESSENCIAL (5) GJALLARHORN - “CALL OF THE SEA WITCH”

July 3, 2003

Gjallarhorn
Call of the Sea Witch
Finland Innovator / Warner

Com sede em Vaasa, os Gjallarhorn fazem parte dos seis por cento de fino-suecos a viver na Finl�ndia, mas cuja l�ngua nativa � o sueco. Da� que a m�sica que este grupo pratica, denuncie bem as marcas que este povo deixou aquando da sua ocupa��o. Apenas uma das baladas � de ra�z fino-�grica que reporta aos tempos medievais do Kalevala. Todas as outras s�o cantadas em sueco, e tamb�m em noruegu�s. Enquanto grupos como V�rttin� e Hedningarna parecem agora sofrer do s�ndroma “j�-fizemos-o-�lbum-da-nossa-vida-e-agora?”, os Gjallarhorn, sem uma pesada cruz como �Oi Dai� ou �Kaksi� para carregar, apresentam-se como uma fresqu�ssima revela��o da folk destas g�lidas paragens, sem necessitar de recorrer �s novas tecnologias. Desprovidos de pretens�es em atingir uma plenitude criativa e subversiva de um Kaksi, os Gjallarhorn arquitectam um disco totalmente ac�stico, mas n�o menos inovador, que possui uma capacidade �mpar de nos surpreender. Ateus como os Hedningarna, v�o buscar a ess�ncia da sua m�sica �s ra�zes da terra e ao mar profundo da Yggdrasil (�rvore de sabedoria) Viking. Eles, que est�o, na costa Finlandesa, a dialogar com a outra costa Sueca atrav�s do golfo da Ostrob�tnia. Da� que, ao longo de Ranarop - Call of The Sea Witch, n�o nos seja de todo estranha a presen�a de temas e ambientes marinhos. Um disco praticamente voltado para o mar, erigido na cidade mar�tima de Vaasa, onde nos encontramos (de barco) a tr�s horas da Su�cia. Veja-se o t�tulo do disco que � dedicado a Ran, a deusa dos oceanos na mitologia n�rdica e protectora deste trabalho, ou “Herr Olof”, uma balada sobre um Rei que se apaixona por uma sereia, musa que o convida a descer ao fundo do mar para visitar o seu condado, sem esquecer Sj�jungfrun och Konungadottern/The Mermaid and the Princess que aborda a mesma tem�tica. Aqui, Jenny Wilhelms (a voz e um dos violinos) tem o dom de nos hipnotizar com o seu sumptuoso e c�ndido canto, pr�prio de uma menina de 23 anos, qual sereiazinha de Hans Christian Andersen, acompanhada pela melodia compassada das mar�s que se confundem na suavidade da harpa e na gravidade do didgeridoo de Jakob Frankenhaeuser (que aprendeu a tocar o f�lico instrumento na Austr�lia).

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DISCOGRAFIA ESSENCIAL (4) TOUMANI DIABAT? WITH BALLAK? SISSOKO “NEW ANCIENT STRINGS”

July 3, 2003

Toumani Diabat? with Ballak? Sissoko
New Ancient Strings
Ryko Disc

Toumani Diabat? ? um m?sico africano experimentado. Ao longo dos quatro anteriores trabalhos, fundiu as suas ra?zes ao flamengo dos Ketama, ao jazz e ? folk brit?nica de um Danny Thompson, na s?rie “Shongai”.
Pegando em instrumentos tradicionais africanos como Kora (o pai da Harpa) e Ngoni (o pai da Guitarra) estes dois virtuosos instrumentistas oriundos do Mali edificam um ?lbum de rara beleza. Leve como um pluma, repleto de pequenos pormenores como se de uma pe?a de cristal Vista Alegre se tratasse, “New Ancient Strings” prova que a cultura Griot e a m?sica do Imp?rio Mandinka que remonta ao Sec. XIII consegue, seiscentos anos depois, ecoar modernidade sem necessitar de recorrer a elementos externos. Duas m?os e dois instrumentos s?o o necess?rio para nos devolver ? m?e de todas as civiliza??es.

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DISCOGRAFIA ESSENCIAL (4) TOUMANI DIABAT� WITH BALLAK� SISSOKO
“NEW ANCIENT STRINGS”

July 3, 2003

Toumani Diabat� with Ballak� Sissoko
New Ancient Strings
Ryko Disc

Toumani Diabat� � um m�sico africano experimentado. Ao longo dos quatro anteriores trabalhos, fundiu as suas ra�zes ao flamengo dos Ketama, ao jazz e � folk brit�nica de um Danny Thompson, na s�rie “Shongai”.
Pegando em instrumentos tradicionais africanos como Kora (o pai da Harpa) e Ngoni (o pai da Guitarra) estes dois virtuosos instrumentistas oriundos do Mali edificam um �lbum de rara beleza. Leve como um pluma, repleto de pequenos pormenores como se de uma pe�a de cristal Vista Alegre se tratasse, “New Ancient Strings” prova que a cultura Griot e a m�sica do Imp�rio Mandinka que remonta ao Sec. XIII consegue, seiscentos anos depois, ecoar modernidade sem necessitar de recorrer a elementos externos. Duas m�os e dois instrumentos s�o o necess�rio para nos devolver � m�e de todas as civiliza��es.

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DISCOGRAFIA ESSENCIAL (3) ERNEST RANGLIN - “IN SEARCH OF LOST RIDDIM”

July 3, 2003

Ernest Ranglin
In Search of Lost Riddim
Palm Pictures

Ernest Ranglin ? um m?sico que pronuncia a m?xima do vinho do Porto. Pode dizer-se que aos 70 anos este jamaicano j? experimentou de tudo, possuindo uma linguagem musical extensa que passa pelo calypso, ska, rock, reggae, blues, jazz ou son cubano. Talvez por isso tenha sabido adaptar-se ? constante evolu??o da m?sica da sua ilha natal, trabalhando com o produtor Lee Scracth Perry, ou sendo convidado por Bob Marley para seu director musical e professor. “In Search of Lost Riddim” ? a concretiza??o de um antigo sonho de regressar ?s origens. O disco surge como um di?rio de viagem pelo Senegal, onde Ranglin teve a oportunidade de contactar com m?sicos de primeira ?gua. Casos de Baaba Maal e Mansour Seck. A inten??o ? oferecer-nos toda a pureza e riqueza dos ritmos e dos variad?ssimos instrumentos ac?sticos (kora, djembe, ngoli, balafon, etc) que dialogam com a guitarra de Ranglin que parece voar nas suas m?os. Em “Search of Lost Riddim”, Ernest Ranglin tem a virtude de fazer com que a m?sica Senegalesa reequacione a sua forma de se adaptar ao progresso e ? miscigena??o ocidental, sem necessitar de perder autenticidade, como tem sido apan?gio de alguns produtores franceses. Facto vis?vel nos ?ltimos trabalhos de Baaba Maal.

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DISCOGRAFIA ESSENCIAL (3)
ERNEST RANGLIN - “IN SEARCH OF LOST RIDDIM”

July 3, 2003

Ernest Ranglin
In Search of Lost Riddim
Palm Pictures

Ernest Ranglin � um m�sico que pronuncia a m�xima do vinho do Porto. Pode dizer-se que aos 70 anos este jamaicano j� experimentou de tudo, possuindo uma linguagem musical extensa que passa pelo calypso, ska, rock, reggae, blues, jazz ou son cubano. Talvez por isso tenha sabido adaptar-se � constante evolu��o da m�sica da sua ilha natal, trabalhando com o produtor Lee Scracth Perry, ou sendo convidado por Bob Marley para seu director musical e professor. “In Search of Lost Riddim” � a concretiza��o de um antigo sonho de regressar �s origens. O disco surge como um di�rio de viagem pelo Senegal, onde Ranglin teve a oportunidade de contactar com m�sicos de primeira �gua. Casos de Baaba Maal e Mansour Seck. A inten��o � oferecer-nos toda a pureza e riqueza dos ritmos e dos variad�ssimos instrumentos ac�sticos (kora, djembe, ngoli, balafon, etc) que dialogam com a guitarra de Ranglin que parece voar nas suas m�os. Em “Search of Lost Riddim”, Ernest Ranglin tem a virtude de fazer com que a m�sica Senegalesa reequacione a sua forma de se adaptar ao progresso e � miscigena��o ocidental, sem necessitar de perder autenticidade, como tem sido apan�gio de alguns produtores franceses. Facto vis�vel nos �ltimos trabalhos de Baaba Maal.

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DISCOGRAFIA ESSENCIAL (2) KROKE - LIVE AT THE PIT

July 3, 2003

Kroke
Live at the Pit
Oriente / Megam?sica

Quem j? teve a oportunidade de ver os Kroke ao vivo, dificilmente os esquecer?. Podem n?o ser judeus, mas todo o sentimento que a di?spora de leste introduziu na m?sica klezmer est? bem presente. S? ? preciso um contra-baixo, violino e acorde?o para que tal r?plica seja perfeita e reinvente tal conceito. Kroke ? a palavra que se encontra no dicion?rio de yiddish cujo significado ? Crac?via. A cidade natal deste trio foi at? 1939 um dos grandes centros culturais europeus da cultura judaica.
“Live At The Pit” apesar de ser um ?lbum ao vivo, reproduz apenas o som de palco, facto por si merecedor de nota m?xima. Isto ?, vinte valores no exame do professor Marcelo. Mas um espect?culo dos Kroke ? muito mais que isso. Vive de uma forte presen?a dos m?sicos que se vestem tal e qual como os judeus mais ortodoxos, aliado a um virtuosismo e entrosamento not?vel, que convida a ir para fora, dentro da m?sica klezmer. O sentimento ? judaico, a energia, essa, parece ter sido roubada aos ciganos dos Balc?s, o dedilhar dos instrumentos denuncia a forma??o cl?ssica e a grande rodagem de um grupo que toca em m?dia mais de 250 vezes por ano. Ao longo da actua??o de “Live At The Pit” somos ludibriados pelo inesperado. A facilidade com que a sexta velocidade sucede ? primeira em “The Night In The Garden Of Eden”, a descoordena??o ordenada de “Sher” em que os m?sicos tocam em tempos diferentes em forma de gozo, s?o bem exemplo disso.

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DISCOGRAFIA ESSENCIAL (2)
KROKE - LIVE AT THE PIT

July 3, 2003

Kroke
Live at the Pit
Oriente / Megam�sica

Quem j� teve a oportunidade de ver os Kroke ao vivo, dificilmente os esquecer�. Podem n�o ser judeus, mas todo o sentimento que a di�spora de leste introduziu na m�sica klezmer est� bem presente. S� � preciso um contra-baixo, violino e acorde�o para que tal r�plica seja perfeita e reinvente tal conceito. Kroke � a palavra que se encontra no dicion�rio de yiddish cujo significado � Crac�via. A cidade natal deste trio foi at� 1939 um dos grandes centros culturais europeus da cultura judaica.
“Live At The Pit” apesar de ser um �lbum ao vivo, reproduz apenas o som de palco, facto por si merecedor de nota m�xima. Isto �, vinte valores no exame do professor Marcelo. Mas um espect�culo dos Kroke � muito mais que isso. Vive de uma forte presen�a dos m�sicos que se vestem tal e qual como os judeus mais ortodoxos, aliado a um virtuosismo e entrosamento not�vel, que convida a ir para fora, dentro da m�sica klezmer. O sentimento � judaico, a energia, essa, parece ter sido roubada aos ciganos dos Balc�s, o dedilhar dos instrumentos denuncia a forma��o cl�ssica e a grande rodagem de um grupo que toca em m�dia mais de 250 vezes por ano. Ao longo da actua��o de “Live At The Pit” somos ludibriados pelo inesperado. A facilidade com que a sexta velocidade sucede � primeira em “The Night In The Garden Of Eden”, a descoordena��o ordenada de “Sher” em que os m�sicos tocam em tempos diferentes em forma de gozo, s�o bem exemplo disso.

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DISCOGRAFIA ESSENCIAL (1) ALI ALI FARKA TOUR? - “NIAFUNK?”

July 2, 2003

Ali farka Tour?
Niafunk?
World Circuit / Megam?sica

Antes da explos?o cubana, atrav?s do projecto Buena Vista Social Club, Ry Cooder j? tinha gravado ?Talking Timbuktu? com Ali Farka Tour?. Um ?lbum de grande cumplicidade que viria a conquistar um grammy. Se em termos art?sticos, ?Talking Timbuktu? representou a afirma??o definitiva de um blues men do Mali que, a partir da?, intensificou os seus espect?culos pelos quatro cantos do mundo, em termos pessoais acabou por provocar uma certa nega??o da proeminente carreira art?stica, em detrimento de valores mais elevados. Longe de morrer de amores pelo mundo do espect?culo, muitas foram as vezes que Tour? pensou em abandonar a vida de m?sico. Sentimento que se reflecte nas (?ltimas) rar?ssimas apari??es ao vivo, fora do seu ambiente natural: a aldeia de Niafunk?, situada na ponta do deserto do Sara e ao redor do Rio N?ger, onde n?o existe electricidade nem ?gua canalizada. A?, Ali Farka Tour?, pai de 11 filhos com 60 e muitos anos de idade, tem colocado o cultivo da terra acima da m?sica, investindo todo o dinheiro que conquistou com esta actividade (para ele) secund?ria em m?quinas agr?colas. Para quem sentia um certo desconforto em andar em sucessivas digress?es mundiais por perder a ess?ncia da raiz, seria inevit?vel a grava??o de Niafunk? no ?lugar de origem desta m?sica - o Mali profundo?, registado por um est?dio m?vel que se alimentou de um gerador.
?Niafunk? ?, provavelmente, o grande ?lbum da vida de Ali Farka Tour? e um s?rio candidado a melhor ?lbum world da d?cada de 90. Se em ?Talking Timbuktu? a produ??o de Ry Cooder tinha criado uma maior amplitude sonora que ajudou ? constru??o de grandes can??es mais adocicadas ao ouvido ocidental, em ?Niafunk? assiste-se ao regresso ? terra e ? sonoridade (mais trabalhada ? certo) que primeiras grava??es que ?Radio Mali? (de 96) documentam. Um retorno de quem amadureceu a vis?o musical em palcos mundiais e de quem mexe na terra todos os dias. ?Niafunk? pode n?o possuir can??es t?o melodiosas quanto ?Talking Timbuktu?, mas ganha em autenticidade que se traduz n?o s? na forma mais audaciosa de Toure tocar guitarra, como nos m?sicos que o acompanham. Os calorosos coros femininos, os ritmos turbulentos das calabash, do djembe e das congas a fazer lembrar o lado r?tmico de uma Oumou Sangare, o som de transe do njarka (violino de uma corda), conduzem-nos a uma viagem de devo??o e embriaguez, transmitindo-nos toda a pureza do Mali profundo, onde os blues nasceram.

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DISCOGRAFIA ESSENCIAL (1)
ALI ALI FARKA TOUR� - “NIAFUNK�”

July 2, 2003

Ali farka Tour�
Niafunk�
World Circuit / Megam�sica

Antes da explos�o cubana, atrav�s do projecto Buena Vista Social Club, Ry Cooder j� tinha gravado �Talking Timbuktu� com Ali Farka Tour�. Um �lbum de grande cumplicidade que viria a conquistar um grammy. Se em termos art�sticos, �Talking Timbuktu� representou a afirma��o definitiva de um blues men do Mali que, a partir da�, intensificou os seus espect�culos pelos quatro cantos do mundo, em termos pessoais acabou por provocar uma certa nega��o da proeminente carreira art�stica, em detrimento de valores mais elevados. Longe de morrer de amores pelo mundo do espect�culo, muitas foram as vezes que Tour� pensou em abandonar a vida de m�sico. Sentimento que se reflecte nas (�ltimas) rar�ssimas apari��es ao vivo, fora do seu ambiente natural: a aldeia de Niafunk�, situada na ponta do deserto do Sara e ao redor do Rio N�ger, onde n�o existe electricidade nem �gua canalizada. A�, Ali Farka Tour�, pai de 11 filhos com 60 e muitos anos de idade, tem colocado o cultivo da terra acima da m�sica, investindo todo o dinheiro que conquistou com esta actividade (para ele) secund�ria em m�quinas agr�colas. Para quem sentia um certo desconforto em andar em sucessivas digress�es mundiais por perder a ess�ncia da raiz, seria inevit�vel a grava��o de Niafunk� no �lugar de origem desta m�sica - o Mali profundo�, registado por um est�dio m�vel que se alimentou de um gerador.
�Niafunk� �, provavelmente, o grande �lbum da vida de Ali Farka Tour� e um s�rio candidado a melhor �lbum world da d�cada de 90. Se em �Talking Timbuktu� a produ��o de Ry Cooder tinha criado uma maior amplitude sonora que ajudou � constru��o de grandes can��es mais adocicadas ao ouvido ocidental, em �Niafunk� assiste-se ao regresso � terra e � sonoridade (mais trabalhada � certo) que primeiras grava��es que �Radio Mali� (de 96) documentam. Um retorno de quem amadureceu a vis�o musical em palcos mundiais e de quem mexe na terra todos os dias. �Niafunk� pode n�o possuir can��es t�o melodiosas quanto �Talking Timbuktu�, mas ganha em autenticidade que se traduz n�o s� na forma mais audaciosa de Toure tocar guitarra, como nos m�sicos que o acompanham. Os calorosos coros femininos, os ritmos turbulentos das calabash, do djembe e das congas a fazer lembrar o lado r�tmico de uma Oumou Sangare, o som de transe do njarka (violino de uma corda), conduzem-nos a uma viagem de devo��o e embriaguez, transmitindo-nos toda a pureza do Mali profundo, onde os blues nasceram.

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“BEYOND FADO”, UMA REPORTAGEM EM LISBOA (FOLK ROOTS DE JULHO)

July 2, 2003

Na mesma edi??o da Folk Roots em que Manecas ? o principal protagonista, ? ainda apresentada uma reportagem em Lisboa, intitulada ?Beyond Fado?. Finalmente, algu?m reconhece que a m?sica portuguesa n?o ? s? fado (claro que Andrew Cronshaw, jornalista da mesma revista e autor do cap?tulo referente a Portugal no Rough Guide de World Music h? muito que nos tinha mostrado que h? ?bifes? bem informados), apesar de a incurs?o por v?rias casas de fado constituir parte significativa desta reportagem. Mas h? tamb?m Gaiteiros de Lisboa e um respirar profundo da lusofonia africana na Capital.

O CEN?RIO E OS PROTAGONISTAS. Jon Lusk percorre o B.Leza, Petisqueira de Alc?ntara, Bacalhau de Molho, Ondeando (na Costa da Caparica) e En?Clave. Esta incurs?o, acompanhada em parte por Mariza, serviu para recolher impress?es de Rui Vaz (Gaiteiros de Lisboa), Ant?nio Zambujo, Waldemar Bastos, Tabanka Djaz e Bana.
Um reportagem curiosa e abrangente que aborda v?riad?ssimos assuntos: as diferentes influ?ncias que a m?sica portuguesa recebeu, do norte e do sul; o aproveitamento pol?tico de Salazar do fado e dos ranchos folcl?ricos; a di?spora negra da ?frica lus?fona em Lisboa, no p?s 74; a nova gera??o que come?a a olhar para a tradi??o com outros olhos (sem contudo mencionar nomes ? a grande pecha deste artigo).

A NEGATIVIDADE. Das impress?es registadas por Jon Lusk, ressalta uma negatividade bem vis?vel. Rui Vaz, esquecido que ainda h? bem pouco tempo encheu a Aula Magna e ? sempre bem recebido em festivais nacionais de m?sicas do mundo, refere que ?s vezes olham para os Gaiteiros ?como se f?ssemos estrangeiros?. J? Ant?nio Zambujo, admite que os portugueses em geral ?n?o se interessam pela sua pr?pria cultura?. Waldemar Bastos al?m de se queixar de um mau entendimento com a Luaka Bop, e de afirmar que ? dif?cil viver em Portugal (e que s? por quest?es familiar tem reside c?), refere que em ?Portugal n?o existe uma cultura aberta?. Esta olha com desd?m para africanos que cantam fado. Apesar disso, Mariza (de ra?zes mo?ambicanas), continua a vender que se farta. Os Tabanka Djaz, v?o ainda mais longe e falam em ?racismo? entre os promotores de espect?culos das C?maras Municipais, comentando ainda que ?os portugueses escutam-nos com uma atitude colonial?. O rep?rter chegou a confessar-se surpreendido com tanto bota-abaixo.

FALTA DE AUTO-ESTIMA. ? de facto muito estranha a nossa baixa auto-estima. A Folk Roots d? tempo de antena ? ?cidade dos Poetas? (como chega a ser mencionada por jornais ingleses) e os seus representantes gastam mais tempo a desabafar, do que a pronunciarem-se sobre as virtudes dos m?sicos e da m?sica portuguesa. Talvez esta baixa auto-estima tenha a ver com aquilo que tamb?m foi referido no artigo: Ces?ria ?vora, Waldemar Bastos, Tito Paris, Dulce Pontes (e muitos outros nomes) s? ganharam algum espa?o medi?tico em Portugal depois de terem conquistado a Europa. Ser? que esta baixa auto-estima reflecte-se na imprensa nacional, que prefere fazer capas com artistas estrangeiros que, por vezes nem 1000 discos vendem, e ignoram os m?sicos lus?fonos at? estes se notabilizarem l? fora?

POSITIVISMO. A ?nica voz que trouxe algum alento ao derrotismo lusitano, foi a de Miguel Santos, da delega??o londrina da Funda??o Calouste Gulbenkian, que tem feito um not?vel trabalho de promo??o dos artistas nacionais em Inglaterra, nomeadamente atrav?s da organiza??o de duas edi??es do Festival Atlantic Waves. Diz ele que ? preciso que apare?a ?gente que acredite que tenha talento e (…) que n?o tenha medo de fazer coisas?. Miguel Santos que gosta de se rever ?como parte de uma nova gera??o que acredita que existe em Portugal talento e criatividade, tal como em outro pa?s do mundo?. Assim ? que se fala.

PS: A Folk Roots pode ser adquirida em Lisboa na loja do Mundo Da Can??o, no Picoas Plaza. Para mais informa??es, consultem o site desta distribuidora: www.discantus.pt

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“BEYOND FADO”, UMA REPORTAGEM EM LISBOA (FOLK ROOTS DE JULHO)

July 2, 2003

Na mesma edi��o da Folk Roots em que Manecas � o principal protagonista, � ainda apresentada uma reportagem em Lisboa, intitulada �Beyond Fado�. Finalmente, algu�m reconhece que a m�sica portuguesa n�o � s� fado (claro que Andrew Cronshaw, jornalista da mesma revista e autor do cap�tulo referente a Portugal no Rough Guide de World Music h� muito que nos tinha mostrado que h� �bifes� bem informados), apesar de a incurs�o por v�rias casas de fado constituir parte significativa desta reportagem. Mas h� tamb�m Gaiteiros de Lisboa e um respirar profundo da lusofonia africana na Capital.

O CEN�RIO E OS PROTAGONISTAS. Jon Lusk percorre o B.Leza, Petisqueira de Alc�ntara, Bacalhau de Molho, Ondeando (na Costa da Caparica) e En�Clave. Esta incurs�o, acompanhada em parte por Mariza, serviu para recolher impress�es de Rui Vaz (Gaiteiros de Lisboa), Ant�nio Zambujo, Waldemar Bastos, Tabanka Djaz e Bana.
Um reportagem curiosa e abrangente que aborda v�riad�ssimos assuntos: as diferentes influ�ncias que a m�sica portuguesa recebeu, do norte e do sul; o aproveitamento pol�tico de Salazar do fado e dos ranchos folcl�ricos; a di�spora negra da �frica lus�fona em Lisboa, no p�s 74; a nova gera��o que come�a a olhar para a tradi��o com outros olhos (sem contudo mencionar nomes � a grande pecha deste artigo).

A NEGATIVIDADE. Das impress�es registadas por Jon Lusk, ressalta uma negatividade bem vis�vel. Rui Vaz, esquecido que ainda h� bem pouco tempo encheu a Aula Magna e � sempre bem recebido em festivais nacionais de m�sicas do mundo, refere que �s vezes olham para os Gaiteiros �como se f�ssemos estrangeiros�. J� Ant�nio Zambujo, admite que os portugueses em geral �n�o se interessam pela sua pr�pria cultura�. Waldemar Bastos al�m de se queixar de um mau entendimento com a Luaka Bop, e de afirmar que � dif�cil viver em Portugal (e que s� por quest�es familiar tem reside c�), refere que em �Portugal n�o existe uma cultura aberta�. Esta olha com desd�m para africanos que cantam fado. Apesar disso, Mariza (de ra�zes mo�ambicanas), continua a vender que se farta. Os Tabanka Djaz, v�o ainda mais longe e falam em �racismo� entre os promotores de espect�culos das C�maras Municipais, comentando ainda que �os portugueses escutam-nos com uma atitude colonial�. O rep�rter chegou a confessar-se surpreendido com tanto bota-abaixo.

FALTA DE AUTO-ESTIMA. � de facto muito estranha a nossa baixa auto-estima. A Folk Roots d� tempo de antena � �cidade dos Poetas� (como chega a ser mencionada por jornais ingleses) e os seus representantes gastam mais tempo a desabafar, do que a pronunciarem-se sobre as virtudes dos m�sicos e da m�sica portuguesa. Talvez esta baixa auto-estima tenha a ver com aquilo que tamb�m foi referido no artigo: Ces�ria �vora, Waldemar Bastos, Tito Paris, Dulce Pontes (e muitos outros nomes) s� ganharam algum espa�o medi�tico em Portugal depois de terem conquistado a Europa. Ser� que esta baixa auto-estima reflecte-se na imprensa nacional, que prefere fazer capas com artistas estrangeiros que, por vezes nem 1000 discos vendem, e ignoram os m�sicos lus�fonos at� estes se notabilizarem l� fora?

POSITIVISMO.