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MARI BOINE: “SAY IT LOUD, I’M SAMI AND I’M PROUD”

November 30, 2003


Mari Boine cobrindo-se com a bandeira da Lap?nia

N?o. Mari Boine n?o lutou pelos direitos civis da popula??o negra norte-americana, mas ? uma esp?cie de zapatista S?mi que tem contribu?do para que o seu povo, aqueles que “foram empurrados para o tecto do mundo” sintam mais orgulho da sua cultura.

Mari Boine ? a senhora que encerra a segunda edi??o do festival Sons em Tr?nsito de Aveiro. Na cidade ? beira-ria, d? o seu ?ltimo concerto da sua digress?o. Depois disso, pretende descansar durante dois meses para preparar o pr?ximo disco, que dever? sair em 2005 ou 2006. Ser? o regresso ?s origens, ao som mais org?nico, ap?s a experimenta??o electr?nica com o produtor de electro-jazz noruegu?s Bugge Wasseltoft em “Eight Seasons” e do lan?amento do disco de remixes de alguns dos temas mais simb?licos da sua carreira. N?o renega a hip?tese de voltar a incluir electr?nica em discos futuros, mas h?-que ir com calma e desde que isso n?o “retire a espiritualidade ? minha voz”. Pode presup?r-se que o resultado de “Eight Seasons” e do ?lbum de remisturas n?o foi inteiramente do seu agrado. Boine escuda-se; Afima: “n?o ? que n?o goste de trabalhar com electr?nica, mas n?o ? isso que quero fazer no futuro”; e destaca apenas duas ou tr?s remixes de que realmente gostou: a de “Gula Gula”, a realizada pelos Biosphere e pelo seu saxofonista.

A pausa de cerca de dois anos que ocorreu depois do lan?amento de “Room of Worship” (1998), permitiu a Mari participar em v?rios projectos com outros m?sicos de g?lidas latitudes: Farlanders, do qual vivia a resultar o disco “Winter In Moscow” e o projecto multinacional que envolvia dois m?sicos tamb?m russos, um senegal?s, um indiano e o cantor dos Huun Huur Tu de Tuva, os Vershi da Koreshki. Tempos conturbados em que parte dos elementos da banda de Mari Boine foram ? sua vida colaborando com o queniano Ayub Ogada, ou multiplicando-se em in?meros projectos, como ? o caso da criativa violinista Hege Rimestad. “Foi como um div?rcio, por vezes n?o consegues compreender o que aconteceu”, tenta explicar Mari Boine a causa afastamento desta norueguesa. Da anterior forma??o, restam agora apenas dois elementos. Destaque ?bvio para o peruano das flautas, Carlos Quispe. Para a yoikker, ele ? um elemento chave na forma??o devido ? sua “espiritualidade e profundidade enquanto ser humano”. Homem das montanhas andinas, que d? uma tonalidade mais xam?nica ao projecto.

Zapatista xam?nica.

A sua m?sica, al?m de combinar arranjos de jazz com yoik, tem uma veia extremamente xam?nica.Se repararmos, os xamans encontram-se em partes difusas do nosso planeta. Na Lap?nia, na Sib?ria, na Austr?lia, nas Am?ricas. Que leitura faz deste “puzzle” com peda?os espalhados pelo mundo? Como ? que a sua m?sica recebe essas influ?ncias?

? a cultura original de todo o ser humano. Era a cultura que vigorava quando o homem estava muito pr?ximo da natureza. N?o ? exclusivo apenas da Lap?nia, existe at? mesmo na Europa. A Cultura Celta tem esses elementos. ? quando se torna interessante. A minha cultura n?o ? apenas restrita ao local de onde venho, ? universal. ? como um tesouro que certas pessoas tiveram o privil?gio de o preservar. N?o percas isto! Este ? o teu presente.

Quando os Crist?os colonizaram a Noruega, proibiram que se cantasse o yoik e queimaram todos os “Shaman Drums”, al?m dos violinos tatuados. Era a m?sica do diabo, diziam eles. Ainda cresceu no seio de uma gera??o em que era proibido cantar joik e falar-se o seu dialecto sami nas escolas. At? que ponto ? que este panorama se tem alterado?

Agora as nossas crian?as j? fala sami nas escolas e cantam yoik sem restri??es. No entanto, continua a haver um grupo crist?o muito fundamentalista. Afirma que n?o deve ensinar as crian?as a cantar desta forma e que o yoik nunca ser? permitido na igreja.
? o medo que eles t?m dentro deles acerca da natureza. Se olhar para a hist?ria, observa o que inquisi??o fez. Durante todos estes anos, temos lutado com algo que est? dentro do n?s. O homem a lutar contra sua a natureza. Gosto de ver isto como um todo, n?o apenas como uma simples opress?o Sami. O opressor oprime uma parte de si pr?prio. Precisamos de voltar a ter esta liga??o com a natureza e de ter orgulho nisso.

Considera-se uma Zapatista Sami?

N?o sei o que ? o Zapatismo.

? o s?mbolo de resist?ncia ind?gena no M?xico liderado pelo Subcomandante Marcos que, atrav?s de can??es e poemas tem tentado chamar a aten??o dos media mundiais para a luta dos direitos dos ind?genas mexicanos a n?o abdicarem das suas terras.

Penso que ? o que sou (ri-se). Mas penso que na Escandin?via a situa??o social para o meu povo ? muito melhor do que a dos Mexicanos. No entanto, continua a haver discuss?o sobre posse de terras. ? uma situa??o dif?cil para a Escandin?via aceitar isso. N?o somos noruegueses, finlandeses ou suecos, somos uma comunidade que possu?a essas terras antes de sermos colonizados. Isto ? algo que est? a come?ar a ser discutido.

Ao longo de quase vinte anos de carreira como cantora de interven??o, o que ? que conseguiu conquistar para a sua causa e para o seu povo?

As pessoas est?o mais orgulhosas em serem Samis, j? n?o se sentem t?o envergonhadas. Os jovens t?m ?dolos Samis, o que ? importante para esta gera??o. Fala-se mais abertamente de como nos sent?amos envergonhados da nossa cultura. Muitos Samis queriam esquecer a sua cultura, a sua l?ngua e falavam com os seus filhos em noruegu?s. Isto tem mudado. Tem havido maior abertura. Essa mudan?a s? se d? quando as pessoas se tornam mais orgulhosas de si pr?prias. As mudan?as n?o v?m de um governo, vem de um povo que come?a a sentir-se orgulhoso.

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MARI BOINE: “SAY IT LOUD, I’M SAMI AND I’M PROUD”

November 30, 2003


Mari Boine cobrindo-se com a bandeira da Lap�nia

N�o. Mari Boine n�o lutou pelos direitos civis da popula��o negra norte-americana, mas � uma esp�cie de zapatista S�mi que tem contribu�do para que o seu povo, aqueles que “foram empurrados para o tecto do mundo” sintam mais orgulho da sua cultura.

Mari Boine � a senhora que encerra a segunda edi��o do festival Sons em Tr�nsito de Aveiro. Na cidade � beira-ria, d� o seu �ltimo concerto da sua digress�o. Depois disso, pretende descansar durante dois meses para preparar o pr�ximo disco, que dever� sair em 2005 ou 2006. Ser� o regresso �s origens, ao som mais org�nico, ap�s a experimenta��o electr�nica com o produtor de electro-jazz noruegu�s Bugge Wasseltoft em “Eight Seasons” e do lan�amento do disco de remixes de alguns dos temas mais simb�licos da sua carreira. N�o renega a hip�tese de voltar a incluir electr�nica em discos futuros, mas h�-que ir com calma e desde que isso n�o “retire a espiritualidade � minha voz”. Pode presup�r-se que o resultado de “Eight Seasons” e do �lbum de remisturas n�o foi inteiramente do seu agrado. Boine escuda-se; Afima: “n�o � que n�o goste de trabalhar com electr�nica, mas n�o � isso que quero fazer no futuro”; e destaca apenas duas ou tr�s remixes de que realmente gostou: a de “Gula Gula”, a realizada pelos Biosphere e pelo seu saxofonista.

A pausa de cerca de dois anos que ocorreu depois do lan�amento de “Room of Worship” (1998), permitiu a Mari participar em v�rios projectos com outros m�sicos de g�lidas latitudes: Farlanders, do qual vivia a resultar o disco “Winter In Moscow” e o projecto multinacional que envolvia dois m�sicos tamb�m russos, um senegal�s, um indiano e o cantor dos Huun Huur Tu de Tuva, os Vershi da Koreshki. Tempos conturbados em que parte dos elementos da banda de Mari Boine foram � sua vida colaborando com o queniano Ayub Ogada, ou multiplicando-se em in�meros projectos, como � o caso da criativa violinista Hege Rimestad. “Foi como um div�rcio, por vezes n�o consegues compreender o que aconteceu”, tenta explicar Mari Boine a causa afastamento desta norueguesa. Da anterior forma��o, restam agora apenas dois elementos. Destaque �bvio para o peruano das flautas, Carlos Quispe. Para a yoikker, ele � um elemento chave na forma��o devido � sua “espiritualidade e profundidade enquanto ser humano”. Homem das montanhas andinas, que d� uma tonalidade mais xam�nica ao projecto.

Zapatista xam�nica.

A sua m�sica, al�m de combinar arranjos de jazz com yoik, tem uma veia extremamente xam�nica.Se repararmos, os xamans encontram-se em partes difusas do nosso planeta. Na Lap�nia, na Sib�ria, na Austr�lia, nas Am�ricas. Que leitura faz deste “puzzle” com peda�os espalhados pelo mundo? Como � que a sua m�sica recebe essas influ�ncias?

� a cultura original de todo o ser humano. Era a cultura que vigorava quando o homem estava muito pr�ximo da natureza. N�o � exclusivo apenas da Lap�nia, existe at� mesmo na Europa. A Cultura Celta tem esses elementos. � quando se torna interessante. A minha cultura n�o � apenas restrita ao local de onde venho, � universal. � como um tesouro que certas pessoas tiveram o privil�gio de o preservar. N�o percas isto! Este � o teu presente.

Quando os Crist�os colonizaram a Noruega, proibiram que se cantasse o yoik e queimaram todos os “Shaman Drums”, al�m dos violinos tatuados. Era a m�sica do diabo, diziam eles. Ainda cresceu no seio de uma gera��o em que era proibido cantar joik e falar-se o seu dialecto sami nas escolas. At� que ponto � que este panorama se tem alterado?

Agora as nossas crian�as j� fala sami nas escolas e cantam yoik sem restri��es. No entanto, continua a haver um grupo crist�o muito fundamentalista. Afirma que n�o deve ensinar as crian�as a cantar desta forma e que o yoik nunca ser� permitido na igreja.
� o medo que eles t�m dentro deles acerca da natureza. Se olhar para a hist�ria, observa o que inquisi��o fez. Durante todos estes anos, temos lutado com algo que est� dentro do n�s. O homem a lutar contra sua a natureza. Gosto de ver isto como um todo, n�o apenas como uma simples opress�o Sami. O opressor oprime uma parte de si pr�prio. Precisamos de voltar a ter esta liga��o com a natureza e de ter orgulho nisso.

Considera-se uma Zapatista Sami?

N�o sei o que � o Zapatismo.

� o s�mbolo de resist�ncia ind�gena no M�xico liderado pelo Subcomandante Marcos que, atrav�s de can��es e poemas tem tentado chamar a aten��o dos media mundiais para a luta dos direitos dos ind�genas mexicanos a n�o abdicarem das suas terras.

Penso que � o que sou (ri-se). Mas penso que na Escandin�via a situa��o social para o meu povo � muito melhor do que a dos Mexicanos. No entanto, continua a haver discuss�o sobre posse de terras. � uma situa��o dif�cil para a Escandin�via aceitar isso. N�o somos noruegueses, finlandeses ou suecos, somos uma comunidade que possu�a essas terras antes de sermos colonizados. Isto � algo que est� a come�ar a ser discutido.

Ao longo de quase vinte anos de carreira como cantora de interven��o, o que � que conseguiu conquistar para a sua causa e para o seu povo?

As pessoas est�o mais orgulhosas em serem Samis, j� n�o se sentem t�o envergonhadas. Os jovens t�m �dolos Samis, o que � importante para esta gera��o. Fala-se mais abertamente de como nos sent�amos envergonhados da nossa cultura. Muitos Samis queriam esquecer a sua cultura, a sua l�ngua e falavam com os seus filhos em noruegu�s. Isto tem mudado. Tem havido maior abertura. Essa mudan�a s� se d� quando as pessoas se tornam mais orgulhosas de si pr�prias. As mudan�as n�o v�m de um governo, vem de um povo que come�a a sentir-se orgulhoso.

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Ojos de Brujo: United Colors of Flamenco

November 27, 2003

Sons em Tr�nsito, Teatro Aveirense, 22Nov03

“Incendiaram o palco”. “Deitaram aquilo abaixo”. Lugares comuns que t�o bem se aplicam a um projecto que, desde o segundo “round”, agarrou uma plateia e um balc�o bastante distinto da noite anterior, composto por estudantes espanh�is do Erasmus, Galegos, rastas, freaks e hippies da tribo “Manu Chao”, etc. Os Ojos de Brujo trouxerem consigo uma verdadeira legi�o de f�s, conhecedores dos dois discos (“Vengue” e “Bari”) e das letras de algumas can��es. Arrepiante a explosiva ova��o final. O caso n�o � para menos. H� muito que n�o me lembrava de assistir a um espect�culo t�o intenso, do primeiro ao �ltimo minuto. Sem qualquer tipo de quebra. Partindo sempre de uma base de flamenco e suced�neos - bulerias, rumbas catal�s (o farol que os ilumina), os Ojos de Brujo parecem barco � deriva em mares t�o difusos quanto complementares de funk, hip hop, dub, reggae, � procura da rota mar�tima para o ber�o da civiliza��o cigana (a �ndia). L� v�m eles pela mil�sima vez com mais uma fus�o inconsequente. O tempo de Transglobal Underground e de Loop Guru j� passou, podiam dizer voc�s. S� que, nos Ojos de Brujo, tudo parece perfeito. A alma cigana encontra-se bem presente. Ramon (o guitarrista e uma das principais figuras do projecto) � um m�sico grande, grande. Toca com o nervo e o virtuosismo daqueles ciganos de leste que animam festas durante dias seguidos. Parte uma corda da sua guitarra e toca como se nada tivesse acontecido. Acompanha com as m�os e todo o corpo, os ritmos demolidores que saem do arrebatador despique de tr�s cajons e de momentos de percuss�o vocal carn�tica (que Trilok Gurtu popularizou entre os seguidores da movimenta��o “asian underground”) em “Zambra”. J� a carism�tica Marina desdobra-se, ora em pura cantora rumbera, ora em inquieta “rapper”. Uma panflet�ria de esp�rito zapatista. Denuncia as injusti�as do sistema capitalisa e luta pelos direitos dos sem-abrigo e dos “sem papeis”. � ela o principal elo de liga��o entre a nobre tradi��o andaluz e a cultura de rua, bem amplificada por um baixista t�o “swingante” quanto “afunkalhado” (sa�do picante escola de Kiedis) e por um eficaz MC e domador de pratos. �, ali�s, este dom�nio da cultura de “la calle” numa “Barcelona Zona Bastarda”, onde fervilham tantos e tantos interessantes projectos, que faz dos Ojos de Brujo uma das mais intensas e bem sucedidas propostas de fus�o. Excelentes em palco, bons em est�dio.

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Cibelle: O camale�o e a Leoa

November 25, 2003

Sons em Transito, Teatro Aveirense, 21Nov03

� com um certo sabor a injusti�a que leio algumas cr�ticas ao concerto de Cibelle, na imprensa nacional de refer�ncia. Se um diz mata, o outro diz esfola. Houve quem gastasse mais de metade do pouco espa�o que tem, para referenciar o extenso rol de azares e problemas t�cnicos dessa noite. Ser� que Cibelle garantir� um lugar no Guiness na categoria do concerto mais desastrado at� hoje realizado? Houve de tudo: problemas nos microfones, um comprometedor curto-circuito, uma correia de uma guitarra � tiracolo que caiu (como se isso n�o acontecesse regularmente – v� l�, o guitarrista n�o partiu nenhuma corda). S� faltou mesmo evocar a carta astral como forma de argumentar que os m�sicos n�o deveriam ter sa�do do hotel naquela noite. Estranho que, quem esbo�ou tantos pormenores num pequeno texto, n�o soubesse distinguir um vibrafone de um xilofone, nem tivesse conhecimento de que Suba � o nome de um falecido produtor jugoslavo e n�o a designa��o de um projecto musical. O outro escriba disse simplesmente – curto e grosso - que eles valeram zero. Ponto final. � a “puta da subjectividade” em forma.

� certo que Cibelle ainda tem pouca experi�ncia de palco. � certo que o espect�culo teve incidentes a mais, desde falhas cont�nuas no som dos microfones a um comprometedor curto-circuito que fez parar o espect�culo durante uns cinco minutos. � certo que Cibelle, aqui e ali desafina um pouco e at� chega a dar um ar de menina mimada. Mas, gabe-se-lhe o profissionalismo com que foi contornando os problemas que encontrou pela frente; como foi quebrando, um a um, os “galhos” e o gelo da assist�ncia, improvisando, contando pequenas hist�rias e pegando nas congas, durante o hiato do curto-circuito; como tornou el�stica a sua m�sica e a sua actua��o, balan�ando entre a densidade noise das guitarras e dos sintetizadores anal�gicos e a simplicidade de um viol�o acompanhando a despida voz de Cibelle, numa singular can��o baiana. Apesar de uma certa ingenuidade, Cibelle “agarrou sempre o touro pelos cornos”. Se alguns erros mais se notaram, deveram-se � inquietude, � constante necessidade de experimenta��o da jovem cantora. Ela que sempre que podia, tinha dois micros na m�o. Um de amplifica��o normal, o outro ligado a um pedal de reverbera��o, de forma a projectar ecos cont�nuos na sua voz. Por vezes, sentia-se o esp�rito Mutantes a rondar por ali.
Cibelle em palco mistura a pele de camale�o com a alma de leoa. A pedalada dela � enorme. As pilhas duram, duram e duram. Pensamos se ela n�o estar� dopada, tal a entrega e aus�ncia de cansa�o que demonstrou ao longo de uma hora e meia. A secund�-la, uma discreta e eficiente banda de seis elementos. Meticuloso o eg�pcio Tarek Abou-Chanab na cria��o de ambientes densos e on�ricos, atrav�s do seu vibrafone e de teclados anal�gicos. O mesmo se pode dizer do guitarrista brasileiro, Filipe Pagani ao mostrar um vasto leque de guitarras languidas, plenas de distor��o e wah wah. E do baterista italiano, Vladimiro Carboni, ao exibir um mancial r�tmico assaz diversificado, em todo semelhante ao resultado final: uma “middle of nowere village” que cruza ambientes electro-jazz, sombrios e intimistas, acabados de sair dos est�dios berlinenses da editora Compost, algumas pinceladas de bossa nova e de samba revistos a partir da Europa e algum ru�do e um certo esp�rito “screamad�lico”. Apesar de tudo, valeu.

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Os erros da “world music”

November 20, 2003

J

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Ciganos el?ctricos e (pouco) selvagens

November 18, 2003

V?rios
Electric Gypsyland
Crammed / Megam?sica

O que o cinema faz. Desde “Underground”, a m?sica cigana de leste extravasou o restrito circuito de festivais folk, da imprensa escrita e de programas de r?dio especialmente vocacionados para a divulga??o de m?sicas do mundo. O esp?rito tresloucado, o apelo irresist?vel ? dan?a das brass bands e das taraf ciganas que nos chegam do leste, conquistaram a ‘club culture’ alem? e o cora??o de alguns produtores de m?sica electr?nica. “Electric Gypsyland” ?, pois, um exerc?cio de distintos estilos edificado a v?rias m?os. Alterna o mau (Bucovina Club – excessivamente techno; Bigga Bush – dub inconsequente; Mercan Dede – apenas um m?sero didgeridoo), com o razo?vel (Arto Lindsay e Se?or Coconut – algo frios e maquinais) e o bom (j? a seguir). Parte de uma mat?ria prima (extremamente) limitada, que se restringe aos grupos do selo Crammed: Taraf de Haidouks, Ko?ani Orkestar e a recente aquisi??o, Mahala Rai Banda. O que faz com que haja alguma repeti??o na revis?o do repert?rio. “Siki Siki Baba” da Ko?ani ? revisto por tr?s vezes (Se?or Coconut>, Ga?tano Fabri e Mercan Dede), “L’orient Est Rouge” ainda da brass band maced?nia por duas vezes (Lightning Head e Bigga Bush).
O c?u limpo e solarengo que se abate algures entre a Rom?nia e a Maced?nia, ?-nos oferecido pela sequ?ncia Dj Dolores Vs Taraf Shantel Vs Mahala e Juryman Vs Taraf (de novo), al?m de Modern Quartet Vs Ko?ani. Quatro propostas onde a ‘hora’ romena que ? “Dumbala Dumba”, dilui-se em ritmos de drum’n’samba; onde “Lest Sexy” exala a faceta sensual e extremamente dan??vel da m?sica cigana dos balc?s, amplificada pela quase aus?ncia criativa de Shantel, que se limita a dar mais intensidade ao ritmo; onde o esp?rito de bom selvagem, hipn?tico, de quem conta uma hist?ria de subleva??o camponesa, enquanto dedilha as cordas de um violino, ? totalmente transfigurado pelo electro jazz de Juryman, muito marcado por uma bateria intensa e deambulante; e onde um clarinetista b?lgaro, com uns dedinhos m?gicos ? Ivo Papasov, encontra um tapete vermelho de electr?nica refinada a seus p?s. Mais e melhor seria at? seria poss?vel. Era necess?rio que se respirasse com maior intensidade o esp?rito de bom selvagem e se reproduzissem os sons que marcam o pulsar do dia-a-dia no seio de uma comunidade cigana: os acordes de acorde?o ao fundo da sala, os c?es a latir, os preg?es das vendedoras, etc. (6/10).

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Ciganos el�ctricos e (pouco) selvagens

November 18, 2003

V�rios
Electric Gypsyland
Crammed / Megam�sica

O que o cinema faz. Desde “Underground”, a m�sica cigana de leste extravasou o restrito circuito de festivais folk, da imprensa escrita e de programas de r�dio especialmente vocacionados para a divulga��o de m�sicas do mundo. O esp�rito tresloucado, o apelo irresist�vel � dan�a das brass bands e das taraf ciganas que nos chegam do leste, conquistaram a ‘club culture’ alem� e o cora��o de alguns produtores de m�sica electr�nica. “Electric Gypsyland” �, pois, um exerc�cio de distintos estilos edificado a v�rias m�os. Alterna o mau (Bucovina Club – excessivamente techno; Bigga Bush – dub inconsequente; Mercan Dede – apenas um m�sero didgeridoo), com o razo�vel (Arto Lindsay e Se�or Coconut – algo frios e maquinais) e o bom (j� a seguir). Parte de uma mat�ria prima (extremamente) limitada, que se restringe aos grupos do selo Crammed: Taraf de Haidouks, Ko�ani Orkestar e a recente aquisi��o, Mahala Rai Banda. O que faz com que haja alguma repeti��o na revis�o do repert�rio. “Siki Siki Baba” da Ko�ani � revisto por tr�s vezes (Se�or Coconut>, Ga�tano Fabri e Mercan Dede), “L’orient Est Rouge” ainda da brass band maced�nia por duas vezes (Lightning Head e Bigga Bush).
O c�u limpo e solarengo que se abate algures entre a Rom�nia e a Maced�nia, �-nos oferecido pela sequ�ncia Dj Dolores Vs Taraf Shantel Vs Mahala e Juryman Vs Taraf (de novo), al�m de Modern Quartet Vs Ko�ani. Quatro propostas onde a ‘hora’ romena que � “Dumbala Dumba”, dilui-se em ritmos de drum’n’samba; onde “Lest Sexy” exala a faceta sensual e extremamente dan��vel da m�sica cigana dos balc�s, amplificada pela quase aus�ncia criativa de Shantel, que se limita a dar mais intensidade ao ritmo; onde o esp�rito de bom selvagem, hipn�tico, de quem conta uma hist�ria de subleva��o camponesa, enquanto dedilha as cordas de um violino, � totalmente transfigurado pelo electro jazz de Juryman, muito marcado por uma bateria intensa e deambulante; e onde um clarinetista b�lgaro, com uns dedinhos m�gicos � Ivo Papasov, encontra um tapete vermelho de electr�nica refinada a seus p�s. Mais e melhor seria at� seria poss�vel. Era necess�rio que se respirasse com maior intensidade o esp�rito de bom selvagem e se reproduzissem os sons que marcam o pulsar do dia-a-dia no seio de uma comunidade cigana: os acordes de acorde�o ao fundo da sala, os c�es a latir, os preg�es das vendedoras, etc. (6/10).

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Online Radio: Bons ventos castelhanos

November 17, 2003

N

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O Servi

November 16, 2003

“Planeta 3″. De especial a programa de um hora ao fim-de-semana (domingos 21-22h). A Raquel Bulha est

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Pr

November 15, 2003

Pacheco Pereira no seu melhor

Em Maio, o eurodeputado JOs

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A R

November 15, 2003

N

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o Regresso dos lend

November 14, 2003

Quais Chieftains, quais Dubliners, quais Fairport Convention. Esta sempre foi a minha institui

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World Charts Music Europe (Novembro 2003)

November 12, 2003

1. LAUGHTER THROUGH TEARS
Oi Va Voi, UK (Outcaste)
2. OUMOU
Oumou Sangare, Mali (World Circuit)
3. VOZ D’AMOR
Cesaria Evora, Cape Verde (Lusafrica)
4. ZION ROOTS
Abyssinia Infinitive, Ethiopia/USA (Network Medien)
5. BOWMBOI
Rokia Traore, Mali (Tama)
6. FESTIVAL AU DESERT
Various Artists, various (Creon)
7. SERIOUS
Da Lata, (Palm Beats
8. CONGO LIFE
Kekele, Kongo (Stern’s)
9. FERNANDA PORTO
Fernanda Porto, Brazil (Trama)
10. ELECTRIC GYPSYLAND
Various Artists, Romania/various (Crammed)
11. SAMPA NOVA
Various Artists, Brazil (Stern’s)
12. PALM WINE A GO GO
Abdul Tee-Jay, Sierra Leone (Stern’s)
13. FIEBRE
Radio Tarifa, Spain (World Circuit)
14. THE HOUR OF TWO LIGHTS
Terry Hall & Mushtaq, UK (Honest Jons)
15. DUNYA
Malouma, Mauritania (Marabi)
16. FOLY
Habib Koite & Bamada, Mali (Contre Jour)
17. KAZA KAPA DEBESIS
Ilgi, Lativa (UPE)
18. DENKSTE
Polkaholix, Germany (Heideck
19. A SECRET GATE
Mostar Sevdah Reunion, Bosnia and Herzegovina (Connecting Cultures)
20. SAHARA
Javier Ruibal, Spain (Riverboat)

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Top de vendas da Loja MC / Picoas Plaza (Outubro 2003)

November 12, 2003

A partir de hoje, passamos a divulgar listas mensais de vendas de discos de m

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Mr. Kepa “50000″ Junkera

November 11, 2003

Do site basco www.eitb.com, chega-nos a not

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o “Alento” das concertinas

November 10, 2003

Depois da Biografia dos Madredeus, Jorge Pires escreve novo livro tendo como pano de fundo as concertinas m

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Foi voc

November 9, 2003

Brasileiras para todos os gostos: loiras, ruivas, morenas… “violinhas chorosas”, mangue, tropicalismo, bossa nova. Frescas e Maduras.

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Encontros Cr

November 8, 2003

A oferta de discos n

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Pr

November 7, 2003

Africa: Cesaria Evora, Oumou Sangare, Rokia Traore, Daara J
Asia/Pacific: Huun-Huur-Tu, Trikok Gurtu, Sevara Nazarkhan, Munadjat Yulchieva
Americas: Ibrahim Ferrer, Omar Sosa, Caetano Veloso, Os Tribalistas
Europe: Ojos De Brujo, Kroke, Radio Tarifa, Tamara Obravac
Middle East/North Africa: Mercan Dede, Khaled, Souad Massi, Kazem el Saher
Newcomer: Ojos de Brujo, Cibelle, Sevara Nazarkhan, Warsaw Village Band
Boundry Crossing: Bob Brozman, Manu Chao, Duoud, Think of One
Club Global: Mercan Dede, DJ Delores and Orchestra Santa Massa, Panjabi MC, Zuco 103

mais informa

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Ronda dos Quatro Caminhos leva “Terra de Abrigo” ao CCB

November 6, 2003

Confirma-se. A Ronda apresenta “Terra de Abrigo” no CCB em duplo espect

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V

November 6, 2003

Uma not

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CdT: Encontros no Agito #2

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