Todos os caminhos das danças vão dar ao Andanças
July 31, 2006

Inicia-se hoje a XI edição do Festival Internacional de Danças Populares – Andanças, em Carvalhais, São Pedro do Sul. Evento que mudou a forma de estar num festival de música popular já que, de acordo com João Pires da Associação PéDeXumbo (em entrevista ao Programa Terra Pura audível neste link), os partipantes “não vêm assistir a um festival, vêm participar”.
Até ao próximo domingo, dia 6 de Agosto, haverá todas as tardes inúmeros workshops das mais variadas danças do mundo (fandango basco, salsa, street dance, africanas tribais, populares portuguesas), práticas de relaxamento (abraçoterapia, bio movimento, massagem ayurvédica, risoterapia, tantra yoga, meditação), ateliers de expressão dramática e clássica. À noite, pratica-se o que se aprendeu nos workshops de danças em múltiplos bailes que ocorrem em vários palcos em simultâneo. Muitos são os mestres de cerimónias: BRUNO ET MARIA , EMBRUN, NARAGONIA, AKIAKULE FOLK VASCO, LA FONT DE LA CAROTA, VIIS, MINUIT GUIBOLLES, PLACE DES MIRACLES, VIOLON & TALLON, ZEF, QUARTET, PADDY B. & CELTIC EXPRESS, ABNOBA, CANTINA SOCIALE, KAPELA Z MILANÓWKA, ACCORDIONAZZ, ALAFUM, ALL WIND AND PISS, CRAVO & FERRADURA, DIABO A SETE, EGG, FORROBODÓ, LÚMEN, MONTE LUNAI, UM, NO MAZURKA BAND, PÉ NA TERRA, RONCOS DO DIABO, TOQUES DO CARAMULO, UMA COISA EM FORMA DE ASSIM!, UXU KALHUS e ZIGAIA.
Para além dos bailes, há também espectáculos no palco principal e na Igreja, com:
AUDIBLE ARCHITECTURE, DAZKARIEH, DJAMBOONDA, JOANA MELO GROUP, KUMPA’NIA AL-GAZARRA, NAÇÃO VIRA LATA, OLIVE TREE, SEBASTIÃO ANTUNES TRIO, TCHAKARE KANYEMBE, ACCORDIONAZZ, BALTAZAR MONTANARO, BORIS TROUPLIN, NO TEMPO EM QUE OS INSTRUMENTOS FALAVAM, PEDRO MESTRE, PLACE DES MIRACLES, SOM DAS DANÇAS TIBETANAS, TERESA GABRIEL, TRAD E VARIUS.
Destaque para a apresentação do primeiro disco de UXU KALHUS, “A Revolta dos Badalos”, que acaba de ser editado pela Hepta Trad (que faz o agenciamento da XUCALHADA, para além de DAZKARIEH, MANDRÁGORA e ORQUESTRINHA DO TERROR) e para a edição do livro comemorativo de 10 anos de Andanças, “Contra Danças Não Há Argumentos”, com textos de vários participantes deste festival: ADRIANO AZEVEDO, ALEXANDRE MATIAS, ANA MARTINS, ANTÓNIO PIRES, DANIEL TÉRCIO, DIANA MIRA, GONÇALO OLIVEIRA, GRAÇA GONÇALVES, JOÃO PIRES, LUÍS FERNANDES, LUÍS MOURA, MANUELA PIRES DA FONSECA, MERCEDES PRIETO, PAULO PEREIRA, RUI LEAL e SÃO VICENTE.
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gaitas-de-foles, pauliteiros e burros em Vimioso
July 22, 2006
A Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino promove entre os dias 28 e 30 de Julho, em Vimioso, o festival “Sons e Ruralidades” . Três dias com variadíssimas actividades (exposições, mostra de documentários, oficinas de construção de instrumentos musicais, palestras, tertúlias sobre etnografia e antropologia relacionadas com a música tradicional, concertos, etc) cujo objectivo é o de “alcançar a fusão entre a Natureza e a Ruralidade através da expressão artística conferida pela Música Tradicional, inserida no contexto etnográfico e ambiental que a vai criando e inovando ao longo dos tempos”.
Na sexta-feira, dia 28 de Julho, destaque para a abertura da Exposição Um Mundo de Gaitas (da Associação Gaita de Foles) e lançamento do CD de recolhas de música tradicional “Bi Benir La Gaita”. Domungo Morais explora a pergunta “Para que serve a música?” e reflecte sobre “Histórias e aventuras de povos mais ou menos musicais”. o dia termina com os CIBO MOSARI e um arrial tradicional.
Sábado, dia 30 de Julho, o dia é preenchido com várias oficinas: danças mirandesas, danças europeias por JOANA NEGRÃO, com as PAULITIERAS DE VALCERTO (para crianças), com os PAULITEIROS DE MIRANDA.
As festividades nocturnas serão divididas pelos DAZKARIEH e DITES 34 (de França), seguido de novo arraial tradicional.
Domingo, dia 31 de Julho, há feira de burros logo pela manhã, arruada com os RONCOS DO DIABO (pelo meio-dia) é cantares tradicionais (às 17h). Um hora depois, há oficinas de toques de instrumentos tradicionais – Gaita, caixa, bombo, flauta pastoril, tamboril, percussões de acompanhamento. À noite, é visionado o documentário “11 burros caem de estômago vazio” realizado por TIAGO PEREIRA que servirá de mote a um debate conduzido por DOMINGOS MORAIS. O “Sons e Ruralidades” encerra com a actuação em palco dos gaiteiros RONCOS DO DIABO.
Programa completo no site da AEPGA
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Portugueses em força no IBERFOLK do Sabugal
July 21, 2006
Aí está uma prova de como se pode programar um belíssimo festival recorrendo, sobretudo, à “prata da casa”. O Iberfolk - 1º Festival Internacional de Música e Tradições do Alto Côa - realiza-se no Sabugal entre os dias 27 e 30 de Julho. Para além de concertos, promove também animações de rua, workshops de adufe e de danças tradicionais, bailes, actividades de desporto de aventura, passeios pedestres à aldeia da Malcata e um festival de acordeão e realejo.
As festividades iniciam-se quinta-feira, dia 27 de Julho, com animação de rua com gaiteiros e tocadores de bombos (a partir das 16h). À tarde haverá também um workshop de danças tradicionais europeias por ISABELE GUERBIGNY. À noite, actuam os CHUCHURUMEL e os DIABO A SETE.
No dia seguinte, sexta-feira, 28 de Julho, depois de várias actividades de desporto de aventura promovidas pela Coa Aventura (tiro com arco, escalada, slide, paint ball), mais dois bons concertos em perspectiva: o dos mirandeses GALANDUM GALUNDAINA e dos TRADERE de Castela e Leão.
A manhã de sábado, dia 30 de Julho, inicia-se com um passeio pedestre à aldeia de Malcata (10h) e com animação de rua através dos GRALLERS DE L’ACORD (Catalunha) e FOLE DE GAITAS (11h). Ao início da tarde há Jogos Tradicionais Portugueses (14h na praia fluvial), workshop de adufe pelas ADUFEIRAS DE MONSANTO (15h na praia fluvial), workshop de danças tradicionais europeias por ISABELLE GUERBIGNY
(16h na praia fluvial), animação de rua com os GRALLERS DE L’ACORD (17h na praia fluvial), Mostra de Instrumentos da Extremadura, por ENRIQUE CORDERO (18h praia fluvial), actuação do Grupo Coral e de Cantares do Sabugal (19h no castelo). À noite realiza-se o Festival de Acordeão e Tocadores de Realejo no castelo (21h). A Partir da meia-noite há baile com FOL&AR e PARASOL
O último dia, domingo 31 de Julho, começa com um passeio a Sortelha em tractor (10h). Ainda pela manhã, há animação de rua com GRALLERS DE L’ACORD (15h - praia fluvial). À tarde, nova animação de rua com os RANACATAPLANA (15h praia fluvial), novo workshop de danças tradicionais europeias por ISABELLE GUERBIGNY (17h - praia fluvial) e actuação dos Ranchos Folclóricos da Rebolosa, Vila Boa e Sortelha (18h - castelo). Os ESCUTEIROS DO SOITO marcam o início das festividades nocturnas que incluem a actuação dos veteranos TOQUE DE CAIXA e dos DAZKARIEH que, além de contarem com nova vocalista - JOANA NEGRÃO - já andam a apresentar novos temas que serão incluídos no novo álbum a ser apresentado no próximo mês de Setembro no Mosteiro dos Jerónimos.
Mais informação no blogue da Transcudânia
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Montalegre é “capital nacional de música celta” entre 28 e 30 de Julho
July 21, 2006
O Celtirock vai já na sua terceira edição e “promete tornar Montalegre na capital Nacional da música Celta no último fim-de-semana deste mês (28, 29 e 30 de Julho)”. O certame “celta” quer crescer e, por isso, deixa o espaço do Castelo de Montalegre para se fixar no recinto exterior do Parque de Exposições e Feiras desta localidade transmontana.
No primeiro dia, 28 de Julho, apresentam-se os minhotos GAITIEROS DA ESPIRAL, os conimbricences GINGA e os vizinhos da Estremadura espanhola LOS NIÑOS DE LOS OJOS ROJOS.
Sábado, dia 29, a tarde começa com animação de rua com os GAITEIROS DA ESPIRAL. Uma hora depois há uma Visita Arqueológica ao “Castro da Corujeira” pelo Ecomuseu de Barroso. À noite, actua PADDY B & CELTIC EXPRESS (Alemanha/ Canadá/ Irlanda) ; os portuenses MU (Hugo Osga na foto) e os macedónios DRAGAN DAUTOVSKI QUARTET
Domingo, dia 30, há GAITEIROS DE PITÕES e SONS DA SUÉVIA ao início da tarde (15h), seguindo-se um Passeio Turístico ao “Carvalhal do Avelar “ pelo Ecomuseu de Barroso (16h) e a disputa das Meias-finais do Campeonato de Chegas de Bois de Raça Barrosã (17h).
Mais informações em www.celtirock.com
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Montalegre é “capital nacional de música celta” entre 28 e 30 de Julho
July 21, 2006
O Celtirock vai já na sua terceira edição e “promete tornar Montalegre na capital Nacional da música Celta no último fim-de-semana deste mês (28, 29 e 30 de Julho)”. O certame “celta” quer crescer e, por isso, deixa o espaço do Castelo de Montalegre para se fixar no recinto exterior do Parque de Exposições e Feiras desta localidade transmontana.
No primeiro dia, 28 de Julho, apresentam-se os minhotos GAITIEROS DA ESPIRAL, os conimbricences GINGA e os vizinhos da Estremadura espanhola LOS NIÑOS DE LOS OJOS ROJOS.
Sábado, dia 29, a tarde começa com animação de rua com os GAITEIROS DA ESPIRAL. Uma hora depois há uma Visita Arqueológica ao “Castro da Corujeira” pelo Ecomuseu de Barroso. À noite, actua PADDY B & CELTIC EXPRESS (Alemanha/ Canadá/ Irlanda) ; os portuenses MU (Hugo Osga na foto) e os macedónios DRAGAN DAUTOVSKI QUARTET
Domingo, dia 30, há GAITEIROS DE PITÕES e SONS DA SUÉVIA ao início da tarde (15h), seguindo-se um Passeio Turístico ao “Carvalhal do Avelar “ pelo Ecomuseu de Barroso (16h) e a disputa das Meias-finais do Campeonato de Chegas de Bois de Raça Barrosã (17h).
Mais informações em www.celtirock.com
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FMM de Sines começa hoje em Porto Côvo
July 21, 2006

Värttinä, o fogo que veio do gelo em Sines
O FMM de Sines, alargado em número de dias e de propostas musicais, arranca hoje em Porto Côvo, vila do litoral alentejano que no ano passado já havia recebido [na abertura da anterior edição do FMM] os argentinos 34 Puñaladas.
Porto Covo recebe entre os dias 21 e 25 de Julho a cabo-verdiana o brasileiro FRANCIS HIME, a cabo-verdiana MAYRA ANDRADE, o sérvio BORIS KOVAC, os sardos ACTORES ALIDOS, os franceses VAGUEMENT LA JUNGLE, os lisboetas DAZKARIEH e o espanhol ELISEO PARRA.
Dia 26, arrancam as festividades em Sines com um espectáculo a dois na Av. da Praia: a big-band bretã JACQUES PELLEN “CELTIC PROCESSION” e o rapper somali (radicado actualmente no Canadá): K’NAAN.
A 27 começa a matatona de cinco espectáculos diários que se dividem entre o Castelo de Sines e a Av. da Praia.
A saber:
Dia 27:
VUSI MAHLASELA (África do Sul) - 19h00 - Av da Praia
GAITEIROS DE LISBOA - 21h30 - Castelo
TRIO RABIH ABOU-KHALIL & JOACHIM KÜHN (Líbano / Alemanha) - 23h00 - Castelo
TOUMANI DIABATÉ & SYMMERTRIC ORCHESTRA (Mali) - 00h30 - Castelo
ALAMAAILMAN VASARAT (Finlândia) - 2H30 - Av da Praia
Dia 28:
NURU KANE (Senegal) - 19h00 - Av da Praia
THE BAD PLUS (Estados Unidos) - 21h30 - Castelo
TRILOK GURTU (Índia) - 23h00 - Castelo
THOMAS MAPFUMO (Zimbabué) - 00h30 - Castelo
TONY ALLEN (Nigéria) - 2H30 - Av da Praia
Dia 29
MARIEM HASSAN (Saara Ocidental) - 19h00 - Av da Praia
VÄRTTINÄ (Finlândia) - 21h30 - Castelo
CORDEL DO FOGO ENCANTADO (Brasil) - 23h00 - Castelo
SEUN KUTI & EGYPT 80 (Nigéria) - 00h30 - Castelo [Com direito a fogo de artifício]
IVO PAPASOV (Bulgária) - 2H30 - Av da Praia
Ver programação do FMM de Sines e as restantes iniciativas paralelas, com sessões de DJing e uma actuação de BURAKA SOM SISTEMA.
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THOMAS MAPFUMO: a luta continua [em Sines]
July 21, 2006
É um dos nomes mais fortes do cartaz do FMM de Sines. Aos 61 anos de idade, THOMAS MAPFUMO é um dos artistas nascidos em África com mais histórias para contar. O “Leão do Zimbabué”, como é comummente conhecido, por ser o líder e o principal impulsionador da música da tribo Shona, tem sido ao longo de décadas o braço musical armado contra a opressão e a tirania que vigorou na Rodésia de Ian Smith e vigora actualmente no país governado por Robert Mugabe.
A sua música “chimurenga” (que “Shona” significa luta) desempenhou um papel na conquista da independência em 1980 dando, sobretudo, força espiritual à guerrilha armada que combatiam na selva.
MAPFUMO como “rei” dos que nada possuem, para além da importância que teve na “libertação” do Zimbabué, sempre foi a voz de protesto actual mais audível e ousada contra os métodos usados por Mugabe para se manter no poder. Contra as medidas incendiárias que levaram à destruição da riqueza do país. “Corruption”, editado há cerca de década e meia [em 1989], é um dos álbuns mais críticos de MAPFUMO, que não se inibe de criticar duramente o abuso de poder e corrupção e de trazer para ordem do dia vários flagelos sociais que assolam o seu povo: a pobreza extrema, a fome e as doenças infecto-contagiosas.
Dez anos depois, a canção “Disaster” incluída no álbum “Chimurenga Explosion” de 2000, prevê o desmoronamento de uma nação, como se de um baralho de cartas se tratasse. O tema foi banido da rádio Nacional do Zimbabué e motivo para MAPFUMO se tornar prisioneiro político de Mugabe. Nada de novo. Já o antigo governador da Rodésia o havia mandado prender pelos mesmíssimos motivos.
Exilado em Eugene-Oregon (Estados Unidos) desde o ano 2000, o músico continua a concentrar toda a sua energia numa nova luta de “libertação” do seu povo Shona. Ao perguntarmos-lhe se deseja candidatar-se à presidência do seu país, apenas nos diz que deseja ser músico (actividade pela qual é tão ou mais conhecido entre o seu povo do que Mugabe) e ser “a voz dos que não têm voz”.
O mais recente álbum, “Rise Up” [comercializado inicialmente em 2005 através de formato mp3, via site Calabash Music, e editado em CD apenas este ano pela editora Real World], mais do que condenar pela milésima vez o estilo autocrático de Mugabe “que nos envergonha” e que “faz de nós marionetes”, de acordo com palavras de MAPFUMO, propõe em onze canções a mudança de regime, a reconciliação do povo (que se encontra minado pelas “mentiras” que alimentam a luta e a destruição) e a reconstrução do país, encorajando os mais jovens a tornarem-se a chave da prosperidade do Zimbabué.
Canções de intervenção que continuam, como sempre, revestidas de arranjos afro-pop e afro-jazz centrados no sul de África (da Marrabenta moçambicana ao “monstro” ABDULAH IBRAHIM), reggae (BOB MARLEY continua a ser um dos seus heróis) e de um poder espiritual, encantatório e hipnótico, por via das três omnipresentes mbiras electrificadas (lamelofone usado em cerimónias espirituais dos Shonas). Atributos que tornam a música de Thomas Mapfumo (e da sua banda suporte, THE BLACKS UNLIMITED), numa das mais sugestivas dietas sonoras da África actual.
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outros destaques no FMM de Sines
July 21, 2006

Boris Kovac & La Campanella
Boris Kovac & La Campanella
O mundo desmorona-se. O sérvio Boris Kovac oferece-nos um “cabaret” pós-apocalítica para fazer dançar quem sobreviveu ao fim do mundo, carregada de nostalgia, humor negro e elegância. De coordenadas bem definidas no grande caldeirão balcânico da extrema pobreza cigana, mas a piscar à sumptuosidade mediterrânica e latina-americana: do cha cha cha ao tango de requintada ostentação. A música ideal para fechar em beleza um festival. Deveriam voltar a tocar nas esplanadas de Sines ao meio-dia de 30 de Julho.
Eliseo Parra
Não é preciso vir acompanhado com o projecto de percussão criativa Tactequete (como aconteceu em 2005 em Sendim) para esperarmos um enormíssimo concerto de Eliseo Parra. Natural de Valladolid, este músico veterano (há mais de 30 anos que edita discos) e dos maiores etnomusicólogos espanhóis (investigador das “tribos hispânicas”, não apenas da região de Leão-Castela). Enche-nos as medidas no palco e na criatividade que impõe nos seus discos. Dá uma lição de modernidade aos mais puristas e outra de rigor aos mais novos. Basta apenas escutar o balanço hip hop de “Galandum” do último disco “De Ayer Mañana”.
Toumani Diabaté & Symmetric Orchestra
Ali Farka Touré chamou-lhe o Deus da kora (harpa africana de 21 cordas). Foi há um ano atrás, em Lisboa, num dos concertos que dificilmente nos esqueceremos. Toumani Diabaté, além ser um dos mais virtuosos músicos do mais delicado instrumento construído em África é, sem dúvida, aquele que mais tem promovido o contacto entre a música da etnia Mandinga e de outras culturas. Depois de experiências tão díspares com o flamenco e o jazz de Ketama, os blues americanos de Taj Mahal, ou da aproximação aos “blues” da etnia Sonrai de Ali, Toumani reconstrói o império musical da etnia Mandinga que a colonização destruiu, através de uma orquestra com dezena e meia de griots de várias gerações e proveniências (Mali, Burquina Faso, Guiné Conacri, etc) e que resgata o espírito da big bands de animação de clubes africanos.
Värttinä
Os anos (23) passam. O factor surpresa e poder de fogo já não é o mesmo. Com mais ou menos pose à Eurovisão, as três vozes femininas, tão ferozes quanto harmoniosas continuam a transportar o poder divino e encantatório das canções milenares rúnicas, algumas delas inscritas na obra épica do Kalevala.
O fantástico continua a acompanhá-los: Escreveram recentemente a banda sonora para a peça de teatro “The Lord of The Rings”. Mas os pés encontram-se bem assentes no chão. No mundo real, Värttinä continua a ser um dos projectos internacionalmente mais bem sucedidos de uma Finlândia de múltiplas novas propostas anuais na área da folk.
Alamaailman Vasatat
“World music” ficcional, cinematográfica. “Ethic brass punk”. “Kosher-kebab jazz”. Os rótulos são muitos. Da Finlândia, os Alamaailman Vasarat que vieram do rock progressivo usam o órgão e o violoncelo (à semelhança dos Apocalíptica) e metais em chamas para tocarem valsas, polkas e os diversos temas de inspiração klezmer e da tradição dos Balcãs, com uma atitude de uma banda de metal. Uma banda que deveria ter ido ao act 1 do Super Bock, Super Rock.
Nuru Kane
Tem as suas raízes Medina – Dakar e as antenas mais a norte, entre o deserto do Sahara e a costa mediterrânica de África. O mbalax é quase posto de parte. A sua paixão centra-se nos blues do Mali, à beira do Níger, e na música de transe gnawa das irmandades muçulmanas de descendentes de escravos, comummente conhecida em Marrocos, miscigenada outros ritmos contagiantes: reggae e afrobeat. Além da guitarra acústica, toca guimbiri, baixo rudimentar acústico de três cordas e instrumento central nesta música de poderes curativos.
Cordel do Fogo Encantado
Há o sertão e a ruralidade profunda do nordeste brasileiro. A poeira do terreiro. Os emboladores. Os repentistas. Os autores de cordéis. O dilúvio da selva amazónica e os bárbaros tambores dos índios e dos escravos africanos. Há a declamação de Lirinha à beira do precipício, tentando não ser arrastado por uma tromba de água tropical. Há deuses irados. Muitos orixas irados que dificultaram a escrita deste texto. Durante estas curtas linhas o quadro de electricidade foi abaixo três vezes. Cordel é fogo. Cordel do Fogo Encantado é brutal.
Mariem Hassan
Atenção a esta arrebatadora voz. A intensidade com que canta o amor e o sofrimento dos saharauis em guerra civil com Marrocos ou a viver em campos de refugiados argelinos, transporta consigo a calor tórrido das dunas do Sahara. Blues do norte de África dos mais sentidos e hipnóticos que fazem da Avenida da Praia em Sines uma extensão do Festival do Deserto de Essakane.
Trilok Gurtu
Percussionista indiano de excelência de tablas , já actuou com diversos monstros do jazz (como Jan Garbarek ou Don Cherry), já se deixou contaminar pela electrónica do “asian undeground” de Nitin Sahwney e já participou em múltiplas expedições sonoras que resgataram a música de África (salve família Frikyiwa), da China e do Brasil. Em Sines, Trilok Gurtu celebra a tradição indiana apresenta-se com dois mestres do canto virtuoso e de improvisação khylal: Rajan e Sajan Misra.
Trio Rabih Abou-Khalil & Joachim Kühn
O que é que nasceu primeiro? O jazz ou a música improvisada? A música clássica ocidental ou árabe? A viagem ao centro do ovo sem qualquer perigo de sermos atacados pelo vírus da gripe das aves. Diálogos criativos de alaúde, piano e percussão, por Rabih Abou-Khalil (Líbano), Joachin Kühn (Alemanha) e Jarrod Cagwin (EUA). Um luxo.
Tony Allen
É para Brian Eno o melhor baterista do mundo dos últimos 50 anos. Ajudou Fela Kuti a criar o afro-beat quando se encontrava na incendiária orquestra Africa 70, promovendo a abertura dos ritmos frenéticos de Lagos ao jazz e ao funk americano. Actualmente, o seu afro-beat mutante dialoga com as novas coordenadas da música de dança, como o dub e o hip hop.
Seun Kuti & Egypt 80
O espírito de Fela paira de novo no ar e o afro-beat volta a ser Rei em Sines. Depois de Femi é a vez de Seun Kuti encerrar as noites do Castelo, entre os estrondos do habitual ritual de fogo de artifício. O saxofonista que aos nove anos tocava com Fela, traz-nos a antiga banda do pai - a Egypt 80 e ainda convida para subir ao palco outro grande nome nigeriano do cartaz deste ano: Tony Allen.
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Avante com a programação mais forte dos últimos 10 / 15 anos
July 20, 2006
A Festa do Avante celebra este ano o seu 30º aniversário e apresenta o cartaz mais forte dos últimos 10 / 15 anos, com concertos internacionais tão interessantes como aquele que juntou JUNE TABOR + OYSTER BAND e também os canadianos LA BOTTINE SOURIANTE há uma década atrás. Senão vejamos esta edição que se realiza entre os dias 1 e 3 de Setembro. Ter a nova coqueluche do reggae / ska circence francês - BABYLON CIRCUS (na foto - já estiveram este ano no Med de Loulé e ainda vão ao Festival Maré de Agosto dos Açores) - já é muito bom. Acrescentar ainda os selvagens ciganos romenos TARAF de HAÏDOUKS e as exploradoras brasileiras de todo-o-terrenos - MAWACA - fica ainda melhor. HÁ ainda o “hipnoceltadelic” dos escoceses PEATBOG FAERIES. No plano nacional, destaque para uma nova apresentação de “Sátiro” dos GAITEIROS DE LISBOA (novamente acompanhados pelo MANUEL ROCHA da BRIGADA), SÉRGIO GODINHO, CRISTINA BRANCO (que está a preparar um espectáculo especial sobre a obra de ZECA AFONSO para apresentar em 2007 no São Luiz), A NAIFA, MANDRÁGORA, CONTRA3AIXOS, TOQUE DE CAIXA, o projecto NAVEGANTE de JOSÉ BARROS acompanhado do O Ó QUE SOM TEM e da cabo-verdiana NANCY VIEIRA, para além da Homenagem a LOPES GRAÇA (Com CORO LOPES GRAÇA DA ACADEMIA DE AMADORES DE MÚSICA e SINFONIETTA DE LISBOA, com o maestro VASCO PEARCE DE AZEVEDO e os pianistas MIGUEL BORGES COELHO e OLGA PRATZ; e da música de ALAIN OULMAN, com CARLA PIRES, ANTÓNIO ZAMBUJO e LIANA; e do tributo a ANTÓNIO ALEIXO com KUSSONDULOLA + VIVIANA, PRINCE WADADA e KILANDUKILO. DJUMBAI JAZZ (Guiné-Bissau), MAYRA ANDRADE e TITO PARIS (ambos de Cabo Verde) representam no AVANTE a África Lusófona.
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WARSAW VILLAGE BAND e BERROGÜETTO no Festival Raízes do Atlântico
July 19, 2006
A partir da próxima sexta-feira, dia 21, até ao outro sábado, dia 29, o Funchal recebe mais uma edição do Festival Raízes do Atlântico. Evento que, à semelhança do sucedido o ano passado, apresenta um espectáculo diário no Auditório do Jardim (22h), seguido de festividades mais informais no bar irlandês The Kelts. Paralelamente, são exibidos diariamente filmes relacionados com o universo das músicas “locais”. Os maiores interesses do Raízes do Atlântico residem, no plano internacional, no regresso do sexteto polaco WARSAW VILLAGE BAND com filiação no folk subversivo do norte da Europa, na festa que os franceses VAGUEMENT LE JUNGLE levam à Madeira, na apresentação do novo álbum “10.0″ da melhor formação folk galega da actualidade - BERROGÜETTO (na foto). No plano nacional, destaque para o espectáculo com que os XARABANDA inauguram o festival. Impõe-se saber quem vão desta vez os XARABANDA convidar para tocar com eles. Há ainda duas certezas da folk portuguesa: os algarvios MARENOSTRUM e os portuenses MANDRÁGORA. Para além da apresentação de um recente colectivo feminino madeirense (que actuou o ano passado com XARABANDA) - SEIS PO’ MEIA DÚZIA - e de mais uma actuação da BANDA D’ALÉM do carismático MÁRIO ANDRÉ.
Consulte o programa completo na página do Raízes do Atlântico
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FAUSTO abre Tom de Festa
July 19, 2006

Começa hoje a 16ª edição do festival Tom de Festa em Tondela, organizado pelo ACERT. O primeiro de quatro dias apresenta a nova criação da casa - espectáculo “Cantos da Língua” pelo Trigo Limpo Teatro ACERT - e o sonante nome de FAUSTO que leva na bagagem a obra “A Ópera Mágica do Cantor Maldito”.
Quinta-feira, dia 20, há Wyza que “funde a música actual com o ritmo ancestral de kilapanga, próprio do norte de Angola”;a soul do ex-COOL HIPNOISE, MELO D, em projecto a solo; e a sudanesa RASHA que se encontra exilada em Espanha há já alguns anos.
Sexta-feira, dia 21, o espaço do ACERT é partilhado pelos cubanos FREE FOLE NEGRO e pelo projecto BUMBA, construído a meias entre o aventureiro galego NARF (AKA FRAN PERÉS) e os moçambicanos TIMBILA MUZIMBA que têm cruzado a timbila e a música do povo Xope, com afrobeat, jazz e rock. BUMBA é, para FRAN (NARF) uma “viagem entre dois países imaginários, Zigala e Zemanbiquo, Galiza e Moçambique”, em que ambas as culturas se entranham uma na outra.

LUAR NA LUBRE - (c)Mário Pires
O Tom de Festa encerra sábado, dia 22, com três propostas de respeito: os ciganos húngaros ROMANO DROM, KILEMA de Madagascar e os galegos LUAR NA LUBRE.
Vários são os motivos para vermos os LUAR NA LUBRE. “Saudade”, o último disco deste projecto galego, apresenta uma nova vocalista lisboeta – SARA VIDAL; demarca-se da “new age old-fieldiana” presente nos registos mais recentes; em vez da conexão comum com as ilhas britânicas, a vigorosa e habilmente interpretada folk galega, volta-se para o outro lado do atlântico, procurando pontos de contacto ancestrais com Cuba, Argentina, Venezuela e Brasil.
Em breve, deixo-vos um link áudio para a entrevista com Sara Vidal realizada há cerca de três meses na Terra Pura.
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Revolta dos badalos e ciganos supersónicos no II Festival Al-Buhera
July 18, 2006
A II edição do festival Al Buhera (nome inspirado pelos árabes que significa “Castelo do Mar”) realiza-se este fim-de-semana na cidade algarvia de Albufeira.
Este encontro de culturas do Mediterrâneo e do Atlântico recebe hoje os AL-DRIÇA (20H30 – Largo Engº Duarte Pacheco), os UXU KALHUS que acabaram de editar (finalmente) o disco de estreia “A Revolta dos Badalos” (22 h – Praia dos Pescadores) e os ciganos romenos FANFARE CIOCARLIA (23h).
Amanhã, a abertura no Largo Engº Duarte Pacheco (20h30) ficará a cargo dos PAULITEIROS DE SENDIM. Já na Praia dos Pescadores apresentam-se os algarvios BANDA ALHADA de ZÉ MARIA (antigo membro da BRIGADA VICTOR JARA) e o cabo-verdiano TITO PARIS.
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TOQUES DE CARAMULO na final do VII Concurso Folk “Cuarto de los Valles”
July 17, 2006

(c) Mário Pires
O projecto TOQUES DE CARAMULO, mais uma criação da Associação d’Orfeu de Águeda, faz parte de um lote de cinco projectos ibéricos - conjuntamente com AULAGA FOLK da Extremadura, A CADEIRA COIXA de Aragão, KORRONTZI do País Basco e ALVARO COSTAS & hoT BAND da Galiza - que vão disputar a final do VII Concurso Folk “Cuatro de Los Valles” em Navelgas, Astúrias. Certame que o projecto algarvio MARENOSTRUM já venceu.
O “folclore arejado” e “folk serrano” (como a própria banda auto-rotula as suas raízes musicais) dos TOQUES DE CARAMULO, constitui uma das propostas mais interessantes da música tradicional portuguesa por um projecto que ainda não editou qualquer disco (urge uma rodela de plástico). No Andanças de 2005 souberam agarrar e de que maneira os dançarinos numa actuação escaldante de mais de duas horas. No Festival do Avante também efectuaram outra exelente actuação num Auditório 1º de Maio lotado para ver DAZKARIEH (dado ter havido um atraso de uma hora na programação deste palco). Quem foi ao “engano” divertiu-se à grande com o projecto de LUÍS FERNANDES (que já tinha estado anteriormente com o CANT’AUTORES) em viola braguesa e acordeão, ANÍBAL ALMEIDA (rabeca), MIGUEL CARDOSO (contra-baixo e baixo), FRANCISCO ALMEIDA (guitarra), GONÇALO VASQUES (Bandolim), TERESA ALMEIDA (flauta) e JOÃO ANDRÉ (cajón e percussões).
A final disputa-se sábado a oito dias, dia 29 de Julho, às 22h. Um dia antes, pelas 23 horas, sobem ao palco ALBERTO JAMBRINA Y PABLO MADRID, CÁDABA e LLANGRES. No sábado, dia da final, às 17h, ALBERTO JAMBRINA Y PABLO MADRID apresentam um concerto didáctico sobre música e costumes de Zamora.
Restante agenda dos TOQUES DE CARAMULO:
20 Julho: Novo Ciclo ACERT, programa «Tom de Festa», em Tondela (21,15 horas).
31 Julho, 1 e 5 Agosto: Andanças 2006, em Caravalhais (S. Pedro do Sul).
3 Agosto: El Burri i Gaiteiro, em Sendim, Miranda doDouro (22 horas)
9 Agosto: Concerto na Praça da República, em Nisa (22 horas).
13 Agosto: Festival “Altitudes”, em Campo Benfeito, na Serra de Montemuro (17 horas).
18 Agosto: Festival “Bons Sons, Cem Toldos”, em Tomar (22 horas).
25 e 26 Agosto: Danzas Sin Fronteras, na Playa de Arija, em Burgos, na Espanha.
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TOQUES DE CARAMULO na final do VII Concurso Folk “Cuarto de los Valles”
July 17, 2006

(c) Mário Pires
O projecto TOQUES DE CARAMULO, mais uma criação da Associação d’Orfeu de Águeda, faz parte de um lote de cinco projectos ibéricos - conjuntamente com AULAGA FOLK da Extremadura, A CADEIRA COIXA de Aragão, KORRONTZI do País Basco e ALVARO COSTAS & hoT BAND da Galiza - que vão disputar a final do VII Concurso Folk “Cuatro de Los Valles” em Navelgas, Astúrias. Certame que o projecto algarvio MARENOSTRUM já venceu.
O “folclore arejado” e “folk serrano” (como a própria banda auto-rotula as suas raízes musicais) dos TOQUES DE CARAMULO, constitui uma das propostas mais interessantes da música tradicional portuguesa por um projecto que ainda não editou qualquer disco (urge uma rodela de plástico). No Andanças de 2005 souberam agarrar e de que maneira os dançarinos numa actuação escaldante de mais de duas horas. No Festival do Avante também efectuaram outra exelente actuação num Auditório 1º de Maio lotado para ver DAZKARIEH (dado ter havido um atraso de uma hora na programação deste palco). Quem foi ao “engano” divertiu-se à grande com o projecto de LUÍS FERNANDES (que já tinha estado anteriormente com o CANT’AUTORES) em viola braguesa e acordeão, ANÍBAL ALMEIDA (rabeca), MIGUEL CARDOSO (contra-baixo e baixo), FRANCISCO ALMEIDA (guitarra), GONÇALO VASQUES (Bandolim), TERESA ALMEIDA (flauta) e JOÃO ANDRÉ (cajón e percussões).
A final disputa-se sábado a oito dias, dia 29 de Julho, às 22h. Um dia antes, pelas 23 horas, sobem ao palco ALBERTO JAMBRINA Y PABLO MADRID, CÁDABA e LLANGRES. No sábado, dia da final, às 17h, ALBERTO JAMBRINA Y PABLO MADRID apresentam um concerto didáctico sobre música e costumes de Zamora.
Restante agenda dos TOQUES DE CARAMULO:
20 Julho: Novo Ciclo ACERT, programa «Tom de Festa», em Tondela (21,15 horas).
31 Julho, 1 e 5 Agosto: Andanças 2006, em Caravalhais (S. Pedro do Sul).
3 Agosto: El Burri i Gaiteiro, em Sendim, Miranda doDouro (22 horas)
9 Agosto: Concerto na Praça da República, em Nisa (22 horas).
13 Agosto: Festival “Altitudes”, em Campo Benfeito, na Serra de Montemuro (17 horas).
18 Agosto: Festival “Bons Sons, Cem Toldos”, em Tomar (22 horas).
25 e 26 Agosto: Danzas Sin Fronteras, na Playa de Arija, em Burgos, na Espanha.
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UXU KALHUS: Não há Cinderela que resista
July 17, 2006
Os UXU KALHUS já gravaram (finalmente!) o seu disco de estreia. O álbum que se encontra neste momento em fase de abacamentos deverá estar disponível ao público daqui por duas semanas. Deixo-vos um texto sobre a primeira vez que assisti a um baile da “xucalhada”, em Janeiro de 2004.

(c)Mário Pires
É difícil um baile / concerto proporcionar tanto gozo à assistência de “pé de chumbo”. Quem está completamente fora do mundo das danças tradicionais, não está habituado a ver uma horda de gente a participar na dança, em roda, aos pares, a bater palmas no tempo exacto, sabendo exactamente o que fazer assim que escuta um passo doble, uma mazurca, um chote, ou um bourré.
Há-que dar os parabéns à organização Pedexumbo pela forma como ao longo desta última meia-dúzia de anos tem efectuado sucessivos workshops de dança em todo o país, organiza o Andanças e, acima de tudo, consegue de ano para ano alargar a legião de dançarinos que são, por si só, público mais do que suficiente em qualquer actuação de um projecto à imagem de uns UXU KALHUS, ou de uns AL-TAMBUR.
Curiosamente, partindo de um repertório comum, os UXU KALHUS encontram-se nos antípodas dos AT-TAMBUR. Enquanto estes últimos investem numa vertente de música popular a piscar o olho ao formato clássico de câmara, vestindo o fato e a gravata, os UXU KALHUS incorporam toda uma série de estilos provenientes da Índia, de África e da Jamaica, num tom fulminantemente informal, de indumentária “freak”.
Uma chotiça contaminada por dub, uma valsa em ritmo afro-mandinga com mantras indianos pelo meio, um saraquité afunkalhado, o “I will survive” de Gloria Gaynor cantado entre um passo doble, o “Misirlou” de Dick Dale, o “D’artacão” em versão thrash, entre mais uma dança europeia. Os coelhos que os UXU KALHUS tiram da cartola foram infindáveis numa noite, como sempre, em que o gozo de tocar, de transgredir é mais forte. Nem eles, nem nós, damos pelo avançar dos ponteiros do relógio. De repente reparamos que já passaram mais de três horas. Quase quatro. E acaba por saber a pouco. Nada de cansaço, somente sorrisos rasgados e a vontade de continuar. O capital de simpatia do colectivo é extremamente elevado: pela doce CELINA que nos encanta, ora quando interpreta “Saraquité”, “Erva Cidreira” ou “Regadinho”, ora quando acelera com o seu acordeão numa valsa e quando faz do seu instrumento uma melódica em cima de um ritmo dub; pelo PAULO PEREIRA e o seu virtuosismo em ralchpfeifen, aerofone medieval de palheta dupla e de sonoridade aguda a fazer lembrar uma bombarda bretã; pela mortífera secção rítmica afro indígena de NUNO PATRÍCIO, HUGO MENEZES e MIGUEL CASAIS; pelo groove e funk do baixo de EDDY CABRAL; pela guitarra eléctrica, estridente e propositadamente foleirona, de recorte hard’n’heavy, de VASCO CASAIS, que funciona bem no ambiente inflamado de declarada desbunda, questionável, contudo, quando transposto para disco.
É notável como o duo CPPP (CELINA / PAULO), a essência espiritual deste projecto que já vem de longe – dos próprios CPPP e de BAILIA – funciona tão bem com aquele bando de prevaricadores que conspurcam com ska, thrash e ritmos afro as lineares danças europeias e lusitanas, incitando-os porém, a fazer ainda pior. Fica a sensação de que eles, assim como os IRMÃOS CATITA, não querem ser levados muito a sério. Apenas divertirem-se em comunhão com a turba ágil e certeira nos passos de dança. Resta saber como será o álbum que se avizinha. Como conseguirão eles transpor toda esta folia, todo este gozo para uma rodela de plástico?
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WARSAW VILLAGE BAND: a barbárie da Masóvia no Funchal
July 14, 2006

São um dos mais estimulantes projectos folk do Báltico e da Europa de Leste. Depois de terem estado no FMM de Sines e em Lisboa (Fórum Lisboa), a WARSAW VILLAGE BAND regressa a Portugal no próximo dia 22 de Julho. Constituem um dos principais motivos de interesse do cartaz de 2006 do Festival Raízes do Atlântico do Funchal. O sexteto polaco apresenta, mais uma vez, o seu terceiro álbum, “Uprooting” (distribuido em Portugal pela Megamúsica). Deixo-vos com um excerto de uma entrevista ao violinista Wojtek Krzak, realizada durante o FMM de Sines.
Tradição Musical na Masóvia
“Toda a música música na Masóvia é proveniente dos tempos medievais, mas os interpretes são católicos ortodoxos. Nunca pensaram em paganismo.
A vida social nesta terra era muito dura. A Masóvia sempre foi uma das partes mais pobres da Polónia. Por isso é que a sua música é tão dura e tão bárbara. As pessoas não tinham dinheiro nem oportunidade para ver se deslocar e para ver o mundo além Masóvia. Inevitavelmente, era uma sociedade fechada. É por isso que temos nesta área uma tradição à base do violino e da percussão porque eram os instrumentos mais baratos.
Na Masóvia, em celebrações como casamentos, o mais importante era o violino. Toda a gente podia tocar ritmos básicos de percussão. Não era tão importante porque toda a gente sabia como tocar.
Apenas vejo influencias medievais nesta música. O mesmo acontecia com o baixo. O ritmo era simples.”
O Mar Báltico
“Sempre houve muita influência da Suécia na Polónia, devido às sucessivas guerras entre ambas as partes. Há seiscentos ou setecentos anos atrás, um exército sueco ocupou parte da actual Polónia escutou a música da Masóvia e introduziram algumas das suas danças na Suécia. É por isso que os suecos têm na Suécia a Polska [que quer dizer polaco na língua sueca]. Há uma história incrível de invernos muito rigorosos. Nessa altura, o mar Báltico encontra-se completamente gelado e as pessoas caminham através do gelo. No meio do mar Báltico foi construído um bar que recebia pessoas oriundas de ambas as margens que cantavam e tocavam. Facto que explica toda essa troca de influências.”
“White Voice”
“A “White Voice” é a forma mais natural de canto na Polónia oriunda das montanhas. Toda a gente consegue cantar assim, seja na montanha ou na planície. É a maneira mais fácil de cantar. E a mais popular. Tem é de ser cantado bem alto e bem projectado.”
Tocar simples e de forma intensa
“Por vezes, quando oiço Ali Farka Touré a tocar njarka, isto é, um instrumento simples de apenas uma corda, sinto-o como se fosse o Jimi Hendrix. Não é preciso adicionar mais nada ao seu instrumento, à forma como toca. Esta é a maior força da Warsaw Village Band. Tocamos instrumentos esquecidos como a Suka polaca.”
A Promoção via BBC e WOMEX
“O prémio da BBC foi para nós uma agradável surpresa e, sobretudo, uma boa forma de promoção. Foi como uma porta de entrada para o resto do mundo, tal como a possíbilidade de tocarmos no WOMEX, Nunca pensamos em ser estrelas da “world music”, em tocarmos em grandes festivais. Há bandas que não tocam muito bem, mas tem um bom “background”. Nós estamos no início. Agora temos mais chances de tocar em várias partes do mundo.”
WVB em Sines [2004]: Bárbaros e Pagãos
Três vozes intensas e misteriosas cantando em uníssono em polaco, num ritual de chamamento a longas distâncias, como faziam no passado os pastores polacos. Dois violinos crepitantes que gelam o Báltico, unindo a Polónia à Suécia da “old fiddler tradition”. Um violoncelo tenso e incisivo, que dá o “drone” hipnótico à folk da WARSAW VILLAGE BAND. Um saltério menos onírico do que o dos suecos FRIFOT, mais ligado à terra e a grandes cavalgadas punk / hardcore. Uma “frame drum” tocado como se fosse um tambor xamânico dos Sámi e um “kit” de percussão simples, constituído por um bombo, um prato e (por vezes) ferrinhos, o quanto baste para que o som seco e rico em variações rítmicas – que fazem lembrar os ritmos das “brass bands” ciganas de leste - ganhe protagonismo. Há um nervo bárbaro e pagão aliado a um profundo conhecimento das tradições musicais da região da Masóvia, com um desejo de inovar, que torna WVB numa das mais frescas e interessantes propostas da folk (em confronto com o rock e a dança) do norte e do centro da Europa sedento de inovação, alinhando-a à movimentação “ethno-punk”, ao lado de HEDNINGARNA, GARMARNA, ALAMAAILMAN VASARAT, VASMALOM e BESH’o’DROM.
Sem recorrer a quaisquer instrumentos electrificados ou electrónicos em palco (coisa que já não acontece em disco), a WVB tocou quase sempre como uma banda hardcore, extremamente rápida na execução e na duração das composições escolhidas a dedo de “People’s Spring” (2002) e de “Uprooting” (2004). Arrebataram corações pouco sintonizados com a folk do Báltico, cumprindo plenamente o seu objectivo. O de chegar ao público mais festivo, à espera de se divertir, perdendo com isso o resto do repertório mais ascético e calmo. Curiosamente, foi num desses raros momentos contemplativos, apenas com a violoncelista e violinista (aqui, envergando um violino medieval “suka”) que a WVB se mostrou mais sedutora, quebrando o ímpeto repetitivo dos tiques punk (curiosamente, um dos percussionistas envergava uma t-shirt da banda hardcore D.R.I.) usados ao longo de quase todo o espectáculo.
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LILA DOWNS na linha da morte
July 13, 2006
LILA DOWNS
La Linea
(Narada / EMI)

Num ano em que a causa Zapatista andou nas bocas do mundo, devido à apelidada Zapatour, que levou pela primeira vez Subcomandante Marcos à Cidade do México em total apoteose, a anglo-mexicana LILA DOWNS edita um álbum polémico. Mais um manifesto anti-globalização que põe a nú a política económica global da NAFTA, a imigração precária num mundo de (apenas e só) livre circulação de bens financeiros e as situações desumanas que se vivem em solo mexicano: a questão da exploração do trabalho feminino nas “maquiladoras”, a falta de direitos civis dos mais de 10 milhões de indígenas que aí vivem, o infortúnio daqueles que pagam com a vida o facto de tentarem passar a fronteira entre o México e os EUA.
Filha de um professor de arte e pintor norte-americano e de uma indígena mexicana de etnia Mixteca, LILA DOWNS é uma espécie de MANU CHAO no feminino. Além de um discurso inflamado pela defesa dos pobres e excluídos, LILA exibe neste seu terceiro uma abrangência sonora notável, centrada sobretudo no universo latino-americano. Sem nunca esquecer as suas raízes índias – ela própria veste-se a rigor e vive numa comunidade mixteca – LILA DOWNS ora exibe a sensualidade serena de excelsas vozes hispano-americanas como SUSANA BACA e TOTO LA MOMPOSINA, ora revela o seu lado negro de tragédia e dramatismo inspirado em LHASA, ao qual não falta a referência à lenda de “Llorona”.
Entre arranjos jazz e pop tão sofisticados como aqueles que moldam “Eco de Sombras” de BACA, LILA DOWNS apresenta várias facetas em “La Linea”. A clássica, rígida e sóbria, centrada na cultura popular mexicana, em cumbias e boleros. E a experimentalista e irreverente, ironizando a má sorte daqueles que tentam passar a linha com rancheras (“El Bracero Fracasado”), decompondo o intervencionismo de WOODY GHUTRIE, revestindo todo o dramatismo das suas palavras com ritmos de hip hop e reggae, dando uma leitura afro-cubana - num jeito semelhante ao dos norte-americanos PINK MARTINI - a “Perhaps, Perhaps, Perhaps”. Uma obra tão interessante, quanto desequilibrada.
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set(e) de folk do norte de Espanha
July 12, 2006
MERCEDES PEÓN
Isué
( Resistencia / Sabotage )

O mais interessante que a Galiza nos tem oferecido em termos de música folk, sempre foi dominado pelo lado depurado de interpretar a rica tradição de muñeiras, foliadas e alvoradas. Quer pelos MILLADOIRO que estão para a música galega como dos CHIFTAINS estão para a irlandesa – uma instituição intocável pelo extenso trabalho até hoje produzido a quem se desculpa um álbum menos conseguido – quer pelos LUAR NA LUBRE (primeira fase, até “Cabo do Mundo”) que impõem uma perfeição onírica às entranhas da pura tradição local, sem terem necessidade de correr riscos.
Demarcando-se do terreno pantanoso de um dos maiores aventureiros galegos – CARLOS NÚÑEZ – cuja brilhante técnica de gaita de foles tem sido abafada pelo mau gosto das suas composições, MERCEDES PEÓN assume-se como uma das principais estetas da revolução da folk do Norte de Espanha, ao lado dos progressistas e celestiais BERROGÜETTO. Mas PEÓN vai muito mais além do que a banda do criativo instrumentista ANXO PINTOS.
“Isué”, o álbum de estreia da cantora, compositora, gaiteira, pandeireteira, dançarina e responsável por algumas recolhas de temas aqui incluídos, subverte a habitual rigidez de abordagem à música galega, tornando-se num legítimo candidato ao estatuto de “Kaksi” ibérico. Partindo de uma base assaz regional, na qual se pode escutar que o “Galego que non fala a língua da sua terra non sabe o que tem de seu”, MERCEDES PEÓN parte em busca do mundo que a rodeia: da confluência melódica arábico-mediterranico-balcânica em “De Seu”, ao transe rítmico tribalista e quente da África Negra e Muçulmana, às abrasadoras e misteriosas vozes xamânicas de gélidas latitudes, sem esquecer de arriscar numa experiência tecno-pop (“Sombra de Luz”) menos feliz e no tom festivo ska-folk algo gasto (“Adorno”), com alguns contornos saudosistas evocativos dos Pogues.
“Isué” é, para concluir, um puzzle que prima pela diversidade e MERCEDES PEÓN é uma compositora-cientista em constante experimentação e refutação de teorias, nunca esquecendo a base de todo o seu trabalho: as recolhas que fez em solo Galego.
FALTRIQUEIRA
FALTRIQUEIRA
( Resistencia / Sabotage )

Na Galiza, os gaiteiros e as pandereteiras são tantos e tantas que, às tantas, acabam por formar grupos de gaitas e de pandeiretas (com tarrañolas incluídas). As cinco FALTRIQUEIRA, são o resultado daquilo a que se pode chamar um casamento feliz entre a tradição vocal “alala” e toque de transe mortífero das pandeiretas, que nos fazem lembrar os nossos adufes de Monsanto, ou os bendires do norte de África. Como jovens que são, arrepiam caminho fugindo da rígida tradição, em direcção à fusão bem conseguida pelo produtor basco (do lado francófono) PASCAL GAIGNE. A matéria prima é de primeira qualidade: emotivas, quentes e frescas vozes que possuem a mesma força e vivacidade das finlandesas VÄRTTINÄ (fase “Oi Dai” - “Seleniko”). Uma flecha de cupido apontada ao nosso coração. É amor à primeira audição. A partir daqui, GAIGNE dá-nos o universo luso-galaico (sim, porque como boas galegas que são estas meninas interpretam “As Sete Mulheres do Minho” de Zeca e a “Cantiga Bailada” recolhida na discografia da BRIGADA VICTOR JARA) em confluência com o resto do mundo. Há temperos árabes (alaúde, saz, darbukas), da áfrica negra (djembé) e sul americanos (cajón, berimbau), à mistura com orquestrações mais clássicas (oboé, violoncelo, violino). Mas, o melhor é mesmo o confronto Galiza-País Basco. KEPA JUNKERA e OREKA TX escolheram as armas do costume: trikitixa e txalaparta. O duelo de “Labrada de Cortellas” é sublime. Como magnífico é quase todo o disco, que peca apenas, aqui e ali, pelos excessos de PASCAL GAIGNE. Perde-se em floreados, por vezes, desnecessários.

SUSANA SEIVANE
Susana Seivane
(Do Fol)

Com um domínio perfeito do seu instrumento de quem começou a tocar aos 3 anos de idade, Susane Seivane pode não tocar de forma tão sensual quanto a inglesa Kathryn Tickell (esta também é uma gaita de foles mais estridente), mas oferece-nos a beleza e alegria própria de quem dança uma muñeira ou uma jota, e a subtileza de quem opta por uma valsa. Descendente de uma família de gaiteiros, Susane Seivane segue à risca a tradição, sem grandes riscos de inovação, num álbum que prima pela simplicidade.
BERROGÜETTO
Viaxe Por Urticaria
(Do Fol)

Ao segundo álbum, os BERROGÜETTO, a par com os LUAR NA LUBRE, mantêm o estatuto de legítimos herdeiros da tradição galega de texturas épicas, próprias de uns MILLADOIRO. Enquanto esta instituição se mantém de pedra e cal num formato sonoro que parece estagnado no tempo, ambos os projectos têm colocado uns laivos de modernidade, mantendo a mesmo formato sideral de uma música que activa a nossa imaginação e que nos induz à criação, na nossa tela mental, de imagens e sonhos utópicos, próprio de um título como Viaxe Por Urticária. Local em que se mistura imaginação e realidade e onde tais sonhos podem ser levados a sério. À beleza das melodias ancestrais, sucede algum nervo nos arranjos e composições próprias de ANXO PINTOS (um gaiteiro tão virtuoso quanto NÚÑEZ) que expandem tal tradição para outros universos. Uma evolução galega com os pés bem assentes na terra, mas que resvala , sobretudo na inclusão do saxo soprano e de teclados atmosféricos.
TEJEDOR
Llunáticos
( Resistencia / Sabotage )

A música folk, sobretudo no norte de Espanha é um fenómeno de massas. Os gaiteiros e as gaitas de foles continuam na moda. Os festivais crescem como cogumelos. Os grupos que clamam o pan-celtismo e as ligações transatlânticas com as ilhas britânicas multiplicam-se, havendo a possibilidade de se disputar vários campeonatos: da superliga, às distritais. No meio de tanta parra e pouca uva, o colectivo dos irmãos asturianos TEJEDOR é um nome a reter. Devolvem-nos o prazer de escutarmos a folk que parecia encontrar-se numa encruzilhada. JOSÉ MANUEL TEJEDOR (o gaiteiro de exímia técnica) poderia seguir os mesmos passos de NÚÑEZ e de HEVIA, mas não o faz. Ainda bem. É certo que há neste disco, como também no primeiro “Tejedores de Suaños”, leves tentações de ceder ao fácil (são inevitáveis os inenarráveis teclados planantes e os “beats” de dança), mas com um certo controle. Se a folk é um poço de força, mestria técnica e emotividade, os irmãos TEJEDOR têm também a sua quota parte de culpa. São espantosos os diálogos entre a gaita de foles e o acordeão diatónico (de Javier) que, por si só, já asseguravam uma memorável gravação. Mas há mais. Muito mais: a abertura, “Gaites del Infiernu” é auspiciosa: gaitas, sanfonas, albokas, nickelharpas em chamas, numa resposta a “Bok Espok” de KEPA JUNKERA; o aroma asturiano feito de ritmos rápidos, ágeis e escorreitos (típico em LLANGRES e LLAN DE CUBEL), de uma certa aragem escocesa e que põem a nu toda a beleza acústica do bouzouki e das guitarras acústicas de Igor Medio (membro dos Felpeyu que, na sombra de JOSÉ e JAVIER executa um notável trabalho); a calorosa voz de EVE TEJEDOR interpretando deliciosos romances; e ainda há tempo para acabar em beleza com um solo de gaita de três minutos (“Floreu de Remis”) de nos tirar o fôlego.

BIDAIA
Oihan
( Resistencia / Sabotage )

Nem só de trikitixas e txalapartas é feita a folk basca. A par destes dois instrumentos, a alboka (que, curiosamente, dá nome ao interessante grupo de JOXAN GOIKOETXEA) assume tão ou maior protagonismo no Euskadi. A sua sonoridade estridente, semelhante à bombarda bretã, casa na perfeição com a sanfona ocitana de CAROLINE PHILIPS, oferecendo-nos um autêntico vespeiro a azamboar os nossos ouvidos. Ressonância amplificada pela acção do cordofone percutido local e milenar, Ttun-ttun (da família dos saltérios), feita com um nervo próprio do rock sem, contudo, ceder à tentação de amplificar instrumentos. Pequenos pormenores suficientes para falarmos da filiação BLOWZABELLA e HEDNINGARNA (apenas no pendor dançável e ressonante, se bem que não haja quaisquer vestígios de uma fusão acústica – eléctrica, mas a atitude paira por cá). Contudo, os BIDAIA vão mais longe. Não há frente sem dorso. Não há música profundamente arreigada sem olhar para o resto do mundo. Apesar de cantarem em euskera, marcando firmemente a sua identidade, a música dos BIDAIA viaja pelo mundo e pelo tempo. O saxofone e o contrabaixo imprimem um pendor mais jazzístico. As percussões de JABI AREA – darbouka marroquina e, sobretudo o cajon andaluz – dão-lhe uma cadência árabe-andaluz, que serve um propósito comum: o apelo irresistível à dança.

ALBOKA
Bi Beso Lur
(Aztarna)

Os Alboka poderiam ser os dignos sucessores dos saudosos britânicos BLOWZABELLA se tivessem nascido em Inglaterra. O seu repertório acenta em danças arin-arin, fandango, e contra-danças cuja ancestralidade que pode remontar a tempos medievais, exala uma modernidade semelhante aquela que os Hedningarna exibem. O nome ALBOKA diz respeito a um instrumento de sopro basco que possui uma sonoridade algo “drone” (de zumbido) situada entre a bombarda francesa e a sanfona. À característica ALBOKA, junta-se acordeão, bouzuki, guitarra acústica, violino, arpa e percussões oferecendo uma sonoridade que une energia basca à pureza irlandesa (um dos elementos do grupo é oriundo do país dos trevos) e cuja ancestralidade dá o mote para que se construa a folk marcadamente acústica do futuro.
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ALI HASSAN CUBAN: especialista nubiano em música de casamentos
July 11, 2006
ALI HASSAN KUBAN
Real Nubian
(Piranha)

ALI HASSAN KUBAN, considerado por muitos como o avô e o capitão da revolução da tradição núbia, sabia como chegar aos ouvidos dos europeus e norte-americanos. Apesar de ter sido vítima de um ataque cardíaco que o vitimou aos 72 anos de idade, KUBAN deixa um rico legado musical que tem sido explorado por gente mais nova: caso de MAHMOUD FADL e do seu grupo SALAMAT.
Influenciado pela música ocidental, ALI HASSAN KUBAN descobriu em Harlem os metais e uma nova abordagem de percussão. Com JAMES BROWN aprendeu a tornar os seus espectáculos mais escaldantes. “From Nubia To Cairo”, a grande obra prima de KUBAN datada de 1993, já revelava essa intenção, encontrando-se a rigidez dos ritmos pentatónicos africanos moldados por possantes linhas de baixo soul / funk.
Oito anos depois, KUBAN oferece-nos mais do mesmo, através de uma colecção de temas de casamento núbios. ALI HASSAN KUBAN que considerava a sua música parte núbia, parte global, intensificou em “Real Nubian” o uso de instrumentos eléctricos e de outras paragens, como é o caso do baixo, dos teclados, da gaita de foles e da harmónica. Sem ser um resultado deslumbrante, comparativamente à sua obra-prima já referida, “Real Nubian” vale pelos riscos que o autor corre e pela inclusão das vozes femininas de SALWA ABOU GREISHA (que já colaborou nos discos dos SALAMAT e MAHMOUD FADL) e SHAHIN ALLAN, que dão maior expressão sensual ao “afro-arab-funk” de casamento made in Cairo.
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DESERT BLUES 2: pilar essencial na discografia do Norte de África
July 11, 2006

DESERT BLUES 2
Vários Artistas
Network / Megamúsica (2xCD 2002)

O carinho demonstrado pelos lisboetas o ano passado a ALI FARKA TOURÉ, o sucesso da recente passagem dos TINARIWEN pelo nosso país, o desejo de muitos dos leitores deste espaço irem até ao Festival do Deserto de Essakane, levou-me a recuperar um texto escrito inicialmente em Março de 2003 - curiosamente o primeiro “post” da primeira versão do blogue Crónicas da Terra. DESERT BLUES 2 é, a par do primeiro volume desta série - DESERT BLUES - de compilações editadas pela “label” alemã World Network, uma peça-chave em qualquer discografia do norte de África.
As fronteiras impostas pelos impérios coloniais do Ocidente dividiram África em quadrados feitos de regua e esquadro, aos quais se dão o nome de países, mas não conseguiram diluir os laços familiares e culturais do sistema tribal. Os griots não são fenómeno exclusivo do Mali, extendendo-se toda a África Ocidental (Senegal, Gâmbia, Guiné). Tal como os tuareges, longe de habitarem países como Marrocos, Argélia ou Líbia, são um povo oriundo do extenso deserto do Sara. Neste “oceano sem água”, a música é vagarosa, escarna a pele e o osso, até à alma, dos blues man islâmicos que cantam a rebelião e o ostracismo de quem nunca conheceu fronteiras nem governos tirânicos. A música, além de refúgio, é um bálsamo para o espírito. Tem poderes curativos (gnawa) e une a diversidade tribal dos mandigas, fulanis e sonrais do baixo Sara, onde o Rio Níger fertiliza a terra árida e conduz-nos à África de floresta densa e tropical. Aqui o tempo é marcado pelo nascer e pôr do sol. O melhor é mesmo contemplarmos o elevado grau de pureza que possuem as vozes sarauis (TARTIT,AZIZA BRAHIM), os ritmos do wassolou (NAHAWA DOUMBIA) e as cordas acústicas de guitarra e cora dessa meca musical denominada Mali (BOUBACAR TRAORÉ, ROKIA TRAORÉ, HABIB KOITÉ, DJELIMANDI TOUNKAR




