Um roteiro possível para a Festa do Avante
August 30, 2006
Como é habitual, há muita música tradicional na Festa do Avante. Este ano o cartaz é reforçado com algumas propostas internacionais de luxo oriundas de França, Roménia, Escócia e Brasil. Este é um dos muitos roteiros possíveis com algumas propostas sobrepostas. Espero poder cumprir na (quase) totalidade o itinerário que se segue.
Sexta-feira, dia 1:
21h30 - DJUMBAI JAZZ (Guiné-Bissau) - Auditório 1º de Maio
22h30 - Homenagem a ALAIN OULMAN com CARLA PIRES, ANTÓNIO ZAMBUJO e LIANA - Auditório 1º de Maio
23h00 - GAITEIROS DA GALIZA - Palco Solidariedade
23h30 - CRISTINA BRANCO - Auditório 1º de Maio
00h30 - ANDARILHOS - Café-Concerto
Sábado, dia 2:
15h00 - MANDRÁGORA - Auditório 1º de Maio
16h00 - KUSSONDULOLA com TÉ MACEDO, PRINCE WADADA e KILANDUKILO - Palco 25 de Abril
17h00 - CONTRA3AIXOS - Auditório 1º de Maio
17h30 - TITO PARIS - Palco 25 de Abril
18h00 - A NAIFA - Auditório 1º de Maio
20h30 - PEATBOG FAERIES (Escócia) - Palco 25 de Abril
20h30 - QUARTO MINGUANTE - Palco Novos Valores
22h00 - GAITEIROS DE LISBOA com MANUEL ROCHA - Palco 25 de Abril
22h30 - FADOMORSE - Café-Concerto
23h00 - TARAF DE HAÏDOUKS (Roménia)- Auditório 1º de Maio
24h00 - MODAS À MARGEM DO TEMPO - Palco Arraial
Domingo, dia 3
14h00 - TOQUE DE CAIXA - Auditório 1º de Maio
15h30 - MAWACA (Brasil) com JANITA SALOMÉ - Auditório 1º de Maio
15h30 - NAVEGANTE com NANCY VIEIRA e O Ó QUE SOM TEM - Palco 25 de Abril
16h30 - RITINHA LOBO (Cabo Verde) - Auditório 1º de Maio
20h00 - BABYLON CIRCUS (França) - Palco 25 de Abril
20h30 - SÉRGIO GODINHO - Auditório 1º de Maio
21h30 - RONCOS DO DIABO - Avanteatro
Nota: a belíssima MAYRA ANDRADE cancelou, infelizmente, a sua participação. JUNE TABOR + OYSTER BAND e LA BOTTINE SOURIANTE já foram a outras edições de luxo do Avante, mas nunca estiveram alinhados para este 30º aniversário da Festa.
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[perfil BILLY BRAGG] “One man Clash”
August 25, 2006

“One man Clash” ou “national treasure” são duas expressões utilizadas para descrever BILLY BRAGG. O facto desta última ter sido utilizada pela primeira vez muito recentemente pelo institucional jornal The Times, pode ser apenas sinónimo do reconhecimento de uma carreira já longa de vinte e muitos anos, mas não deve ser encarada como uma rendição ao politicamente correcto, tão demasiado presente em todos o sectores desta nossa tristemente globalizada sociedade.
É na convulsão do punk, indissociável da situação político/social que se vivia no Reino Unido nos finais da década de setenta do século passado, que surgem, no meio de um turbilhão de bandas, os RIFF RAFF, que eram BILLY BRAGG e PHILIP ‘WIGGY’ WIGGS, geograficamente originários de Barking, Essex (encontraremos ‘WIGGY’ mais tarde a colaborar no projecto a solo do primeiro, nomeadamente no álbum “Don’t Try This At Home” de 1991).
THE CLASH despertaram indiscutivelmente em muito, muito boa gente, uma consciência política que estava adormecida nuns, entorpecida noutros (aqui também com a ajuda preciosa da brutalidade policial na época). Os temas que abordaram nas suas canções em conjugação com a atitude politicamente engajada que assumiram, através por exemplo da participação activa contra a ameaça da National Front (partido da extrema direita inglesa em preocupante ascensão na época), nos eventos promovidos pela Anti-Nazi League e pelo Rock Against Racism.
BILLY BRAGG não foi excepção. O primeiro concerto dos CLASH, a que assistiu na Rainbow deixou marca indelével, reflectindo-se certeiramente na confissão de BRAGG de que JOE STRUMMER alterou a sua forma de encarar o mundo.
É essa mesma consciência política e esse mesmo comprometimento com uma causa que define a carreira de BILLY BRAGG, indiscutivelmente ligado à esquerda inglesa. Em meados de oitenta muito próximo do Partido Trabalhista, então na oposição ao governo conservador da ‘dama-de-ferro’ Margaret Thatcher. Actualmente a situação é necessariamente diversa, uma vez que o Reino Unido é governado pelos trabalhistas, sob a liderança de Tony Blair, que é, no entanto e justamente, considerado um neo-conservador, à semelhança dos seus aliados da administração norte-americana.
Foi nesses anos uma voz forte no apoio às lutas sociais levadas a cabo contra o mencionado governo conservador. A Greve dos Mineiros em 1984 talvez tenha sido a mais importante batalha em que BRAGG se empenhou. Desde então e até ao presente, a luta e os motivos que à mesma conduzem, não terminou, e dificilmente terminará, e por isso a série de espectáculos que tem agendados para os próximos meses de Abril a Junho – Hope Not Hate tour – serão, também, de apoio às três principais organizações anti-fascistas inglesas, sem perder de vista as eleições locais em Maio (está, assim, explicada a expressão “one man Clash”!).
Os três discos que abordamos muito sumariamente a seguir, foram agora reeditados, devidamente remasterizados e providos de faixas extra, e são os que melhor espelham a componente interventiva que autor tão bem consegue entrelaçar com a vida simples e dura das classes ditas trabalhadoras (que no fundo, e em última análise, somos todos nós).
“Life’s a Riot with Spy vs Spy” em 1983 é o primeiro álbum. Um homem, uma guitarra e um amplificador (e aqui um parêntesis para destacar “Pay no more than…”, uma marca, inscrita em local visível na capa, que alerta o comprador para o facto de não dever pagar mais pelo disco que a quantia impressa, que representa o preço justo - um perfeito percursor do hoje chamado comércio justo, curiosamente em 1979 com “London Calling” os CLASH, prescindindo da sua quota parte de lucro, tinham conseguido que a multinacional CBS vendesse esse duplo álbum ao preço de um simples).
“Brewing Up With Billy Bragg” (1984) e “Talking with the Taxman About Poetry”(1986), representam o segundo e o difícil terceiro álbuns (neste já bem acompanhado entre outros, pelo genial JOHNNY MARR, na altura guitarrista dos SMITHS. Curiosamente ‘WIGGY’ não terá colaborado devido, ironicamente, a uma greve de autocarros).
As músicas dividem-se basicamente em dois capítulos. As de intervenção, como ‘To Have and Have Not’, ‘It Says Here’, ‘Ideology’, ‘There is Power in a Union’ ou ‘Help Save the Youth of America’,e as de amor, como ‘A New England’ ou ‘A Lover Sings’, enquadradas em retratos de quotidianos normais.
Estas e todas as outras merecedoras da nossa máxima atenção.
Pedro Neto Neves
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Burros e gaitas de novo em Trás-os-Montes
August 25, 2006
A Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino (AEPGA) continua bastante activa e volta a organizar um evento que reúne burros de Terras de Miranda e música tradicional. Nos dias 9 e 10 de Setembro, em colaboração com Junta de Freguesia de Azinhoso e a população local vai recuperar a tradição da romaria com destino à Feira do Azinhoso. Para tal organiza um passeio de burro de médio curso que se realiza em volta desta aldeia do concelho de Mogadouro.
De acordo com Paulo Pereira, animador mor dos UXU KALHUS e NO MAZURKA BAND, “ele é jincanas de burro, passeios (de burro), filmes (com burros, claro), posta mirandesa (não, não são de burro), paisagens estonteantes (às vezes com burros a recortarem-se no horizonte), mostra e desfile (de burros, sim), músicos do arco da velha e gaiteiros (sim, desculpem lá, foi de propósito a segregação, mas fiquei-me por isso). Se para além disto tudo, se revêem nos valores do MRPP (Movimento Radical Pastoril Português), então têm mesmo de aparecer!”
A animar a noite de Sábado e a manhã de domingo estarão os NO MAZURKA BAND. Eles trazem para a festa “flautas de tamborileiro (Paulo Pereira e Diogo Leal) , Gaitada (Paulo Pereira, Diogo Leal e Eduardo Monteiro), percussões à bruta (Ricardo Falcão, Eduardo Monteiro) e um Sanfoneiro-cantador (Eduardo Monteiro).”
Se vierem de Lisboa, em menos de 6 horas estão em Azinhoso.
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Portalegre junta-se ao circuito de festivais “world” e oferece-nos Zap Mama
August 25, 2006
O recentemente inaugurado Centro de Artes e Espectáculos de Portalegre recebe entre os dias 13 e 16 de Setembro, pela primeira vez naquele distrito, um festival de música e de danças tradicionais.
O Festival internacional de Música e Danças do Mundo (é assim que se chama), apresenta como figura maior deste cartaz o projecto belgo-congolês ZAP MAMA encarregue de fechar com chave de ouro este ciclo “world”, a 16 de Setembro. A formação de MARIE DAULNE volta a apresentar no nosso país o seu último trabalho “Anchestry In Progress”, depois de o ter feito o ano passado, no África Festival, que se realizou no Auditório Keil do Amaral em Lisboa. Um registo Mais urbano, funk, soul americano e menos tribal e experimentalismo a capella que caracterizou esta formação no início dos anos 90 através dos brilhantes dois primeiros álbuns: “Adventures in Afropea” (1993) e “Sabsylma” (1994).
O programa que inclui também a realização de ‘workshops’ de dança oriental egípcia e de percussões árabe, arranca no dia 13 com CHERNO MORE QUARTET. Projecto de fusão de músicas dos Balcãs, Médio Oriente e Norte de África por músicos provenientes da Bulgária, Síria e Sudão.
No dia seguinte (14), há música al-andaluz e danças do ventre com os marroquinos ALMAKAM que estiveram recentemente a animar uma das Noites da Moura Encantada em Cacela Velha.
No dia 15, não há koras griots, mas há outro tipo de instrumentos ancestrais de cordas provenientes do continente africano com o Kabosy (bandolina do Madagascar) e o Katsá tocados como ninguém por KILEMA. Músico oriundo do Madagáscar que já foi parte integrante do JUSTIN VALI TRIO e que vive actualmente no sul de Espanha.
O preço dos bilhetes varia entre os 5€ e os 10€. Informações mais detalhadas no site do Centro de Artes e Espectáculos de Portalegre.
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MERCEDES SOSA: “adentrar-nos” pela Argentina com La Negra
August 24, 2006
>MERCEDES SOSA
“Corazon Libré”
(Deutsche Grammophon / Universal)

Em Agosto de 2005, passados mais de 5 anos do último disco de estúdio, saiu mais um disco de MERCEDES SOSA, “Corazon Livre”, editado pela Deutsche Grammophon.
MERCEDES SOSA é considerada a voz argentina, da América Latina, dos povos oprimidos. Uma das maiores vozes do mundo! Hoje, já com 70 anos, continua a dar grandes espectáculos. Além de cantar, conversa com quem a escuta, por todo o mundo, desculpando-se por só falar em espanhol, agradecendo a cada passo o calor dos muitos que a escutam. Começou por cantar folclore da sua região natal Tucumán, para depois crescer como intérprete, podendo ouvir-se vários géneros nos seus discos: música revolucionaria, tangos, milongas chacareras, tonadas, zambas e até interpretações de um artista rock argentino – Charly García.
Quem conhece a discografia de La Negra, como é carinhosamente conhecida na Argentina e no Mundo inteiro, não encontra surpresas neste disco. Ouvi-lo é “adentrar-nos” pela Argentina, numa canção visitamos a cidade Mendoza, em outra conhecemos a natureza ao ver os Lapachos em flor, convivemos com o povo nas festas e nas lutas; é conhecer a força de uma Senhora que apesar da idade não cruza os braços e continua a chamar-nos para a luta e a dar-nos razões para amar, seja a pátria ou a pessoa que está ao nosso lado e que nos diz que mesmo com todos os problemas um mundo melhor é possível. Não nos surpreende que a sua voz não alcance tons que facilmente atingia antes.
A surpresa começa quando a ouvimos forte, profunda, doce e límpida. Quando percebemos que em “Corazon Libré” temos gente jovem com quem canta ou de quem interpreta canções, assim como conceituados escritores de canções que partilham com ela este disco.
É verdade que não estamos na presença do melhor disco de Mercedes Sosa, mas quem o ouvir encontrará de certeza um ou mais temas que se tornam imprescindíveis na banda sonora da sua vida!!
Amália Oliveira
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Maré de Agosto: aprender a nadar com a diversidade.
August 18, 2006
Realiza-se a partir de hoje e até ao próximo domingo (20 de Agosto), a 22ª edição do mais importante festival que ocorre anualmente em ilhas açorianas: o Maré de Agosto da Praia Formosa - Ilha de Santa Maria.
Como sempre, o cartaz é pautado por uma enorme diversidade de estilos que vão do rock, aos blues, à soul africana e à folk, provenientes de várias áreas geográficas: Europa, Américas, África.
No primeiro dia, cruzam-se em palco os portugueses BE-DOM, os espanhóis EL BICHO e os brasileiros CABRUÊRA. Grupo de percussão “criativa” no masculino com forte componente teatral, os BE-DOM poderão ser uma espécie de TUCANAS de calças. Usam materiais alternativos - bidões, garrafas, latas, o próprio corpo, brinquedos e arquitectando uma “nova forma de fazer música, nova arte e uma outra destreza a criarem e a combinar sons”. Já os EL BICHO, que se apresentaram há dois anos no Sons em Trânsito de Aveiro são, a par de AMPARANOIA, um dos mais dignos representantes da música mestiça oriunda de Espanha. Fundem O flamenco, rumba com pop, rock, jazz, numa espécie de resposta madrilena aos catalães OJOS DE BRUJO. Quanto aos CABRUÊRA, são um dos poucos representantes do “mangue beat” (criado nos manguezais de Pernambuco) feito na região nordestina de Paraíba. Maracatu, coco, ciranda, revisto à luz do electro-funk-rock actual.
Sábado, dia 19, é a noite do jazz, do blues e da soul africana. STANLEY JORDAN, músico nova-iorquino que tem gravado para a reputada editora Blue Note, “revolucionou o modo de tocar guitarra com a sua nova técnica (…) conhecida como tapping que resulta em sons de guitarra semelhantes ao de um teclado”. ANGELIQUE KIDJO (na foto), vem do Benin (minúsculo país de África, próximo da Costa do Marfim) e tem tentado usar a sua portentosa voz ao serviço de uma fusão de raízes yoruba com funk e soul americana e, nos últimos tempos, com um cardápio de sonoridades dos trópicos: merengue, reggae, salsa, calypso. A segunda noite encerra com a soul, os blues, o r&B e os solos de guitarra eléctrica e de “slide guitar” do norte-americano BERNARD ALLISON.
Domingo, dia 20, há a visão modernista e pop do fado pelos DONNA MARIA e o principal repasto deste festival. Primeiro, o colectivo cigano romeno FANFARE CIOCARLIA cuja imponente secção de metais toca horas e sirbas a mais de 200 rpm. Segundo, os franceses BABYLON CIRCUS que unem uma forte componente cénica circense excepcionalmente bem orquestrada, a uma fusão de estilos que vão deste a inevitável música de circo, à musette das ruas de Paris, ao reggae e ao ska jamaicano.
Mais informação no site Maré de Agosto
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África lusófona nas “Noites do Parque” de Torres Vedras
August 12, 2006
A Câmara Municipal de Torres Vedras apresenta, a partir de hoje e até ao próximo dia 2 de Setembro (todos os Sábados até esta data), a terceira edição da “Noites do Parque”, no Parque Verde da Várzea, com entrada livre. Hoje ANDRÉ CABAÇO cruzará música tradicional moçambicana com funk e jazz. A 19 de Agosto um conjunto de músicos porutgueses denominados de SABOR CUBANO exercita ritmos da ilha de Fidel. A 26 de Agosto presta-se muita atenção à griot guineense ENEIDA MARTA que mistura música mandinga com gumbe e morna. A fechar (dia 2 de Setembro) as noites, SYLVIE C, francesa que vive há mais de 15 anos em Portugal e que interpreta temas francófonos distintos como Edith Piaf, Jacques Brel, Boris Vian.
Mais informação no site do Município de Torres Vedras
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uma norte-americana, uma galega e um turco radicado no Canadá, no III Sons do Atlântico
August 11, 2006
A partir de hoje e até ao próximo domingo, decorre no promontório da Senhora da Rocha, Porches, Lagoa, a III edição do Festival Sons do Atlântico. Três dias de festival pautado pela diversidade na programação e com o palco principal a ser dividido entre propostas portuguesas e estrangeiras.
Sexta-feira, dia 11 de Agosto, os portuenses MU que editaram em 2005 o álbum “Mundanças” e de quem guardo agradáveis recordações de uma excelente actuação no Intercéltico de Sendim de 2005, abrem a noite que terá continuidade com a galega MERCEDES PEÓN. Apesar de já se ter apresentado no Intercéltico do Porto numa actuação aquém das expectativas, é autora de um dos mais fabulosos discos editados por artistas galegos: “Isué” (ver crítica a este disco neste espaço).
Sábado, dia 12, é a vez da ORQUESTRINHA DO TERROR abrir para o turco radicado no Canadá MERCAN DEDE (na foto). Noite de total miscigenação ocidente / oriente. Se os portugueses pegam em harmonias e ritmos de inspiração klezmer, de tradição dos Balcãs, com elementos de free-rock e free-jazz, fazendo das suas composições pequenas bandas sonoras para filmes de curta metragem, já o autor do recente álbum “Breath” que se encontra em lugares cimeiros da World Music Charts Europe, é mestre na fusão da electrónica, como electro e techno, com texturas da música tradicional do médio oriente.
Domingo, dia 13, o palco é repartido pelo quarteto feminino algarvio e a capella MOÇOILAS, que anda a promover o seu segundo disco “O Qu’é Que Tens A Ver Com Isso”, e pela norte-americana LISA HALEY, uma das autoridades máximas do zydeco / cajun.
Esta terceira edição do Sons do Atlântico, apresenta ainda PANDEMONIO (Teatro de Rua), EDUARDO RAMOS (um dos mais conhecidos tocadores de alaúde em Portugal), ODAIM (música irlandesa, árabe, turca), LUÍSA MIRA (fado) e AL-DRICA (música mediterrânica de raiz tradicional), responsáveis pela animação do início de cada noite.
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TARAF DE HAÏDOUKS: abelhas que voam por todo o planeta e que misturam o pólen musical que recolhem de diferentes flores
August 11, 2006
TARAF DE HAÏDOUKS
Band of Gypsies
(Crammed / Megamúsica)

Já estiveram em Portugal por várias vezes. Por onde passaram, deixaram imensas saudades. Vão estar nas celebrações do 30º aniversário da Festa do Avante. Uma festa imperdível, de acordo a qualidade do cartaz.
Depois de dez anos de intensas digressões à volta do mundo, a TARAF DE HAÏDOUKS (grupo de justiceiros) fez justiça pelas próprias mãos. Entraram pela primeira vez, de forma apoteótica na capital Romena, para gravar o seu quarto disco ao vivo. Uma super produção que demorou três noites, onde contaram com a presença de convidados especiais de vulto: a KOÇANI ORKESTAR BRASS BAND da Macedónia e o turco TARIK TYYSUZOGU. Quem conhece a Taraf de Haïdouks como referência incontornável da música cigana e da folk que sopra de leste, poderá minimizar tal feito. Apesar da banda criar simpatias com gente ilustre como o actor Johnny Depp, que chegou a pagar cerca de vinte mil contos (cem mil dólares) para os ver no seu bar Viper Club e com o estilista japonês Yamamoto que já vestiu todos os seus elementos, a TARAF DE HAÏDOUKS é praticamente desconhecida na Roménia. Se na era Ceausecsu, os músicos ciganos eram constantemente vigiados pela polícia política, para não cantarem as baladas medievais mitológicas que pudessem descrever actos heróicos de outrora e consequentemente desvalorizar a política comunista, hoje em dia esses mesmos ciganos que detêm o mais baixo nível de vida na Roménia, continuam a ser alvo de actos racistas generalizados. No entender da população branca, são eles os responsáveis pelo contínuo mau estar económico e social que o país tem sofrido nestes dez anos da era pós-Ceasusescu. As consequências variam: desde a impossibilidade de as crianças frequentarem a escola e outras instituições públicas, ao acto de fogo posto nas suas casas perpetrado pela população branca. Sem acesso à educação, as crianças ciganas de Clejani podem não saber ler e escrever, mas desde cedo aprendem instintivamente a tradição dos “lautari”. Afinal, é esta a forma mais eficiente de ganharem dinheiro em todo o tipo de celebrações: casamentos, aniversários, baptizados e funerais.
Bela Bartók poderá acusar os ciganos de corromperem a verdadeira folk dos camponeses da Europa de Leste. No entanto, a Roménia só tem de agradecer-lhes pelo facto de nunca terem parado de tocar e terem continuado a cantar clandestinamente (e a passarem de pais para filhos) as canções que Ceausescu proibiu e cujos registos magnéticos queimou, dando um importante contributo para a preservação de parte dessa cultura. Daí que tenhamos de concordar com a opinião do mestre da tabla indiana ZAKIR HUSSAIN quando diz que, sem os ciganos a história musical do nosso planeta seria diferente, comparando-os a abelhas que voam por todo o planeta e que misturam o pólen musical que recolhem de diferentes flores. Afinal, foram eles que transportaram da Índia o conhecimento de várias percussões, que se foram desenvolvendo com a diáspora cigana: a dumbak no Líbano, a Tar na Núbia ou a Darbouka na Turquia.
A TARAF DE HAÏDOUKS e o sublime registo “Band of Gypsies” acaba por fazer bom uso das palavras mobilidade, espontaneidade, diversidade, cumplicidade e despique que caracterizam cada concerto. O confronto entre gerações (a dos 70/80 anos e dos 20/30 anos) provoca a dualidade entre a balada cantada e sentida com a mesma mágoa do blues e as composições instrumentais tocadas a todo o gás, como se o pendular pendulasse (a cerca de 300 kms/h). O caldeirão de culturas consegue fazer aquilo que os diversos chefes de Estado não têm conseguido: unir toda a extensa região das Balcãs através da música - da Jugoslávia, Hungria e Roménia, até à Bulgária, Macedónia, Turquia - com o Norte de África. Todo o seu tecnicismo e improviso põe à prova a capacidade de criar empatia em qualquer palco do mundo. Sente-se que a TARAF DE HAÏDOUKS precisa do calor do público, como uma acendalha numa fogueira, para entrar em combustão e dar toda a energia e virtuosismo selvagem que têm e não têm. Além da capacidade que eles possuem de tocar todo o dia e toda a noite, visível há meia-dúzia de anos em Faro quando se encontravam em rodagem de um documentário sobre a banda, os treze elementos funcionam como uma equipa bem oleada, sem estrelas, cujo cúmulo da coesão é conseguirem mudar de contra-baixista a meio de uma composição, sem prejuízo para o espectáculo. A todas estas características visíveis aos olhos de quem teve a oportunidade de os ver ao vivo em Portugal, de realçar neste disco o duelo que a TARAF perpetua com a KOÇANI ORKESTAR, com as cordas dos romenos e os metais dos macedónios a amplificarem ainda mais o tom de êxtase selvático, mas puro das celebrações ciganas. Por tudo isto, a TARAF DE HAÏDOUKS tornou-se na principal embaixatriz da cultura musical da Roménia, para desgosto do cidadão comum deste país. A justiça feita por justiceiros tem destas coisas.
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ANGÁ DÍAZ 1961 - 2006
August 10, 2006

Esteve para vir ao FMM de Sines deste ano. Tocou recentemente na Casa da Música do Porto com OMAR SOSA. MIGUEL ‘ANGÁ’ DÍAZ era um brilhante percussionista cubano. Lançou um dos grandes discos de 2005: “Echu Mingua”. Obra em que as raízes cubanas interagem com Jazz norte-americano e improvisado, hip hop, música áfro-mandinga. Tudo cozinhado por um gourmet das congas com vistas largas, que contou com uma série de cobaborações de luxo: STEVE COLEMAN, ROY HARGROVE, AFRO-CUBAN ALL STARS, RUBÉN GONZÁLEZ, CHUCHO, VALDÉS, CACHAÍTO LÓPEZ, BABA SISSOKO, DJ DEE NASTY e MAGIC MALIK.
Morreu ontem subitamente em sua casa, em Barcelona. Tinha 45 anos.
Mais uma baixa de vulto na World Circuit, a editora de NICK GOLK que no espaço de pouco mais de um ano ficou sem alguns dos principais trunfos: RUBÉN GONZÁLEZ, ALI FARKA TOURÉ, IBRAHIM FERRER.
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ALI FARKA TOURÉ: “Savane” expande a produção deliciosamente rústica de “Niafunké”
August 10, 2006
ALI FARKA TOURÉ
“Savane”
World Circuit / Megamúsica

Há algum tempo atrás, no norte do Mali, em pleno coração do Sahel, o agricultor ALI FARKA TOURÉ anunciou que abandonava as lides musicais para cumprir um desígnio maior. Conjugando provérbios e um enigmático sorriso aberto, tão desconcertante e peculiar como o seu estilo de dedilhar a guitarra, ALI explicou que a aridez da savana não dá tréguas: a terra deve que ser amanhada, os animais apascentados, a vasta família sustentada. Com os frutos da consagração internacional colhidos, incluindo um Grammy, e o reconhecimento nacional conquistado ambicionava regressar a sua casa e zelar pelos interesses da sua aldeia, Niafunké. Mas assim como o caudal do Níger não é travado pela secura sub-saariana nenhum voto seria suficientemente forte para conter a música que brota de ALI FARKA TOURÉ e, no ano passado, um novo disco em parceria com o amigo de longa data e génio da kora, TOUMANI DIABATÉ, foi brindado com novo Grammy e acompanhado pelo regresso aos palcos europeus no qual Lisboa foi agraciada numa noite de Verão memorável. Depois, um último silêncio que nem mesmo a teimosia pela qual recebeu o nome do meio venceria. Felizmente “Savane” estava em adiantada fase de conclusão.
Saído das mesmas sessões que originariam a parceria com DIABATÉ e o álbum deste último com a SYMMETRIC ORCHESTRA, “Savane” expande a produção deliciosamente rústica de “Niafunké”, que enformava as intrincadas malhas de guitarra com coros femininos, percussão e njarka (violino de uma só corda), recorrendo a um trio de tocadores de ngoni (um provável antepassado do banjo) mas também ao saxofone de PEE WEE ELLIS, colaborador de JAMES BROWN e VAN MORRISSON, e da harmónica de LITTLE GEORGE SUEREF. FAIN S. DUEÑAS, percussionista nos extintos RADIO TARIFA, fecha o rol de convidados. O resultado é uma derradeira colecção de blues assombrados pelos ventos do deserto redemoinhando histórias e personagens, cenas do quotidiano em Niafunké, visões sobre presente e o futuro do Mali e de África. E se a presença do ngoni e njarka plantam firmemente estas canções em território Songhai e Touareg, o que se pressente de imediato na entrada triunfal de “Ewly” e se confirma ao longo do disco e, em especial, nos magníficos “Banga”, “Machengoidi” e “Hommage a Annasi Coulibaly”, a verdade é que o saxofone e a harmónica pouco ou nada acrescentam à música primitiva de ALI. Mas também não a adulteram, fundindo-se discretamente na mistura final em “Beto” e “Njarou” ou estreitando ainda mais a afinidade com os blues norte-americanos na faixa de abertura e em “Ledi Coumbe” ou “Penda Yoro”. Foi sugerido que, desta forma, mais do que acusar influências externas ou procurar alargar a sua audiência no Ocidente, ALI estaria a reclamar o regresso da diáspora africana ao continente-mãe. “Savane” resolveria assim o permanente mistério sobre a génese da música de ALI FARKA TOURÉ. Estou certo que, pressentindo a nossa dúvida, ele responderia com um imenso, inescrutável sorriso: “C’est ça!”.
Cláudio Pedrosa
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Devoção incondicional ao feijão com óleo de palma, muamba, pirão, kizomba e BONGA
August 9, 2006
Depois de ter recuperado temas dos seus dois primeiros discos - “Angola 72″ e “Angola 74″ - no África Festival, BONGA KWENDA fará um balanço de 30 anos como músico no Coliseu dos Recreios. É já no dia 5 de Setembro.
Nasci em Coimbra, sou branca, quase fluorescente, tenho sardas e cabelo claro, nunca pisei o continente africano.
Apesar disso, o meu peito é angolano, tanto quanto o é português e o Bonga sempre fez parte da minha vida.
Os meus pais, ambos angolanos, assim como 95% da minha família, criaram-nos a feijão com óleo de palma, muamba, pirão, kizomba e Bonga.
Esse mesmo, o Bonga da “Mariquinha”, o da “Lágrima no canto do olho”, o Bonga que a década de noventa vendeu como um personagem piroso e foleiro, como uma espécie de Roberto Leal de Angola, mas que a história - bendita seja - trata agora de recuperar com o estatuto que ele nunca deveria ter deixado de ter. O estatuto do músico, do contador de histórias que se tornou símbolo da riqueza de um povo que nunca esqueceu a sua cultura (porventura o seu maior tesouro) apesar de décadas de guerra, de conflitos e massacres, de governos corruptos e interesses obscuro.
Foi com melancolia imensa que revivi, na Torre de Belém, a alegria da minha infância, dos Natais em família com a aparelhagem a debitar kizomba em volumes proibidos, a casa cheia nos domingos de muamba do meu pai e até dos seus momentos alcoólicos (na altura nem todos eram terríveis) que o faziam dançar com a minha mãe, os dois campeões lá em Luanda, lá na Caala, lá nas Angolas que os meus olhos não conhecem mas que o meu corpo adivinha desde que sou gente.
A minha raíz é aquela, o meu povo é Angola, o meu coração está lá, com aquelas pretas que abanam o rabo ao lado do Bonga, com aquela gente alegre que comunhou o regresso tão esperado deste homem singular.
O meu coração é gindungo, é pirão, é mandioca, é feijão e óleo de palma, o meu coração é Angola e em Belém o meu coração foi Bonga.
Durante a adolescência, e porque as relações familiares nunca foram muito fáceis, deixei de lado essa parte de mim enquanto me tentava descobrir noutros lugares, mas na magia dos sons de BONGA no África Festival, passados tantos anos, senti o arrepio da lembrança dos dias felizes. Senti-me em casa, rodeada pela minha gente. Pensei no meu pai, na minha mãe, nas minhas irmãs e nos meus avós e dancei, amigos, dancei muito.
A voz rouca do Bonga faz parte de mim e por isso, sou-lhe grata.
Dia 5 de Setembro, no Coliseu de Lisboa. Estou lá.
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GAITEIROS DE LISBOA: Força mágica de Sátiro
August 8, 2006
GAITEIROS DE LISBOA
Sátiro
Sony-BMG

Há uma força mágica (ou obra de Satanás) que me leva a não conseguir largar a música dos GAITEIROS. Ao longo de vários anos fui seguindo a forma apaixonada como trabalham sobre a música tradicional portuguesa, reinventado-a.
Cada disco novo agarra-me pelos cabelos. Depois a música vai-se entranhando, vão-se descobrindo os pormenores, as canções tornam-se amigas e membros da família, daqueles de quem se gosta e com quem fazemos noitadas, que tanto podem terminar em conversas serenas sobre o sentido da vida, como em festas demoníacas.
É sempre de festa que falo quando digo GAITEIROS DE LISBOA. E fazer uma boa festa dá trabalho. Os ritmos contagiantes, vistos com mais atenção, são entrançados, endemoninhados, tortuosos; as melodias são mais que infantis; as harmonias fazem todo o sentido e, em lume forte, se cozinha esta amizade com os discos que guardamos ao longo dos anos à cabeceira.
Junta-se agora ao grupo de amigos SÁTIRO, o quarto disco dos GAITEIROS. E entra de rompante pela sala chamando a atenção de todos, como se quer do puto mais novo da família.
É um disco onde se voltam a fundir todos os elementos que fazem a música dos GAITEIROS: os coros e polifonias, os instrumentos por eles construídos, as mais diversas percussões e sopros, com as gaitas em menor destaque neste disco, o que nem é propriamente uma novidade, nem é necessariamenta mau.
Pontos altos desta festa de Belzebú:
“Nem fraco nem forte” (AMÉLIA MUGE / JOSÉ SALGUEIRO): viciante e dançável canção conduzida pelo pulsar criativo das percussões e por um vigoroso refrão.
“Comprei uma capa chilrada” (CARLOS GUERREIRO): é uma das melhores (e mais complicadas) lengalengas que os GAITEIROS já produziram, terminando num enérgico lamento, em tons ocre do Norte de África.
“Movimento perpétuo” (CARLOS PAREDES): já editada na compilação de homenagem ao guitarrista. Génios descomplexados em diálogo, transfigurando uma guitarra num festim de xilofone e sopros.
“As freiras de S.ta Clara” (Popular/CARLOS GUERREIRO): uma canção sobre freiras com 3’33”, até aqui tudo bem; o sinal da conjura de Lúcifer está no fim, quando o repeat é inevitável, e o tempo da canção duplica. Só porque nos apetece chegar de novo àquela gaitada final.
“Haja Pão” (JOSÉ SALGUEIRO): uma orgia de ritmos e gaitas de amolador, com a voz de RUI VAZ a planar sobre a chuva que se anuncia, que sempre se anuncia quando passa o homem, que na sua bicicleta amola facas e tesouras e arranja os guarda-chuvas.
“Os versos que te fiz” (FLORBELA ESPANCA / CARLOS GUERREIRO): a doce voz de MAFALDA ARNAUTH e o som das flautas de pan faz-me acreditar que vou a caminho do céu, mefistofélico embuste.
“Se fores ao mar pescar” (Tradicional do Alentejo/JOSÉ MANUEL DAVID): é fácil explicar a qualquer iniciado na obra dos GAITEIROS. Polifonias, Alentejo, RUI VAZ e JOSÉ MANUEL DAVID. Foi por isto que primeiro me apaixonei quando ouvi INVASÕES BÁRBARAS. Coisas do Demo.
Pedro Almeida Sousa
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KTU: um tornado com muito de rock
August 7, 2006

KTU - KIMMO POHJONEN, SAMULI KOSMINEN, TREY GUNN, PAT MASTELLOTO
Cool-Jazz-Fest’ 06
Cascais - Cidadela
26 de Julho 2006

A Cidadela perde muito comparada com o jardim em Oeiras onde tocou o KANYE WEST. Nunca lá tinha estado, nem em passeio, mas o espaço do concerto é basicamente um largo onde foram dispostas cadeiras, e não se pode dizer que crie ambiente ou envolvência. E não se compara, de forma alguma, ao Castelo de Sines.
O local estaria a meia-casa. É pena. Espantei-me um pouco com o aspecto mais idoso/solene de uma parte do público, sobretudo os que estavam nas primeiras filas - eu estava na 4ª. Seriam fãs de folk? De prog? Do KIMMO? Dos KING CRIMSON? Pensariam que iam ver jazz? O preconceito é lixado. Seja o que for, pareceram contentes no fim, mais do que os dois putos broncos à minha frente que mandaram umas quantas bocas estúpidas. Quando estacionei no parque, o KIMMO e o SAMULI passaram à minha frente. Não me ocorreu nada para dizer.
É um concerto do qual saio dividido. A música é fenomenal. Costumo ser fã de música Vai Acima-Vai Mais Acima. Daquela que nos deixa passar um tempo a um grau de intensidade, até estarmos completamente envoltos nela e eufóricos, e quando depois sobe mais um bocadinho a alegria é grande, e dou por mim a agitar-me freneticamente, embora sentado não dê para muito. E a estrutura dos temas de KTU permite que estes sejam apreciados de princípio a fim, inclusivé as partes em que pouco mais há que um “assobio” do acordeão, do sampler ou da bateria. O KIMMO, o TREY e o PAT ajudam com a notória alegria e empenho com que tocam. Nada de demonstrações supérfluas de virtuosismos, ou pelo menos nada em termos de longas divagações. Viu-se uma fúria, um tornado com muito de rock, mas com grandes doses de ADN das invocações, que mesmo quem não é conhecedor a fundo associa à Finlândia e às regiões inóspitas escandinavas do KIMMO POHJONEN, e igualmente com muito do lado mais pesado dos CRIMSON. Curiosamente, houve igualmente uma música em que pensei ouvir algo de brasileiro. Ilusão de ouvido destreinado nessas coisas, provavelmente.
Foi a extraordinária beleza e adrenalina da música que ajudou a compensar a falta de ambiente do local, e o estar a olhar a tanta distância com cadeiras, ainda por cima ao ar livre. Não dá para comparar a tê-los visto em Sines no meio de uma multidão aos apertos. Esse foi o melhor concerto que vi em 2005. Era preciso uma banda muito boa para me fazer sair feliz no final de um concerto nestas circunstâncias. Assim aconteceu. Mas senti falta da respiração ofegante e da vontade de construír estátuas de 50 metros de altura para cada um deles que tive há um ano.
Nuno Proença
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Romances do sul no 7º Festival de Cultura Tradicional da Castanheira (Guarda)
August 4, 2006
A Associação da Juventude Activa da Castanheira organiza durante este fim-de-semana (5 e 6 de Agosto) a Sétima edição do Festival de Cultura Tradicional da Castanheira (aldeia serrana do Distrito da Guarda), sob o tema dos romances tradicionais. “Os romances são manifestações particulares, indissociáveis e reveladoras da cultura peninsular, que através da transmissão oral na vida quotidiana do povo chegaram com muita vitalidade até meados do século passado. A transmissão oral é condição primordial para a sobrevivência destas práticas, uma vez que a gravação ou a transcrição para pauta se torna redutora porque no essencial os romances vivem do estilo, expressividade, singularidade e variações que só a interpretação conferem. Com a morte dos últimos executantes esta é uma tradição “em vias de extinção”. No entanto, e porque a Castanheira ainda mantém uma tradição na execução de romances, é urgente divulga-los e acarinha-los para que se mantenham vivos na memória colectiva e possam continuar a passar de geração em geração.”
Sábado, dia 5, o largo do Outão em Castanheira, recebe às 22h as algarvias MOÇOILAS, quarteto feminino ‘a capella’ da Serra do Caldeirão, constituído por TERESA COLAÇO, TERESA MUGE, MARGARIDA GUERREIRO e ANA MARIA GUERREIRO que acabaram de editar o seu CD “Qu’é que tens a ver com isso” (edição Ocarina que merecerá recensão crítica em breve nas Crónicas da Terra). Segue-se o projecto QUATRO AO SUL de JOSÉ BARROS, dois elementos dos GAITEIROS DE LISBOA – RUI VAZ E JOSÉ MANUEL DAVID e PEDRO MESTRE (tocador e construtor de violas campaniças). Espectáculo (quase) de estreia deste quarteto constituído por modas do Alentejo e temas populares e tradicionais do Mediterrâneo.
Domingo, dia 6, os CHUCHURUMEL de CÉSAR PRATA e JULIETA SILVA apresentam o seu mais recente projecto – TAPETE VOADOR – onde a tradição musical popular portuguesa cruza-se com o processamento digital do som. A sétima edição deste festival dedicado aos romances encerra com os AT-TAMBUR em rara aparição ao vivo, pelo menos, nestes últimos tempos (é bom saber que se encontram de boa saúde). Depois dos bailes, o projecto de Lisboa, “apresenta um espectáculo que se inspira nas tradições portuguesas e nas de outras paragens; deixa-se influenciar pelo gosto da música antiga, da clássica ou do jazz - através da criação e da escolha de um repertório que desafia, na sua interpretação, nos arranjos e na mistura de tudo isso…”
Mais informações no site da AJAC
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[entrevista BERROGÜETTO]: música galega humanizada
August 3, 2006

Depois de uma grande actuação no Festival Raízes do Atlântico no Funchal, os BERROGÜETTO apresentam-se este fim de semana no Intercéltico de Sendim. A comemorarem 10 anos de existência e com novo disco gerado com muito carinho e em ambiente familiar, “10.0″ (tão bom quanto a obra prima “Hepta” lançada há cinco anos atrás), os BERROGÜETTO continuam a ser, de longe, o mais criativo e interessante projecto folk da Galiza. ANXO PINTOS respondeu por e-mail a uma série de perguntas que lhe coloquei. Dado a proximidade linguística, deixo-vos as respostas deste gaiteiro e sanfoneiro na sua língua mãe - a galega.
O vosso logótipo é apresentado em várias desconstruções. Os BERROGÜETTO são uma banda em permanente desconstrução? É a desconstruir a música de raiz galega (e de outras partes do mundo) que fazem que conseguem ter mais imaginação para se superarem em termos criativos?
Partimos de espazos sonoros demolidos na memória colectiva da sociedade polo paso do tempo; da maraña estética de sete mentes con influenzas diversas, que buscan atopar un ponto de acumulación emerxido do magma primixenio da música galega, mais sen sermos alleos as influenzas que engarzan á perfección co que cada unha das nosas composicións require. Somos unha banda que se construe e deconstrue en sete partes alíquotas de xeito permanente. A criación do grupo baseada nunha xerarquía horizontal garante unha alerta perpetua ante a reiteración e o ensimismamento. Eu diría que temos conseguido un interesante “heptadrilátero” criativo.
Este último disco é o primeiro editado na vossa própria editora. No entanto, a Boa Musica que tinha editado os vossos três discos continua a distribui-lo. O que é que ganham em editar por uma editora própria?
En primeiro lugar a propiedade total dos direitos editoriais da nosa música, e un control total sobre a producción e xestión artística e executiva. En termos subxectivos fai que sintamos este “10.0” como máis próximo. É coma se esta criatura nacera na nosa casa, á vista de todos nós, en lugar da incubadora dun hospital.. E a partires de aí, ti levas o seu proceso de crecímento.. Dalgún xeito “humaniza” ante o noso ollar a súa existencia…
Há uma vontade forte nos BERROGÜETTO em controlarem todo o processo de produção e edição de um disco. É dessa forma que asseguram a vossa própria identidade? Será o “10.0” o assumirem-se como uma banda que gere todo o processo criativo e de produção?
Sí. A intención é suprimir no posible toda intermediación que poda ser asumida de xeito eficiente por BERROGÜETTO. Neste senso contamos na nosa estrutura empresarial con dous profisionais identificados ao cento por cento coa filosofía do grupo. Eles dan cobertura a toda a parte de producción, quedando da man da banda a cuestión artística. Con todo non funcionamos como compartimentos estancos. Todo se opina e debate até cegar ao convencemento colectivo. É unha aposta autoxestionaria que asumimos nun momento de madurez.
Em “Hepta” houve uma série de convidados - da Suécia, da Arménia, da
Hungria. Mas todos eles funcionam mais como um oitavo membro do grupo
BERROGÜETTO do que propriamente um convidado que vem trazer algo de
novo ao som dos BERROGÜETTO. Talvez isso aconteça pelo facto de o vosso som ser universal, utópico, como se de um sonho vosso se tratasse? Pelo facto de se assumirem como BANDA e não como um conjunto de individualidades?
En “Hepta” quixemos traer a nosa música timbres e ollares doutras culturas musicais da Europa, que inicialmente podían semellar moi distantes estéticamente. Mais o criterio que empregamos para buscar colabouras é sempre posterior á elaboración da nosa música. Así, cada tema suxírenos un timbre posible. E detrás do timbre ven o músico,e non ao revés.. Por iso aparece un nickelharpa pegada a un violino e unha zanfona, un cimbalón a unha gaita e un acordeón. Coa idea de sumarse non de destacarse. A nosa música é un mecanismo ensamblado con moitas pezas pequenas. Iso esixe funcionar como un todo que relega as individualidades a un segundo plano. BERROGÜETTO entende a súa música coma o sumatorio das súas sete vontades. Ë posible que haxa algo utópico no noso xeito de funcionar. Cremos que o mundo é mellorábel contando coa mellor vontade e disposición de todos; mais para iso sempre é preciso ter en conta “ao outro” e tamén ao noso entorno…
Demoraram cinco anos a lançar “10.0”, depois de “Hepta”. Porquê tanto tempo? Será que “Hepta” como obra prima que é vos deixou exaustos em termos criativos? Ou tiveram receio de não voltar a fazer um disco tão bom como “Hepta”?
Soemos deixar pasar un ano inteiro despois de cada traballo sen criar nada de xeito colectivo. Iso permítenos gañar certa distancia do feito con anterioridade. A partires daí comezamos a traballar, mais despois do “Hepta” fixemos moitos concertos e iniciamos case todos proxectos persoais. Xunto a isto comezou no grupo un debate sobre a necesidade dun troco na xestión de todo o relacionado coa parte administrativa e de producción. Todo isto sumado, xerou unha importante demora á hora de acometer un novo traballo da banda. A casualidade fíxoo coincidir co noso décimo aniversario… E ademáis somos un grupo que mira e remira o que fai. Até non estarmos completamente convencidos que temos nas nosas mans o disco que queremos non damos por resolto o proceso… Mais non traballamos nunca co medo de non superar a calidade de entregas anteriores. O gosto muda. A música tamén… Nunca se sabe se para mellor ou pior. Nese ponto xa non decidimos nós.
Qual é o segredo da vossa sonoridade em que apesar de irem buscar referências a muitas músicas de outros mundos – klezmer, folk nórdico – há sempre uma sonoridade muito própria associada a um lugar utópico da Galiza (como se fosse uma pequena ilha encravada entre as rias e o atlântico).
O clima, a orografía, os recursos naturais comprometen para sempre a idiosincrasia dun povo. Todos aqueles que nacemos nun ponto determinado do planeta adquirimos unha impronta cultural que nos há acompañar o resto dos nosos dias. Partindo diso é inevitábel entrar en contacto con todo tipo de achegas estéticas. Mais ao final é o noso gosto particular o que decide. Se ese gosto está plenanmente enraizado nunha música concreta, as influenzas pousanse por riba dela actuando coma o glutamato na cociña. Potencian e enriquecen unha estética sonora, mais non a desnaturalizan. No cerne do noso imaxinario colectivo está perennemente presente Galiza e as súas músicas. E orbitando ao seu arredor a búsqueda dunha revisitación contemporánea da mesma, evocadora en parte, telúrica en ocasións, particular sempre.
Porquê o tema “Cracóvia” ser tão terra-a-terra, tão marcadamente klezmer a fazer lembrar os polacos KROKE?
Dez anos de música ao vivo polos camiños da vella Europa dan para moito cnvívio con músicas e músicos. Quixemos neste traballo deixar ao trasluz ese contacto espontáneo e vivo coas influenzas alleas. En Cracovia esa visibilidade faise a flor de pel..
“10.0” parece-me um disco extremamente contemporâneo. Posso chamar-lhe de música “folk”, mas dificilmente o chamo de “música tradicional”. Onde é que a influência da música tradicional galega se encontra nas vossas composições?
BERROGÜETTO non é un grupo de música tradicional. Somos un grupo comprometido coa música galega mais cunha total liberdade de criación. En traballos anteriores existía unha percepción máis clara do noso vencello coa música tradicional. Mais neste “10.0”, tratándose dun disco que celebra dez anos de existencia, pareceunos oportuno reflexar todas as nosas inquedanzas e influenzas posibles. Saínos un traballo onde cada membro do grupo aporta prácticamente dúas composicións. Non hai ninguna melodía tradicional. Con todo cremos que nas nosas composicións hai un pouso estético que fai recoñecible a nosa orixe cultural.. ás veces unha melodía enteira com “Vamosindo”, outras unha frase, outras a ornamentación, outras o fraseo…
É verdade que tem havido ao longo da vossa carreira restrições por parte da Rádio Nacional de Espanha (excepção feita a alguns programas específicos da Rádio 3) em divulgar a vossa música porque os vossos temas são cantados em galego?
Mais que con Radio Nacional de España, as radios privadas con espacios de radio-fórmula non inclúen as linguas co-oficicias do estado como son o catalán, o Euskera e o galego. Cremos que inda existe un longo treito que percorrer no espazo democrático español para normalizar a presenza das linguas minoritarias do estado.
Como vêem a evolução da música galega ao fim destes 10 anos? Haverá demasiados grupos a apostar numa sonoridade ligada ao atlântico-norte – vulgo “celta”? Haverá pouca gente a procurar re-interpretar a música rural galega, dos cegos e das tabernas?
Temos unha visión moi positiva da evolución experimentada pola música galega nestes dez anos. Eu diría que se pasou dunha visión exclusivamente celto-atlántica a prantexamentos que evolúen a partires de patróns estéticos máis próximos á nosa tradición musical. Inda que é certo que se mantén certa querencia polo atlantismo, moitos grupos e solistas foron quen de consolidaren propostas propias e sólidas. Grazas a isto contamos hoxe cunha xeración de músicos que ocupan todo o abano imaxinabel, desde o máis tradicional ao máis contemporáneo, pasando en ocasións pola mestizaxe coherente, veña de onde veña.. E amáis diso contamos co encomiébel traballo de moita xente que a nivel particular e sen ningún tipo de axudas teñen feito un extraordinario traballo de campo que rescata para a sociedade un patrimonio etnográfico que doutro xeito sería perdido.. Si é certo que o folc pode ter ocupado en parte o espazo social que antano ocupaba a música tradicional. Quere dicir isto que o folc comeza a ser saída natural para a xente formada no eido tradicional. Deste xeito temén se asegura un grande coñecemento da materia prima antes de poñerse a criar propostas proprias.
Foste colega de CARLOS NÚÑEZ, quando estudavas gaita de foles. Penso que vocês eram os dois melhores alunos. Como comentas os caminhos tão distantes que tu (com os BERROGÜETTO e integrado numa banda) e o CARLOS com os seus projectos a solo traçaram, depois de terem também estado juntos nos MATTO CONGRIO?
Coincidimos e medramos xuntos baixo a ollada de ANTÓN CORRAL, mestre artesán e gaiteiro que coa súa vinda á escola de Artes de Vigo catalizou en grande medida o devir do mundo da gaita na bisbarra de Vigo. Logo da nosa estadía no “Grupo Didáctico de Instrumentos Populares Galegos” fundamos xunto a Santiago Cribeiro o grupo “MATTO CONGRIO”. Aquilo foi un laboratorio de experimentación para nós. Buscábamos achegar a nosa música a un público máis amplo, con resoancias actualizadas e mesmo con fusións estilísticas atrevidas para a década dos noventa que daquela comezaba. Pouco a pouco xurdiu en cada un de nós un temperamento músical diverxente. Isto levounos por camiños separados desde o 95. O CARLOS é un intérprete extraordinario tanto na frauta coma na gaita. Era normal que se prantexara a súa carreira en solitario. Eu gosto simplemente de tocar e componer música mediante unha forma de expresión colectiva. Supoño que os dous temos conseguido o que soñabamos cando tocábamos xuntos.
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Intercéltico de Sendim defende língua mirandesa com legião espanhola
August 3, 2006

LUNASA
Fermosellle, localidade raiana de Terras de Sayago, recebe hoje a abertura da Sétima edição do Festival Intercéltico de Sendim, organizado pelo Centro de Música Tradicional Sons da Terra de Mário Correia e pela Associação de Juventude de Sendim Mirai Qu’Alforjas. No palco da Plaza Calvo Sotelo estarão os locais TAMBORILEROS DE FERMOSELLE e os asturianos DRD.
Amanhã, já na vila mirandesa de Sendim, os GAITEIROS DE CONSTANTIM (Terras de Miranda) responsabilizam-se pela animação de rua e por chamar os “folqueiros” ao Parque das Eiras para assistir à apresentação ao vivo do disco “Molinos de L Brosque” (recentemente editado pela Sons da Terra) do gaiteiro e tamborileiro (também de Constantim) CÉLIO PIRES. Seguem-se os HEXACORDE com VANESSA MUELA de Leão e Castela e os únicos representantes das ilhas britânicas neste festival: os irlandeses LUNASA. Num panorama menos dado à subtileza técnica de uma notável rapidez de execução, de interpretação empolgante de “medleys” a várias velocidades, de um profundo respeito pela tradição musical irlandesa, eis um verdadeiro oásis. Em Sendim apresentam o mais recente álbum “Se”. Um disco que procura alargar horizontes estender pontes com o norte de Espanha, a Bretanha e a música Klezmer.
Sábado, o dia começa bem cedo JAMBRINA & MADRID (Castela / Leão) no Salão da Junta. Na ruas de Sendim haverá folia com TAMBORILEROS DE FERMOSELLE, BANDAS DE GAITAS & TAMBORES BEATO FRAY e PEDRO SOLER (Múrcia). Á noite, o Palco das Eiras recebe os MIELOTXIN (Navarra), a música utópica dos galegos BERROGUËTTO e a folk ‘mainstream’ do astruriano HEVIA.
Os BERROGUËTTO de longe a proposta mais interessante da folk galega da actualidade. Em 10 anos de existência editaram apenas três discos. Vagar compensado com a máxima criatividade potenciada no álbum “Hepta”, onde os encontramos a lidar com várias artes (arquitectura, pintura, fotografia) e em presença de bos e educados amigos: Djivan Gasparian (duduk) da Arménia, Markus Svensson (nickelharpa) da Suécia e Kalman Balogh (Cimbalom) da Hungria. 2006 é um ano de celebração. Não só pelos 10 anos, como pelas duas edições discográficas “10.0” e “DeSolASons”.
Actividades paralelas:
Para além das noites da Taberna dos Celtas que se estendem até o sol raiar e são dominadas pela informalidade dos músicos participantes, há também exposições de Gaita de Foles e em memória de ZECA AFONSO, mostra fotográfica de “instrumentos musicais populares em contexto religioso na terra de Miranda”, mostra de cartazes do Intercéltico da autoria dos alunos da escola EB 2,3 de Sendim, oficina de língua mirandesa por AMADEU FERREIRA, estudioso deste segundo idioma oficial em Portugal, as tertúlias Carreira de la Lhengua, com poesia, lhonas, cuntas e lindainas, visitas arqueológicas aos Santuários Rupestres Pré-históricos de Ifanes, Vila Chã da Braciosa e Palaçoulo, o tradicional “Cortejo dos Ranacalhos” e a Missa Solene de Andavias, costume religioso oriundo da região espanhola de Zamora que decorrerá, já no Domingo, na igreja paroquial de Sendim.
Mais informação em www.intercelticosendim.com
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