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CHIRGILCHIN em Lisboa, Leiria, Braga e Coimbra

February 21, 2007

Onde, exactamente, fica Tuva? Chirgilchin, mestres absolutos da sofisticada arte do Throat Singing, apresentam-se de novo em Portugal. Após um concerto avassalador, no Verão passado em Montemor-o-Velho, como convidados da conceituada artista multimédia norte-americana Laurie Anderson, o ensemble de Tuva realiza uma série de espectáculos no nosso país.

Arte ancestral, mágica e repleta de enigmas e mistérios, o throat singing de Tuva representa uma das mais fascinantes formas musicais em vias de extinção. Baseando a sua arte numa sofisticada técnica em que são explorados os harmónicos vocais, manipulando volume e timbre com a posição da boca e da lingua, os representantes desta arte causaram grande impacto no Ocidente pela espectacularidade das suas actuações.

Os Chirgilchin praticam cinco variantes diferentes do throat singing (entre os quais, o mais célebre khoomei), que é, numa análise genérica, uma forma de canto tradicional que se desmultiplica em várias tonalidades vocais (algumas delas meramente apoiadas em vogais) que vão além do nosso imaginário convencional. A sua música de montanha de efeitos etéreos, com semelhanças com a música mongol e até com os cantos budistas tibetanos, é um mistério que só agora começa a ser desvendado entre nós.

Com a queda da União Soviética em 1991, a música ancestral da isolada República russa de Tuva (situada na Ásia Central, entre a Mongólia e a Sibéria) recuperou a margem de progressão e a antiga identidade, e hoje as digressões mundiais de diversos grupos da musicalmente fértil cidade de Kyzyl (a capital de Tuva) são comuns. Dessa vaga, os multi-premiados Chirgilchin são o nome mais emergente.

22 de Fevereiro | Cinema São Jorge | Lisboa
23 de Fevereiro | Teatro José Lúcio da Silva | Leiria
24 de Fevereiro | Theatro Circo | Braga
26 de Fevereiro | TAGV | Coimbra

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[Instantâneos] HEDNINGARNA

February 14, 2007


ANDERS NORRUDE e CHRISTIAN SVENSSON em Las Rozas (arredores de Madrid) | 10FEV07 | (c) David Macosas - www.macosas.com

  • Os HEDNINGARNA passaram este fim-de-semana por Espanha para um concerto único em Las Rozas. Regressam ao país vizinho depois do verão. David Macosas relata como foi o concerto de sábado.

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Os sete ofícios de JÚLIO PEREIRA

February 14, 2007

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Ilustração da região do Baixo Alentejo impressa na capa do disco “Miradouro”

Encontra-se em fase de masterização o novo álbum de JÚLIO PEREIRA que conta com as participações vocais de SARA TAVARES e MARISA PINTO do projecto de “nu fado” DONNA MARIA. “Este é o meu regresso aos discos enquanto instrumentista, porque os dois primeiros [“Faz de Conta” e “Rituais”] foram mais de produção”, explicou o músico à agência Lusa. Neste disco, ainda sem data de edição anunciada, JÚLIO PEREIRA (bandolim) é acompanhado por BERNARDO COUTO (guitarra porutguesa) e MIGUEL VERAS (viola), numa parceria inédita em termos de trabalho em estúdio.

O músico que já tocou com os CHIEFTAINS, encontra-se também a preparar um novo espectáculo de apresentação deste novo trabalho e anda à procura de uma nova voz feminina. Até ao final de Fevereiro, decorre um “casting” dirigido a todas as “jovens cantoras urbanas (mas sem voz urbana)”. Não importa o “género musical de onde venha”, refere o comunicado, o importante é sobretudo “gostar da nossa música tradicional”. As candidatas devem enviar nome, idade, foto, experiência, disponibilidade e, se possível, um Mp3 e contacto para: vozcasting@gmail.com.

Esta semana, o músico que recuperou vários cordofones portugueses, tem estado a colaborar no filme “Fados” do realizador espanhol CARLOS SAURA, tendo feito arranjos de bandolim para o tema “Fado Tropical” que é hoje gravado em Madrid, em conjunto com CHICO BUARQUE e CARLOS DO CARMO.

A Lusa refere ainda que JÚLIO PEREIRA tem estado a desenvolver uma mapa ilustrado de Portugal na internet, desenhado por Henrique Cayatte, com referências à nossa etnografia musical portuguesa, que recupera desenhos publicados há cerca de 20 anos, na capa do álbum “Miradouro”. O projecto deverá estar pronto no final do ano (cuja primeira versão é já possível consultar na página da Internet do músico), conta com a colaboração do Instituto Camões e é dirigido sobretudo para o público escolar em Portugal e no estrangeiro. Os textos de João Luís Oliva explicam o que são os Zés Pereiras, o que é a dança fandango e o canto de trabalho leva-leva.

Júlio Pereira irá interpretar músicas típicas de todas as regiões de Portugal continental, com os temas a serem disponibilizados para audição no futuro site do mapa.

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[entrevista NICK GOLD] “Buena Vista” para o negócio dos discos II

February 14, 2007

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NICK GOLD com RÚBEN GONZÁLEZ | (c) Christina Jaspars

[2ª parte]

Muitos dos artistas que mais discos venderam por infelicidade já faleceram. Há também músicos em idade avançada. Não será necessário pensar numa certa renovação do catálogo da World Circuit?

De momento estou no meio de quatro projectos e com músicos que não estão em idade assim tão avançada. Acabámos de gravar um disco a solo de TOUMANI DIABATÉ só com kora. Penso que é um disco extraodinário. Tenho-o ouvido vezes sem conta. Cheio de “groove”, de belas melodias e de improvisos. TOUMANI não é assim tão velho. Estou também a trabalhar num novo disco da OUMOU SANGARÉ. Terminou ontem [dia 5 de Dezembro de 2006] as gravações e estou à espera de as receber. Ela tem estado a trabalhar com instrumentos mais tradicionais. Grandes balafons bambara a fazer de “sub bass” e com mais n’gonis a fazer de baixo. Tem feito um esforço por inovar. Vamos começar a gravar no final de Janeiro um novo disco da ORCHESTRA BAOBAB com novas composições, pela primeira vez, em 20 anos. Estamos também a gravar um novo disco com a DIMI MINT ABBA da Mauritânia com quem trabalhámos há muito tempo. Há agora muito material novo. No ano passado perdemos o ANGA DIAZ e foi terrível. Ele estava com num novo projecto inovador ao nível da percussão. Tínhamos imensa curiosidade para ver o que ele iria fazer a seguir. Tenho ainda estado a falar com novos artistas mas não há nada em concreto, para já. Não ando à procura de algo novo. Os músicos com quem trabalho recomendam outros músicos. Sabemos que algo virá.

Tanto AFEL BOCOUM como VIEUX FARKA TOURÉ são os músicos que actualmente carregam o legado de ALI FARKA TOURÉ. Como é que vê o facto de não ter editado os discos que saÍram há pouco tempo de um e de outro artista. Afinal, são músicos que já trabalharam consigo.

Houve um pequeno desentendimento com o AFEL. Ele enviou-nos demos eu ouvi-as e fui dizendo para modificar aqui e ali algumas coisas. Ele voltou a enviar-me novas demos e eu acabei por não as receber. Nessa altura andava a viajar muito e houve falhas na comunicação e ele pensou que eu talvez não estivesse interessado. Começou a trabalhar com o Michel [da editora belga Contre Jour] que é óptimo. Tem feito muito bom trabalho. Com o VIEUX foi muito diferente. Quando olho para a música dele penso que nunca irá haver outro ALI. A música dele é diferente e ele precisa de ser visto como uma individualidade. Tem de ser ele próprio. Temos trabalhado com o VIEUX ao nível do publishing. O próprio pai considerava que ele tinha de seguir o seu próprio pé e que precisava de encontrar algo para ele. Ele também pensava que ao trabalhar connosco pudesse ficar rotulado como o “next” ALI.

Apenas coloquei esta questão porque o VIEUX participou em “Savane” e o ALI FARKA TOURÉ também participou nas gravações do disco do seu filho.

Claro que haverá sempre uma ligação. Ele era seu pai, vivia com ele e exerceu uma grande influência sobre ele. Mas há também muitas editoras no mercado. Quem está a trabalhar com o VIEUX é uma editora de um rapaz novo americano. A esse nível, é fantástico encorajá-los. Se este disco for um sucesso terei imensa curiosidade em saber o que vão fazer a seguir. Há muitos projectos a decorrer. Na World Circuit, em termos logísiticos, só podemos editar quatro a cinco discos por ano. Se começarmos a gravar mais discos a qualidade será menor.

Penso que tem ainda em mãos a edição de um outro disco do ALI FARKA TOURÉ e do TOUMANI DIABATÉ gravado também com o cubano CACHAÍTO LOPEZ.

Depois de termos feito o “Heart of The Moon” pensámos que isto era o início. Que poderíamos fazer muito mais. O ALI encontrava-se em digressão e tinha uns dias livres. O TOUMANI estava com ele e pensámos em aproveitar esse tempo para entrar em estúdio. Chamámos o CACHAITO que viajou de Havana até Londres e os três tiveram em estúdio durante dois a três dias. Este disco é muito diferente do “Heart of The Moon” em que muito do reportório é mandinga. Neste há mais repertório sonrai e peul. Há também música mandinga que o ALI trouxe da Guiné e não tanto do legado do TOUMANI. O ALI tocou uma canção que aprendeu com o guineense KEITA FODEBA e o TOUMANII e o CACHAITO juntaram-se de imediato. Há mais temas cantados. O ALI cantou nessa canção. Porque o CACHAITO ali estava, o ALI também cantou uma canção cubana que costumava cantar nos anos 60. A mÚsica cubana sempre foi muito popular no Mali. Ele cantava-a na língua sonrai. É uma espécie de salsa-sonrai e isso fez com que experimentassem também a rumba zairense. Há mais variedade de estilos e há mais experimentação. Há também outro material mais minimalista e atmosférico e menos melódico. O TOUMANI também toca de outra forma. É um disco mais reflexivo.

Quando é que pretende lançar esse disco?

Bom. É muito difícil dizer. Tenho uma série de discos para lançar. O disco a solo do TOUMANI já está pronto. Há medida que iam gravando o disco Íamos conversando e o ALI dizia-nos que queria coros numa ou noutra canção. Havia também um tema mais lento que sugeri que se gravasse uma marimba. Há “overdubs”. Mas não sei ainda como será a edição. Vamos talvez editar em formato duplo. Um puro, só com guitarra, kora e baixo e o outro com todos os”overdubs” incluídos. Algumas canções podem ainda levar uma orquestra. É um disco que ainda não está completo. Queria editar já o disco a solo do TOUMANI mas ainda estamos a trabaLhar de forma árdua com o projecto da SYMMETRIC ORCHESTRA. Ele levou cerca de 15 ou 16 anos a construir este projecto. É fantástico. Penso que precisa ainda de mais exposição. Se editarmos já o disco a solo, as pessoas perdem o interesse na orquestra. Provavelmente vamos lançar este disco lá para Setembro, Outubro porque a SYMMETRIC ORCHESTRA irá tocar muito durante o Verão.

Irá continuar a ir a África ou a Cuba gravar novos discos? Penso que, da forma como as coisas estão na obtenção de vistos, acaba por se tornar mais fácil ir ao local onde os vivem os músicos para se gravarem os discos.

É verdade. No verão queríamos trazer a Londres a DIMMI MINT ABBA e os seus músicos (eram sete ao todo) para gravar parte do novo disco. Tínhamos imensos planos para a levar também aos Proms, à BBC 3, ao Womad. DIMI é uma estrela na Mauritânia. Uma cantora clássica e o governo britânico não concedeu visas a alguns dos músicos. Tínhamos visas para três mas recusaram dar aos restantes quatro sob o pretexto de não terem a sua própria conta bancária na Mauritânia. Há imensa gente que não tem conta bancária na Mauritânia. É embaraçoso estar a convidar uma pessoa para vir ao nosso país e o governo negar a sua entrada. Mas ela veio e deu os espectáculos com os dois músicos que também vieram, mas não conseguimos acabar o disco. Tem razão. Por causa dos problemas de imigração temos definitivamente de ir à Mauritânia terminar as gravações. Há a desvantagem de no local, por vezes, não termos a sala certa para gravar. Mas há a grande vantagem de termos fácil acesso a músicos. Quando estava a gravar com o ALI no Mali, ele precisou de um músico que tocasse njarka num estilo diferente do dele.

Foi fácil encontrá-lo em Niafunké. O que faríamos se estivéssemos em Londres? Há, de facto, muito mais fácil acesso aos músicos.
Com a SYMMETRIC ORCHESTRA era logisticamente impossível trazer 20 músicos a Londres. Agora podemos trazê-los porque eles andam em digressão, mas naquela altura era difícil. Tínhamos de acabar também o disco do ALI e do TOUMANI. Não estava muito confiante que o pudéssemos terminar em Bamako. Mas o ALI sabia que iria concluir o disco. Mais do que eu ou do que o TOUMANI. Eu estava preocupado com o tempo que eles tinham para ensaiar o repertório e o ALI disse-me: - somos profissionais, não precisamos de ensaiar. Ele tinha razão. Tocou todo este repertório mandinga e surpreendeu o TOUMANI. Ele não sabia que o ALI tocava tão bem esses temas.
Cheguei a passar dois ou três dias em estúdio com o ALI e não surgia nada. No dia seguinte tinha 10 temas gravados. Com ele tínhamos de carregar no botão de gravação antes de ele começar a tocar. Tínhamos de estar preparados para ele.

Como está o processo da Fundação ALI FARKA TOURÉ?

De momento estamos num processo de discussão de ideias. Porque o ALI tinha muitos interesses e era conhecido por muitas coisas. Por atravessar fronteiras, por levar a sua música para fora do seu país, por modernizar a música das tribos sonrai e peul, por ajudar a região onde vivia. De momento, a Fundação está a ser criada e estamos a ver para onde caminhará. É o problema de trabalharmos em memória de alguém que tinha tantos ideais e interesses.

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[entrevista NICK GOLD] “Buena Vista” para o negócio dos discos II

February 14, 2007

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NICK GOLD com RÚBEN GONZÁLEZ | (c) Christina Jaspars

[2ª parte]

Muitos dos artistas que mais discos venderam por infelicidade já faleceram. Há também músicos em idade avançada. Não será necessário pensar numa certa renovação do catálogo da World Circuit?

De momento estou no meio de quatro projectos e com músicos que não estão em idade assim tão avançada. Acabámos de gravar um disco a solo de TOUMANI DIABATÉ só com kora. Penso que é um disco extraodinário. Tenho-o ouvido vezes sem conta. Cheio de “groove”, de belas melodias e de improvisos. TOUMANI não é assim tão velho. Estou também a trabalhar num novo disco da OUMOU SANGARÉ. Terminou ontem [dia 5 de Dezembro de 2006] as gravações e estou à espera de as receber. Ela tem estado a trabalhar com instrumentos mais tradicionais. Grandes balafons bambara a fazer de “sub bass” e com mais n’gonis a fazer de baixo. Tem feito um esforço por inovar. Vamos começar a gravar no final de Janeiro um novo disco da ORCHESTRA BAOBAB com novas composições, pela primeira vez, em 20 anos. Estamos também a gravar um novo disco com a DIMI MINT ABBA da Mauritânia com quem trabalhámos há muito tempo. Há agora muito material novo. No ano passado perdemos o ANGA DIAZ e foi terrível. Ele estava com num novo projecto inovador ao nível da percussão. Tínhamos imensa curiosidade para ver o que ele iria fazer a seguir. Tenho ainda estado a falar com novos artistas mas não há nada em concreto, para já. Não ando à procura de algo novo. Os músicos com quem trabalho recomendam outros músicos. Sabemos que algo virá.

Tanto AFEL BOCOUM como VIEUX FARKA TOURÉ são os músicos que actualmente carregam o legado de ALI FARKA TOURÉ. Como é que vê o facto de não ter editado os discos que saÍram há pouco tempo de um e de outro artista. Afinal, são músicos que já trabalharam consigo.

Houve um pequeno desentendimento com o AFEL. Ele enviou-nos demos eu ouvi-as e fui dizendo para modificar aqui e ali algumas coisas. Ele voltou a enviar-me novas demos e eu acabei por não as receber. Nessa altura andava a viajar muito e houve falhas na comunicação e ele pensou que eu talvez não estivesse interessado. Começou a trabalhar com o Michel [da editora belga Contre Jour] que é óptimo. Tem feito muito bom trabalho. Com o VIEUX foi muito diferente. Quando olho para a música dele penso que nunca irá haver outro ALI. A música dele é diferente e ele precisa de ser visto como uma individualidade. Tem de ser ele próprio. Temos trabalhado com o VIEUX ao nível do publishing. O próprio pai considerava que ele tinha de seguir o seu próprio pé e que precisava de encontrar algo para ele. Ele também pensava que ao trabalhar connosco pudesse ficar rotulado como o “next” ALI.

Apenas coloquei esta questão porque o VIEUX participou em “Savane” e o ALI FARKA TOURÉ também participou nas gravações do disco do seu filho.

Claro que haverá sempre uma ligação. Ele era seu pai, vivia com ele e exerceu uma grande influência sobre ele. Mas há também muitas editoras no mercado. Quem está a trabalhar com o VIEUX é uma editora de um rapaz novo americano. A esse nível, é fantástico encorajá-los. Se este disco for um sucesso terei imensa curiosidade em saber o que vão fazer a seguir. Há muitos projectos a decorrer. Na World Circuit, em termos logísiticos, só podemos editar quatro a cinco discos por ano. Se começarmos a gravar mais discos a qualidade será menor.

Penso que tem ainda em mãos a edição de um outro disco do ALI FARKA TOURÉ e do TOUMANI DIABATÉ gravado também com o cubano CACHAÍTO LOPEZ.

Depois de termos feito o “Heart of The Moon” pensámos que isto era o início. Que poderíamos fazer muito mais. O ALI encontrava-se em digressão e tinha uns dias livres. O TOUMANI estava com ele e pensámos em aproveitar esse tempo para entrar em estúdio. Chamámos o CACHAITO que viajou de Havana até Londres e os três tiveram em estúdio durante dois a três dias. Este disco é muito diferente do “Heart of The Moon” em que muito do reportório é mandinga. Neste há mais repertório sonrai e peul. Há também música mandinga que o ALI trouxe da Guiné e não tanto do legado do TOUMANI. O ALI tocou uma canção que aprendeu com o guineense KEITA FODEBA e o TOUMANII e o CACHAITO juntaram-se de imediato. Há mais temas cantados. O ALI cantou nessa canção. Porque o CACHAITO ali estava, o ALI também cantou uma canção cubana que costumava cantar nos anos 60. A mÚsica cubana sempre foi muito popular no Mali. Ele cantava-a na língua sonrai. É uma espécie de salsa-sonrai e isso fez com que experimentassem também a rumba zairense. Há mais variedade de estilos e há mais experimentação. Há também outro material mais minimalista e atmosférico e menos melódico. O TOUMANI também toca de outra forma. É um disco mais reflexivo.

Quando é que pretende lançar esse disco?

Bom. É muito difícil dizer. Tenho uma série de discos para lançar. O disco a solo do TOUMANI já está pronto. Há medida que iam gravando o disco Íamos conversando e o ALI dizia-nos que queria coros numa ou noutra canção. Havia também um tema mais lento que sugeri que se gravasse uma marimba. Há “overdubs”. Mas não sei ainda como será a edição. Vamos talvez editar em formato duplo. Um puro, só com guitarra, kora e baixo e o outro com todos os”overdubs” incluídos. Algumas canções podem ainda levar uma orquestra. É um disco que ainda não está completo. Queria editar já o disco a solo do TOUMANI mas ainda estamos a trabaLhar de forma árdua com o projecto da SYMMETRIC ORCHESTRA. Ele levou cerca de 15 ou 16 anos a construir este projecto. É fantástico. Penso que precisa ainda de mais exposição. Se editarmos já o disco a solo, as pessoas perdem o interesse na orquestra. Provavelmente vamos lançar este disco lá para Setembro, Outubro porque a SYMMETRIC ORCHESTRA irá tocar muito durante o Verão.

Irá continuar a ir a África ou a Cuba gravar novos discos? Penso que, da forma como as coisas estão na obtenção de vistos, acaba por se tornar mais fácil ir ao local onde os vivem os músicos para se gravarem os discos.

É verdade. No verão queríamos trazer a Londres a DIMMI MINT ABBA e os seus músicos (eram sete ao todo) para gravar parte do novo disco. Tínhamos imensos planos para a levar também aos Proms, à BBC 3, ao Womad. DIMI é uma estrela na Mauritânia. Uma cantora clássica e o governo britânico não concedeu visas a alguns dos músicos. Tínhamos visas para três mas recusaram dar aos restantes quatro sob o pretexto de não terem a sua própria conta bancária na Mauritânia. Há imensa gente que não tem conta bancária na Mauritânia. É embaraçoso estar a convidar uma pessoa para vir ao nosso país e o governo negar a sua entrada. Mas ela veio e deu os espectáculos com os dois músicos que também vieram, mas não conseguimos acabar o disco. Tem razão. Por causa dos problemas de imigração temos definitivamente de ir à Mauritânia terminar as gravações. Há a desvantagem de no local, por vezes, não termos a sala certa para gravar. Mas há a grande vantagem de termos fácil acesso a músicos. Quando estava a gravar com o ALI no Mali, ele precisou de um músico que tocasse njarka num estilo diferente do dele.

Foi fácil encontrá-lo em Niafunké. O que faríamos se estivéssemos em Londres? Há, de facto, muito mais fácil acesso aos músicos.
Com a SYMMETRIC ORCHESTRA era logisticamente impossível trazer 20 músicos a Londres. Agora podemos trazê-los porque eles andam em digressão, mas naquela altura era difícil. Tínhamos de acabar também o disco do ALI e do TOUMANI. Não estava muito confiante que o pudéssemos terminar em Bamako. Mas o ALI sabia que iria concluir o disco. Mais do que eu ou do que o TOUMANI. Eu estava preocupado com o tempo que eles tinham para ensaiar o repertório e o ALI disse-me: - somos profissionais, não precisamos de ensaiar. Ele tinha razão. Tocou todo este repertório mandinga e surpreendeu o TOUMANI. Ele não sabia que o ALI tocava tão bem esses temas.
Cheguei a passar dois ou três dias em estúdio com o ALI e não surgia nada. No dia seguinte tinha 10 temas gravados. Com ele tínhamos de carregar no botão de gravação antes de ele começar a tocar. Tínhamos de estar preparados para ele.

Como está o processo da Fundação ALI FARKA TOURÉ?

De momento estamos num processo de discussão de ideias. Porque o ALI tinha muitos interesses e era conhecido por muitas coisas. Por atravessar fronteiras, por levar a sua música para fora do seu país, por modernizar a música das tribos sonrai e peul, por ajudar a região onde vivia. De momento, a Fundação está a ser criada e estamos a ver para onde caminhará. É o problema de trabalharmos em memória de alguém que tinha tantos ideais e interesses.

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[Instantâneos] VIEUX FARKA TOURÉ

February 13, 2007

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VIEUX FARKA TOURÉ no Joe’s Pub de Nova Iorque, a 10FEV07 | (c) Richard Termine para o New York Times

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[entrevista com NICK GOLD] “Buena Vista” para o negócio do disco

February 13, 2007

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NICK GOLD com ALI FARKA TOURÉ e TOUMANI DIABATÉ | (c) Christina Jaspars

A World Circuit é, provavelmente, a mais importante editora de músicas do mundo da actualidade. De há uns tempos para cá (sobretudo depois de gerido todo o sucesso causado pelo êxito de multi-platinado Buena Vista Social Club) tem tratado cada nova edição com extremo cuidado, quer na método de gravação dos discos (se possível no local onde os músicos vivem), quer no trabalho gráfico das capas, quer através de uma rígida estratégia de lançamento espaçada no tempo (que não permite mais do que cinco edições anuais) e na selecção de um lote restrito de notáveis músicos. NICK GOLD, o “manager” de ouro da World Circuit, esteve em Portugal no passado dia 6 de Dezembro e falou com as Crónicas da Terra.

Como um dos fundadores da World Circuit, a par de Anne Hunt e Mary Farquharson, gostava de saber o que o motivou para começar a trabalhar com músicos africanos e latino-americanos numa altura em que o mercado era dominado por músicos de origem anglo-saxónica?

Entrei para a a World Circuit porque houve uma iniciativa com uma organização de música comunitária. Nessa altura trabalhava em lojas de discos de jazz. Ampliava a minha colecção de discos. Eram tempos de trabalho mais livre. Vendia discos e trabalhava também em várias escolas. Esperava ser professor de instrução primária e fazia trabalho de voluntariado para a Music Community. Ajudava-os com as “tournées”, a levar música às escolas e eles recomendaram-me que falasse com as pessoas da Arts Worldwide que faziam concertos por todo o Reino Unido. A ideia era levar músicos a localidades onde eram desconhecidos. A única qualificação que estes artistas teriam de ter para fazer parte desta rede era a sua excelência artística. Fazíamos concertos com músicos do Sudão, Venezuela, Índia, de qualquer parte. Depois dos concertos as pessoas muito entusiasticamente perguntavam-nos por discos dos artistas. Mas não haviam discos. Decidimos criar a World Circuit. E a ideia era trazer estes artistas de um circuito local para o circuito mundial. E então encontrei-me com estas senhoras. Elas não tinham experiência de gerir uma editora e precisavam de alguém que o fizesse. Sabiam que eu tinha experiência em organizar concertos, trabalhar em lojas de discos, mas que nunca tinha gerido uma editora. No início tinha de fazer tudo, ajudar na execução das capas de discos, encontrar distribuidores, promover os artistas junto da imprensa. Fazer mesmo de tudo. Até mesmo embalar caixas de discos e enviá-los aos distribuidores. Mas foram momentos fantásticos em que as pessoas começaram pela primeira vez a interessar-se verdadeiramente por este tipo de música. Havia muitas pequenas editoras nesta altura e a maioria delas editava música africana e latino-americana. Gostei muito, apesar de trabalhar muito e ser remunerado de forma simbólica.

Tinha sido estudante de Assuntos Africanos, verdade?

O meu curso versava sobre História Africana. Na área de história, a universidade é dividida em diferentes escolas: a escola de estudos anglo-americanos, estudos das nações africanas e estudos europeus. Frequentei a escola do estudo das nações africanas. Estudei sobretudo a história de África. Mas não sabia o que fazer nessa altura. Trabalhava numa loja de discos e esperava ser professor quando a oportunidade de vir para a World Circuit surgiu. Tinha alguns conhecimentos de África, mas algo limitados porque o que fazíamos na Universidade era estudar teorias do colonialismo e do pós-colonialismo. Não havia o conhecimento de África. Outro dos cursos que fiz foi o de literatura africana e esse deu-me grandes bases. Nesse tempo começava a ouvir-se música africana em Inglaterra. King Sunny Ade assinava contrato com a Island Records. Havia concertos em Londres de Youssou N’Dour. Havia já um grande interesse da minha parte na música africana e no jazz.

Esses foram tempos em que Mory Kante editou o grande hit “Yeke Yeke”. O público em geral parecia mostrar-se interessado pela música africana…

Sim. Exactamente nessa altura. Não fomos a editora que começou a lançar música africana, fomos uma das editoras interessadas nessa área. Mas em Inglaterra, o King Sunny Ade teve mais sucesso do que o Mory Kante que foi um fenómeno sobretudo em França.

A editora do Mory Kante – Barclay - também era francesa. Parece que nesse tempo havia uma distinção na música africana produzida por ingleses e franceses. Agora isso não se nota tanto.

É difícil para mim ver o que se passa noutras editoras. Estou sempre tão consumido com o trabalho na World Circuit. Por vezes sinto-me envergonhado e ignorante quando por vezes me perguntam o que acho sobre o trabalho de determinada editora. Muitas vezes não faço ideia porque estou muito concentrado no trabalho com os nossos artistas.

Parece-me que a edição e o sucesso do Buena Vista Social Club marcaram de forma determinante a política de edições da World Circuit. Parece-me haver um pré e um pós- Buena Vista. Antes, o espectro de artistas era muito maior, as edições aconteciam com muito mais frequência e depois disso passaram a estar mais localizadas no Mali, no Senegal e em Cuba e em menor quantidade.

É interessante e é verdade. Não reparei nisso até editar a compilação dos 20 anos de World Circuit. Nos primeiros anos o espectro era muito mais alargado. O que aconteceu foi natural. Muitos dos músicos com quem fomos trabalhando foram recomendando outros artistas.ALI FARKA TOURÉ recomendou-nos a OUMOU SANGARÉ, o TOUMANI DIABATÉ, a DIMI MINT ABBA da Mauritânia, o AFEL BOCOUM. ALI arranjou-nos quatro artistas e a maioria deles malianos. Quanto mais trabalho com artistas do Mali mais me interesso pela música do Mali. O mesmo aconteceu com o Senegal ao trabalhar com a ORCHESTRA BAOBAB e com o CHEIKH LO. Quanto ao caso cubano… enquanto lá estive durante três semanas encontrei numa mesma sala um lote de artistas incríveis. CACHAITO, GUAJIRO, COMPAY, IBRAHIM, ELIADES…

Deve ter pensado que tinha ali trabalho para uns bons anos.

O que aconteceu foi sentir haver ali muitas possibilidades de discos distintos. Gravámos o Buena Vista mas fiquei triste de não gravar mais com o ELIADES OCHOA. Por exemplo, ao ouvir o disco do RUBEN GONZÁLEZ, posso ouvi-lo para sempre. Tanto IBRAHIM como COMPAY eram músicos muito especiais por quem facilmente nos apaixonávamos. Quando o CACHAITO testava o seu contra-baixo com a secção rítmica, sentia que aquilo era fantástico e que daria um outro projecto distinto. Dali não vi apenas um bom disco, mas uma série de bons e distintos projectos. Mais do que centrarmos atenções numa determinada área geográfica começámos a trabalhar mais com artistas individuais. Comecei a compreender melhor aquela música. E isso leva muito tempo a perceber o que é possível fazer. Quando entras pela primeira vez no Mali ou em Cuba podes pensar que conheces e compreendes a sua música. Mas é muito complexa. Há um grande e distinto lote de estrelas. Quanto mais fundo cavas… Os discos também levam mais tempo a fazer porque agora temos mais dinheiro e por isso podemos experimentar mais. Talvez tenhamos um nível de perfeccionismo acrescido porque quando atingimos um bom nível vamos querer mantê-lo. E os discos começaram a levar mais tempo a serem produzidos. Por exemplo, quando lançámos o último disco da OUMOU SANGARÉ pensámos em como poderíamos diferenciá-lo dos outros três que tínhamos editado antes. No Mali, os textos podem determinar diferenças entre os discos, mas nós não compreendemos os textos escritos no Mali. Mesmo que os expliquemos não é a coisa principal para a audiência ocidental. É a música. Falo por mim que passei muito tempo a ouvir jazz e o que considerava importante era a música, não os textos. Posso ouvir a voz como mais um instrumento. Também não gravamos apenas um disco e avançamos logo para o próximo. Tantamos trabalhar em todas as áreas com todos os artistas. Na capa, nos textos, nas relações com a imprensa e nas digressões. Trabalhamos muito com agentes de espectáculos.

O facto de o Buena Vista Social Club ter vendido milhões de cópias deu-vos outra responsabilidade. É essa responsabilidade e necessidade de manter elevada a qualidade das edições que faz com que todas elas tenham capas muito bem cuidadas, que cada nova edição volte a ser uma edição de luxo.

O Buena Vista mudou a forma de fazermos as coisas, mas talvez antes não o pudéssemos fazer. A ambição sempre se manteve. Parte da ideia era fazer a capa o mais bonito que pudéssemos, que tivesse a indicação que havia algo de especial lá dentro. Os artistas que gravamos não são meros músicos, são artistas incríveis e tentamos fazer-lhes justiça. Já que fazem o trabalho deles tão bem, tentamos dar o nosso melhor para atingir o mesmo nível de qualidade.

É esta busca da máxima qualidade nas vossas edições que faz com que a WC tenha um trabalho mais facilitado ao nível da promoção, já que um artista ao editar um disco pela vossa editora terá mais visibilidade. O TOUMANI DIABATÉ reconhece esse vosso trabalho e diz “graças a deus que estou a trabalhar com a WC porque o meu trabalho é mais reconhecido”. Se formos a ver, quase ninguém sabe que o TOUMANI DIABATÉ gravou um disco há dois ou três anos atrás com o ROSWELL RUDD.

Sim. É uma das razões do nosso sucesso. O TOUMANI pode dizer isso, mas eu terei de dizer com muito mais veemência «obrigado TOUMANI por trabalhares connosco», porque esse sucesso passa sobretudo pela qualidade dos artistas. É um privilégio e uma honra trabalharmos com estes músicos. Nos tempos em que ouvia mais jazz e blues, sonhava em conhecer os grandes músicos de um mundo à parte. Agora estou a trabalhar com músicos desta qualidade. Músicos que têm uma glória reflectida no seu nome. TOUMANI DIABATÉ, ALI FARKA TOURÉ, RUBEN GONZALEZ, IBRAHIM FERRER, OUMOU SANGARÉ são músicos incríveis. É essa a razão do nosso sucesso.

[1ª Parte]

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KLEZMATICS impedem ALI FARKA TOURÉ de conquistar o 3º Grammy

February 12, 2007

klezmatics

Os KLEZMATICS estão de parabéns. Depois de terem dado um excelente concerto há umas duas semanas na Culturgest, conquistaram um grammy na categoria de World Music contemporânea com o mais recente trabalho “Wonder Wheel”. Um álbum que evoca a memória de WOODY GUTHRIE (todas as canções são escritas por ele) enquanto residente em Coney Island, na famosa Mermaid Avenue (à qual BILLY BRAGG e os WILCO também criaram um álbum em memória deste ícone da folk americana), nos idos anos 40. Uma vivência em contacto com a cultura yiddish da sua madrasta, poeta e activista Aliza Greenblatt.

“Wonder Wheel” competia nesta categoria com “Tiki” de RICHARD BONA, “M’Bemba” de SALIF KEITA, “Long Walk To Freedom” de LADYSMITH BLACK MAMBAZO e “Savane” de ALI FARKA TOURÉ. De referir que se “Savane” tivesse conquistado este prémio, tornaria ALI FARKA TOURÉ no único músico africano a conquistar três grammys. “Talking Timbuktu” (com Ry Cooder) e “In The Heart of The Moon” (com Toumani Diabaté) são os discos do “deus” dos “blues do deserto” do Saara premiados com esta estatueta.

Entre as mais de 100 categorias a concurso, destacamos outros álbuns premiados:

  • World Music tradicional
    SOWETO GOSPEL CHOIR . “Blessed”

  • Folk tradicional

    BRUCE SPRINGSTEEN – “We SHall Overcome: The Seeger Sessions”

  • Folk Contemporânea

    BOB DYLAN – “Modern Times”

  • Música nativa norte-americana

    MARY YOUNGBLOOD – “Dance With The Wind”

  • Música havaiana

    Vários Artistas – “Legends Of Hawaiian Slack Key Guitar”

  • Blues tradicional

    IKE TURNER – “Risin’ With The Blues”

  • Blues contemporâneo

    IRMA THOMAS – “After The Rain”

  • Reggae

    ZIGGY MARLEY .- “Love Is My Religion”

  • Bluegrass

    RICKY SKAGGS AND KENTUCKY THUNDER – “Instrumentals”

  • Jazz contemporâneo

    BÉLA FLECK & THE FLECKTONES – “The Hidden Land”

  • jazz latino

    THE BRIAN LYNCH / EDDIE PALMIERI PROJECT – “Simpático”

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Terra Pura 10, 11 e 12 de Fevereiro

February 12, 2007

Zero - Sábados - 12h / 14h e Segundas 17h / 19
Rádio Universitária do Minho (Braga) - Sábados - 13h / 15h
Quimica (Cascais)- Domingos 13h / 15h
Antena Miróbriga (Santiago do Cacém) - Domingos 22h / 24

Emissão 10, 11 e 12 de Fevereiro a olhar já para algumas edições de 2007

Hora do Norte:

CHUCHURUMEL (Pt) - “Coquelhada Marralheira” (pré-masterização do álbum “Posta Restante”)
CHUCHURUMEL (Pt) - “Galanducha” (pré-masterização do álbum “Posta Restante”)
CHUCHURUMEL (Pt) - “Para Lá da Porta” (pré-masterização do álbum “Posta Restante”)
O’QUE STRADA (Pt) - “Vá Lá” (Ep “O’que Strada”)
O’QUE STRADA (Pt) - “Oxalá Te Veja” (Ep “O’que Strada”)
KUMPANIA ALGAZARRA (Pt) - “Chocolate” (EP “Kumpania Algazarra”)
KUMPANIA ALGAZARRA (Pt) - “Bailinho da Caravana” (EP “Kumpania Algazarra”)
O’QUE STRADA (Pt) - “Cristo Rei” (faixa escondida no Ep “O’que Strada”)
BOOM PAM (Israel)- “Let Me Touch” (álbum “Boom Pam”)
AMSTERDAM KLEZMER BAND + DJ YURIV GURSHY (Holanda / Rússia) - “Immigrant Song” (álbum “Remixed”)
LENINGRAD (Rússia) - “Super Good” (álbum “Hleb”)
HAYDAMAKY (Ucrânia) - “November” (álbum “Ukraine Calling”)
LENINGRAD (Rússia) - “FC” (álbum “Hleb”)
KLEZMOFOBIA (Dinamarca) - “New York Psycho Freylekhs” (álbum “Tantz”)

clique para ouvir esta hora de emissão
[audio:http://www.cronicasdaterra.com/Terrapura/terra20070210_1.mp3|autostart=no|bgcolor=0x000000]

Hora do Sul:

TINARIWEN (Mali) - “Mano Dayak” (álbum “Aman Iman: Water Is LIfe”)
BASSEKOU KOUYATE & NGONI BA (Mali) - “Bassekou” (álbum “Segu Blue”)
VIEUX FARKA TOURÉ (Mali) - “Ana” (álbum “Vieux Farka Touré”)
BA CISSOKO + TIKEN JAH FAKOLY (Guiné Conacri) - “On Se Veut Se Marier” (álbum “Electric Griot Land”)
TOUMANI DIABATE’S SYMMETRIC ORCHESTRA (Mali) - “Single” (álbum “Boulevard De L’independance”)
ZAO (Congo) - “Mama Na Bana” (álbum “L’Aiguille”)
DON KIKAS (Angola) - “N’zala” (álbum “Viagem”)
TÉTÉ ALHINHO (Cabo Verde) - “Scutam Ess Morna” (álbum “Voz”)
CHICO CÉSAR (Brasil) - “De Uns Tempos Pra Cá” (álbum - “De Uns Tempos Pra Cá”)
MARLUI MIRANDA + RAVI (Brasil / País de Gales) - “Burinã” (álbum - “Neuneneu”)
BETEL NUTS BROHTERS (Ilha Formosa) - “Na-Lo-Wan” (compilação “Decade & Three”)
A MOVING SOUND (Ilha Formosa) - “Dombra” (álbum “Songs Beyond Words”)

clique para ouvir esta hora de emissão
[audio:http://www.cronicasdaterra.com/Terrapura/terra20070210_2.mp3|autostart=no|bgcolor=0x000000]

Hora das Vozes da Terra Pura

Quimica (Cascais)- Domingos 15h / 16h
Zero - Domingos - 22h/23h
Antena Miróbriga (Santiago do Cacém) - Sextas 23h / 24

Conversa com NICK GOLD sobre os 20 anos de World Circuit

[a disponibilizar em breve]

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[20 anos sem ZECA AFONSO] Farol reedita antologia a 19 de Fevereiro

February 8, 2007

joseafonsoA editora Farol, responsável por muitos dos êxitos musicais do momento construídos pela Televisão de Queluz de Baixo, reedita no próximo dia 19 de Fevereiro, uma antologia de trinta temas cuja primeira editada inicialmente pela Movieplay Portuguesa. Em declarações à Lusa, João Miguel Almeida, director-geral da Farol referiu que esta colecção “é aquela que melhor resume a carreira de JOSÉ AFONSO, abrangendo desde a canção de Coimbra à de intervenção política”. Pois, “o alinhamento da edição original foi do próprio ZECA AFONSO - esclareceu - pelo que não fomos autorizados a fazer alterações, para além de termos melhorado o aspecto gráfico”.

E as trinta canções são: “Canção de Embalar” (José Afonso), “Natal dos Simples” (José Afonso),
“Maria Faia” (Popular Beira Baixa), “Canto Moço” (José Afonso), “Vai, Maria Vai” (José Afonso), “Milho Verde” (Popular), “Balada do Sino” (José Afonso), “Mar Alto” (Edmundo Bettencourt/Mário Faria Fonseca), “Saudades de Coimbra” (Mário Faria Fonseca/Edmundo Bettencourt), “Verdes São os Campos” (Luís de Camões/José Afonso), “Menina dos Olhos Tristes” (Reinaldo Ferreira/José Afonso), “Cantar Alentejano” (José Afonso), “Vejam Bem” (José Afonso), “A Morte Saiu à Rua” (José Afonso), “Qualquer Dia” (F. Miguel Bernardes/José Afonso), “Traz Outro Amigo Também” (José Afonso), “Maio, Maduro Maio” (José Afonso), “Cantigas do Maio” (José Afonso), “Coro da Primavera” (José Afonso), “Venham Mais Cinco” (José Afonso), “Coro dos Tribunais” (B. Brecht/José Afonso), “Com as Minhas Tamanquinhas” (José Afonso), “Enquanto há Força” (José Afonso), “Fura Fura” (José Afonso), “Cantares do Andarilho” (António Quadros (pintor)/José Afonso), “Era de Noite e Levaram” (Luís de Andrade/José Afonso), “Eu Vou Ser Como a Toupeira” (José Afonso), “Ailé! Ailé!” (José Afonso), “Era um Redondo Vocábulo” (José Afonso) e “Grândola, Vila Morena” (José Afonso).

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FANFARE CIOCARLIA: há sangue azul na música cigana

February 8, 2007

queensandkingsNo próximo dia 23 de Fevereiro, a editora alemã Asphalt Tango edita “Queens And Kings”, a mais recente criação da orquestra de metais cigana oriunda de aldeia romena de Zece Prajini. A FANFARE CIOCARLIA, que recentemente criou uma versão bem humorada de “Born To Be Wild” (à semelhança do que já havia acontecido com o esse otoverme que é “007” que abre o álbum anterior “Gili Garabdi”) para a banda sonora do filme “Borat”, convocou, para as gravações de “Queens And Kings”, uma verdadeira constelação de estrelas da música cigana do leste da Europa (e não só): ESMA REDZEPOVA (Macedónia), KALOOME (França), SABAN BAJRAMOVIC (Sérvia), JONY ILIEV (Bulgária), LJILJANA BUTLER (Bósnia), DAN ARMEANCA (Roménia), MITSOU (Hungria), KAL (Sérvia) e FLORENTINA SANDU (Roménia). Um disco que expande os horizontes daquela que se orgulha de ser a “brass band” mais rápida do mundo, tanto no trilhar dos velhos caminhos da música cigana dos Balcãs, como resgatar memórias latinidade “gitana” de Espanha e França do início do Século XX, como no impregnar de funk, jazz e pop de sîrbas e horas ao jeito de uma formação inspirada nas bandas militares turcas do Século XIX.

“Queens And Kings” é dedicado à memória de IOAN IVANCEA, antigo clarinetista deste projecto que faleceu no passado mês de Outubro e que foi para os restantes elementos da FANFARE CIOCARLIA um verdadeiro “Gypsy King” (o que vale é que ele não tinha nacionalidade espanhola).

Depois de terem efectuado em 2006 uma digressão de 7 espectáculos por Portugal (durante 2006), é provável que voltemos a ver esta “brass band” no nosso país, este ano. Quer num espectáculo em nome próprio, quer na apresentação de “Queens And Kings” com as “all stars” acima referenciadas. Esta segunda digressão, cuja primeira fase encontra-se agendada para meados de Março (percorrendo para já algumas cidades alemãs e austríacas), corre entretanto o risco de ser cancelada, em virtude do grave acidente de viação sofrido pelo búlgaro JONY ILIEV.

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BELLOWHEAD e SETH LAKEMAN dominam Prémios Folk da BBC 2

February 7, 2007

bellowheadNão tão vistosos quanto os prémios de “World Music” da BBC Rádio 3, os “folk awards” da BBC Rádio 2 servem sobretudo para motivar a comunidade folk inglesa e escocesa (ignorando a folk de outros pontos da Europa, sobretudo a irlandesa). Na passada segunda-feira (dia 5 de Fevereiro), foram atribuídos os prémios de 2007 referentes a mais de uma dezena de categorias, numa cerimónia cujos pontos altos poderão ser escutados, mais logo, entre as 19h e as 21h no programa do radialista Mike Harding

E os vencedores são…

Melhor álbum
“Freedom Fields” de SETH LAKEMAN (restantes nomeados: “Burlesque” – BELLOWHEAD; “Game Set Match” - NIC JONES e “Stiffs Lovers Holymen Thieves” - TIM VAN EYKEN)

Cantor Folk do Ano
SETH LAKEMAN (restantes nomeados: TIM VAN EYKEN, JULIE FOWLIS e KARINE POLWART)

Melhor duo
MARTIN CARTHY & DAVE SWARBRICK (restantes nomeados: NANCY KERR & JAMES FAGAN, SHOW OF HANDS e SPIERS & BODEN)

Melhor grupo
BELLOWHEAD (restantes nomeados: SALSA CELTICA, TIM VAN EYKEN E WATERSON:CARTHY)

Melhor banda ao vivo
BELLOWHEAD (restantes nomeados: VIN GARBUTT, SETH LAKEMAN e SALSA CELTICA)

Melhor canção original
“Daisy” - KARINE POLWART (restantes nomeados: “Jack Frost” - MIKE WATERSON interpretado por WATERSON:CARTHY; ”Roots” - STEVE KNIGHTLEY interpretado por SHOW OF HANDS, “Steelos” - JOHN TAMS inperpretado por JOHN TAMS & BARRY COOPE)

Melhor tema tradicional
“Barleycorn” - TIM VAN EYKEN (restantes nomeados: Green Grows the Laurel - KRIS DREVER; “Grey Gallito” - SALSA CELTICA; The White Hare - SETH LAKEMAN)

Músico do ano
CHRIS THILE (restantes nomeados: JOHN MCCUSKER, MARTIN SIMPSON E DAVE SWARBRICK)

Prémio revelação (”Horizon”)
KRIS DREVER (restantes nomeados: THE DEVIL’S INTERVAL, SHONA KIPLING & DAMIEN O’KANE e MARTHA TILSTON)

Prémio carreira (“Lifetime Achievement”)
PENTANGLE (grupo)
DANNY THOMPSON (músico)

Prémio boa tradição (“good tradition”)
NIC JONES

Canção folk favorita de sempre (de acordo com a audiência da BBC Rádio 2)
“Who Knows Where The Time Goes” - SANDY DENNY/FAIRPORT CONVENTION

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