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Posted 14 de Junho de 2007 by Rei, L. in Notícias
 
 

Aleluia: a colecção de fado é (finalmente) nossa


brucebastin.jpgEstado compra colecção de música portuguesa

A colecção dos discos de música portuguesa na posse do britânico Bruce Bastin vai ser adquirida por Portugal, garantiu ontem à agência Lusa o secretário de Estado da Cultura, Mário Vieira de Carvalho. “Dentro de uma semana, poderemos acertar a minuta do contrato da compra, no valor de 1,1 milhões de euros”, disse o governante.

O Ministério da Cultura e a Câmara de Lisboa “aceitaram reforçar em 100.000 euros cada um, a sua participação, de modo a cobrir o valor pedido por Bruce Bastin”, disse Vieira de Carvalho.
O ministério, a quem caberá a guarda e tratamento do espólio, participará com 400 mil euros, tal como a Câmara de Lisboa, e os restantes 300 mil euros são assegurados por um mecenas, cuja identidade não foi revelada, sabendo-se tratar de uma entidade bancária. “A colecção irá integrar o futuro Museu da Música e do Som, onde há pessoal técnico para o tratamento específico deste material”, disse Vieira de Carvalho.

Contactado pela agência Lusa, o advogado José Alberto Sardinha, representante legal de Bruce Bastin, confirmou ter sido já contactado no sentido “de se redigir minuta da versão final do contrato de compra”.

O estudo deste espólio, maioritariamente constituído por discos de fado, é considerado essencial por vários investigadores. Para o musicólogo Rui Vieira Nery, a aquisição deste espólio “é essencial para um melhor conhecimento da história fadista, nomeadamente nos primórdios da gravação fonográfica”.

A colecção inclui registos fonográficos efectuados entre 1904 e 1945 pela His Master’s Voice, Columbia, Homokord, Victor ou Grammophone, estando, na sua maioria, dados como perdidos.

Colecção em bom estado
Entre os cerca de oito mil discos encontram-se algumas das primeiras gravações de artistas nacionais como José Bastos, Isabel Costa, Almeida Cruz, Eduardo de Souza, Rodrigues Vieira ou Delfina Victor. O espólio encontra-se em “muito boas condições”, afiançou o investigador José Moças, que o descobriu e propôs a sua aquisição por Portugal. “Estas são – realçou – as primeiras gravações de fado de sempre, que nos irão dar, certamente, uma outra perspectiva da história desta canção popular urbana”. Além dos fados, são, na avaliação de Moças, “igualmente importantes do ponto de vista musical e etnográfico registos mais tardios de Maria Alice, Manasses de Lacerda, Avelino Baptista, Estêvão Amarante, Madalena de Melo, Maria Emília Ferreira, Júlia Florista e Maria do Carmo Torres, bem como dos mais conhecidos Ercília Costa, Berta Cardoso, António Menano, Edmundo de Bettencourt, Armandinho e o popular Alfredo Marceneiro”.
Lusa


Rei, L.