Terra Pura 18JUN08: Fadomorse
June 18, 2008
A Terra Pura alarga o seu território à nação Trasmolândia, satiricamente imaginada pelos Fadomorse, inspirada pelo estado de desertificação crónica que infelizmente encontramos em todo o interior do país. Em “Folklore Hardcore”, o projecto de Hugo Correia, transmontano «exilado» em Aveiro, barrica-se numa rádio local para reivindicar os direitos do Movimento dos Pastores Radicais e Modernos porque, ao contrário do que a SIC Notícias nos quer dar a entender, na reportagem que realizou na Serra da Estrela, ainda há pastores («Indá Pastores»). Um disco-réplica de uma longa sessão de rádio, animada por um locutor-pastor de charme rural (Hamilcar Travolta) e um locutor-trolha-angolano (Queçi Mambo). Durante esta hora, falamos com o compositor, sonoplasta, criador (incontinente) e chefe de orquestra Hugo Correia, a propósito do disco que tem a ousadia de inventar o kuduro mirandês.
Rádio Universitária do Minho - Terças-feiras, às 21h
Miróbriga - Domingos, entre as 21h e as 23h
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Terra Pura 16JUN08: Navegante
June 16, 2008
A Terra Pura visitou o estúdio de gravação de José Barros (situado na Ribeira de Sintra) e conversou com o mentor do projecto Navegante (constituído por João Ramos, Vaiss, Abel Batista, Carlos Lopes, Miguel Tapadas, João Magalhães), que acabou de editar o álbum “Meu Bem Meu Mal” (edição Tradisom, distribuição iPlay). Um disco que é sinónimo de uma espécie de Buena Vista Social Club nacional e que muito bem trata a música (sobretudo a tocada com cordofones) das várias tradições portuguesas. É que, além de José Barros e do seu projecto contar com a ajuda de José Manuel David em boa parte dos arranjos e de algumas letras (e voz) de Amelia Muge, conta ainda com uma selecção transcontinental de convidados de luxo: Janita Salomé, Fernando Deghi, Sara e Maika Gomez (Ttukunak), Mimmo Epifani, Edu Miranda, Manuel Rocha (Brigada Victor Jara), Rui Júnior, Carlos Passos, Lurdes Miranda, Fátima Rodrigues, Luís Estêvão da Silva, Nuno Fernandes, Giandomenico Carameil, Rui Vaz, Joaquim Caixeiro, João Luís Lobo e Fernando Molina.
Rádio Zero - Segunda a Sexta-feira, entre as 18h às 19h. Repete no dia seguinte entre as 8h e as 9h da manhã.
Rádio Universitária do Minho - Terças-feiras, às 21h
Miróbriga - Domingos, entre as 21h e as 23h
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Terra Pura 13JUN08: Super Mama Djombo
June 13, 2008
Nome incontornável e lendário da história da música da Guiné-Bissau, a Orquestra Super Mama Djombo foi, a par de outras formações da África Ocidental, como a Orquestra Baobab do Senegal, ou a Bembeya Jazz da Guiné Conacri, responsável, na idade de ouro da pop africana (anos 70), pelo desenvolvimento de uma rumba alimentada por solos de guitarras eléctricas, secções de metais sensuais e ritmos afro domesticados por congas. Mas a Super Mama Djombo sempre foi muito mais do que uma orquestra de animação de bailes da elite política. O seu nome é sinónimo de intervenção política, devoção ao papel que Amílcar Cabral teve na formação do estado independente da Guiné-Bissau e na união de toda a panóplia cultural deste pedaço da África Ocidental, constituída por cerca de trinta e seis grupos étnicos. Depois da dissolução desta orquestra em meados anos 80, a Super Mama Djombo foi recentemente reformulada e gravou este ano, em solo islandês, o álbum “Ar Puro”. A Terra Pura apanhou na Aula Magna, os fundadores Adriano Ferreira Gomes “Atchuchi” (compositor e chefe de orquestra) e Zé Manel (bateria, tina e guitarra), no dia de apresentação deste disco à comunidade guineense que reside no nosso país.
A Terra Pura é emitida na:
Rádio Zero - Segunda a Sexta-feira, entre as 18h às 19h. Repete no dia seguinte entre as 8h e as 9h da manhã.
Rádio Universitária do Minho - Terças-feiras, às 21h
Miróbriga - Domingos, entre as 21h e as 23h
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Terra Pura 09JUN08: Naná Vasconcelos
June 9, 2008
Rádio Zero - Segunda a Sexta-feira, entre as 18h às 19h. Repete no dia seguinte entre as 8h e as 9h da manhã.
Rádio Universitária do Minho - Terças-feiras, às 21h
Miróbriga - Domingos, entre as 21h e as 23h
Naná Vasconcelos é o convidado desta emissão da Terra Pura e fala-nos da forma como tornou o berimbau um instrumento central da sua orquestra visual, das imagens musicais de Villa-Lobos, ou do instinto exploratório de Jimi Hendrix. Da criação a partir da Europa e dos Estados Unidos. De Gismonti e de Don Cherry. Da atitude zen na construção de uma espectáculo a solo de percussão. Do Recife e do Mangue.
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Rokia Traoré: À procura do som perfeito
June 5, 2008
Rokia Traoré, maliana de etnia Bamana, editou este mês o seu quarto disco denominado “Tchamantché”. Uma obra dedicada à memória de Ali Farká Touré. A cantora que actuou pela primeira vez no nosso país, há cerca de oito anos no Multi Músicas de Lisboa (no saudoso Cais do Gás), vem apresentar o sucessor de “Bownboï” à Xª edição do FMM de Sines (local onde já esteve em 2004), que marca a transição da orquestração complexa e acústica para uma outra mais simples, eléctrica, suave e «abluesada». “Tchamantché” acentua ainda mais a ideia de estarmos perante uma das mais interessantes vozes femininas nascidas em África. Filha de um diplomata (que entretanto se reformou e que regressou ao Mali), partilhou residência, durante a sua infância e adolescência, entre a Argélia, a Arábia Saudita, a França e Bélgica. Há cerca dez anos, comprou casa em Amiens, no norte de França, na localidade da editora que lhe gravou os seus dois primeiros discos, a Label Blue. Apesar dessa outrora magnífica etiqueta de jazz e de música africana tradicional e moderna ter cessado funções há vários anos, ainda mantém essa habitação. Contudo, Rokia teve de alugar um apartamento em Paris, uma vez que «as actividades de promoção concentram-se todas aí». Actualmente reparte a sua residência entre Amiens, Paris e Bamako no Mali. É esta excitante vivência que lhe permite, por um lado, manter os laços profundos com a sua cultura do ancestral Império Bamana, por outro, ter abertura de espírito suficiente para produzir um disco esteticamente ocidentalizado, moderno, repleto de pequenos e sofisticados pormenores de produção, que mantém intacta a alma africana de Rokia.
Segue-se a primeira de três partes de uma entrevista realizada no próprio dia em que Rokia Traoré actou como convidada no espectáculo de Kronos Quartet no Centro Cultural de Belém (para interpretar os dois temas que gravaram em “Bownboï”). Um dia antes, a Universal Music de França lançou “Tchamantché” no mercado europeu.
Até que ponto o facto de ter ido viver para França há 10 anos atrás lhe deu uma visão mais abrangente da música que lhe permitiu criar o seu próprio estilo, sem nunca perder as raízes da sua etnia Bamana?
Penso é importante para mim sentir-me eu própria. Mas já não me preocupo mais em manter-me ligada às minhas raízes. Aquilo que eu sei acerca da cultura francesa ou do resto do mundo é algo que já está intrincado em mim. Não posso fazer nada contra isso. Mas para assumir isso preciso de estar ligada às minhas raízes, não esquecer quem sou e especialmente de onde venho. Que tipo de origens malianas tenho. Ao mesmo tempo já não penso naquilo que tenho de fazer para continuar a ser maliana. Isso era algo que procurava quando era adolescente, quando não sabia o suficiente sobre as minhas raízes. Há dez anos atrás, quando comecei a gravar o primeiro disco, “Mouneïssa”, visitei a minha aldeia para conhecer esta cultura da minha região, onde há muitos tocadores de balafon. Antes disso, apenas conhecia esta cultura somente por os meus pais me falarem dela. Nessa altura senti necessidade de ir à aldeia onde os meus pais nasceram [Kolokani], onde tive a oportunidade de conhecer os meus tios e os meus primos.
Claro que nessa altura fi-lo apenas por causa da música. Fui lá para tentar encontrar um tocador balafon para actuar comigo no resto do mundo. Mas continuo a ter uma grande ligação com minha família dessa aldeia, ainda que não viva lá. Ainda esta sexta-feira dei um concerto em Bamako. Gostava de ter tocado na minha aldeia, mas não foi possível porque não há infraestruturas para realizar um espectáculo deste tipo. Aluguei um autocarro para trazer 75 pessoas a ver o concerto em Bamako. Esta é a relação que tenho com a minha aldeia. Actualmente, não preciso de ligar aos meus pais para ver se há alguém que me possa arranjar um tocador de balafon, caso precise. Tenho a minha própria relação com estas pessoas que fazem parte de mim. Afinal somos da mesma família. Temos apenas estilos de vida diferentes. Mas o facto de virmos das mesmas raízes foi suficiente para nos voltarmos a ligar. E isso, para mim, é algo de muito concreto.
Referiu por diversas vezes o balafon, mas neste disco não há um tocador deste instrumento de percussão. Ao invés, há bateria. Também não há corá, há harpa ocidental. No entanto faz um uso exaustivo do n’goni. Porquê?
Não há uma pesquisa aprofundada naquilo que faço. Tudo acontece de forma muito natural. A história da harpa é muito simples. Esse tema foi composto inicialmente através de corá, o músico que tocou o tema não o pode gravar. O meu melhor músico [o baixista] também toca harpa. A escolha do n’goni na orquestração é que este é um instrumento que faz parte da música acústica clássica maliana e eu adoro o som desse instrumento. Imaginei este disco como algo só com guitarra, n’goni, baixo e bateria. Quando estamos a criar um novo projecto nunca sabemos se vai ser um sucesso ou não, quer em termos acústicos, quer em termos de marketing. Apenas quis fazer aquilo que sentia. Decidi que tinha de mudar ao verificar que tinha trabalhado cerca de oito anos com orquestração clássica e acústica nos três anteriores álbuns. Não queria fazer um quarto disco desta forma.
Foi a partir dessa necessidade que encontrou a guitarra eléctrica “Gretsch”?
O que está claro é que não decidi parar por causa disso. Continuo a trabalhar com orquestração acústica em diferentes projectos, não neste álbum e não na digressão actual. Queria fazer algo novo, como se fosse para mim um desafio. Com novas coisas para perceber e novas pessoas para trabalhar. Quis voltar à guitarra, que é o meu primeiro instrumento. Há mais dez anos atrás, descobriram-me a cantar e a tocar esta guitarra acústica. Diziam que eu dizia que eu era uma Tracy Chapman. [risos]
Toca três tipos de guitarra [acústica e eléctrica]. Pode descrever as diferenças entre todas elas?
Estas guitarras não soam de forma semelhante. A folk é mais suave e está mais próxima de nós. A guitarra eléctrica é fisicamente tocada um pouco mais afastada de nós. A “Gretsch” é tocada numa posição intermédia, entre essas duas guitarras. À parte disto, não podemos exprimir os mesmos sentimentos com uma guitarra folk, do que com uma guitarra eléctrica. O mais complicado é sempre sabermos aquilo que queremos. Não é fácil chegarmos aonde ambicionamos. Mas quando sabemos exactamente onde queremos chegar, temos 40 ou 50% do trabalho feito.
Que tipo de som procurava quando pegou na guitarra “Grestch”?
Um som blues, um som rock e a mesmo tempo o meu som. Não queria fazer um som demasiado eléctrico, demasiado pop. O mais complicado neste projecto foi a pesquisa que fizemos com o engenheiro de som [Phill Brown] que é também um artista. Sabia o que queria, mas não sabia como o conseguir. O trabalho que lhe dei foi o de ajudar-me a conseguir este som diferente. Não lhe estava a pedir que criasse esse som, estava a pedir-lhe que me ouvisse. É muito difícil encontrar alguém disponível para nos compreender e dar luminosidade à nossa música. Algo que não saberia como fazer, pois esse não é o meu trabalho.
[continua amanhã]
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Konono nº1 sem vistos de entrada na Europa
June 5, 2008
Os Konono nº1, de acordo com notícia publicada no no site World Music Central, não obtiveram vistos para efectuarem a digressão europeia planeada e que incluía três datas portuguesas de Serralves (já este fim-de-semana), do festival Med de Loulé (no final de Junho) e do ciclo CCB Fora de Si (no início de Agosto). De referir que a produtora Divano de Michel Winter já tinha tido o mesmo problema no ano passado quando não conseguiu trazer os Kasai AllStars à Europa pelo mesmo motivo. Facto que obrigou o FMM de Sines a encontrar uma solução de última hora. Resta agora saber que solução irão encontrar os programadores das 48 non-stop de Serralves, do Med de Loulé e do Centro Cultural de Belém.
[aditamento 1]
Entretanto a Fundação Serralves já resolveu o seu problema deste fim-de-semana. A substituir Konono nº1 no Serralves em Festa estarão os norte-americanos Neung Phak (leia-se Nung Pak), «um grupo norte-americano de rock experimental que toca animadas interpretações de canções pop asiáticas e de música tradicional oriental».
[aditamento 2 ]
De acordo com Vasco Sacramento, programador do Festival Med de Loulé, os Konono nº1 estão ainda a tentar obter os tais vistos para entrarem na Europa de modo a assegurarem a segunda parte da digressão planeada que inclui as datas algarvia e lisboa.
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Concurso Eurofolk’J recebe os irlandeses Dervish
June 3, 2008
Depois do interregno de um ano, a eliminatória portuguesa do Eurofolk’J, concurso de europeu de bandas folk, regressa ao centro do país e realiza-se este ano no Jardim da Sereia de Coimbra, nos dias 7 e 8 de Julho. Neste momento, a organização a cargo da 7 Sons Produções, em parceria com a Turismo Coimbra e a Associação Eurofolk Espanha, está a receber, até dia 15 de Junho, propostas das jovens bandas nacionais interessadas em ganhar um passaporte para a final que se realiza em Málaga e que já premiou uma banda portuguesa. Para mais informações contactem a 7SONS Produções através do e-mail eurofolk08@7sons.com.pt.
O júri escolherá entre todas as maquetas enviadas, três projectos que irão competir no primeiro dia de actividades (7 de Julho). Nessa mesma noite sobem também ao palco do Jardim da Sereia os italianos Damadaká (vencedores da III edição do Eurofolk) e os espanhóis Els Groulers (que ganharam em 2007 a eliminatória realizada no seu país). No dia seguinte (8 de Julho) actuam no mesmo local os conimbricenses Ginga, vencedores da edição de 2004 do Eurofolk e cujos elementos estão ligados à organização deste concurso e os irlandeses Dervish. Banda irlandesa da cantora Cathy Jordan que têm um longo historial de apresentações em festivais “world / folk” de norte a sul do nosso país.

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Terra Pura 02JUN08: Especial Museu do Oriente
June 2, 2008
Rádio Zero - Segunda a Sexta-feira, entre as 18h às 19h. Repete no dia seguinte entre as 8h e as 9h da manhã.
Rádio Universitária do Minho - Terças-feiras, às 21h
Miróbriga - Domingos, entre as 21h e as 23h
Emissão especial sobre a programação musical do Museu do Oriente. João Amorim e José Moças abrem-nos a porta do Auditório de 360 lugares que já recebeu o projecto Trimurti, Qawwali Flamenco, Ana Moura e Músicos do Nilo. Ficámos a saber que, durante o mês de Julho, o Museu recebe o rock Cui Jian (que também vai ao FMM de Sines) e a futurista Sa DingDing, espectáculos inseridos num ciclo dedicado à China.
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