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A Naifa: cortando o frio em todo-o-terreno

Ao Segundo dia, o FMM de Sines abre a extensão de Porto Covo. À semelhança do que aconteceu o ano passado com os Galandum Galundaina, a humidade, o vento e o (ainda) pouco público causam um certo desconforto a quem se encarrega de dar início a mais uma noite que serviu para A Naifa ultrapassar uma série de sucessivos testes. Há uns meses atrás, Luís Varatojo, após a última entrevista à Naifa que a Terra Pura passou, por alturas do lançamento de “Uma Inocente Inclinação Para o Mal” falava do desejo de figurar no cartaz do FMM e revelava-nos que propunha à organização a devolução do cachet, caso o público fosse indiferente ao quarteto. A Naifa tinha então a dura tarefa, não só de aquecer todo o ambiente, como também mostrar que não é apenas uma banda de auditórios (e que os festivais ao ar livre também fazem parte do seu habitat natural), e de minimizar a ausência do baixista João Aguardela (a quem este espaço envia os votos de rápido restabelecimento).
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Postos estes desafios, cumpre afirmar que o baixista Rodrigo Dias, também ele da classe de 80 e frequentador da antiga «universidade» da Rua da Beneficiência, o RRV (através de projectos como os Clandestinos), sem ter o carisma, a pose e o toque «wobbleliano» do ex-Sitiados soube, em duas semanas, assimilar as quase duas dezenas de canções apresentadas nesta última digressão e dar a segurança e a consistência necessária ao projecto; que a Naifa, sem o ambiente intimista de um Maria Matos em que basta o sorriso e as expressões expressivas de satisfação de Mitó para haver uma fortíssima cumplicidade entre a banda e a plateia, sem os belíssimos jogos de luz que intensificam essa proximidade, conseguiram progressivamente ter o público de Porto Covo nas palmas das mãos.

Apesar de uma certa resistência inicial, a ponta final constituída por canções como «A verdade Apanha-se com Enganos», «O Ferro de Engomar», «Feitio de Rainha» e «Calças Pretas» conferiram um um espectáculo emotivo, sempre em crescendo, em que o inevitável «Señoritas» e a clássica «Desfolhada Portuguesa» (estas duas últimas em encore) foram as cerejas em cima do bolo.

Luís Varatojo recebeu o merecido cachet e não o devolveu.

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Publicado por Luís Rei em Julho 19 2008. Classificado em Reportagens. Pode seguir as respostas a esta entrada através de RSS 2.0. Pode deixar uma resposta ou trackback a esta entrada

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