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Disco do Dia: Retimbrar – “Voa Pé”

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Retimbrar – “Voa Pé”

Edição de Autor (2016)

Passo a passo, caminhando na rua, ou tocando em cima de um palco, o movimento Retimbrar vai traçando o seu percurso no universo da percussão da música popular portuguesa.  

“Voa Pé” é o resultado das itinerâncias de um colectivo aberto e mutante de percussionistas da zona do grande Porto, outrora liderado pelo uruguaio Andrés Tarabia “Pancho” radicado em Portugal há mais de 25 anos que ficou intrigado a pouca expressão que a percussão de rua tinha no meio em que agora se inseria.

Pancho juntou todo o tipo de instrumentos de percussão portuguesa, muito para além dos bombos e das caixas de guerra. Construiu outros mais leves com outro tipo de som. E montou uma orquestra inspirada no modelo sul americano.   

Por excesso de trabalho e de necessidade de ter quem conhecesse melhor a música portuguesa e harmonias, Pancho passou o testemunho que co-assumiu a coordenação e a liderança do grupo.

Ao olhar para os elementos deste movimento que chegaram a ser mais de três dezenas de percussionistas (e que hoje são apenas doze), os Retimbrar perceberam que havia quem tocasse outro tipo de instrumentos (cavaquinho, bandolim, guitarra portuguesa, acordeão, piano, melódica, etc). De forma espontânea foram criando versões de temas de Zeca Afonso e as suas próprias composições com uma abordagem mais melódica.

“Voa Pé” é pois o resultado em registo polaroid de um movimento que está em constante mutação. Às assinaturas de percussão de “Ao Alto” e “Trancanhola Crocodélica”, que ecoa em vários momentos do disco, juntam-se belíssimas e frescas canções populares e com sabor a fado-pop como “Memória” e “Voa Pé (Cá Fora)” e variações muito pessoais (harmonia e letra) de “Beijai o Menino” (canção de natal transmontana gravada por Brigada Victor Jara, Né Ladeiras, Navegante, entre outros) transformado no jazzístico e experimentalista “Deixai o Menino” em que a letrista Sara Yasmine assume a saudável esta perversão: «canto a tradição, com todo o respeito refaço a canção». E é assim que gostamos de ouvir os Retimbrar.   

PS: Os Retimbrar abrem as actividades de hoje no Castelo da edição de 2016 do FMM de Sines.

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