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Disco do Dia: Laura Cortese – “All In Always”

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lauracortese_allinalwaysLaura Cortese – “All In Always”
Cortese Music (2015)

Laura Cortese é mais uma das jovens e prodigiosas “fiddlers”* norte-americanas que emergiram da Berklee College of Music (BCM). Reputada escola de Boston de onde têm saído alguns dos melhores violinistas da actualidade. Ao longo de quinze anos, com o seu quarteto Dance Cards (onde podemos encontrar outra “fiddler” de enorme talento e colega da BCM, Jenna Moynihan), tem construído uma sólida carreira enquanto instrumentista, cantora, escritora de canções e produtora na área da folk americana. Do old-time ao bluegrass.

“All In Always”, disco pensado fora das Dance Cards é, sobretudo, o resultado das inúmeras jams pós-concertos efectuadas em digressão um pouco por todo o lado e o culminar do desejo de Laura Cortese em compor um disco de “fiddle” totalmente instrumental, influenciado por esses momentos tão espontâneos quanto mágicos em que se acompanha de ouvido as peças que músicos de outras proveniências partilham informalmente num bar irlandês, entre inúmeras “pints”. “All In Always” é também um itinerário de viagem transatlântica entre Boston, Quebeque, Galiza e Suécia em que as composições originais (mas profundamente inspiradas no “american roots music”), tocada de forma dinâmica e selvática por quem respira o ar das montanhas Apalaches, fundem-se com os ritmos sui generis quebequenses marcados pelo sapateado de Dominic Desrochers, acordeão diatónico de Pierre-Luc Dupuis (integrou a mítica La Bottine Souriante e faz parte actualmente de De Temps Antan) e guitarra e berimbau de boca de Yann Falquet (dos Genticorum); com a folk ultra sónica e melódica sueca à Väsen da jovem banda Svër; e com os arranjos requintados próprios da folk progressiva e utópica à Berrogüetto de Anxo Pintos (sanfona), Xosé Liz (bouzouki), e Chisco Feijoo (voz, pandeireta).

No início de 2017, Laura Cortese edita novo disco com as Dance Cards. Esperemos que a nova digressão instigue novas jams e novas sessões de gravação para um “All in Always” parte 2 que passe pela Lisboa que esta americana tão bem retratou recentemente na sua conta de Instragram. Possíveis convidados não faltam. Não é, Luís Peixoto?

*No livro The Fiddle Handbook Chris Haigh formula a questão: “What’s difference between a fiddle and a violin?”. E responde com uma provocação: “The answer, of course, is that fiddle players are more fun. They’re the rascals, rogues, chancers and jokers of the violin world. […] They make up their own rules. They play from the heart, from memory, from the noisest corner of the pub.

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