Ana Laíns, nomeada Embaixadora da Associação 8 Séculos de Língua Portuguesa, apresenta hoje no Grande Auditório do CCB em Lisboa um espectáculo de encerramento das comemorações desta associação. 

Este é um espectáculo em que «Ana Laíns convida músicos, letristas, compositores, cantores e declamadores para visitar a sua natural Condição de pessoa nascida em Portugal, e viaja com os seus convidados pela sua igualmente natural Condição, pelas suas histórias, identidades, poesia e bater de coração…. Fado, Cante Alentejano, Morna, Samba, Semba, Marrabenta… sonoridades de expressão étnica de cada um dos países envolvidos, unidos “P’lo som presente D’esse mar futuro”,  como diria Pessoa, com o intuito basilar de celebrar esta Língua que é a Ponte entre o Passado e o Futuro.

A Lusofonia estará em palco, e será representada por alguns dos mais emblemáticos nomes da cultura dos países de Língua Oficial Portuguesa. Ana Laíns convida:

Aline Frazão (Angola), Celina Pereira (Cabo Verde), Ivan Lins (Brasil), Karyna Gomes (Guiné-Bissau), Luiz Avellar (Brasil), Marta Dias (São Tomé e Princípe), Paulo de Carvalho (Portugal), Prof. Júlio Soares (Timor), Joaquim de Almeida (Portugal), Elsa de Noronha (Moçambique), Olinda Beja (São Tomé e Princípe), Jorge Arrimar (Portugal – Macau), Valéria Carvalho (Brasil), Adufeiras da Idanha (Portugal) e A Moda Mãe (Portugal).

Os músicos: Paulo Loureiro (Piano e direção musical), Carlos Lopes (acordeão), João Coelho (Percussão portuguesa), Miguel Veras (Viola), Hugo Edgar Silva (Guitarra portuguesa), Rolando Semedo (Baixo) e Iuri Oliveira (Percussão Afro-brasileira).»

analainscartaz

O início das comemorações destes 8 séculos de Língua Portuguesa foram marcadas pelo planeamento de vários espectáculos em diversos pontos do globo, com artistas locais. Na altura do encerramento destas comemorações, que balanço fazes deste ano?

A Associação 8 séculos de Língua Portuguesa esteve sempre ligada a diversas iniciativas e nem sempre na área do espectáculo como é óbvio. Fiz  apresentação deste projecto há cerca de um ano quando me foi lançado o convite mas a verdade é que não tivemos os auxílios esperados. Temos estado a trabalhar com os nossos meios. Realizaram-se alguns concertos em Portugal e no estrangeiro, mas a tal comemoração que era o grande objectivo não foi possível. Na realidade este concerto de 4 de Julho no CCB acaba por ser acaba por ser o primeiro grande evento que pretendemos realizar, porque as comemorações vão continuar até aos Jogos Olímpicos do Brasil em 2016.

Vamos continuar a trabalhar em parceria no sentido de conseguir a aproximação possível com os países de língua portuguesa, com o objectivo de expandir a língua e a literacia.É determinante que se fale bem português

Como é que se organiza este espectáculo com mais de 20 convidados em palco? É uma mega-produção. Presumo que estás a trabalhar há vários meses para este espectáculo.

É verdade. Na realidade, a ideia de fazer este mega-concerto surgiu a 10 de Novembro de 2014. Não tem sido fácil. É uma produção megalómana. Porém tenho conseguido grandes sinergias não só com a Associação 8 Séculos, como também com alguns músicos que trabalham comido e de grande parte dos convidados que me têm ajudado imenso na organização. E depois a própria empresa produtora do evento, a Musical de Fernando Pereira, que trata da logística… o próprio CCB que entrou de cabeça neste projecto e que nos está a facilitar uma série de condições. Ainda assim, é muita gente para coordenar, timings para cumprir, promoção para ser feita… tenho a certeza que vamos chegar ao fim cansados mas de alma cheia.

Que alinhamento estás a preparar para este concerto? Repertório dos “4 caminhos”? Reinterpretações de canções dos teus convidados?

Logicamente é a Ana Laíns enquanto anfitriã de toda este gente, mas o meu repertório será adaptado. Vamos também visitar compositores e letristas que não estão nos meus trabalhos. Vou estrear três originais, dois deles escritos propositadamente [por José Eduardo Agualusa e por Nuno Júdice] para este concerto. Naturalmente já vão ficar para o próximo disco. Depois há também outro tema do Luiz Caracol que também vai ser estreado, mas que não foi escrito propositadamente para este concerto. Foi feito para o meu próximo disco que entretanto ficou na prateleira. Claro que vamos partir daquilo que é a minha música e claro que, para que a mensagem que queremos transmitir passe para as pessoas, é lógico que vou cantar repertório dos convidados, como é óbvio. Um tema da Aline, do Paulo de Carvalho, etc. Vai haver momentos de declamação integrados no conceito do espectáculo. Joaquim de Almeida vai declamar Fernando Pessoa. Vamos começar o concerto com um tema galaico-português de D.Dinis. Acho que é uma forma bonita e simbólica de cantar a língua portuguesa.

Será um concerto muito dinâmico e uma oportunidade única de ter estas pessoas no mesmo palco.

É importante salientar também que a língua portuguesa vai ser celebrada não só enquanto língua falada e escrita, mas também toda a história envolvente.Todos estes países têm a sua própria história, cultura e identidade e é isso que também queremos trazer a este palco.

A banda que tem acompanha constituída por músicos de Portugal, Angola, Cabo Verde, é também ela uma  sociedade das nações de língua portuguesa…

Exacto. Musicalmente queremos criar aqui uma metamorfose que represente as sonoridades de todos estes países.

Há muito tempo que o teu espectáculo deixou de ser de fado. É um espectáculo de música lusófona…

Completamente. Quem pensar que vai assistir a um concerto de fado mais vale não ir

É um concerto para ser lançado posteriormente em DVD?

É um concerto que será gravado e lançado pelo menos em CD áudio que simbolize o encerramento destas comemorações e cujos lucros possam reverter para associações ligadas à língua portuguesa (logicamente a Associação 8 Séculos também) e à literacia. Felizmente, há uma série de associações nestes países que estão empenhadíssimas em desenvolver a língua portuguesa, construir escolas e bibliotecas A AIDGLOBAL concluiu um projecto de uma biblioteca fantástica em Maputo com mais de 6 mil livros. Todo este trabalho destas ONG tem de ser protegido, apoiado e divulgado.

Já tens há algum tempo um novo disco para ser editado, mas a gravação deste espectáculo sairá primeiro, não é verdade? Que novo disco é esse?

Deverá sair no primeiro trimestre de 2016.

Um disco com muitos caminhos?

Um disco à Ana Laíns com uma série de experiências. Vai ser um disco apontado à condição humana, à nossa dualidade – lado a, lado b. As pessoas têm de se encontrar, têm de se descobrir. É essa mensagem que quero transmitir. Será também um reflexo destes encontros em redor dos 8 séculos de língua portuguesa que tenho vivido.