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Rabih Abou-Khalil – “Amigos em Portugal”

April 17, 2008

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Rabih Abou-KHalil, Jarrod Cagwin, Joachin Khün

Rabih Abou-Khalil, mestre de alaúde, improvisador de excelência, de naturalidade libanesa e residência, há mais de vinte anos em Munique é, sobretudo, uma pessoa fascinante que absorve a cultura dos países por onde passa. Assistir a um sound-check de Rabih é uma oportunidade única de o ver a comunicar em alemão, inglês, francês, italiano. Assistir a um espectáculo deste cidadão de Beirute, mais do que ficar supreendido pela forma como o improvisador de alaúde comunica com o pianista alemão Joachim Khün e com o percussionista norte-americano Jarrod Cagwin, é deliciarmo-nos com o seu humor expresso em língua portuguesa. [Read more]

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MARI BOINE: «SAY IT LOUD, I’M SAMI AND I’M PROUD»

February 15, 2008

Não. MARI BOINE não lutou pelos direitos civis da população negra norte-americana, mas é uma espécie de zapatista Sami, que tem contribuído para que o seu povo, aqueles que “foram empurrados para o tecto do mundo”, sintam mais orgulho na sua cultura e na sua etnia.

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Antes de passar este fim-de-semana pelo Teatro Municipal da Guarda e pela Culturgest em Lisboa, a cantora sami que vive na Noruega, participou na segunda edição do Festival Sons em Trânsito. A entrevista que se segue, realizou-se a 30 de Novembro de 2004, no próprio dia da sua actuação no Teatro Aveirense. Nessa altura, MARI BOINE preparava-se para descansar um pouco e para depois disso pensar no álbum que viria a editar em 2006, “Idjagiedas”. Uma obra que marcou um regresso às origens, a uma sonoridade mais orgânica, após a experimentação electrónica com o produtor de electro-jazz norueguês Bugge Wasseltoft, em “Eight Seasons” (2002) e do lançamento do disco “Remixed” (2001), que incluía remisturas de alguns dos temas mais simbólicos da sua carreira. Nesta conversa, MARI BOINE não renegou a hipótese de voltar a incluir electrónica em discos futuros, mas diz que é preciso «ir com calma». É preciso que isso não “retire a espiritualidade à minha voz”. Pode pressupor-se que o resultado de “Eight Seasons” e do álbum de remisturas não foi inteiramente do seu agrado. Boine escuda-se. Afima: “não é que não goste de trabalhar com electrónica, mas não é isso que quero fazer no futuro”; e destaca apenas duas ou três remisturas de que realmente gostou: as de “Gula Gula”, uma realizada pelos BIOSPHERE, a outra pelo seu saxofonista.

A pausa de cerca de dois anos que ocorreu depois do lançamento de “Room of Worship” (1998), permitiu a Mari participar em vários projectos com outros músicos de gélidas latitudes: com os FARLANDERS, com quem gravou o disco “Winter In Moscow” e com o projecto multinacional VERSHKI DA KORESHKI que envolvia dois artistas também russos, um senegalês, um indiano e o cantor dos HUUN HUUR TU de Tuva. Tempos conturbados em que parte dos elementos da banda de MARI BOINE foram à sua vida, colaborando com o queniano AYUB OGADA, ou multiplicando-se em inúmeros projectos, como é o caso da criativa violinista HEGE RIMESTAD. “Foi como um divórcio, por vezes não consegues compreender o que aconteceu”, tenta MARI BOINE explicar a causa afastamento desta norueguesa. Da anterior formação, restam agora apenas dois elementos. Destaque óbvio para o peruano das flautas, CARLOS QUISPE. Para a «yoikker», ele é um elemento chave na formação devido à sua “espiritualidade e profundidade enquanto ser humano”. Homem das montanhas andinas, que dá uma tonalidade mais xamânica ao projecto.

Zapatista xamânica.

A sua música, além de combinar arranjos de jazz com yoik, tem uma veia extremamente xamânica. Se repararmos, os xamans encontram-se em partes difusas do nosso planeta. Na Lapónia, na Sibéria, na Austrália, nas Américas. Que leitura faz deste “puzzle” com pedaços espalhados pelo mundo? Como é que a sua música recebe essas influências?

É a cultura original de todo o ser humano. Era a cultura que vigorava quando o homem estava muito próximo da natureza. Não é exclusivo apenas da Lapónia, existe até mesmo na Europa. A Cultura Celta tem esses elementos. É quando se torna interessante. A minha cultura não é apenas restrita ao local de onde venho, é universal. É como um tesouro que certas pessoas tiveram o privilégio de o preservar. Não percas isto! Este é o teu presente.

Quando os Cristãos colonizaram a Noruega, proibiram que se cantasse o yoik e queimaram todos os “Shaman Drums”, além dos violinos tatuados. «Era a música do diabo», diziam eles. Ainda cresceu no seio de uma geração em que era proibido cantar «joik» e falar-se o seu dialecto sami nas escolas. Até que ponto é que este panorama se tem alterado?

Agora as nossas crianças já falam sami nas escolas e cantam yoik sem restrições. No entanto, continua a haver um grupo cristão muito fundamentalista. Afirma que não deve ensinar as crianças a cantar desta forma e que o yoik nunca será permitido na igreja.
É o medo que eles têm dentro deles acerca da natureza. Se olhar para a história, observa o que Inquisição fez. Durante todos estes anos, temos lutado contra algo que está dentro de nós. O homem a lutar contra sua a natureza. Gosto de ver isto como um todo, não apenas como uma simples opressão Sami. O opressor oprime uma parte de si próprio. Precisamos de voltar a ter esta ligação com a natureza e de ter orgulho nisso.

Considera-se uma Zapatista Sami?

Não sei o que é o Zapatismo.

É o símbolo de resistência indígena no México liderado pelo Subcomandante Marcos que, através de canções e poemas tem tentado chamar a atenção dos média mundiais para a luta dos direitos dos indígenas mexicanos a não abdicarem das suas terras.

Penso que é o que sou (ri-se). Mas penso que na Escandinávia a situação social para o meu povo é muito melhor do que a dos Mexicanos. No entanto, continua a haver discussão sobre posse de terras. É uma situação difícil para a Escandinávia aceitar isso. Não somos noruegueses, finlandeses ou suecos, somos uma comunidade que possuía essas terras antes de sermos colonizados. Isto é algo que está a começar a ser discutido.

Ao longo de quase vinte anos de carreira como cantora de intervenção, o que é que conseguiu conquistar para a sua causa e para o seu povo?

As pessoas sentem-se mais orgulhosas em serem Samis. Já não se sentem tão envergonhadas. Os jovens têm ídolos Samis, o que é importante para esta geração. Fala-se mais abertamente de como nos sentíamos envergonhados da nossa cultura. Muitos Samis queriam esquecer a sua cultura, a sua língua e falavam com os seus filhos em norueguês. Isto tem mudado. Tem havido maior abertura. Essa mudança só se dá quando as pessoas se tornam mais orgulhosas de si próprias. As mudanças não vêm de um governo, vem de um povo que começa a sentir-se orgulhoso.

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Terra de Abrigo | 24, 26 e 28 de Agosto | Entrevista NANCY VIEIRA

August 29, 2007

Hora da Terra de Abrigo

Antena Miróbriga (Santiago do Cacém) - Sextas 23h / 24

Zero - Domingos - 22h/23h

Rádio universitária do Minho - Terças-feiras - 21h/22h

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NANCY VIEIRA acaba de editar o seu terceiro álbum “Lus”. Um Belíssimo disco que, se os deuses deixarem, irá catapultar a artista cabo-verdiana para uma intensa e regular carreira internacional. Com produção do peruano JORGE CERVANTES, “Lus” explora não só as várias sonoridades cabo-verdianas, como a morna, a coladeira, o funaná, o batuque, como projecta a música deste arquipélago para o outro lado do Atlântico. Há ritmos afro-peruanos de landó e uma madura canção danzón cantada em castelhano.

Nesta emissão da Terra de Abrigo, NANCY VIEIRA fala das suas afinidades com a Guiné-Bissau e com o Senegal. Assume a influência que SUSANA BACA teve em algumas das composições de “Lus”, confessa-se fã de TITO PARIS e demonstra que a aposta num produtor não cabo-verdiano deu bons resultados.

 
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Terra de Abrigo | 17, 19 e 21 de Agosto | Entrevista LURA

August 22, 2007

Hora da Terra de Abrigo

Antena Miróbriga (Santiago do Cacém) - Sextas 23h / 24

Zero - Domingos - 22h/23h

Rádio universitária do Minho - Terças-feiras - 21h/22h

Emissão de 17, 19 e 21 de Agosto

 

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A alfacinha de ascendência cabo-verdiana, LURA, foi a responsável por um dos melhores espectáculos do Festival Sons do Atlântico. O Terra de Abrigo entrevistou a autora de “M’bem di Fora” na Guia, no dia seguinte à sua actuação. Uma conversa de afectos e a declaração de amor da artista por TOY VIEIRA, JOSÉ DA SILVA e ANA JOSÉ CHARRUA (que fez anos no dia desta entrevista e que foi “puxada” para cima do palco por LURA).

 
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Terra de Abrigo | 28 e 30 de Julho e 2 de Agosto | Entrevista XAILE

August 20, 2007

Hora da Terra de Abrigo

Antena Miróbriga (Santiago do Cacém) - Sextas 23h / 24

Zero - Domingos - 22h/23h

Rádio universitária do Minho - Terças-feiras - 21h/22h

Emissão de 28 e 30 de Julho e 2 de Agosto

 

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MARIE, BIA, LÍLIA, as três pontas do XAILE

Dizem que tocam uma espécie de Música Planetária Portuguesa. Ainda não sabemos se o projecto XAILE de MARIE, BIA e LÍLIA constrói canções pop sofisticadas com elementos da música tradicional portuguesa, “celta”, árabe e do flamenco, ou se a folk nacional ganhou um “power trio” capaz de rivalizar com as finlandesas VÄRTTINÄ, as galegas FALTRIQUEIRA ou as belgas LAÏS. A Terra de Abrigo conversou com uma das pontas do XAILE: LÍLIA - Voz, Harpa celta, Adufe, Bombo.

Próximos convidados do Terra de Abrigo: LURA, VICTOR GAMA, NANCY VIEIRA.

 
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Terra de Abrigo | 14, 16 e 18 de Julho | Entrevistas CHUCHURUMEL + DIABO A SETE

August 20, 2007

Hora da Terra de Abrigo

Antena Miróbriga (Santiago do Cacém) - Sextas 23h / 24

Zero - Domingos - 22h/23h

Rádio universitária do Minho - Terças-feiras - 21h/22h

Emissão de 14, 16 e 18 de Julho

 

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CHUCHURUMEL

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DIABO A SETE

CHUCHURUMEL e DIABO A SETE têm em comum o facto de ambos os projectos contarem com a sanfona, a concertina e a voz de JULIETA SILVA, de estarem a pegar em elementos da nossa tradição musical e de a moldarem de forma o mais portuguesa e inovadora possível. Ambos lançaram recentemente dois dos mais interessantes registos folk gravados e editados este ano em Portugal: “Posta Restante” - CHUCHURUMEL e “Parainfernália” - DIABO A SETE.

 
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[video FMM Sines #1] EUGENE HÜTZ

August 10, 2007

Há jovens cantoras lusófonas em ascensão que se recusam a dar entrevistas no próprio dia de um concerto. Há virtuosos músicos que utilizam o myspace como ferramenta fundamental de promoção a um novo disco, mas que ignoram os sites da especialidade, a blogosfera e as rádios locais e on-line. Há, no entanto outra estirpe de artistas que, apesar de nos pedirem para não puxarmos muito por eles pelo facto de se encontrarem com alguns problemas de voz, chegam ao local onde vão actuar quase em cima do seu espectáculo e ainda conseguem dar três ou quatro entrevistas.

EUGENE HÜTZ dos GOGOL BORDELLO falou durante o concerto de K’NAAN (à volta de 11 minutos), com o escriba deste tasco sobre o facto de os DEAD KENNEDYS serem para ele “world music”, sobre o orgulho cigano e a sua ascendência “servo”, sobre o seu idolo de infância SACHA KOLPAKOV e a sua recente integração nos KOLPAKOV TRIO (que agora é quarteto), sobre a influência de Itália e da tarantela no novo disco “Super Taranta”, sobre as jovens moças ucranianas que “emigram” para o Dubai. Um artista completo e inteligente que parece conhecer todos os truques para manter uma enorme plateia em contínuo clímax, do primeiro ao último momento. Os GOGOL não criam a música mais original do mundo, mas oferecem dos mais esforçados, intensos e excitantes espectáculos rock. Ora voltem lá a sentir a combinação perfeita de “Not a Crime” com a habitual pirotecnia do fim de festa em Sines. Não os percam em Paredes de Coura por nada deste mundo.

Este é o primeiro vídeo de uma série de 20 entrevistas e momentos de improviso que serão publicados no blog e no site do FMM de Sines, com ERIKA STUCKY, BELLOWHEAD, NORSKT, JACKY MOLARD, LULA PENA, TARTIT, TRILOK GURTU, KARL SEGLEM & RÃO KYAO, TTUKUNAK, DAVID MURRAY, MAHMOUD AHMED, ETRURIA CRIMINALE BANDA, HAYDAMAKY, MAMANI KEITA, DETI PICASSO, DARKO RUNDEK, ETRAN FINATAWA, OUMOU SANGARÉ e HAMILTON DE HOLANDA.

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[Entrevista MACACO]: das ramblas à lua

August 9, 2007

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“Ingravitto” é a última criação do catalão DANI MACACO “EL MONO”. Um dos percursores da música mestiça de Barcelona que revoluciona flamenco e rumba catalã. MACACO continua a albergar um batalhão de músicos de várias nacionalidades e áreas para os seus discos: Juanli ElCanijo, Muchachito Bombo Infierno, Nação Zumbi, La Mari de Chambão, Ms.Maliko e Caparezza.

A propósito da presença de MACACO no Sons do Atlântico, recuperamos uma entrevista com o catalão efectuada há cerca de um ano, no dia da sua actuação no festival Mestiço, publicada no suplemento “W” do Público.

- Nos anos 80, os catalães QUIMI PORTET e MANOLO GARCIA foram dos primeiros músicos a fazer uma mescla de flamenco, rumba, música árabe e pop / rock, com o seu projecto EL ÚLTIMO DE LA FILA. Até que ponto este duo serviu e serve de influência para Macaco?

Há muitas bandas rotuladas de mestiças que não reconhecem essa influência. No meu caso, reconheço a grande influência que o QUIMI e o MANOLO tiveram sobre mim. Gostava muito deles quando era pequeno. Não somente pela fusão de pop / rock com flamenco e rumba, mas sobretudo pela forma como eles jogam com o formato canção, sem divagar muito nos arranjos musicais. Eles são fãs de MACACO.

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Terra de Abrigo | 15, 17 e 19 de Junho | Entrevista DAVIDE ZACCARIA (TERRA D’ÁGUA)

June 20, 2007

Hora da Terra de Abrigo

Antena Miróbriga (Santiago do Cacém) - Sextas 23h / 24

Zero - Domingos - 22h/23h

Rádio universitária do Minho - Terças-feiras - 21h/22h

Emissão de 15, 17 e 19 de Junho

 

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DAVIDE ZACCARIA, violoncelista italiano residente em Portugal há meia-dúzia de anos, volta a pegar no projecto TERRA D’AGUA e, para além da sua companheira MARIA ANADON (que já havia participado no primeiro disco), convoca outras vozes de relevo no panorama da música tradicional portuguesa (e não só): DULCE PONTES, FILIPA PAIS, LÚCIA MONIZ e a galega UXIA. Juntos, trabalharam um dúzia de canções de ZECA AFONSO para as integrar na obra “A Terra do Zeca”. Mais uma homenagem ao cantautor que, vinte anos após a sua morte, tem dominado a tabela de vendas de CD.

 
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Terra de Abrigo | 8, 10 e 12 de Junho | Entrevista CLAUD

June 20, 2007

Hora da Terra de Abrigo

Antena Miróbriga (Santiago do Cacém) - Sextas 23h / 24

Zero - Domingos - 22h/23h

Rádio universitária do Minho - Terças-feiras - 21h/22h

Emissão de 8, 10 e 12 de Junho

 

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Durante esta hora conversámos com a cantora barreirense CLAUD. “ConTradições”, o seu álbum de estreia lançado em 2006 pela Som Livre, apresenta um conjunto de canções pop que tanto podem revestir-se com arranjos de música electrónica (trip hop), hip hop, como podem ir ao encontro da raíz da música popular portuguesa. Neste disco, produzido por PAULO DE CARVALHO (intimamente ligado a este projecto), são preciosos os contributos do multi-instrumentista AMADEU MAGALHÃES e do acordeonista RUI CURTO. De referir ainda que PAULO MARINHO (SÉTIMA LEGIÃO, GAITEIROS DE LISBOA), apesar de não ter participado nas gravações de “ConTradições”, é actualmente um dos membros do projecto.

 
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[entrevista] CORDEL DO FOGO ENCANTADO: a efervescência da cultura do interior nordestino [parte 1/3]

June 15, 2007

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Depois de terem passado no final de Julho de 2006 pelo FMM de Sines, o grupo do interior do nordeste brasileiro, CORDEL DO FOGO ENCANTADO, regressa hoje ao nosso país para participar na nobre iniciativa do Teatro Viriato “Viseu a 15 do 6”, conjuntamente com interessante projecto MOUNTAIN TALE (que reúne os HUUN HUUR TU de Tuva, os russos MOSCOW ART TRIO e o coro búlgaro ANGELITE), os italianos ANÓNIMA NUVOLARI, o blues portugueses cheio de personalidade com NOBODY’S BUZINESS, uma homenagem ao malogrado músico local JOSÉ VALOR e sessões de gira-disquismo com BAILARICO SOFISTICADO e DALTONIC BROTHERS & DEZPERADOS.

Este espaço recupera uma conversa com o carismático líder e declamador LIRINHA, efectuada no litoral alentejano, há cerca de dez meses. Altura em que ainda não tinha sido lançado “Trasfiguração”, o terceiro e último trabalho editado no final do ano transacto pelos CORDEL DO FOGO ENCANTADO e que sucede a “Cordel do Fogo Encantado” (2001) e “O Palhaço no Circo Sem Futuro” (2002). [act.]

Neste momento ainda não tive oportunidade de ouvir “Transfiguração”, porque o disco só sai no final deste ano, mas parece-me que este álbum foi concebido de uma forma diferente dos outros dois que reproduziam o espectáculo ao vivo e este é, pela primeira, vez uma colecção de canções gravadas antes de serem interpretadas ao vivo.

Os dois primeiros discos foram gravados em estúdio mas simbolizam uma ideia nossa de um registo de espectáculo como se tivessem sido gravados ao vivo e, por isso, seguem um roteiro. As gravações também foram feitas numa sala sem um metrónomo e todos juntos. Este é diferente. Porque nasce antes do espectáculo. Nasce em forma de canções. É uma estreia do CORDEL no ambiente musical e não o registo de um espectáculo. Isso ocorreu com a escolha de um produtor musical com quem não tínhamos trabalhado. O produtor do primeiro disco foi NANA VASCONCELOS e essa escolha foi muito mais afectiva e ligada ao espectáculo, porque vínhamos de uma ‘tournée’ conjunta e ele decidiu registar esse primeiro disco. O segundo foi a própria banda que produziu. Para o terceiro disco chamámos o produtor CARLOS EDUARDO MIRANDA e o disco assumiu desde o seu nascimento uma postura mais musical.

Qual a diferença de processos entre a auto-produção do segundo disco e a produção do CEM no terceiro disco?

É uma diferença enorme. Foi importantíssima a presença dele para direccionar as ideias que são muitas e que saem de todos os lados. Ele serviu para canalizar o monte de desejos (aquele vulcão) para aquele trabalho que é o álbum. Mas não nos arrependemos de termos produzido o segundo disco, embora tenhamos tido problemas sonoros de áudio. Aí tomámos uma posição política na banda porque houve uma mudança na nossa forma de interpretação. Mais agressiva. Queríamos assumir essa mudança e não deixar nas costas do produtor essa ideia de que ele tinha mudado o rumo.

A banda nasce praticamente nos palcos do teatro. Será que, com este novo disco, assumem-se como uma banda de canções [que deixa para segundo plano a essência teatral]?

Em 1999, este grupo fez uma opção para virar banda. Quem sobe ao palco não são cinco personagens, não encenamos um profeta. São cinco músicos com os seus nomes que sobem ao palco em forma de banda, mais o elemento teatral que está na origem do espectáculo. Então, ainda fazemos um roteiro que não é ligado às músicas (não ligamos se são rápidas ou lentas). Fazemos um roteiro ligado a uma história. A iluminação é conceptualmente de teatro, muito claro, muito forte, embora com recursos de ‘show’, luzes que se movem e tal. No próprio desenrolar do concerto, está implícito toda a nossa experiência com o teatro. Acredito que o CdFE seja um grupo que se encontre na zona de fronteira entre o teatro e a música. Não é só o Cordel, há outros grupos também nesta fronteira. Isso é algo novo que tem a ver também com a geração da Internet.

É esse elemento teatral que vos dá a força que têm em palco? Força essa que atinge proporções de verdadeira banda de culto, sobretudo no Brasil (em que muita da vossa assistência manifesta orgulho em ser brasileiro ao ver-vos em cima do palco)?

Não sei responder o que de facto provoca isso. O grupo foge de um conceito da memória musical da população. A percussão sempre na frente, a poesia sendo gritada, acho que é na verdade um encontro com algo muito estranho e no Brasil isso tem um efeito muito poderoso. Existe toda uma história de ligação da percussão com a coisa arcaica, com a coisa tradicionalista e tribal. E o grupo apresenta essa percussão com essa origem tão antiga. Às vezes com uma postura contemporânea, com uma sonoridade (volto a dizer) agressiva. Há elementos do grupo que amam o ‘punk’ e trazem um pouco disso para a banda.

[parte 1/3]

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[entrevista] CORDEL DO FOGO ENCANTADO: a saga do eterno retirante [parte 2/3]

June 15, 2007

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LIRINHA

Vocês afirmam que não são como árvores. Que não têm as raízes no mesmo sítio. Vocês caminham de um lado para o outro com as vossas raízes?

Todos nós. Ser da nossa região, implica carregar uma série de rótulos.

O Sertão, que sempre foi associado a música brejeira, da província.

E no sudeste existe uma visão oposto disto: futurista, cosmopolita. Isso não é real.

Vocês não se assumem como uma banda de ‘mangue beat’. Vêm do interior (Arcoverde) e o ‘mangue beat’ nasce no litoral (Recife). De qualquer forma, há nesta movimentação ‘mangue’ bandas com uma percussão muito forte como a NAÇÃO ZUMBI que parece terem aberto uma espécie de auto-estrada para vocês passarem e poderem chegar aos ouvintes do litoral. Estarei correcto?

Totalmente. Não temos nenhum problema em ser do ‘mangue beat’. Nós apenas comentamos que não fazemos parte daquele manifesto ‘mangue’ onde se fala em desentupir as veias do Recife. Tudo se refere à capital de Pernambuco. O problema é que existe um fenómeno mundial de as pessoas estarem de costas voltadas para o seu interior e utilizam expressões como “a efervescência da cultura pernambucana” [que se refere apenas ao Recife]. Isso é um grande engano. Isso acontece na metrópole e ninguém sabe o que está acontecendo no interior. Isso não é um fenómeno só em Pernamuco, é um fenómeno mundial. Você não sabe o que está acontecendo no interior de Portugal, da mesma forma que sabe o que se passa na metrópole (Lisboa). Acredito que em qualquer lugar existe gente fazendo música e poesia. São coisas inerentes ao ser humano. Nós somos de Arcoverde, uma cidadezinha de 70 mil habitantes. A nossa capital é o Recife. Hoje vivemos em São Paulo porque mandar uma mensagem do interior para a metrópole é o mais difícil.

Vocês seguem o percurso semelhante ao de muitos grupos do nordeste brasileiro que acabam por ir viver para São Paulo.

É inevitável. Vivemos nesse sistema capitalista e São Paulo puxa-nos pelo facto de ser habitada por 16 milhões de pessoas. É a quinta ou quarta maior cidade do mundo. Há muito mais espectáculos. Os jornais, as revistas, as televisões, estão todas lá. Torna-se uma espécie de ditadura inevitável. É a eterna retirada. Na minha região, no período forte de seca saia um ‘ônibus’ diário para São Paulo. São três dias de viagem levando os chamados retirantes que são as pessoas que saem de suas casas quando a seca é muito forte. Isso incha São Paulo e cria aquelas favelas enormes. Eu considero-me junto com os meus amigos um retirante também por uma outra água que secou, que é a possibilidade de viver da arte, de poesia, de música no nosso lugar. Somos literalmente obrigados a ir para essa cidade grande por questão de sobrevivência. Não meu caso não é necessidade de comer e de beber, é de sobrevivência artística.

Como é que os paulistas vêem os emboladores, os músicos de coco?

Hoje já se acredita que a arte não está congelada no passado. Já se entende que os emboladores têm a ver com o rap que é feito em São Paulo, que é ritmo, poesia e improviso. Acredito que esta geração mais nova já perdeu um pouco desses dogmas das artes fixas nos seus lugares e que não dialogam entre si. Isso não existe mais. Agora, preconceito, rótulo, ainda existe. Ainda nos dão o prémio da melhor banda regional [por sermos do nordeste]. A etiqueta ‘Música da Região’ não tem fundamento nenhum. Todo o mundo faz, inclusive CHICO BUARQUE e sambistas do Rio de Janeiro. Fazem música da sua região. Mas é um rótulo. Como LENINE agora é musica da ‘pop’. Ele fica super chateado.

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[entrevista] CORDEL DO FOGO ENCANTADO: “o crime não sabe ler” [parte 3/3]

June 15, 2007


LIRINHA no FMM de Sines | (c) Mário Pires

O nome CORDEL DO FOGO ENCANTADO é inspirado na literatura de cordel, na poesia trovadoresca, medieval e das cantigas de amigo de origem portuguesa. Que diferenças há entre a vossa e a nossa literatura de cordel?

Nós não falamos em cordel, falamos em cordão. É literatura de cordão. Só que os portugueses e os espanhóis, na época da colonização, deram nome a essa literatura que se pendurava nas feiras de cordel. Chegou lá em forma de quadrinhas de amor e desenvolveu-se…

O cordel do nordeste brasileiro adquiriu uma linguagem regionalista muito própria.

Essa literatura chegou a todo o Brasil e desenvolveu-se de forma impressionante no Sertão. Há cerca uma centena de géneros de métrica e rima (não mais a quadra), como a sextilha, sete linhas, mourão voltado, decassílabo, galope à beira mar, galope alagoano. Tudo isso é forma de rimar e metrificar. Como o soneto camoniano.
Mourão Voltado que vem dessa coisa dos mouros. Desenvolveu-se desta forma impressionante nesta região e ficou congelado noutras regiões do Brasil e, inclusive, em Portugal. Outro facto interessante é a herança moura herdada pelos portugueses que hoje está presente na música nordestina com a rebeca, a sanfona. Talvez até mais na nossa música actual do que na de Portugal. A literatura de cordel não é a poesia improvisada. Mas eles até fazem a mesma coisa (o poeta canta de improviso). Cordel é uma poesia exposta à venda e que tem as suas regras (quantidade de páginas, geralmente são sextilhas ou décimas). É uma literatura que teve o seu auge na década de trinta. Perdeu muita força porque ocupava a função da televisão e da rádio. Depois do jantar, as pessoas reuniam-se para ler cordel.

Há uma história maravilhosa para você ver a força do cordel. A morte de um presidente do Brasil chamado Gertúlio Vargas que se suicidou na década de 40, depois da 2ª Grande Guerra Mundial [governou entre 1930 e1945]. Ele era muito querido pela população. Morreu às 9h30 e às 2h da tarde já havia na minha cidade um cordel com a história da morte dele, já impresso e com capa, e teve uma tiragem de 300 mil exemplares. Perguntam muito se nós somos responsáveis pelo reavivar do cordel. Não é possível, o cordel não voltará. Isso é saudosismo. Ele vai-se transformar em outras coisas e vai estar presente na sua alma.

No livro “Assim falava Lampião”, que colecciona para cima de 2500 palavras e expressões nordestinas, podemos verificar o quão esta gente conseguiu ser tão criativa ao nível da linguagem (que o próprio Brasil “civilizado” não conhece).

Sem dúvida. É um país de dimensão continental. As regiões são muito diferentes. A literatura de Guimarães Rosa, por exemplo, é outro Sertão. É o Sertão de Minas Gerais, rico, com ouro. É uma linguagem que a gente às vezes também não entende direito. Um estudioso, Luís da Câmara Cascudo (que já morreu) foi, talvez, aquele que já escreveu mais sobre essas influências e como a nossa poesia foi influenciada por isso.

O que é que te motiva a declamar um poema de Zé da Luz, “Ai Se Sêsse”? É a simplicidade da escrita, com imenso cheiro a terra, a ruralidade?

Neste caso foi um encontro que tive com essa poesia muito cénica, mais pela imagem desse absurdo de rasgar o céu. Conheci o Zé da Luz através de outras poesias de 20 minutos que eu fazia no começo, no CORDEL. Era um absurdo, mas eu fazia isso. Era em salas teatro. Tinha a introspecção do espaço. Era muito forte. Um poema como “O Crime não sabe ler” era uma jogada incrível, maravilhosa, porque é do início do século passado e ele fala que viu a mulher receber uma carta de um cara. Essa poesia tem uns vinte minutos, é uma saga. Ele acompanha a mulher, pega essa carta, só que ele não sabe ler e termina matando a mulher. Leva a carta ao delegado e verifica que ela estava pedindo ao cara, por amor de deus, que parasse dizer essas coisas, pois ela amava o marido. Cheguei ao “Ai Se Sêsse” através destas poesias grandes. Escutava isto em circo, num momento em que se parava e se dizia poesia. Cresci escutando isto. Os meus ídolos eram declamadores. Comecei como declamador com 11 anos. Dois cantadores viram-me recitando poesia e chamaram-me para os acompanhar numa tournée e para actuar nos intervalos deles. A minha função era mesmo a de declamador. Tem o cantador, o repentista que faz na hora, o violeiro e o declamador.

Há pouco falavas nas influências mouriscas. Mas na vossa música há sobretudo uma miscigenação entre índios americanos e escravos africanos.

Isso é o didáctico. Temos uma música – “Antes dos Mouros” – que fala nisso. É muito comum no Brasil aprendermos que a nossa raça é uma mistura que vem de Portugal que já era um país com uma série de influências, com a ocupação Moura. A presença dos negros de África no nosso país sempre foi muito forte. Teve uma era em que era metade da população. Os nativos também eram muitos. A gente vem disso, mas nós brincamos um pouco e perguntamos se “- será que é mesmo assim?”; “Será que a percussão vem de África?”. Um dia, um estudioso chamado Pedro Américo que estuda muito Portugal, mostrou-me um disco de percussão incrível, de umas senhoras tocando uns tambores. Será que não temos essas influências?

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[entrevista] CORDEL DO FOGO ENCANTADO: “o crime não sabe ler” [parte 3/3]

June 15, 2007


LIRINHA no FMM de Sines | (c) Mário Pires

O nome CORDEL DO FOGO ENCANTADO é inspirado na literatura de cordel, na poesia trovadoresca, medieval e das cantigas de amigo de origem portuguesa. Que diferenças há entre a vossa e a nossa literatura de cordel?

Nós não falamos em cordel, falamos em cordão. É literatura de cordão. Só que os portugueses e os espanhóis, na época da colonização, deram nome a essa literatura que se pendurava nas feiras de cordel. Chegou lá em forma de quadrinhas de amor e desenvolveu-se…

O cordel do nordeste brasileiro adquiriu uma linguagem regionalista muito própria.

Essa literatura chegou a todo o Brasil e desenvolveu-se de forma impressionante no Sertão. Há cerca uma centena de géneros de métrica e rima (não mais a quadra), como a sextilha, sete linhas, mourão voltado, decassílabo, galope à beira mar, galope alagoano. Tudo isso é forma de rimar e metrificar. Como o soneto camoniano.
Mourão Voltado que vem dessa coisa dos mouros. Desenvolveu-se desta forma impressionante nesta região e ficou congelado noutras regiões do Brasil e, inclusive, em Portugal. Outro facto interessante é a herança moura herdada pelos portugueses que hoje está presente na música nordestina com a rebeca, a sanfona. Talvez até mais na nossa música actual do que na de Portugal. A literatura de cordel não é a poesia improvisada. Mas eles até fazem a mesma coisa (o poeta canta de improviso). Cordel é uma poesia exposta à venda e que tem as suas regras (quantidade de páginas, geralmente são sextilhas ou décimas). É uma literatura que teve o seu auge na década de trinta. Perdeu muita força porque ocupava a função da televisão e da rádio. Depois do jantar, as pessoas reuniam-se para ler cordel.

Há uma história maravilhosa para você ver a força do cordel. A morte de um presidente do Brasil chamado Gertúlio Vargas que se suicidou na década de 40, depois da 2ª Grande Guerra Mundial [governou entre 1930 e1945]. Ele era muito querido pela população. Morreu às 9h30 e às 2h da tarde já havia na minha cidade um cordel com a história da morte dele, já impresso e com capa, e teve uma tiragem de 300 mil exemplares. Perguntam muito se nós somos responsáveis pelo reavivar do cordel. Não é possível, o cordel não voltará. Isso é saudosismo. Ele vai-se transformar em outras coisas e vai estar presente na sua alma.

No livro “Assim falava Lampião”, que colecciona para cima de 2500 palavras e expressões nordestinas, podemos verificar o quão esta gente conseguiu ser tão criativa ao nível da linguagem (que o próprio Brasil “civilizado” não conhece).

Sem dúvida. É um país de dimensão continental. As regiões são muito diferentes. A literatura de Guimarães Rosa, por exemplo, é outro Sertão. É o Sertão de Minas Gerais, rico, com ouro. É uma linguagem que a gente às vezes também não entende direito. Um estudioso, Luís da Câmara Cascudo (que já morreu) foi, talvez, aquele que já escreveu mais sobre essas influências e como a nossa poesia foi influenciada por isso.

O que é que te motiva a declamar um poema de Zé da Luz, “Ai Se Sêsse”? É a simplicidade da escrita, com imenso cheiro a terra, a ruralidade?

Neste caso foi um encontro que tive com essa poesia muito cénica, mais pela imagem desse absurdo de rasgar o céu. Conheci o Zé da Luz através de outras poesias de 20 minutos que eu fazia no começo, no CORDEL. Era um absurdo, mas eu fazia isso. Era em salas teatro. Tinha a introspecção do espaço. Era muito forte. Um poema como “O Crime não sabe ler” era uma jogada incrível, maravilhosa, porque é do início do século passado e ele fala que viu a mulher receber uma carta de um cara. Essa poesia tem uns vinte minutos, é uma saga. Ele acompanha a mulher, pega essa carta, só que ele não sabe ler e termina matando a mulher. Leva a carta ao delegado e verifica que ela estava pedindo ao cara, por amor de deus, que parasse dizer essas coisas, pois ela amava o marido. Cheguei ao “Ai Se Sêsse” através destas poesias grandes. Escutava isto em circo, num momento em que se parava e se dizia poesia. Cresci escutando isto. Os meus ídolos eram declamadores. Comecei como declamador com 11 anos. Dois cantadores viram-me recitando poesia e chamaram-me para os acompanhar numa tournée e para actuar nos intervalos deles. A minha função era mesmo a de declamador. Tem o cantador, o repentista que faz na hora, o violeiro e o declamador.

Há pouco falavas nas influências mouriscas. Mas na vossa música há sobretudo uma miscigenação entre índios americanos e escravos africanos.

Isso é o didáctico. Temos uma música – “Antes dos Mouros” – que fala nisso. É muito comum no Brasil aprendermos que a nossa raça é uma mistura que vem de Portugal que já era um país com uma série de influências, com a ocupação Moura. A presença dos negros de África no nosso país sempre foi muito forte. Teve uma era em que era metade da população. Os nativos também eram muitos. A gente vem disso, mas nós brincamos um pouco e perguntamos se “- será que é mesmo assim?”; “Será que a percussão vem de África?”. Um dia, um estudioso chamado Pedro Américo que estuda muito Portugal, mostrou-me um disco de percussão incrível, de umas senhoras tocando uns tambores. Será que não temos essas influências?

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Terra de Abrigo | 19 de Maio | Entrevista TERRAKOTA

May 25, 2007

Hora da Terra de Abrigo

Antena Miróbriga (Santiago do Cacém) - Sextas 23h / 24

Zero - Domingos - 22h/23h

Emissão de 19 de Maio

 

OBATRAIN.jpg

Os TERRAKOTA editam na próxima segunda-feira “Oba Train”, o seu terceiro álbum lançado através da Gumakala (uma conjugação de esforços entre a Matarroa e a Rádio Fazuma). Em vésperas de apresentarem este trabalho ao vivo (31 de Maio - Aula Magna de Lisboa; 8 de Junho - Casa da Música no Porto), ALEX e NATI estiveram na Terra de Abrigo e manifestaram o seu cepticismo em relação à indústria musical. Abordaram ainda a manipulação de informação e os problemas decorrentes de um mundo ocidental cada vez mais fechado à imigração. Assuntos aflorados nas canções de “Oba Train”, servidas por inúmeros ritmos e influências do “terceiro mundo”: afro-beat, mbalax, raggamuffin, wassolou, raï, zouk, salsa, son, chimurenga.

 
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Terra de Abrigo | 19 de Maio | Entrevista TERRAKOTA

May 25, 2007

Hora da Terra de Abrigo

Antena Miróbriga (Santiago do Cacém) - Sextas 23h / 24

Zero - Domingos - 22h/23h

Emissão de 19 de Maio

 

OBATRAIN.jpg

Os TERRAKOTA editam na próxima segunda-feira “Oba Train”, o seu terceiro álbum lançado através da Gumakala (uma conjugação de esforços entre a Matarroa e a Rádio Fazuma). Em vésperas de apresentarem este trabalho ao vivo (31 de Maio - Aula Magna de Lisboa; 8 de Junho - Casa da Música no Porto), ALEX e NATI estiveram na Terra de Abrigo e manifestaram o seu cepticismo em relação à indústria musical. Abordaram ainda a manipulação de informação e os problemas decorrentes de um mundo ocidental cada vez mais fechado à imigração. Assuntos aflorados nas canções de “Oba Train”, servidas por inúmeros ritmos e influências do “terceiro mundo”: afro-beat, mbalax, raggamuffin, wassolou, raï, zouk, salsa, son, chimurenga.

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Terra de Abrigo - 12 de Maio

May 17, 2007

Hora da Terra de Abrigo

Antena Miróbriga (Santiago do Cacém) - Sextas 23h / 24

Zero - Domingos - 22h/23h Emissão de 12 de Maio

 

VinhodosAmantes_full.jpg

Hora dedicada em exclusivo à mais recente criação de uma das melhores vozes masculinas portuguesas. JANITA SALOMÉ faz a ode ao vinho e aos prazeres intensos através de 11 poemas de Camilo Pessanha, Hélia Correia, Carlos Mota de Oliveira, José Jorge Letria, Anacreonte, Li Bai e Charles Baudelaire, musicados por MÁRIO DELGADO, RUBEN ALVES, JOSÉ MANUEL DAVID, JOÃO PAULO ESTEVES DA SILVA e pelo próprio JANITA. Durante uma hora fala-se da dificuldade de editar discos conceituais no nosso país, da cada vez maior aproximação dos músicos de jazz à música tradicional, de frustrações, de prazeres, do consumo moderado de vinho, de ZECA AFONSO e até mesmo dos DAZKARIEH (de quem JANITA é um profundo admirador).

 
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[entrevista BRIGADA VICTOR JARA]: ceia trad com todos

April 27, 2007

brigada_avante_06A BRIGADA VICTOR JARA actua hoje na Casa das Artes de Arcos de Valdevez, na extensão do Intercéltico do Porto deste ano. As Crónicas da Terra recuperam uma entrevista em áudio a MANUEL ROCHA e RICARDO DIAS, efectuada em Outubro de 2006, por alturas da edição do último disco deste projecto de Coimbra que já passou a barreira dos 30 anos de existência.

 
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[Entrevista TOQUES DO CARAMULO]: a pureza da folk da montanha

April 23, 2007

tdc

TOQUES DO CARAMULO “É ao vivo!”. Que melhor título para descrever a mais recente criação da Associação Cultural d’Orfeu que acaba de editar o seu primeiro registo em CD, captado em Águeda (em Outubro de 2006) num vibrante e participado espectáculo?

LUÍS FERNANDES (acordeão e viola braguesa), ANÍBAL ALMEIDA (rabeca), GONÇALO RODRIGUES (bandolim), FRANCISCO ALMEIDA (guitarra), LARA FIGUEIREDO (flauta), RICARDO COUTINHO (percussão), JOÃO ANDRÉ (cajon) e MIGUEL CARDOSO (contrabaixo) recuperam algum do repertório da Serra do Caramulo (a fonte de mais de 400 modinhas parece ser inesgotável) e, apesar e só tocarem modinhas do seu concelho de origem, os TOQUES DO CARAMULO são actualmente um dos mais dançáveis e modernos projectos “folk” do nosso país. Depois de terem participado recentemente na Rede Galega de Música ao Vivo, os Toques do Caramulo actuam em Sines na noite de 24 de Abril. No dia seguinte apresentam “É ao Vivo” num concerto-baile, no teatro da Luz em Lisboa (às 17h30).

LUÍS FERNANDES responde às perguntas formuladas por este espaço. leia mais »»»

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[entrevista SAL]: temperos da raia graúda

April 11, 2007

sal2

ANA SOFIA VARELA, FERNANDO JÚDICE (baixo acústico), JOSÉ PEIXOTO (guitarra clássica) e VICKY (percussões). Como o próprio nome deixa transparecer, SAL simboliza a relação dos portugueses com o mar. É uma música de andarilhos, de ida e volta, que suga a alma do fado e do flamenco (mas que consegue fugir aos lugares comuns de ambos os géneros) na raia alentejana, atira-se ao jazz manouche e perde-se por vezes na cadência rítmica árabe (do norte de África). Há a viagem habitual às nuvens por via da guitarra clássica do prolífico FERNANDO JÚDICE , mas há também uma certa tensão e nervo que se recomenda, sobretudo em “Ai, mas ai de mim”, que se destaca claramente de um punhado de belíssimas canções assinadas por TIAGO TORRES DA SILVA. leia mais »»»

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[entrevista] MARIA DEL MAR BONET: a menina do mar

March 8, 2007

mariadelmar.jpg

[recordar JOSÉ AFONSO pela voz de uma excelsa mulher maiorquina, através de entrevista efectuada em 1998, dias antes de a cantora catalã participar no Festival Cantigas do Maio do Seixal. Artigo publicado originalmente no Semanário O Independente]

MARIA DEL MAR BONET poderia ser a personagem principal de uma história infantil escrita por Sophia de Mello Breyner Andersen. Apesar de carregar consigo meio século de existência, a sua voz e o seu rosto mantêm a beleza e candura das inocentes sereias que povoam os nossos sonhos de criança.

Com 30 anos de carreira e mais de 20 discos editados, há-de continuar a ser jovem enquanto cantar. A cantora Catalã revela-nos que “uma das coisas mais importantes na vida é fazer um trabalho que me dá gozo e isso rejuvenesce-me”. Tirem então da ideia as possíveis práticas orientais de domínio do corpo e da mente, ou de alimentação natural. Tal jovialidade parece ser uma característica de quem nasceu cercado pelo mar, pois “a minha mãe também sempre aparentou ser mais nova.” »»»

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[entrevista NICK GOLD] “Buena Vista” para o negócio dos discos II

February 14, 2007

goldgonzalez
NICK GOLD com RÚBEN GONZÁLEZ | (c) Christina Jaspars

[2ª parte]

Muitos dos artistas que mais discos venderam por infelicidade já faleceram. Há também músicos em idade avançada. Não será necessário pensar numa certa renovação do catálogo da World Circuit?

De momento estou no meio de quatro projectos e com músicos que não estão em idade assim tão avançada. Acabámos de gravar um disco a solo de TOUMANI DIABATÉ só com kora. Penso que é um disco extraodinário. Tenho-o ouvido vezes sem conta. Cheio de “groove”, de belas melodias e de improvisos. TOUMANI não é assim tão velho. Estou também a trabalhar num novo disco da OUMOU SANGARÉ. Terminou ontem [dia 5 de Dezembro de 2006] as gravações e estou à espera de as receber. Ela tem estado a trabalhar com instrumentos mais tradicionais. Grandes balafons bambara a fazer de “sub bass” e com mais n’gonis a fazer de baixo. Tem feito um esforço por inovar. Vamos começar a gravar no final de Janeiro um novo disco da ORCHESTRA BAOBAB com novas composições, pela primeira vez, em 20 anos. Estamos também a gravar um novo disco com a DIMI MINT ABBA da Mauritânia com quem trabalhámos há muito tempo. Há agora muito material novo. No ano passado perdemos o ANGA DIAZ e foi terrível. Ele estava com num novo projecto inovador ao nível da percussão. Tínhamos imensa curiosidade para ver o que ele iria fazer a seguir. Tenho ainda estado a falar com novos artistas mas não há nada em concreto, para já. Não ando à procura de algo novo. Os músicos com quem trabalho recomendam outros músicos. Sabemos que algo virá.

Tanto AFEL BOCOUM como VIEUX FARKA TOURÉ são os músicos que actualmente carregam o legado de ALI FARKA TOURÉ. Como é que vê o facto de não ter edi