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Terra de Abrigo | 30 de Junho, 2 e 4 de Julho | Reportagem XARABANDA + SEIS PO’ MEIA DÚZIA

August 19, 2007

Hora da Terra de Abrigo

Antena Miróbriga (Santiago do Cacém) - Sextas 23h / 24

Zero - Domingos - 22h/23h

Rádio universitária do Minho - Terças-feiras - 21h/22h

Emissão de 23, 25 e 27 de Junho

 

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Ensaio dos XARABANDA na sede da Associação Cultural

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O ‘xarambista’ ROBERTO MONIZ

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O fundador e cicerone desta reportagem RUI CAMACHO

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O virtuoso acordeonista sérvio SLOBODAN SARCERVIC

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o grupo acapella feminino SEIS PO’ MEIA DÚZIA

Reportagem efectuada em Julho de 2006 na sede da Associação Cultural Xarabanda do Funchal onde a instituição da música tradicional madeirense XARABANDA e o grupo “satélite” vocal feminino SEIS PO’ MEIA DÚZIA ensaiavam para participar na edição de sse ano do Festival Raízes do Atlântico.

Durante uma hora de emissão houve a oportunidade de conhecermos o rigor do trabalho efectuado durante 25 anos na recolha e interpretação de modas tradicionais da ilha da Madeira e as particularidades de alguns dos músicos que compõem este projecto: ROBERTO MONIZ, músico que toca de improviso exemplifica as diferenças entre o xaramba e o bailinho tocado ao desafio; SLOBODAN, acordeonista sérvio que fala tão bem (ou melhor) português como alguém que nasceu no nosso país, mostra como o corridinho e o bailinho podem ter afinidades com a música balcânica de raizes islâmicas.

 
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FMM de SINES: a garbosa armada do “almirante” Seixas

August 10, 2007

Pela primeira vez, consegui assistir a todos os dias e a todos os espectáculos do FMM de Sines alargado à extensão de Porto Covo. Foram nove dias de grande intensidade em que tive a missão e a oportunidade de entrevistar cerca de vinte dos trinta e três intervenientes desta nona edição para editar posteriormente em vídeo (a disponibilizar via you tube no blog e no site do FMM) e em áudio (para o programa de rádio Terra Pura). Foram nove os dias de enorme gozo (e de grande estresse também) em que pude sobretudo saborear aquilo que é melhor profissão do mundo: a de ser consecutivamente e agradavelmente surpreendido com artistas fascinantes, seja como repórter, seja como entrevistador. Destaco uma conversa com Erika Stucky em que ela continuamente fez uso de todos os seus recursos vocais, quer a imitar o choro de um bebé, quer a exemplificar o yodel. A norte-americana de ascendência helvética possui uma forma expansiva de ser aliado a uma simplicidade e uma humildade que cativa de imediato que nunca ouviu falar dela. São esses momentos como este, em que nos cruzamos com um ser humano fascinante (aqui não é necessário falar das suas várias artes performativas) que nos dão o necessário suplemento energético para continuarmos a viver de alma e coração o FMM e esquecer todo o cansaço e a tensão acumulada pelo facto de termos de estar disponíveis a todo o momento, há nove dias sucessivos.

Aproveito para agradecer profundamente ao “almirante” Seixas e à incansável e muito organizada e motivada equipa de produção e promoção do FMM toda esta experiência extremamente enriquecedora que nos foi proporcionada (a mim e ao Mário Pires que filmou e fotografou). Creio que não tínhamos conseguido efectuar metade das entrevistas realizadas se não fosse o vosso trabalho planificado ao detalhe. Há aqui muito material com interesse como revelações em primeira-mão e momentos musicais informais que necessitam de ser editados e que por isso mesmo irão ser publicados a pouco e pouco, a partir da próxima semana. Além disso, tive também a oportunidade de recolher gravações com boa qualidade sonora de alguns dos concertos que vão ser também editados e transmitidos em cinco ou seis emissões especiais da Terra Pura, a partir de Setembro. Prometo também, até ao próximo feriado de quarta-feira, dia 15, completar as apreciações (pessoais) aos restantes 27 concertos em falta daquele que considero, por todas as razões já explanadas, o melhor festival de sempre a que já assisti no nosso país (claro que nunca esquecerei as experiências vividas nem em Kaustinen na Finlândia, nem em Falun na Suécia, que fazem de mim um verdadeiro aficionado da folk nórdica).
Tal como o Andanças (por razões distintas), o FMM é um festival vivido intensamente por cada espectador a qualquer hora do dia. Com ou sem actividades programadas. O meu FMM foi uma epifania vivida sobretudo à base de música. E que grandes concertos e que belos momentos de improviso a que eu, pelo menos, assisti…

Nota 5:

GOGOL
BELLOWHEAD
JACKY MOLARD
ERIKA STUCKY & ROOTS OF COMMUNICATION

Nota 4,5:

HAYDAMAKY
NORSKT
TRILOK GURTU BAND
GALANDUM GALUNDAINA
MAMANI KEITA & NICOLAS REPAC
ETRURIA CRIMINALE BANDA
DARKO RUNDEK & CARGO ORKESTAR
CARLOS BICA

Nota 4:

TARTIT
MAHMOUD AHMED
LULA PENA
OUMOU SANGARÉ
K’NAAN

Alguns dos grandes momentos:

- A sincronia perfeita entre o fogo de artifício e os Gogol Bordello e toda a excitação final de quem viu este concerto no telhado do gabinete de imprensa;
- A Erica Stucky a integrar na sua performance as badaladas dos sinos de igreja de Sines (curiosamente, só os ouvi na sua actuação);
- As Ttutunak que não se sentiram minimamente incomodadas ao partir involuntariamente uma das pedras de uma das suas Txalapartas durante um dos seus improvisos;
- o DJ Ill Vibe a tocar percussão com a agulha de um dos seus pratos;
- O embaraço da Lula Pena a tentar afinar a guitarra;
- Os “Gamíadas” do camarada Pires;
- A declaração de amor entre Rachid Taha e Carlos Seixas em cima do palco (esta é meramente provocativa);
- O balde de caipirinhas que se encontrava no gabinete de imprensa no último dia;

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FMM de SINES: a garbosa armada do “almirante” Seixas

August 10, 2007

Pela primeira vez, consegui assistir a todos os dias e a todos os espectáculos do FMM de Sines alargado à extensão de Porto Covo. Foram nove dias de grande intensidade em que tive a missão e a oportunidade de entrevistar cerca de vinte dos trinta e três intervenientes desta nona edição para editar posteriormente em vídeo (a disponibilizar via you tube no blog e no site do FMM) e em áudio (para o programa de rádio Terra Pura). Foram nove os dias de enorme gozo (e de grande estresse também) em que pude sobretudo saborear aquilo que é melhor profissão do mundo: a de ser consecutivamente e agradavelmente surpreendido com artistas fascinantes, seja como repórter, seja como entrevistador. Destaco uma conversa com Erika Stucky em que ela continuamente fez uso de todos os seus recursos vocais, quer a imitar o choro de um bebé, quer a exemplificar o yodel. A norte-americana de ascendência helvética possui uma forma expansiva de ser aliado a uma simplicidade e uma humildade que cativa de imediato que nunca ouviu falar dela. São esses momentos como este, em que nos cruzamos com um ser humano fascinante (aqui não é necessário falar das suas várias artes performativas) que nos dão o necessário suplemento energético para continuarmos a viver de alma e coração o FMM e esquecer todo o cansaço e a tensão acumulada pelo facto de termos de estar disponíveis a todo o momento, há nove dias sucessivos.

Aproveito para agradecer profundamente ao “almirante” Seixas e à incansável e muito organizada e motivada equipa de produção e promoção do FMM toda esta experiência extremamente enriquecedora que nos foi proporcionada (a mim e ao Mário Pires que filmou e fotografou). Creio que não tínhamos conseguido efectuar metade das entrevistas realizadas se não fosse o vosso trabalho planificado ao detalhe. Há aqui muito material com interesse como revelações em primeira-mão e momentos musicais informais que necessitam de ser editados e que por isso mesmo irão ser publicados a pouco e pouco, a partir da próxima semana. Além disso, tive também a oportunidade de recolher gravações com boa qualidade sonora de alguns dos concertos que vão ser também editados e transmitidos em cinco ou seis emissões especiais da Terra Pura, a partir de Setembro. Prometo também, até ao próximo feriado de quarta-feira, dia 15, completar as apreciações (pessoais) aos restantes 27 concertos em falta daquele que considero, por todas as razões já explanadas, o melhor festival de sempre a que já assisti no nosso país (claro que nunca esquecerei as experiências vividas nem em Kaustinen na Finlândia, nem em Falun na Suécia, que fazem de mim um verdadeiro aficionado da folk nórdica).
Tal como o Andanças (por razões distintas), o FMM é um festival vivido intensamente por cada espectador a qualquer hora do dia. Com ou sem actividades programadas. O meu FMM foi uma epifania vivida sobretudo à base de música. E que grandes concertos e que belos momentos de improviso a que eu, pelo menos, assisti…

Nota 5:

GOGOL
BELLOWHEAD
JACKY MOLARD
ERIKA STUCKY & ROOTS OF COMMUNICATION

Nota 4,5:

HAYDAMAKY
NORSKT
TRILOK GURTU BAND
GALANDUM GALUNDAINA
MAMANI KEITA & NICOLAS REPAC
ETRURIA CRIMINALE BANDA
DARKO RUNDEK & CARGO ORKESTAR
CARLOS BICA

Nota 4:

TARTIT
MAHMOUD AHMED
LULA PENA
OUMOU SANGARÉ
K’NAAN

Alguns dos grandes momentos:

- A sincronia perfeita entre o fogo de artifício e os Gogol Bordello e toda a excitação final de quem viu este concerto no telhado do gabinete de imprensa;
- A Erica Stucky a integrar na sua performance as badaladas dos sinos de igreja de Sines (curiosamente, só os ouvi na sua actuação);
- As Ttutunak que não se sentiram minimamente incomodadas ao partir involuntariamente uma das pedras de uma das suas Txalapartas durante um dos seus improvisos;
- o DJ Ill Vibe a tocar percussão com a agulha de um dos seus pratos;
- O embaraço da Lula Pena a tentar afinar a guitarra;
- Os “Gamíadas” do camarada Pires;
- A declaração de amor entre Rachid Taha e Carlos Seixas em cima do palco (esta é meramente provocativa);
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[video FMM Sines #1] EUGENE HÜTZ

August 10, 2007

Há jovens cantoras lusófonas em ascensão que se recusam a dar entrevistas no próprio dia de um concerto. Há virtuosos músicos que utilizam o myspace como ferramenta fundamental de promoção a um novo disco, mas que ignoram os sites da especialidade, a blogosfera e as rádios locais e on-line. Há, no entanto outra estirpe de artistas que, apesar de nos pedirem para não puxarmos muito por eles pelo facto de se encontrarem com alguns problemas de voz, chegam ao local onde vão actuar quase em cima do seu espectáculo e ainda conseguem dar três ou quatro entrevistas.

EUGENE HÜTZ dos GOGOL BORDELLO falou durante o concerto de K’NAAN (à volta de 11 minutos), com o escriba deste tasco sobre o facto de os DEAD KENNEDYS serem para ele “world music”, sobre o orgulho cigano e a sua ascendência “servo”, sobre o seu idolo de infância SACHA KOLPAKOV e a sua recente integração nos KOLPAKOV TRIO (que agora é quarteto), sobre a influência de Itália e da tarantela no novo disco “Super Taranta”, sobre as jovens moças ucranianas que “emigram” para o Dubai. Um artista completo e inteligente que parece conhecer todos os truques para manter uma enorme plateia em contínuo clímax, do primeiro ao último momento. Os GOGOL não criam a música mais original do mundo, mas oferecem dos mais esforçados, intensos e excitantes espectáculos rock. Ora voltem lá a sentir a combinação perfeita de “Not a Crime” com a habitual pirotecnia do fim de festa em Sines. Não os percam em Paredes de Coura por nada deste mundo.

Este é o primeiro vídeo de uma série de 20 entrevistas e momentos de improviso que serão publicados no blog e no site do FMM de Sines, com ERIKA STUCKY, BELLOWHEAD, NORSKT, JACKY MOLARD, LULA PENA, TARTIT, TRILOK GURTU, KARL SEGLEM & RÃO KYAO, TTUKUNAK, DAVID MURRAY, MAHMOUD AHMED, ETRURIA CRIMINALE BANDA, HAYDAMAKY, MAMANI KEITA, DETI PICASSO, DARKO RUNDEK, ETRAN FINATAWA, OUMOU SANGARÉ e HAMILTON DE HOLANDA.

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FMM SINES 2007: Top 10

August 2, 2007

O FMM de Sines de 2007 foi, sem dúvida, o festival que reuniu o lote mais valioso de espectáculos (quer pela quantidade, quer pela qualidade) realizado até hoje no nosso país (numa só edição). Para já, deixo-vos a lista dos dez espectáculos que mais impressionaram este vosso escriba, com a promessa de deixar nas próximas horas apreciações aos 27 em falta.

10 - ETRURIA CRIMINALE BANDA

ETRURIA

9 - MAMANI KEITA & NICOLAS REPAC

MAMANI KEITA

8 - GALANDUM GALUNDAINA

GALANDUM GALUNDAINA

7 - TRILOK GURTU BAND

TRILOK GURTU

6 - NORSKT

NORSKT

5 - HAYDAMAKY

HAYDAMAKY

4 - ERIKA STUCKY & ROOTS OF COMMUNICATION

ERIKA STUCKY

3 - JACKY MOLARD ACOUSTIC QUARTET

JACKY MOLARD

2 - BELLOWHEAD

BELLOWHEAD

1 - GOGOL BORDELLO

GOGOL BORDELLO

fotos: (c) Mário Pires / CMS

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[reportagem FMM2007 #5] MAMANI KEITA + NICOLAS REPAC: o eléctrico de Bamako

July 25, 2007


MAMANI KEITA + NICOLAS REPAC | FMM Sines 2007 | Porto Covo | dia 21 de Julho | muito bem composto
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Há cada vez mais gente a considerar a música tradicional do Mali como a melhor do mundo. Tal afirmação poderá soar a exagero, mas as várias músicas do Mali (desde a tradição rítmica wassolou do sul, ao blues eléctricos e encantatórios do norte tocados pelos sonrai e pelos tuaregues, sem esquecer o riquíssimo legado mandinga), apesar de serem actualmente as músicas provenientes de África mais bem divulgadas mundialmente, são também aquelas que se encontram mais expostas à miscigenação. TOUMANI DIABATÉ, uniu a kora e a música clássica mandinga com flamenco, folk britânica (projecto SONGHAI com KETAMA e DANNY THOMPSON) e delta blues (com TAJ MAHAL). Mais recentemente, o percussionista indiano TRILOK GURTU efectuou algumas experiências com griots do Mali registadas em discos como “Farakala”. Na série e na editora francesa Frikiwa, o DJ FREDERIC GALLIANO misturou batidas de house com grandes vozes do Mali, como a griot HADJA KOUYATÉ e outra das representantes da expressão sulista wassoulou, NAHAWA DUMBIA. É neste contexto de exposição total à mistura com várias expressões de dança e da pop do ocidente que pudemos observar MAMANI KEITA (de etnia bambara) com uma banda de formato (quase) rock, liderada pelo guitarrista francês NICOLAS REPAC, que se fazia acompanhar por mais dois franceses (BIENVENUE TANGA, baixo e contrabaixo; PATRICK GORAGUER, bateria) e, finalmente, por um tocador de maliano de n’goni (MORIBA KOITA). Infelizmente, por questões de logística, não foi possível trazer um tocador de balafon que usualmente acompanha a banda e que iria dar outra autenticidade rítmica ao lote de canções apresentadas. leia mais»»»

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[reportagem FMM2007 #4] DON BYRON: entre o funk ‘blaxploitaxion’ e a soul da Mowtown

July 25, 2007

DON BYRON | FMM Sines 2007 | Porto Covo | dia 21 de Julho | meia-casa de início, bem composto no fim
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Uma das grandes virtudes do FMM de Sines, desde a sua existência até aos dias de hoje, tem sido o gozo pelo risco derivado quer da apresentação de inúmeros propostas ousadas, praticamente desconhecidas do grande público (até mesmo dos poucos melómanos que acompanham atentamente estas áreas), quer na colocação de projectos que comummente pensamos ficarem bem melhor alinhados na programação de um espaço fechado. Veja-se, por exemplo, a prestação de RABIH ABOUH-KHALIL no ano passado em pleno Castelo. Outra característica intrínseca a este FMM é a forma plural como as diversas expressões musicais que vão do rock ao jazz, aos blues, às músicas improvisadas são apresentadas em conjunto com as propostas do enorme caldeirão cada vez mais fundo (e sem fim) das músicas do mundo, visível desde a primeira edição em que os CLÃ e os CORVOS surgem lado a lado com OPUS ENSEMBLE, CARLOS MARTINS e CARLOS NUÑEZ.

O segundo dia deste festival de um mundo de músicas, exibiu o cartaz mais ecléctico das três noites de Porto Covo. Numa noite com temperatura mais agradável e com muito mais gente no recinto, DON BYRON serviu um “cocktail” musical de jazz, funk e soul, impensável em qualquer festival que se posicione no universo das músicas tradicionais. Só que, neste FMM, estes “desvios” têm conferido maior elasticidade à diversidade musical apresentada. leia mais»»»

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[reportagem FMM2007 #4] DON BYRON: entre o funk ‘blaxploitaxion’ e a soul da Mowtown

July 25, 2007

DON BYRON | FMM Sines 2007 | Porto Covo | dia 21 de Julho | meia-casa de início, bem composto no fim
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Uma das grandes virtudes do FMM de Sines, desde a sua existência até aos dias de hoje, tem sido o gozo pelo risco derivado quer da apresentação de inúmeros propostas ousadas, praticamente desconhecidas do grande público (até mesmo dos poucos melómanos que acompanham atentamente estas áreas), quer na colocação de projectos que comummente pensamos ficarem bem melhor alinhados na programação de um espaço fechado. Veja-se, por exemplo, a prestação de RABIH ABOUH-KHALIL no ano passado em pleno Castelo. Outra característica intrínseca a este FMM é a forma plural como as diversas expressões musicais que vão do rock ao jazz, aos blues, às músicas improvisadas são apresentadas em conjunto com as propostas do enorme caldeirão cada vez mais fundo (e sem fim) das músicas do mundo, visível desde a primeira edição em que os CLÃ e os CORVOS surgem lado a lado com OPUS ENSEMBLE, CARLOS MARTINS e CARLOS NUÑEZ.

O segundo dia deste festival de um mundo de músicas, exibiu o cartaz mais ecléctico das três noites de Porto Covo. Numa noite com temperatura mais agradável e com muito mais gente no recinto, DON BYRON serviu um “cocktail” musical de jazz, funk e soul, impensável em qualquer festival que se posicione no universo das músicas tradicionais. Só que, neste FMM, estes “desvios” têm conferido maior elasticidade à diversidade musical apresentada. leia mais»»»

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[reportagem FMM2007 #3] ETRAN FINATAWA: união dos nómadas viris e andróginos

July 21, 2007


ETRAN FINATAWA | FMM Sines 2007 | Porto Covo | dia 20 de Julho | bem composto
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Depois da tradição mirandesa em estado (quase) puro e da poesia errante servo-croata, o primeiro dia do festival da diversidade cultural e musical encerrou com (mais) uma dose de música de transe, circular, hipnótica, própria de cerimónias terapêuticas do deserto do Sara, por duas das tribos nómadas que habitam o extenso território do Niger. Três tuaregues exibem o seu habitual turbante e a guitarra eléctrica imprime o ritmo “ichumar” e os blues abrasivos imortalizados, desde os anos 70, por diversas tribos nómadas (além de tuaregues, também sarahuis e berberes) e não só (também pelos sonrai do deus Ali), que nos guiam pelos espíritos errantes das margens do Rio (também) Níger, que separa o deserto da savana. leia mais»»»

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[reportagem FMM2007 #2] DARKO RUNDEK & CARGO ORKESTAR: canções de pecado e salvação

July 21, 2007


DARKO RUNDEK & CARGO ORKESTAR | FMM Sines 2007 | Porto Covo | dia 20 de Julho | bem composto
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O que é que faz com que a sérvia Tatjana de 42 anos, nascida em Belgrado, tenha visto à volta de sete concertos (em várias cidades da Europa) de DARKO RUNDEK com a sua CARGO ORKESTAR num espaço de um ano e tenha estado também em Porto Covo a cantar todas as canções deste croata? O que é que faz com um músico de voz sumida e arrastada, de ar sombrio, denso, que carrega às costas toda a tristeza do universo, consiga criar uma grande empatia com um público que não entende uma palavra de servo-croata? À beleza nostálgica de um exilado apátrida (que se fixou em França devido à guerra civil na Jugoslávia) que nos remete um pouco para o universo decadente, pós apocalíptico, mas luminoso de BORIS KOVAC, há imensa classe e sabedoria na forma como RUNDEK e a sua orquestra abordam os seus poemas e as suas composições.
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[reportagem FMM2007 #2] DARKO RUNDEK & CARGO ORKESTAR: canções de pecado e salvação

July 21, 2007


DARKO RUNDEK & CARGO ORKESTAR | FMM Sines 2007 | Porto Covo | dia 20 de Julho | bem composto
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O que é que faz com que a sérvia Tatjana de 42 anos, nascida em Belgrado, tenha visto à volta de sete concertos (em várias cidades da Europa) de DARKO RUNDEK com a sua CARGO ORKESTAR num espaço de um ano e tenha estado também em Porto Covo a cantar todas as canções deste croata? O que é que faz com um músico de voz sumida e arrastada, de ar sombrio, denso, que carrega às costas toda a tristeza do universo, consiga criar uma grande empatia com um público que não entende uma palavra de servo-croata? À beleza nostálgica de um exilado apátrida (que se fixou em França devido à guerra civil na Jugoslávia) que nos remete um pouco para o universo decadente, pós apocalíptico, mas luminoso de BORIS KOVAC, há imensa classe e sabedoria na forma como RUNDEK e a sua orquestra abordam os seus poemas e as suas composições.
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[reportagem FMM2007 #1] GALANDUM GALUNDAINA: força tranquila da cultura em resistência

July 21, 2007

GALANDUM GALUNDAINA | FMM Sines 2007 | Porto Covo | dia 20 de Julho | Vazio no início, bem composto no final da actuação
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Quem tem acompanhado as longíssimas noites do Castelo de Sines e da Avenida da Praia, em que as grandes enchentes não nos permitem esticar nem o dedo mindinho, nunca iria imaginar que, às 21h30, o frio e a escassa moldura humana presentes na zona da doca de pesca de Porto Covo pudessem evocar um outro local (Ilhas Faröe) a quem aí se encontrava. Em contraste com o recinto, nessa altura os veraneantes lotavam por completo as estreitas ruas da vila que olha de frente para a Ilha do Pessegueiro o que dava a entender que o grosso dos turistas ainda estava descontraidamente a atacar o paté de sardinha e a manteiga de alho num restaurante próximo (não é, turma do fórum sons?). Um quarto de hora depois, as gaitas-de-foles mirandesas, as flautas pastoris, os tamboris, não mandaram o palco de Sines abaixo porque o som ainda não estava muito alto, mas começaram a chamar os festivaleiros que, no final da actuação da jovem banda mirandesa já preenchiam de forma considerável o recinto consagrado à extensão do FMM de Porto Covo. leiamais»»»

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O MED no YOU TUBE

July 17, 2007

Final com BAJOFONDO

e CHAMBAO

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Festival Med [dia #1] IN-CANTO, AYNUR DOGAN, SARA TAVARES

July 16, 2007

IN-CANTO | Festival MED | Palco do Castelo | dia 27 de Junho | Espaço bem composto
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No palco secundário do Castelo, LUISA AMARO, antiga companheira de CARLOS PAREDES, mostrou durante cerca de uma hora porque é que considera este projecto In-Canto como o fim de um ciclo de memória ao mestre Paredes, iniciado com a edição do seu disco “Canção Para Carlos Paredes” de 2004, gravado em parceria com Miguel Carvalhinho.

Além do belíssimo entendimento entre a guitarra portuguesa de Luisa Amaro e a guitarra clássica de MIGUEL CARVALHINHO, realce-se também intervenção do clarinete de GONÇALO LOPES e das percussões árabes como o tar ou a darabuka de TIAGO PEREIRA (uma surpresa se tivermos em conta a prestação deste percussionista tanto em RONCOS DO DIABO como no SEBASTIÃO ANTUNES TRIO). Ambos promovem um espaço de entendimento entre a música portuguesa e a música clássica do médio-oriente. E que bem que ali fica a dança de JOANA GRÁCIO que, apesar de exibir inevitavelmente a sua sensualidade não ofusca nem a prestação dos músicos, nem o teor mais sério e rigoroso do projecto. A bailarina demarca-se com uma certa classe ao lado mais folclórico daquilo que poderia resultar na vulgar dança do ventre. E ainda bem.

[fotos em breve; video disponível no blog do festival]

AYNUR DOGAN| Festival MED | Palco da Cerca | dia 27 de Junho | Espaço bem composto
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No palco da cerca onde, em anos anteriores, assistimos a espectáculos mais festivos (desde AMPARANOIA a BABYLON CIRCUS), foi improvisado um auditório ao ar livre para recebermos sentados a curda do lado Turco AYNUR DOGAN. Não é por acaso que os juízes turcos obrigaram há três anos atrás a retirar o álbum “Keçe Kurdan” (isto é rapariga curda) das lojas de discos, sob o pretexto da canção que dá título ao álbum apelar ao separatismo curdo e de induzir à retirada das mulheres curdas para a montanha.

As canções tradicionais curdas e turcas interpretadas por AYNUR são de confronto, falam de difícil condição da mulher islâmica, de amores impossíveis e crimes de honra e são suportadas por uma poderosíssima secção de percussão. Mas esta tradição ‘denge benge’ é também de aproximação a um universo superior, celestial, a deus, sobretudo quando AYNUR exibe todo o seu portento vocal. A intensidade e profundidade do seu canto evoca os espíritos benignos dos sufis da refinada linhagem de NUSRAT FATEH ALI KHAN ou da grandiosidade musical do azeri ALIM QASIMOV.

A cantora e tocadora de baglama (cordofone local de 7 cordas da família do saz) possui também a sagacidade natural de modernizar os arranjos das suas canções, seja através da inclusão de um violino de toque ocidental ou de um baixo eléctrico. Felizmente, nesta actuação do palco da cerca, não houve aquele sintetizador que estragou um pouco o ‘showcase’ que ela deu na WOMEX de Sevilha em Outubro do ano passado. E foi melhor assim. Ganha e muito a música tradicional que AYNUR interpreta e ganha a audiência que desfruta de um espectáculo de maior autenticidade.

[fotos em breve; video disponível no blog do festival]

SARA TAVARES | Festival MED | Palco da Matriz | dia 27 de Junho | Espaço completamente lotado
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Com a ampliação do espaço da zona antiga de Loulé, o Med ganhou mais um belíssimo cenário para a realização de espectáculos com alguns dos cabeças-de-cartaz. O espaço encaixado entre a Igreja Matriz e o Jardim dos Amuados recebeu SARA TAVARES que tocou para uma multidão sentada (foi ela que exigiu as cadeiras) que lotava por completo um espaço que pode receber cerca de 4000 espectadores de pé.

É notável a boa vibração que emana do discurso de SARA que puxou a sua costela de algarvia (era nesta região que vivia a sua mãe e onde ela passava as suas férias de infância) e apresentou à plateia algumas das suas sobrinhas que se encontravam em frente ao palco. Apesar de um início algo morno, a enorme rodagem da cantautora e dos músicos africanos que a acompanham, efectuada sobretudo em solo europeu e americano, confere uma enorme segurança a este espectáculo de facílima combustão que atinge directamente a mente e o corpo da maioria da assistência. SARA TAVARES já não se pode queixar que, quem a conhece, desconhece as canções do arrojado álbum “Balancê” (hábil na forma como miscigena pop, soul, a morna, o soukous e até mesmo o reggae e o dub). Muito bons os momentos em que canta com BOY GE MENDES e em que este cabo-verdiano põe toda a turba a gingar com uma malha de soukous em “Mi Ma Bô”, quando “One Love” na recta final é ampliado e chega aos 13 minutos, ou quando, já em encore, regressam a “Balancê” agora com uma linha brutal de dub servida pelo baixo do guineense GOGUI. Final mais do que perfeito para o primeiro dia de Med.

[fotos em breve; video disponível no blog do festival]

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Festival Med [dia #2] ESTAMBUL, NATACHA ATLAS, SERGENT GARCIA

July 16, 2007

ESTAMBUL | Festival MED | Palco do Castelo | dia 28 de Junho | Espaço bem composto
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No início da segunda noite, o palco do Castelo, porventura o espaço mais recatado e ideal para conhecermos algumas das novas esperanças da música portuguesa (e não só), brindou-nos com uma muito agradável surpresa. Os ESTAMBUL de Espanha, completamente desconhecidos, ainda sem terem gravado qualquer disco, mostraram além de uma notável maturidade, todos os atributos de um interessante projecto de etno-jazz de influências da música tradicional de alguns países de toda a bacia do mediterrâneo (Europa, Norte de África e Médio Oriente) e dos Cárpatos. Quer na interpretação de composições de grandes mestres do alaúde como o libanês RABIH ABOUH-KHALIL (na bem conhecida “Arabian Waltz”) ou o tunisino ANOUAR BRAHEM, quer na interpretação de temas próprios. Curiosamente, numa verdadeira viagem de mais de uma dezena de minutos, inspirada no autor de “Voyage de Sahar”, o habitual tocador de alaúde trasporta-nos ao universo celestial através do som infinito do saltério. O caminho das estrelas suportado por um elegante contrabaixo e por percussões de cadência árabe, é uma espécie de passadeira vermelha para que o saxofonista evidencie todo o virtuosismo e lado sanguíneo da música dos espanhóis ESTAMBUL. A acompanhar com muita atenção.

[fotos e video em breve]

NATACHA ATLAS| Festival MED | Palco da Cerca | dia 28 de Junho | Espaço bem composto
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Em Loulé, há concertos ‘à la carte’. Antes de actuar, NATACHA ATLAS perguntou à organização se preferia um concerto mais acústico ou mais electrónico. O MED recebeu a filha de uma inglesa e de um judeu com raízes genealógicas no Egipto, Palestina e Marrocos, no palco da cerca, uma vez mais repleto de cadeiras para melhor desfrutar da riqueza harmónica e de arranjos luxuriantes do repertório acústico desta verdadeira diva.

Se, há década e meia atrás, NATACHA ATLAS estava no pelotão da frente da dança global, quer com os TRANSGLOBAL UNDERGROUND, quer com JAH WOBBLE AND THE INVADERS OF THE HEARTH, que pilhava influências ao universo árabe e da África negra, misturando-as com dub, trance e outras áreas da música de dança, agora há mais açúcar, suavidade e classe nas suas canções. A postura maleável de NATACHA consegue captar a atenção da audiência com o calmíssimo “Adam’s Lullaby” de JOCELYN POOK, elaborado sumptuosamente com arranjos de seda que lembram melodias de amor registadas para bandas sonoras de filmes indianos. Arrebata-nos quando pisca o olho ao tropicalismo brasileiro (sem esquecer o universo árabe onde se movimenta) em “Ghanwa Bossanova”, tema obrigatório do último álbum “Mish Maoul”. Um concerto de NATACHA ATLAS é uma verdadeira viagem no tempo em que são resgatados heróis egípcios do século XX, ou canções ícones da pop francesa (Mon Ami La Rose” tornada conhecida por FRANCOISE HARDY) e do jazz norte-americano (“Black is the color of my true” que NINA SIMONE imortalizou). Natacha Atlas tem sabido envelhecer.

[fotos em breve; video disponível no blog do festival]

SERGENT GARCIA | Festival MED | Palco da Matriz | dia 28 de Junho | Espaço bem composto
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No palco da Igreja Matriz, retiraram-se as cadeiras que serviram para receber na noite anterior SARA TAVARES e montou-se a festa pegada de empolgamento imediato com a mistura de reggae e salsa a que SERGENT GARCIA cataloga de ’salsamuffin’. Este francês (que abriu a sua página na história do rock francês dos anos 80 como fundador dos LUDWIG VON 88) e os restantes nove músicos que o acompanharam, revelaram-se uma eficaz máquina de ritmos latinos pronta-a-dançar, que absorve o ska, o son cubano, e a cumbia colombiana, servido num cocktail perfeito que torna o discurso de consciência política e social de Sergent Garcia mais apelativo. Nesta noite, houve certamente uma colagem inevitável ao discurso pró-zapatista e da música miscigenada e rebelde faz de MANU CHAO um modelo a seguir, mas houve também personalidade e bom entrosamento dos 10 músicos que tinham por missão principal por a turba a dançar e isso foi cumprido.

[fotos em breve; video disponível no blog do festival]

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Festival Med [dia #3] UXU KALHUS, AKLI D, TINARIWEN, TARAF DE HAÏDOUKS

July 16, 2007

UXU KALHUS | Festival MED | Palco do Castelo | dia 29 de Junho | Espaço bem composto
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Ainda sou do tempo que um baile dos UXU KALHUS era um acontecimento de arromba entre a comunidade de adeptos das danças tradicionais. Ainda sou do tempo em que, no seio da banda, para além de um baterista ainda havia mais dois notáveis percussionistas (HUGO MENEZES e NUNO PATRÍCIO). De há uns tempos para cá, a banda foi perdendo elementos e, para além de não poder contar a criatividade e espontaneidade de MR. WINGA, que os tornava tão próximos de África, do Brasil ou do sub-continente indiano, também já não usufrui da versatilidade do multi-instrumentista VASCO RIBEIRO CASAIS. A acrescentar a tudo isto, de registar ainda a ausência das flautas de PAULO PEREIRA neste espectáculo do palco do Castelo. Por muito boa vontade que a bela, corajosa e incansável CELINA DA PIEDADE tenha de resistir estoicamente ao momento difícil por que a banda passa actualmente, por muito gozo que dê vê-la cantar “Erva Cidreira”, “Regadinho” e outras modas recuperadas de forma feliz ao universo dos ranchos folclóricos, é difícil não reparar que a amplitude musical da banda foi substancialmente reduzida. Apesar de a recente aquisição na guitarra ter dado mais pujança aos UXU KALHUS, isso não chega. Nunca nos fará esquecer quer a nickelharpa, quer o bouzouki do VASCO. Instrumentos tocados ora de forma acústica, ora a roçar o noise rock (quando electrificados). E os UXU KALHUS sempre foram muito mais do que uma redutora banda trad-funk-power-metal. E é muito importante que voltem a ser aquilo que foram há dois ou três anos atrás.

AKLI D | Festival MED | Palco da Cerca | dia 29 de Junho | Espaço bem composto
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Numa noite pautada pelos nómadas rebeldes do deserto do Sara, o berbére AKLI D veio à Cerca mostrar repertório do álbum “Ma Yela” que mereceu a produção de MANU CHAO. Envergando um banjo (qual PETE SEEGER do deserto), em vez de um alaúde ou de uma guitarra, o músico que nasceu em solo ocupado pelos argelinos exilou-se em Paris para não ter um fim semelhante ao de LOUNES MATOUB (expoente máximo da música kabylie que padeceu nas mãos das autoridades locais, tendo-se tornado um verdadeiro mártir para todos os berberes que celebram o aniversário da sua morte através do confronto). AKLI D, activista dos direitos humanos, é a voz dos rebeldes que vivem no deserto, das mulheres segregadas pela honra dos homens, dos imigrantes que tentam legalizar-se em solo europeu, das crianças órfãs da Tchetchénia. A sua veia trovadora é elegantemente envolta num combo rítmico que tanto vai às expressões locais do norte de África como a música kaybilie, raï e gnaoua, como extravasa para o reggae, o ska e um certo flamenco e jazz manouche. Só que excelentes momentos como “C Facile” foram raros e a actuação de AKLI D, algo lenta, arrastada, padeceu da dinâmica festiva e dançável que o mais recente disco exibe em muitas das canções.

TINARIWEN | Festival MED | Palco da Matriz | dia 29 de Junho | Espaço muito bem composto
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Num mundo cada vez mais intolerante, há quem exorcize os seus demónios erguendo muros sonoros consistentes de alta tensão provenientes da electricidade abrasiva, sónica e ‘aluesada’ das três guitarras eléctricas. A resistente ‘vedação’ destes tuaregues malianos, representada esteticamente por uma série de amplificadores velhinhos e prateados (tipo Fender) que se encontravam (estrategicamente?) alinhados atrás da banda (a não dar espaço para que os elementos se esgueirassem para o ‘backstage’ e tivessem necessariamente de estar em contacto com o assistência), promove a proximidade entre o público e este bando de ‘rockers’ do deserto. Apesar de IBRAHIM (aquele que se parece mais com JIMI HENDRIX) ser o menos comunicativo, talvez por ter sentido na pele as palavras que canta (por exemplo, aquelas que descreve o massacre que os tuaregues malianos sofreram em 1963 às mãos Modibo Keita), todos os elementos dos TINARIWEN são extremamente expansivos e comunicativos. Apesar de muitos deles usarem turbante a cobrir grande parte do rosto, sabemos que têm um largo sorriso e que estão a divertir-se ainda mais do que o próprio público.

A poderosíssima sonoridade eléctrica feita de três camadas que se sobrepõem umas às outras (uma mais rítmica, outra mais suja, noise, abrasiva, uma outra mais vincada nos blues do rio níger) lança um tapete vistoso para que o ritmo do djembe e as palmas cadenciadas promovam a elevação do espírito a um outro estado (sem recurso a estupefacientes) através de ondas hipnóticas, de transe, que se movimentam em espiral, como a força da terra em direcção ao céu. Os TINARIWEN apresentaram no palco da Matriz o melhor rock’n’roll do universo (segundo palavras do camarada Pires) sem tiques de vedetas mimadas e lavaram-nos a alma com a água sagrada dos raros poços do Sara. Abençoados sejam.

TARAF DE HAÏDOUKS | Festival MED | Palco da Cerca | dia 29 de Junho | Espaço bem composto
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Há uns dez anos atrás, Luciana Fina andou por Faro e outras zonas do país a filmar todos os passos que os TARAF DE HAÏDOUKS deram em solo português. Nessa altura, o Teatro Lethes recebeu-os na sua melhor forma. Em cima e fora do palco (nas ruas, em bares, etc) esta troupe de ciganos romenos parecia que movida por uma bateria inesgotável. De manhã à noite, sempre a tocar.

Desde os álbuns “Musique des Tziganes de Roumanie” e “Hounorable Brighands, Magic Horses and Evil Eye” até ao mais recente “Band of Gypsies”, sempre considerei os TARAF DE HAÏDOUKS como uma das mais interessantes bandas de leste, pela expressividade de alguns dos seus vocalistas e violinistas que entretanto já faleceram, pela forma selvagem com que atacam muitos dos instrumentos (flautas, violinos, contra-baixo), pela qualidade técnica e virtuosa do tocador de cimbalom (que ainda hoje se mantém). Só que, os anos passam, os disciplinadores padecem e certo tipo de vícios acumulados ofusca todo o tipo de qualidades anteriormente exibidas. Tanto no Med, como no ano passado no Avante, em que me desinteressei do concerto ao fim da segunda ou terceira música porque o som estava, de facto, paupérrimo. Quem pôde assistir ao ‘soundcheck’, facilmente percebeu porque é que os concertos da Taraf deixam muito a desejar em termos sonoros, mesmo que se realizem em salas como a Barbican de Londres. A essa hora, já o líquido etílico havia desaparecido há muito dos camarins. Há músicos que se recusam a receber ordens de mulheres que controlam o som. Quando vão para testar cada instrumento… desaparecem. Quando o técnico coloca o microfone no sítio certo para captar o melhor som determinado instrumento, eles retiram-no desse sítio e colocam-no aonde querem. Enfim. Quando o espectáculo começa, ouvem-se estalidos frequentes vindos dos micros dos violinos. São omnipresentes os ‘feedbacks’. As vozes, ora mal se escutam (do mais novo), ora ecoam com toda a pujança (quando o mais barrigudo ataca o microfone do outro vocalista de voz mais contida). Se os problemas técnicos foram uma dor de cabeça para a maioria da assistência, o repertório da Taraf também se revelou algo inconstante, sobretudo quando tocaram temas clássicos do álbum acabado de editar, “Maskarada”. Perto do final, com “Kalashnikov”, fizeram ‘levantar a poeira’ entre aqueles que se encontravam lá à frente. Pouco tempo depois, os músicos e o agente com verdadeiro ar de regozijo agradecem com os polegares levantados o carinho da (pouca) assistência pensando que tinham dado um grande concerto. Foram redondamente enganados.

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Festival Med [dia #4] ROSA NEGRA, L’HAM DE FOC, OLIVE TREE, VINICIO CAPOSSELA, YERBA BUENA

July 16, 2007

ROSA NEGRA | Festival MED | Palco do Castelo | dia 30 de Junho | Espaço bem composto

O compromisso assumido pelos Rosa Negra de fundir o fado com a música sefardita está cada vez mais consistente. No início da quarta noite de Med no palco do Castelo, sentiu-se a forte presença da fadista Carmo acompanhada por Rui Filipe em teclados e acordeão de arranjos luxuriantes das 1001 noites, por uma secção de cordas (violino e violoncelo) que evoca as orquestras clássicas do médio oriente, um trompete de sabor andaluz e uma percussão darabuka que remete para um universo da música modal. Na actuação elegante (em termos musicais e, sobretudo cénicos que fizeram com que Mário Pires tivesse tirado belíssimas fotografias) dos Rosa Negra, houve (ainda) muitos ecos de Amália (casos de “Vou dar de Beber à Dor”, “Longe Daqui”). Mas os Rosa Negra parecem saber muito bem para onde querem ir e brindaram-nos também com canções originais de influência sefardita. Oxalá nunca percam a linha do oriente que os une e continuem a trilhar estes caminhos dos judeus expulsos da Península Ibérica no séc. XV.

L’HAM DE FOC| Festival MED | Palco da cerca | dia 30 de Junho | Espaço lotado

No palco da Cerca, pudemos observar um dos mais interessantes projectos folk da vizinha Espanha e, provavelmente aquele que mais instrumentos tocam em cima do palco: cerca de 40. O octeto L’ham de Foc, liderado por Efran Lopez e Mara Aranda demonstrou, mais uma vez, um enorme respeito pela música medieval e modal, que vai Afonso X – o sábio, aos sefarditas, do mediterrâneo ocidental ao oriental. Da Andaluzia, à Grécia e à Turquia, do magrebe à mesopotâmia, desfiando canções, sobretudo, do terceiro álbum “Cor de Porc”, como “Per La Boca” e Tristos Ulls”. Vítimas do forte vento que se fez sentir nessa noite, os L’ham de Foc foram penosamente arrastando a sua actuação com longas pausas para afinação dos delicados instrumentos de cordas, como o alaúde, o rabab afegão, a sanfona ou o baglama (da família do saz). Um espectáculo que soube a muito pouco dado os espectáculos interessantes que ocorriam em paralelo noutros palcos e que tornou inevitável a saída a meio da actuação deste magnífico projecto que merece voltar o quanto antes ao nosso país (sobretudo a um auditório como o da Culturgeste), quer como L’ham de Foc, quer como o outro projecto (que já tem “showcase” marcado para a WOMEX”) Aman Aman focado em canções sefarditas do ocidente e do oriente.

OLIVE TREE | Festival MED | Palco do Castelo | dia 30 de Junho | Espaço completamente apinhado

Às 11h da noite do quarto dia de Med, a concorrência dos dois principais palcos era forte. Na Martiz actuava o italiano Vinicio Capossela, na Cerca os espanhóis L’ham de foc. Tal conjuntura não impediu que o trio Olive Tree tornasse o espaço do Castelo numa verdadeira festa “rave”, completamente apinhada de gente que dançava e pulava, instigada pelo pelo tom tom repetitivo e hipnótico do digeridoo monocórdico de Renato Oliveira e pelos ritmos frenéticos da bateria de Tito Silva e das percussões de Pedro Vasconcelos. Sem recurso a qualquer tipo de elementos electronicamente processados, a música de trance, orgânica, dos Olive Tree foi das mais dançáveis, combativas e estimulantes de todo o MED.

VINICIO CAPOSSELA| Festival MED | Palco da Matriz | dia 30 de Junho | Espaço bem composto

Quando pensávamos que já não havia segredos bem escodidos na música, eis que temos a felicidade de ver o cantautor errante germano-italiano Vinicio Caposella em palco. Homem de mil e uma faces, de músicas sem fim, de vários trajes e instrumentos, Vinicio Capossela é a diversidade cultural ambulante. Nas multi-músicas de Capossela há tango e romantismo (quando dedica “Con Una Rosa” a todas as rosas do Algarve), um certo charme saudosista evocativo dos grandes senhores da canção italiana de outrora, como Renato Carosone e Adriano Calentano (“Che Cosse L’amor” é um verdadeiro hino da canção safada transalpina elegantemente revestida por arranjos de jazz latino), ecos da cultura underground norte-americana “on the road” mitificada por nomes como Jack Kerouac e Tom Waits (implícitos sobretudo no último e sombrio álbum “Ovunoue Proteggi”), influências cinemáticas de Pasolini e de Nino Rota.
De dobro à cintura e chapéu à cowboy, Capossela tanto toca música tex-mex e mariachi, como pisca o olho à rembetika grega, ao mambo e cha cha cha das caraíbas e à música circence contaminada pelo universo grotesco dos ciganos de leste fimado por Kusturica (sobretudo no divertido “Marajà”), como ataca uma espécie de tarantela (punk?) napolitana que descamba para um final noise à sonic youth. Tudo isto é possível porque há um naipe notável de músicos em palco. Uma dupla de cordas grega (com bouzouki e um pequeno mandolin), um tocador de vibrafone e theremin e, sobretudo, um endiabrado guitarrista nitidamente influenciado por Ribot, quer no intimismo selecto daquilo que fez com os Cubanos Postizos, quer nos espásmos de alta voltagem do free-rock. Capossela em palco foi muito maior do que a soma de todas as músicas que o influenciaram.

YERBA BUENA| Festival MED | Palco da cerca | dia 30 de Junho | Espaço completamente apinhado

Antes de acabarmos a quarta noite em beleza, com o set da Dj Raquel Bulha, andámos de “Burrito” com os nova-iorquinos Yerba Buena, liderados pelo cantautor e produtor colombiano Andrés Levi. Nos Yerba Buena, há sobretudo uma grande sabedoria em misturar diferentes ritmos afro-latinos mais tradicionais (da salsa, à cumbia, ao merengue e ao afrobeat) com roupagens ultra modernas e pujantes de funk, rock e hip hop. Guajira, é um exemplo de como os Yerba Buena transformam um tema nitidamente ancorado no son cubano em pop latino mais universal. Valeu pela boa onda.

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Festival Med [dia #4] ROSA NEGRA, L’HAM DE FOC, OLIVE TREE, VINICIO CAPOSSELA, YERBA BUENA

July 16, 2007

ROSA NEGRA | Festival MED | Palco do Castelo | dia 30 de Junho | Espaço bem composto

O compromisso assumido pelos Rosa Negra de fundir o fado com a música sefardita está cada vez mais consistente. No início da quarta noite de Med no palco do Castelo, sentiu-se a forte presença da fadista Carmo acompanhada por Rui Filipe em teclados e acordeão de arranjos luxuriantes das 1001 noites, por uma secção de cordas (violino e violoncelo) que evoca as orquestras clássicas do médio oriente, um trompete de sabor andaluz e uma percussão darabuka que remete para um universo da música modal. Na actuação elegante (em termos musicais e, sobretudo cénicos que fizeram com que Mário Pires tivesse tirado belíssimas fotografias) dos Rosa Negra, houve (ainda) muitos ecos de Amália (casos de “Vou dar de Beber à Dor”, “Longe Daqui”). Mas os Rosa Negra parecem saber muito bem para onde querem ir e brindaram-nos também com canções originais de influência sefardita. Oxalá nunca percam a linha do oriente que os une e continuem a trilhar estes caminhos dos judeus expulsos da Península Ibérica no séc. XV.

L’HAM DE FOC| Festival MED | Palco da cerca | dia 30 de Junho | Espaço lotado

No palco da Cerca, pudemos observar um dos mais interessantes projectos folk da vizinha Espanha e, provavelmente aquele que mais instrumentos tocam em cima do palco: cerca de 40. O octeto L’ham de Foc, liderado por Efran Lopez e Mara Aranda demonstrou, mais uma vez, um enorme respeito pela música medieval e modal, que vai Afonso X – o sábio, aos sefarditas, do mediterrâneo ocidental ao oriental. Da Andaluzia, à Grécia e à Turquia, do magrebe à mesopotâmia, desfiando canções, sobretudo, do terceiro álbum “Cor de Porc”, como “Per La Boca” e Tristos Ulls”. Vítimas do forte vento que se fez sentir nessa noite, os L’ham de Foc foram penosamente arrastando a sua actuação com longas pausas para afinação dos delicados instrumentos de cordas, como o alaúde, o rabab afegão, a sanfona ou o baglama (da família do saz). Um espectáculo que soube a muito pouco dado os espectáculos interessantes que ocorriam em paralelo noutros palcos e que tornou inevitável a saída a meio da actuação deste magnífico projecto que merece voltar o quanto antes ao nosso país (sobretudo a um auditório como o da Culturgeste), quer como L’ham de Foc, quer como o outro projecto (que já tem “showcase” marcado para a WOMEX”) Aman Aman focado em canções sefarditas do ocidente e do oriente.

OLIVE TREE | Festival MED | Palco do Castelo | dia 30 de Junho | Espaço completamente apinhado

Às 11h da noite do quarto dia de Med, a concorrência dos dois principais palcos era forte. Na Martiz actuava o italiano Vinicio Capossela, na Cerca os espanhóis L’ham de foc. Tal conjuntura não impediu que o trio Olive Tree tornasse o espaço do Castelo numa verdadeira festa “rave”, completamente apinhada de gente que dançava e pulava, instigada pelo pelo tom tom repetitivo e hipnótico do digeridoo monocórdico de Renato Oliveira e pelos ritmos frenéticos da bateria de Tito Silva e das percussões de Pedro Vasconcelos. Sem recurso a qualquer tipo de elementos electronicamente processados, a música de trance, orgânica, dos Olive Tree foi das mais dançáveis, combativas e estimulantes de todo o MED.

VINICIO CAPOSSELA| Festival MED | Palco da Matriz | dia 30 de Junho | Espaço bem composto

Quando pensávamos que já não havia segredos bem escodidos na música, eis que temos a felicidade de ver o cantautor errante germano-italiano Vinicio Caposella em palco. Homem de mil e uma faces, de músicas sem fim, de vários trajes e instrumentos, Vinicio Capossela é a diversidade cultural ambulante. Nas multi-músicas de Capossela há tango e romantismo (quando dedica “Con Una Rosa” a todas as rosas do Algarve), um certo charme saudosista evocativo dos grandes senhores da canção italiana de outrora, como Renato Carosone e Adriano Calentano (“Che Cosse L’amor” é um verdadeiro hino da canção safada transalpina elegantemente revestida por arranjos de jazz latino), ecos da cultura underground norte-americana “on the road” mitificada por nomes como Jack Kerouac e Tom Waits (implícitos sobretudo no último e sombrio álbum “Ovunoue Proteggi”), influências cinemáticas de Pasolini e de Nino Rota.
De dobro à cintura e chapéu à cowboy, Capossela tanto toca música tex-mex e mariachi, como pisca o olho à rembetika grega, ao mambo e cha cha cha das caraíbas e à música circence contaminada pelo universo grotesco dos ciganos de leste fimado por Kusturica (sobretudo no divertido “Marajà”), como ataca uma espécie de tarantela (punk?) napolitana que descamba para um final noise à sonic youth. Tudo isto é possível porque há um naipe notável de músicos em palco. Uma dupla de cordas grega (com bouzouki e um pequeno mandolin), um tocador de vibrafone e theremin e, sobretudo, um endiabrado guitarrista nitidamente influenciado por Ribot, quer no intimismo selecto daquilo que fez com os Cubanos Postizos, quer nos espásmos de alta voltagem do free-rock. Capossela em palco foi muito maior do que a soma de todas as músicas que o influenciaram.

YERBA BUENA| Festival MED | Palco da cerca | dia 30 de Junho | Espaço completamente apinhado

Antes de acabarmos a quarta noite em beleza, com o set da Dj Raquel Bulha, andámos de “Burrito” com os nova-iorquinos Yerba Buena, liderados pelo cantautor e produtor colombiano Andrés Levi. Nos Yerba Buena, há sobretudo uma grande sabedoria em misturar diferentes ritmos afro-latinos mais tradicionais (da salsa, à cumbia, ao merengue e ao afrobeat) com roupagens ultra modernas e pujantes de funk, rock e hip hop. Guajira, é um exemplo de como os Yerba Buena transformam um tema nitidamente ancorado no son cubano em pop latino mais universal. Valeu pela boa onda.

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Festival Med [dia #5] CHAMBAO, BAJOFONDO

July 16, 2007

CHAMBAO| Festival MED | Palco da Matriz | dia 1 de Julho | Espaço lotado

No último dia de Med, os Chambao de Málaga trouxeram consigo uma verdadeira legião de fãs que lotaram por completo o espaço da Matriz. Na zona de merchandising havia t-shirts para todos os gostos e livros da carismática vocalista La Mari que conta como conseguiu vencer um cancro. Todo o universo electropop-flamenco dos Chambao gira em torno de Maria del Mar Rodriguez (La Mari). Dona de uma das mais intensas vozes do flamenco. É uma pena que um projecto com uma vocalista desta natureza não vá mais fundo na interpretação da música que nasceu em Granada. Não é por acaso que os melhores momentos do espectáculo destes and