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RENATA ROSA ao vivo em Paris

November 14, 2007

“Zunido da Mata” já foi editado há quase cinco anos. É um dos mais belos álbuns provenientes do nordeste brasileiro. Há toda a magia e sincretismo da mata que as COMADRE FULOZINHA também tão bem ecoam. “Brincadeiras”, o novo álbum da paulista de alma nordestina RENATA ROSA, a editar em 2008, é um daqueles discos que aguardo a sua edição com maior ansiedade. Não vejo a hora de o ter nas mãos. Enquanto não chega, contententêmo-nos com uma actuação da rabequista e percussionista em Paris:

E já agora uma pequena entrevista:

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Ideias para o FMM Sines 2008 #1: ZACH CONDON + KOCANI ORKESTAR

August 27, 2007

ZACH CONDON (aka BEIRUT) realizou um sonho, no clube La Flèche d’Or de Paris, no passado dia 30 de Julho. Actou com a brass-band cigana da Macedónia, KOCANI ORKESTAR. O blog Blogotheque registou a epifania que, esperemos, volte a realizar-se numa das noites da Avenida da Praia.


#60.9 - 60.10 - Zach Condon feat. Kocani Orkestar - Sunday
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[video FMM Sines #1] EUGENE HÜTZ

August 10, 2007

Há jovens cantoras lusófonas em ascensão que se recusam a dar entrevistas no próprio dia de um concerto. Há virtuosos músicos que utilizam o myspace como ferramenta fundamental de promoção a um novo disco, mas que ignoram os sites da especialidade, a blogosfera e as rádios locais e on-line. Há, no entanto outra estirpe de artistas que, apesar de nos pedirem para não puxarmos muito por eles pelo facto de se encontrarem com alguns problemas de voz, chegam ao local onde vão actuar quase em cima do seu espectáculo e ainda conseguem dar três ou quatro entrevistas.

EUGENE HÜTZ dos GOGOL BORDELLO falou durante o concerto de K’NAAN (à volta de 11 minutos), com o escriba deste tasco sobre o facto de os DEAD KENNEDYS serem para ele “world music”, sobre o orgulho cigano e a sua ascendência “servo”, sobre o seu idolo de infância SACHA KOLPAKOV e a sua recente integração nos KOLPAKOV TRIO (que agora é quarteto), sobre a influência de Itália e da tarantela no novo disco “Super Taranta”, sobre as jovens moças ucranianas que “emigram” para o Dubai. Um artista completo e inteligente que parece conhecer todos os truques para manter uma enorme plateia em contínuo clímax, do primeiro ao último momento. Os GOGOL não criam a música mais original do mundo, mas oferecem dos mais esforçados, intensos e excitantes espectáculos rock. Ora voltem lá a sentir a combinação perfeita de “Not a Crime” com a habitual pirotecnia do fim de festa em Sines. Não os percam em Paredes de Coura por nada deste mundo.

Este é o primeiro vídeo de uma série de 20 entrevistas e momentos de improviso que serão publicados no blog e no site do FMM de Sines, com ERIKA STUCKY, BELLOWHEAD, NORSKT, JACKY MOLARD, LULA PENA, TARTIT, TRILOK GURTU, KARL SEGLEM & RÃO KYAO, TTUKUNAK, DAVID MURRAY, MAHMOUD AHMED, ETRURIA CRIMINALE BANDA, HAYDAMAKY, MAMANI KEITA, DETI PICASSO, DARKO RUNDEK, ETRAN FINATAWA, OUMOU SANGARÉ e HAMILTON DE HOLANDA.

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O MED no YOU TUBE

July 17, 2007

Final com BAJOFONDO

e CHAMBAO

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Festival Med [dia #1] IN-CANTO, AYNUR DOGAN, SARA TAVARES

July 16, 2007

IN-CANTO | Festival MED | Palco do Castelo | dia 27 de Junho | Espaço bem composto
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No palco secundário do Castelo, LUISA AMARO, antiga companheira de CARLOS PAREDES, mostrou durante cerca de uma hora porque é que considera este projecto In-Canto como o fim de um ciclo de memória ao mestre Paredes, iniciado com a edição do seu disco “Canção Para Carlos Paredes” de 2004, gravado em parceria com Miguel Carvalhinho.

Além do belíssimo entendimento entre a guitarra portuguesa de Luisa Amaro e a guitarra clássica de MIGUEL CARVALHINHO, realce-se também intervenção do clarinete de GONÇALO LOPES e das percussões árabes como o tar ou a darabuka de TIAGO PEREIRA (uma surpresa se tivermos em conta a prestação deste percussionista tanto em RONCOS DO DIABO como no SEBASTIÃO ANTUNES TRIO). Ambos promovem um espaço de entendimento entre a música portuguesa e a música clássica do médio-oriente. E que bem que ali fica a dança de JOANA GRÁCIO que, apesar de exibir inevitavelmente a sua sensualidade não ofusca nem a prestação dos músicos, nem o teor mais sério e rigoroso do projecto. A bailarina demarca-se com uma certa classe ao lado mais folclórico daquilo que poderia resultar na vulgar dança do ventre. E ainda bem.

[fotos em breve; video disponível no blog do festival]

AYNUR DOGAN| Festival MED | Palco da Cerca | dia 27 de Junho | Espaço bem composto
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No palco da cerca onde, em anos anteriores, assistimos a espectáculos mais festivos (desde AMPARANOIA a BABYLON CIRCUS), foi improvisado um auditório ao ar livre para recebermos sentados a curda do lado Turco AYNUR DOGAN. Não é por acaso que os juízes turcos obrigaram há três anos atrás a retirar o álbum “Keçe Kurdan” (isto é rapariga curda) das lojas de discos, sob o pretexto da canção que dá título ao álbum apelar ao separatismo curdo e de induzir à retirada das mulheres curdas para a montanha.

As canções tradicionais curdas e turcas interpretadas por AYNUR são de confronto, falam de difícil condição da mulher islâmica, de amores impossíveis e crimes de honra e são suportadas por uma poderosíssima secção de percussão. Mas esta tradição ‘denge benge’ é também de aproximação a um universo superior, celestial, a deus, sobretudo quando AYNUR exibe todo o seu portento vocal. A intensidade e profundidade do seu canto evoca os espíritos benignos dos sufis da refinada linhagem de NUSRAT FATEH ALI KHAN ou da grandiosidade musical do azeri ALIM QASIMOV.

A cantora e tocadora de baglama (cordofone local de 7 cordas da família do saz) possui também a sagacidade natural de modernizar os arranjos das suas canções, seja através da inclusão de um violino de toque ocidental ou de um baixo eléctrico. Felizmente, nesta actuação do palco da cerca, não houve aquele sintetizador que estragou um pouco o ‘showcase’ que ela deu na WOMEX de Sevilha em Outubro do ano passado. E foi melhor assim. Ganha e muito a música tradicional que AYNUR interpreta e ganha a audiência que desfruta de um espectáculo de maior autenticidade.

[fotos em breve; video disponível no blog do festival]

SARA TAVARES | Festival MED | Palco da Matriz | dia 27 de Junho | Espaço completamente lotado
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Com a ampliação do espaço da zona antiga de Loulé, o Med ganhou mais um belíssimo cenário para a realização de espectáculos com alguns dos cabeças-de-cartaz. O espaço encaixado entre a Igreja Matriz e o Jardim dos Amuados recebeu SARA TAVARES que tocou para uma multidão sentada (foi ela que exigiu as cadeiras) que lotava por completo um espaço que pode receber cerca de 4000 espectadores de pé.

É notável a boa vibração que emana do discurso de SARA que puxou a sua costela de algarvia (era nesta região que vivia a sua mãe e onde ela passava as suas férias de infância) e apresentou à plateia algumas das suas sobrinhas que se encontravam em frente ao palco. Apesar de um início algo morno, a enorme rodagem da cantautora e dos músicos africanos que a acompanham, efectuada sobretudo em solo europeu e americano, confere uma enorme segurança a este espectáculo de facílima combustão que atinge directamente a mente e o corpo da maioria da assistência. SARA TAVARES já não se pode queixar que, quem a conhece, desconhece as canções do arrojado álbum “Balancê” (hábil na forma como miscigena pop, soul, a morna, o soukous e até mesmo o reggae e o dub). Muito bons os momentos em que canta com BOY GE MENDES e em que este cabo-verdiano põe toda a turba a gingar com uma malha de soukous em “Mi Ma Bô”, quando “One Love” na recta final é ampliado e chega aos 13 minutos, ou quando, já em encore, regressam a “Balancê” agora com uma linha brutal de dub servida pelo baixo do guineense GOGUI. Final mais do que perfeito para o primeiro dia de Med.

[fotos em breve; video disponível no blog do festival]

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Festival Med [dia #2] ESTAMBUL, NATACHA ATLAS, SERGENT GARCIA

July 16, 2007

ESTAMBUL | Festival MED | Palco do Castelo | dia 28 de Junho | Espaço bem composto
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No início da segunda noite, o palco do Castelo, porventura o espaço mais recatado e ideal para conhecermos algumas das novas esperanças da música portuguesa (e não só), brindou-nos com uma muito agradável surpresa. Os ESTAMBUL de Espanha, completamente desconhecidos, ainda sem terem gravado qualquer disco, mostraram além de uma notável maturidade, todos os atributos de um interessante projecto de etno-jazz de influências da música tradicional de alguns países de toda a bacia do mediterrâneo (Europa, Norte de África e Médio Oriente) e dos Cárpatos. Quer na interpretação de composições de grandes mestres do alaúde como o libanês RABIH ABOUH-KHALIL (na bem conhecida “Arabian Waltz”) ou o tunisino ANOUAR BRAHEM, quer na interpretação de temas próprios. Curiosamente, numa verdadeira viagem de mais de uma dezena de minutos, inspirada no autor de “Voyage de Sahar”, o habitual tocador de alaúde trasporta-nos ao universo celestial através do som infinito do saltério. O caminho das estrelas suportado por um elegante contrabaixo e por percussões de cadência árabe, é uma espécie de passadeira vermelha para que o saxofonista evidencie todo o virtuosismo e lado sanguíneo da música dos espanhóis ESTAMBUL. A acompanhar com muita atenção.

[fotos e video em breve]

NATACHA ATLAS| Festival MED | Palco da Cerca | dia 28 de Junho | Espaço bem composto
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Em Loulé, há concertos ‘à la carte’. Antes de actuar, NATACHA ATLAS perguntou à organização se preferia um concerto mais acústico ou mais electrónico. O MED recebeu a filha de uma inglesa e de um judeu com raízes genealógicas no Egipto, Palestina e Marrocos, no palco da cerca, uma vez mais repleto de cadeiras para melhor desfrutar da riqueza harmónica e de arranjos luxuriantes do repertório acústico desta verdadeira diva.

Se, há década e meia atrás, NATACHA ATLAS estava no pelotão da frente da dança global, quer com os TRANSGLOBAL UNDERGROUND, quer com JAH WOBBLE AND THE INVADERS OF THE HEARTH, que pilhava influências ao universo árabe e da África negra, misturando-as com dub, trance e outras áreas da música de dança, agora há mais açúcar, suavidade e classe nas suas canções. A postura maleável de NATACHA consegue captar a atenção da audiência com o calmíssimo “Adam’s Lullaby” de JOCELYN POOK, elaborado sumptuosamente com arranjos de seda que lembram melodias de amor registadas para bandas sonoras de filmes indianos. Arrebata-nos quando pisca o olho ao tropicalismo brasileiro (sem esquecer o universo árabe onde se movimenta) em “Ghanwa Bossanova”, tema obrigatório do último álbum “Mish Maoul”. Um concerto de NATACHA ATLAS é uma verdadeira viagem no tempo em que são resgatados heróis egípcios do século XX, ou canções ícones da pop francesa (Mon Ami La Rose” tornada conhecida por FRANCOISE HARDY) e do jazz norte-americano (“Black is the color of my true” que NINA SIMONE imortalizou). Natacha Atlas tem sabido envelhecer.

[fotos em breve; video disponível no blog do festival]

SERGENT GARCIA | Festival MED | Palco da Matriz | dia 28 de Junho | Espaço bem composto
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No palco da Igreja Matriz, retiraram-se as cadeiras que serviram para receber na noite anterior SARA TAVARES e montou-se a festa pegada de empolgamento imediato com a mistura de reggae e salsa a que SERGENT GARCIA cataloga de ’salsamuffin’. Este francês (que abriu a sua página na história do rock francês dos anos 80 como fundador dos LUDWIG VON 88) e os restantes nove músicos que o acompanharam, revelaram-se uma eficaz máquina de ritmos latinos pronta-a-dançar, que absorve o ska, o son cubano, e a cumbia colombiana, servido num cocktail perfeito que torna o discurso de consciência política e social de Sergent Garcia mais apelativo. Nesta noite, houve certamente uma colagem inevitável ao discurso pró-zapatista e da música miscigenada e rebelde faz de MANU CHAO um modelo a seguir, mas houve também personalidade e bom entrosamento dos 10 músicos que tinham por missão principal por a turba a dançar e isso foi cumprido.

[fotos em breve; video disponível no blog do festival]

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Festival Med [dia #4] ROSA NEGRA, L’HAM DE FOC, OLIVE TREE, VINICIO CAPOSSELA, YERBA BUENA

July 16, 2007

ROSA NEGRA | Festival MED | Palco do Castelo | dia 30 de Junho | Espaço bem composto

O compromisso assumido pelos Rosa Negra de fundir o fado com a música sefardita está cada vez mais consistente. No início da quarta noite de Med no palco do Castelo, sentiu-se a forte presença da fadista Carmo acompanhada por Rui Filipe em teclados e acordeão de arranjos luxuriantes das 1001 noites, por uma secção de cordas (violino e violoncelo) que evoca as orquestras clássicas do médio oriente, um trompete de sabor andaluz e uma percussão darabuka que remete para um universo da música modal. Na actuação elegante (em termos musicais e, sobretudo cénicos que fizeram com que Mário Pires tivesse tirado belíssimas fotografias) dos Rosa Negra, houve (ainda) muitos ecos de Amália (casos de “Vou dar de Beber à Dor”, “Longe Daqui”). Mas os Rosa Negra parecem saber muito bem para onde querem ir e brindaram-nos também com canções originais de influência sefardita. Oxalá nunca percam a linha do oriente que os une e continuem a trilhar estes caminhos dos judeus expulsos da Península Ibérica no séc. XV.

L’HAM DE FOC| Festival MED | Palco da cerca | dia 30 de Junho | Espaço lotado

No palco da Cerca, pudemos observar um dos mais interessantes projectos folk da vizinha Espanha e, provavelmente aquele que mais instrumentos tocam em cima do palco: cerca de 40. O octeto L’ham de Foc, liderado por Efran Lopez e Mara Aranda demonstrou, mais uma vez, um enorme respeito pela música medieval e modal, que vai Afonso X – o sábio, aos sefarditas, do mediterrâneo ocidental ao oriental. Da Andaluzia, à Grécia e à Turquia, do magrebe à mesopotâmia, desfiando canções, sobretudo, do terceiro álbum “Cor de Porc”, como “Per La Boca” e Tristos Ulls”. Vítimas do forte vento que se fez sentir nessa noite, os L’ham de Foc foram penosamente arrastando a sua actuação com longas pausas para afinação dos delicados instrumentos de cordas, como o alaúde, o rabab afegão, a sanfona ou o baglama (da família do saz). Um espectáculo que soube a muito pouco dado os espectáculos interessantes que ocorriam em paralelo noutros palcos e que tornou inevitável a saída a meio da actuação deste magnífico projecto que merece voltar o quanto antes ao nosso país (sobretudo a um auditório como o da Culturgeste), quer como L’ham de Foc, quer como o outro projecto (que já tem “showcase” marcado para a WOMEX”) Aman Aman focado em canções sefarditas do ocidente e do oriente.

OLIVE TREE | Festival MED | Palco do Castelo | dia 30 de Junho | Espaço completamente apinhado

Às 11h da noite do quarto dia de Med, a concorrência dos dois principais palcos era forte. Na Martiz actuava o italiano Vinicio Capossela, na Cerca os espanhóis L’ham de foc. Tal conjuntura não impediu que o trio Olive Tree tornasse o espaço do Castelo numa verdadeira festa “rave”, completamente apinhada de gente que dançava e pulava, instigada pelo pelo tom tom repetitivo e hipnótico do digeridoo monocórdico de Renato Oliveira e pelos ritmos frenéticos da bateria de Tito Silva e das percussões de Pedro Vasconcelos. Sem recurso a qualquer tipo de elementos electronicamente processados, a música de trance, orgânica, dos Olive Tree foi das mais dançáveis, combativas e estimulantes de todo o MED.

VINICIO CAPOSSELA| Festival MED | Palco da Matriz | dia 30 de Junho | Espaço bem composto

Quando pensávamos que já não havia segredos bem escodidos na música, eis que temos a felicidade de ver o cantautor errante germano-italiano Vinicio Caposella em palco. Homem de mil e uma faces, de músicas sem fim, de vários trajes e instrumentos, Vinicio Capossela é a diversidade cultural ambulante. Nas multi-músicas de Capossela há tango e romantismo (quando dedica “Con Una Rosa” a todas as rosas do Algarve), um certo charme saudosista evocativo dos grandes senhores da canção italiana de outrora, como Renato Carosone e Adriano Calentano (“Che Cosse L’amor” é um verdadeiro hino da canção safada transalpina elegantemente revestida por arranjos de jazz latino), ecos da cultura underground norte-americana “on the road” mitificada por nomes como Jack Kerouac e Tom Waits (implícitos sobretudo no último e sombrio álbum “Ovunoue Proteggi”), influências cinemáticas de Pasolini e de Nino Rota.
De dobro à cintura e chapéu à cowboy, Capossela tanto toca música tex-mex e mariachi, como pisca o olho à rembetika grega, ao mambo e cha cha cha das caraíbas e à música circence contaminada pelo universo grotesco dos ciganos de leste fimado por Kusturica (sobretudo no divertido “Marajà”), como ataca uma espécie de tarantela (punk?) napolitana que descamba para um final noise à sonic youth. Tudo isto é possível porque há um naipe notável de músicos em palco. Uma dupla de cordas grega (com bouzouki e um pequeno mandolin), um tocador de vibrafone e theremin e, sobretudo, um endiabrado guitarrista nitidamente influenciado por Ribot, quer no intimismo selecto daquilo que fez com os Cubanos Postizos, quer nos espásmos de alta voltagem do free-rock. Capossela em palco foi muito maior do que a soma de todas as músicas que o influenciaram.

YERBA BUENA| Festival MED | Palco da cerca | dia 30 de Junho | Espaço completamente apinhado

Antes de acabarmos a quarta noite em beleza, com o set da Dj Raquel Bulha, andámos de “Burrito” com os nova-iorquinos Yerba Buena, liderados pelo cantautor e produtor colombiano Andrés Levi. Nos Yerba Buena, há sobretudo uma grande sabedoria em misturar diferentes ritmos afro-latinos mais tradicionais (da salsa, à cumbia, ao merengue e ao afrobeat) com roupagens ultra modernas e pujantes de funk, rock e hip hop. Guajira, é um exemplo de como os Yerba Buena transformam um tema nitidamente ancorado no son cubano em pop latino mais universal. Valeu pela boa onda.

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Festival Med [dia #4] ROSA NEGRA, L’HAM DE FOC, OLIVE TREE, VINICIO CAPOSSELA, YERBA BUENA

July 16, 2007

ROSA NEGRA | Festival MED | Palco do Castelo | dia 30 de Junho | Espaço bem composto

O compromisso assumido pelos Rosa Negra de fundir o fado com a música sefardita está cada vez mais consistente. No início da quarta noite de Med no palco do Castelo, sentiu-se a forte presença da fadista Carmo acompanhada por Rui Filipe em teclados e acordeão de arranjos luxuriantes das 1001 noites, por uma secção de cordas (violino e violoncelo) que evoca as orquestras clássicas do médio oriente, um trompete de sabor andaluz e uma percussão darabuka que remete para um universo da música modal. Na actuação elegante (em termos musicais e, sobretudo cénicos que fizeram com que Mário Pires tivesse tirado belíssimas fotografias) dos Rosa Negra, houve (ainda) muitos ecos de Amália (casos de “Vou dar de Beber à Dor”, “Longe Daqui”). Mas os Rosa Negra parecem saber muito bem para onde querem ir e brindaram-nos também com canções originais de influência sefardita. Oxalá nunca percam a linha do oriente que os une e continuem a trilhar estes caminhos dos judeus expulsos da Península Ibérica no séc. XV.

L’HAM DE FOC| Festival MED | Palco da cerca | dia 30 de Junho | Espaço lotado

No palco da Cerca, pudemos observar um dos mais interessantes projectos folk da vizinha Espanha e, provavelmente aquele que mais instrumentos tocam em cima do palco: cerca de 40. O octeto L’ham de Foc, liderado por Efran Lopez e Mara Aranda demonstrou, mais uma vez, um enorme respeito pela música medieval e modal, que vai Afonso X – o sábio, aos sefarditas, do mediterrâneo ocidental ao oriental. Da Andaluzia, à Grécia e à Turquia, do magrebe à mesopotâmia, desfiando canções, sobretudo, do terceiro álbum “Cor de Porc”, como “Per La Boca” e Tristos Ulls”. Vítimas do forte vento que se fez sentir nessa noite, os L’ham de Foc foram penosamente arrastando a sua actuação com longas pausas para afinação dos delicados instrumentos de cordas, como o alaúde, o rabab afegão, a sanfona ou o baglama (da família do saz). Um espectáculo que soube a muito pouco dado os espectáculos interessantes que ocorriam em paralelo noutros palcos e que tornou inevitável a saída a meio da actuação deste magnífico projecto que merece voltar o quanto antes ao nosso país (sobretudo a um auditório como o da Culturgeste), quer como L’ham de Foc, quer como o outro projecto (que já tem “showcase” marcado para a WOMEX”) Aman Aman focado em canções sefarditas do ocidente e do oriente.

OLIVE TREE | Festival MED | Palco do Castelo | dia 30 de Junho | Espaço completamente apinhado

Às 11h da noite do quarto dia de Med, a concorrência dos dois principais palcos era forte. Na Martiz actuava o italiano Vinicio Capossela, na Cerca os espanhóis L’ham de foc. Tal conjuntura não impediu que o trio Olive Tree tornasse o espaço do Castelo numa verdadeira festa “rave”, completamente apinhada de gente que dançava e pulava, instigada pelo pelo tom tom repetitivo e hipnótico do digeridoo monocórdico de Renato Oliveira e pelos ritmos frenéticos da bateria de Tito Silva e das percussões de Pedro Vasconcelos. Sem recurso a qualquer tipo de elementos electronicamente processados, a música de trance, orgânica, dos Olive Tree foi das mais dançáveis, combativas e estimulantes de todo o MED.

VINICIO CAPOSSELA| Festival MED | Palco da Matriz | dia 30 de Junho | Espaço bem composto

Quando pensávamos que já não havia segredos bem escodidos na música, eis que temos a felicidade de ver o cantautor errante germano-italiano Vinicio Caposella em palco. Homem de mil e uma faces, de músicas sem fim, de vários trajes e instrumentos, Vinicio Capossela é a diversidade cultural ambulante. Nas multi-músicas de Capossela há tango e romantismo (quando dedica “Con Una Rosa” a todas as rosas do Algarve), um certo charme saudosista evocativo dos grandes senhores da canção italiana de outrora, como Renato Carosone e Adriano Calentano (“Che Cosse L’amor” é um verdadeiro hino da canção safada transalpina elegantemente revestida por arranjos de jazz latino), ecos da cultura underground norte-americana “on the road” mitificada por nomes como Jack Kerouac e Tom Waits (implícitos sobretudo no último e sombrio álbum “Ovunoue Proteggi”), influências cinemáticas de Pasolini e de Nino Rota.
De dobro à cintura e chapéu à cowboy, Capossela tanto toca música tex-mex e mariachi, como pisca o olho à rembetika grega, ao mambo e cha cha cha das caraíbas e à música circence contaminada pelo universo grotesco dos ciganos de leste fimado por Kusturica (sobretudo no divertido “Marajà”), como ataca uma espécie de tarantela (punk?) napolitana que descamba para um final noise à sonic youth. Tudo isto é possível porque há um naipe notável de músicos em palco. Uma dupla de cordas grega (com bouzouki e um pequeno mandolin), um tocador de vibrafone e theremin e, sobretudo, um endiabrado guitarrista nitidamente influenciado por Ribot, quer no intimismo selecto daquilo que fez com os Cubanos Postizos, quer nos espásmos de alta voltagem do free-rock. Capossela em palco foi muito maior do que a soma de todas as músicas que o influenciaram.

YERBA BUENA| Festival MED | Palco da cerca | dia 30 de Junho | Espaço completamente apinhado

Antes de acabarmos a quarta noite em beleza, com o set da Dj Raquel Bulha, andámos de “Burrito” com os nova-iorquinos Yerba Buena, liderados pelo cantautor e produtor colombiano Andrés Levi. Nos Yerba Buena, há sobretudo uma grande sabedoria em misturar diferentes ritmos afro-latinos mais tradicionais (da salsa, à cumbia, ao merengue e ao afrobeat) com roupagens ultra modernas e pujantes de funk, rock e hip hop. Guajira, é um exemplo de como os Yerba Buena transformam um tema nitidamente ancorado no son cubano em pop latino mais universal. Valeu pela boa onda.

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Festival Med [dia #5] CHAMBAO, BAJOFONDO

July 16, 2007

CHAMBAO| Festival MED | Palco da Matriz | dia 1 de Julho | Espaço lotado

No último dia de Med, os Chambao de Málaga trouxeram consigo uma verdadeira legião de fãs que lotaram por completo o espaço da Matriz. Na zona de merchandising havia t-shirts para todos os gostos e livros da carismática vocalista La Mari que conta como conseguiu vencer um cancro. Todo o universo electropop-flamenco dos Chambao gira em torno de Maria del Mar Rodriguez (La Mari). Dona de uma das mais intensas vozes do flamenco. É uma pena que um projecto com uma vocalista desta natureza não vá mais fundo na interpretação da música que nasceu em Granada. Não é por acaso que os melhores momentos do espectáculo destes andaluzes foram aqueles em que a banda toca só instrumentos acústicos. Que bom que seria se os Chambao abordassem as suas canções só com voz, guitarra, cajón e palmas.

BAJOFONDO | Festival MED | Palco da Cerca | dia 1 de Julho | Espaço lotadíssimo - não cabia nem mais uma mosca

E o MED de 2007 acaba aqui. Por volta da meia-noite de domingo, o recinto da cerca teve uma enchente humana ainda maior do que aquela registada o ano passado com Amparanoia. O MED cresceu em quantidade de público e em qualidade de artistas. Os Bajofondo foram a cereja em cima do bolo desta última edição. O projecto que reúne músicos argentinos e urugaios, de ambas as margens do rio da prata, vai muito mais além da mera miscigenação de tango e milongas com house e outras coordenadas da música electrónica. A música dos Bajofondo é sobretudo instrumental mas, as poucas vezes que Gustavo Santaolalla canta uma milonga, fá-lo com a sua rouca e arrebatadora voz regateando os aplausos do público, como se fosse um músico de jazz que tivesse acabado de efectuar um extraordiário solo de guitarra. A música dos Bajofondo encontra-se quase sempre revistida de beats programados electronicamente, mas isso não ofusca o virtuosismo de músicos como Martin Ferres, em bandoneon, e Javier Casalla em violino. Como se toda a banda não fosse já suficientemente boa, há ainda uma vídeo jockey – Verónica Loza – que lança imagens a preto e branco de cidadãos agitados em pleno “corralito” (a tal medida económica tomada para conter a fuga de capitais) posta em prática pelo governo de Fernando de La Rua em 2001. Um final em grande que põe a organização a pensar para qual parte antiga da cidade de Loulé é que o Med pode ainda crescer mais. Oxalá consigam alargar o espaço e criar mais palcos.

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20 anos sem ZECA, 10 anos sem CHICO SCIENCE

March 10, 2007

Foi vítima de um acidente de viação a 2 de Fevereiro de 1997. Tinha 33 anos. A idade com que Jesus Cristo foi crucificado. Foi o Deus do Mangue Beat. O FELA KUTI de Pernambuco. É uma pena que a nossa imprensa musical tenha ignorado esta efeméride. Porque a figura e a obra de CHICO SCIENCE foram, como os brasileiros dizem, “foda”.

Toda a sua obra, especialmente “Banditismo Por uma Questão de Classe”, merece ser recordada, não pela efeméride dessa irreparável perda, mas sobretudo pela visita de George W. Bush ao Brasil.

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[multimédia] Tocado pelas mãos de ALI

January 18, 2007

vieux_guitar_12

No início do próximo mês será editado o álbum de estreia (e homónimo) de VIEUX FARKA TOURÉ (um dos filhos do imortal ALI). Uma obra que reúne participações do próprio pai (VIEUX também colaborou nas gravações de “Savane”) e de TOUMANI DIABATÉ, entre outros (ler crítica ao disco nas Raízes e Antenas de A.P.). Além de a música de VIEUX ser um pouco mais aberta ao rock e ao reggae (o single “Ana” é declaradamente influenciada por ritmos jamaicanos), há no precioso toque de guitarra do jovem músico aquela genialidade, aquele sentido de improviso e aquele balancear de corpo como se estivesse em transe, transmitido de pai para filho. Ao site World Music Central, VIEUX refere: “Our lives here in Mali are like that. Much of what I sing on the album was his wisdom, teachings that he passed down to me. As he neared the end of his life, I knew that the wisdom he imparted on me was important to spread.”

Fiquem com a magia e o improviso de VIEUX captado em Niafunké (em quatro actos) durante as sessões de gravação do seu primeiro disco.

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[multimédia] Pedido Urgente

January 17, 2007

Não por aí uma alma caridosa que traga os BELLOWHEAD ao nosso país? Por Favor! A extensa comunidade folqueira (e roqueira) agradece.

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