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Terra Pura 14JAN08: BILLY BRAGG ao vivo no Salisbury City Hall

January 14, 2008 by Luís Rei  
Filed under Actual, Radio

Rádio Zero - Segunda a Sexta-feira, entre as 18h às 19h. Repete no dia seguinte entre as 8h e as 9h da manhã.

Miróbriga - Domingos, entre as 21h e as 23h

BILLY BRAGG edita novo disco na primeira semana de Março. Enquanto não lhes pomos as mãos e os ouvidos em cima, recuperamos excertos de um espectáculo que o «one man clash» deu no Salisbury City Hall há cerca de um ano. Durante esta hora podermos escutar “I Keep The Faith” (do novo álbum “Mr Love and Justice”) e uma série de clássicos: “World Turned Upside Down”, “Levi Stubbs Tears”, “Greetings To The New Brunette”, “A Lover Sings”, “Green Onions”, “The Price I Pay”, “Sing Their Souls Back Home”, “Debris”, “Tank Park Salute”, “St Monday” e “All You Fascists”.

 
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ROBERT WYATT participa no novo disco de BILLY BRAGG

January 14, 2008 by Luís Rei  
Filed under Actual, Notícias

billybragg.jpgBILLY BRAGG, prolífico escritor de canções e incansável lutador pelos direitos da classe trabalhadora inglesa e da multiculturalidade britânica, tem novo disco. “Mr. Love And Justice” sucede a “England, Half English” (de 2002) e será editado pela Cooking Vynil a 3 de Março. Produzido por GRANT SHOWBIZ, este novo trabalho de BRAGG conta mais uma vez com a participação dos THE BLOKES (IAN MCLAGAN – órgão hammond e piano; BEM MANDELSON – ‘lap steel guitar’ e bouzouki; LU EDMONDS (guitarra eléctrica e voz), MARTYN BARKER (bateria) e SIMON EDWARDS (baixo) e a colaboração especial de ROBERT WYATT numa das doze canções que integram este disco: “I Keep Faith”. Os restantes onze temas são: “I Almost Killed You”, “M For Me”, “The Beach is Free”, “Sing Their Souls”, “Back Home”, “You Make Me Brave”, “Something Happened”, “Mr. Love & Justice”, “If You Ever Leave”, “O Freedom”, “The Johnny Carcinogenic Show”, “Farm Boy”.

A partir de amanhã, BILLY BRAGG arranca com uma nova digressão no Pacífico Sul, de cerca de dezena e meia de datas, pela Nova Zelândia e Austrália (até final de Fevereiro). Já na Europa, “Mr Love And Justice” será apresentado em primeira-mão a 4 de Março, na sala londrina Rondhouse. A ‘tournée’ europeia irá passar, logo depois, pela Noruega, Suécia, Holanda e Alemanha e terá ainda mais oito datas em solo britânico (entre a última semana de Abril e a Primeira de Maio).

Para celebrar a edição de um novo disco, seis anos depois de “England, Half English”, o programa de rádio cá da casa, Terra Pura (emitido diariamente na Rádio Zero às 18h), apresenta na sua emissão de hoje doze temas de um espectáculo (quase) a solo de BILLY BRAGG (que contou com a companhia em alguns temas do pianista / organista IAN MCLAGAN) no Salisbury City Hall, onde se pode escutar um dos temas novos – o tal “I Keep Faith” - e bastantes clássicos: “Levi Stubbs Tears”, “Green Onions”, “A Lover Signs”, “Greetings to New Brunette” e “All You Fascists”.

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[perfil BILLY BRAGG] “One man Clash”

August 25, 2006 by Luís Rei  
Filed under Discos

“One man Clash” ou “national treasure” são duas expressões utilizadas para descrever BILLY BRAGG. O facto desta última ter sido utilizada pela primeira vez muito recentemente pelo institucional jornal The Times, pode ser apenas sinónimo do reconhecimento de uma carreira já longa de vinte e muitos anos, mas não deve ser encarada como uma rendição ao politicamente correcto, tão demasiado presente em todos o sectores desta nossa tristemente globalizada sociedade.

É na convulsão do punk, indissociável da situação político/social que se vivia no Reino Unido nos finais da década de setenta do século passado, que surgem, no meio de um turbilhão de bandas, os RIFF RAFF, que eram BILLY BRAGG e PHILIP ‘WIGGY’ WIGGS, geograficamente originários de Barking, Essex (encontraremos ‘WIGGY’ mais tarde a colaborar no projecto a solo do primeiro, nomeadamente no álbum “Don’t Try This At Home” de 1991).

THE CLASH despertaram indiscutivelmente em muito, muito boa gente, uma consciência política que estava adormecida nuns, entorpecida noutros (aqui também com a ajuda preciosa da brutalidade policial na época). Os temas que abordaram nas suas canções em conjugação com a atitude politicamente engajada que assumiram, através por exemplo da participação activa contra a ameaça da National Front (partido da extrema direita inglesa em preocupante ascensão na época), nos eventos promovidos pela Anti-Nazi League e pelo Rock Against Racism.

BILLY BRAGG não foi excepção. O primeiro concerto dos CLASH, a que assistiu na Rainbow deixou marca indelével, reflectindo-se certeiramente na confissão de BRAGG de que JOE STRUMMER alterou a sua forma de encarar o mundo.

É essa mesma consciência política e esse mesmo comprometimento com uma causa que define a carreira de BILLY BRAGG, indiscutivelmente ligado à esquerda inglesa. Em meados de oitenta muito próximo do Partido Trabalhista, então na oposição ao governo conservador da ‘dama-de-ferro’ Margaret Thatcher. Actualmente a situação é necessariamente diversa, uma vez que o Reino Unido é governado pelos trabalhistas, sob a liderança de Tony Blair, que é, no entanto e justamente, considerado um neo-conservador, à semelhança dos seus aliados da administração norte-americana.

Foi nesses anos uma voz forte no apoio às lutas sociais levadas a cabo contra o mencionado governo conservador. A Greve dos Mineiros em 1984 talvez tenha sido a mais importante batalha em que BRAGG se empenhou. Desde então e até ao presente, a luta e os motivos que à mesma conduzem, não terminou, e dificilmente terminará, e por isso a série de espectáculos que tem agendados para os próximos meses de Abril a Junho – Hope Not Hate tour – serão, também, de apoio às três principais organizações anti-fascistas inglesas, sem perder de vista as eleições locais em Maio (está, assim, explicada a expressão “one man Clash”!).

Os três discos que abordamos muito sumariamente a seguir, foram agora reeditados, devidamente remasterizados e providos de faixas extra, e são os que melhor espelham a componente interventiva que autor tão bem consegue entrelaçar com a vida simples e dura das classes ditas trabalhadoras (que no fundo, e em última análise, somos todos nós).

“Life’s a Riot with Spy vs Spy” em 1983 é o primeiro álbum. Um homem, uma guitarra e um amplificador (e aqui um parêntesis para destacar “Pay no more than…”, uma marca, inscrita em local visível na capa, que alerta o comprador para o facto de não dever pagar mais pelo disco que a quantia impressa, que representa o preço justo - um perfeito percursor do hoje chamado comércio justo, curiosamente em 1979 com “London Calling” os CLASH, prescindindo da sua quota parte de lucro, tinham conseguido que a multinacional CBS vendesse esse duplo álbum ao preço de um simples).

“Brewing Up With Billy Bragg” (1984) e “Talking with the Taxman About Poetry”(1986), representam o segundo e o difícil terceiro álbuns (neste já bem acompanhado entre outros, pelo genial JOHNNY MARR, na altura guitarrista dos SMITHS. Curiosamente ‘WIGGY’ não terá colaborado devido, ironicamente, a uma greve de autocarros).

As músicas dividem-se basicamente em dois capítulos. As de intervenção, como ‘To Have and Have Not’, ‘It Says Here’, ‘Ideology’, ‘There is Power in a Union’ ou ‘Help Save the Youth of America’,e as de amor, como ‘A New England’ ou ‘A Lover Sings’, enquadradas em retratos de quotidianos normais.

Estas e todas as outras merecedoras da nossa máxima atenção.

Pedro Neto Neves

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