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a nova música galega, por Sara Vidal

July 11, 2007

As Crónicas da Terra abrem uma nova secção destinada leitores que acompanham regularmente este espaço. SARA VIDAL, nazarena, actual vocalista dos galegos LUAR NA LUBRE, blogger do actualizadíssimo Sons Vadios, do Sonoridades e colunista do suplemento Hoxe Venres do jornal galego Galicia-Hoxe e uma das principais dinamizadoras da lista de discussão deste espaço, foi desafiada para escrever sobre alguns dos novos valores da folk galega. Sara Vidal preferiu abordar quatro novos discos acabados de sair que lhe são queridos.

dianielbellon.gifDANIEL BELLÓN & DIEGO MACEIRAS
“Unión das Terras”
Phonos, 2006

Destacados pelo prémio Runas do Festival de Ortigueira de 2006, entre uma selecção de 75 maquetas de toda a Península Ibérica, e pelo concurso da Rádio Obradoiro, que lhes permitiu gravar o seu primeiro trabalho discográfico “Unión das Terras”, DANIEL BELLÓN & DIEGO MACEIRAS desde a sua formação em 2005 que revelaram ser um dos grupos mais inovadores e prometedores da nova cena musical galega.
E basta ouvi-los para nos deixarmos convencer pela catalagoção, pois o facto de apenas recorrerem à gaita galega e ao acordeão cromático não impede que seja um disco diverso, ritmano e cativante, não se confinando às melodias tradicionais da Galiza, mas incluindo, igualmente, peças originais e adaptações de temas populares de outros países, como é o exemplo dum “corridinho”.
Ultrapassadas as provas de afirmação e consagração, DANIEL BELLÓN & DIEGO MACEIRAS, exímios tocadores e intérpretes solistas, são, actualmente, uma referência incontornável dentro da nova geração de músicos na Galiza.

setesaias.gifSETE SAIAS
“Sete Saias”
PAI Música, 2006

Definindo-se como música celta, e sob a influência musical do harpista RODRIGO ROMANÍ, ex-membro de MILLADOIRO e quem assume grande parte dos arranjos das harpas, surge um novo grupo no panorama musical galego, emergente da Aula de Harpa do Conservatório de Música Tradicional da Escola de Artes e Oficios de Vigo.
SETE SAIAS é um duo composto por CLARA PINO e MARTA QUINTANA, que têm como objectivo recuperar a sonoridade da harpa na música galega, contrapondo com a melodia da voz. No seu repertório, incluem tanto peças tradicionais, principal fonte de inspiração, assim como originais, dos quais se destacam os dois singles “Rompendo a Marea” e “Bágoas de Azar”, havendo a participação de XOSÉ MANUEL BUDIÑO numa versão remisturada do primeiro tema.
Este álbum de estreia “Sete Saias”, cuja primeira edição já se encontra esgotada, tem o mérito de apresentar uma abordagem original sobre a música galega, tendo sido seleccionado para o concurso Runas do Festival de Ortigueira 2007 e deixando expectativas sobre o próximo trabalho.

xabierdiazcoplas_1.gifXABIER DÍAZ
“Coplas para Icía”
Músicas de Salitre, 2007

XABIER DÍAZ é um homem que apropria-se da terra, como essência fundamental na sua construção enquanto pessoa e músico. Por este motivo, “Coplas para Icía” é um disco comprometido com a cultura e tradição musical, que ele sente como próprias, sendo integralmente composto por adaptações de temas recolhidos pelo próprio XABIER DÍAZ um pouco por toda a Galiza.
No entanto, a proposta que nos apresenta não deixa de ser arrojada e inovadora, deixando transparecer o trabalho de artesão, juntamente com a participação de PEDRO LAMAS (saxo e gaita) e SUSO IGLESIAS (acordeão), em converter ecos antigos em cantares contemporâneos.
Ao ouvirmos este segundo trabalho do músico, apercebemo-nos rapidamente que a intenção subjacente não é recordar o passado, mas atrever-se a reinterpretá-lo com harmonias menos características, em busca dum novo sentido num presente cada vez menos tradicionalista. É de destacar a colaboração de GUADI GALEGO e das Pandeireteiras do Grupo Arestora, que exemplificam, na perfeição, esta conjugação de tempos e de intenções.

ialmanovaera.gifIALMA
“Nova Era”
EMI, 2007

Dificilmente conseguiríamos imaginar a música “Under the Bridge” de RED HOT CHILI PEPPERS transformada por um grupo de cantareiras, acompanhadas pelo tocar da pandeireta. No entanto, é esta proposta de fusão da música tradicional com o rock/pop que as belgo-galegas IALMA apresentam no seu terceiro trabalho discográfico “Nova Era”.
Neste tema que abre o disco, e no qual colaboraram as septuagenárias cantareiras de Pontecaldelas “DAMAS DE LAXOSO”, intuimos a musicalidade, que em muito se afasta do primeiro álbum a capella “Palabras darei” (2000). Seguindo a evolução duma linha estética mais inovadora, tal como fizeram LEILIA ou ANUBIA, “Nova Era” apresenta-se como uma proposta de fusão mais ambiciosa e abrangente, com composições originais e temas tradicionais de todo o mundo, reflectindo-se, igualmente, na participação de vários músicos, nomeadamente: MERCEDES PEÓN, GUADI GALEGO, RADIO COS (Xurxo e Quique Peón), N´FALY KOUYATÉ (Guiné), AD COMINOTTO (Italia-Bélxica) e SOPHIE CAVEZ (Bélgica), entre outros.

Sara Vidal

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