Rokia Traoré: À procura do som perfeito
June 5, 2008
Rokia Traoré, maliana de etnia Bamana, editou este mês o seu quarto disco denominado “Tchamantché”. Uma obra dedicada à memória de Ali Farká Touré. A cantora que actuou pela primeira vez no nosso país, há cerca de oito anos no Multi Músicas de Lisboa (no saudoso Cais do Gás), vem apresentar o sucessor de “Bownboï” à Xª edição do FMM de Sines (local onde já esteve em 2004), que marca a transição da orquestração complexa e acústica para uma outra mais simples, eléctrica, suave e «abluesada». “Tchamantché” acentua ainda mais a ideia de estarmos perante uma das mais interessantes vozes femininas nascidas em África. Filha de um diplomata (que entretanto se reformou e que regressou ao Mali), partilhou residência, durante a sua infância e adolescência, entre a Argélia, a Arábia Saudita, a França e Bélgica. Há cerca dez anos, comprou casa em Amiens, no norte de França, na localidade da editora que lhe gravou os seus dois primeiros discos, a Label Blue. Apesar dessa outrora magnífica etiqueta de jazz e de música africana tradicional e moderna ter cessado funções há vários anos, ainda mantém essa habitação. Contudo, Rokia teve de alugar um apartamento em Paris, uma vez que «as actividades de promoção concentram-se todas aí». Actualmente reparte a sua residência entre Amiens, Paris e Bamako no Mali. É esta excitante vivência que lhe permite, por um lado, manter os laços profundos com a sua cultura do ancestral Império Bamana, por outro, ter abertura de espírito suficiente para produzir um disco esteticamente ocidentalizado, moderno, repleto de pequenos e sofisticados pormenores de produção, que mantém intacta a alma africana de Rokia.
Segue-se a primeira de três partes de uma entrevista realizada no próprio dia em que Rokia Traoré actou como convidada no espectáculo de Kronos Quartet no Centro Cultural de Belém (para interpretar os dois temas que gravaram em “Bownboï”). Um dia antes, a Universal Music de França lançou “Tchamantché” no mercado europeu.
Até que ponto o facto de ter ido viver para França há 10 anos atrás lhe deu uma visão mais abrangente da música que lhe permitiu criar o seu próprio estilo, sem nunca perder as raízes da sua etnia Bamana?
Penso é importante para mim sentir-me eu própria. Mas já não me preocupo mais em manter-me ligada às minhas raízes. Aquilo que eu sei acerca da cultura francesa ou do resto do mundo é algo que já está intrincado em mim. Não posso fazer nada contra isso. Mas para assumir isso preciso de estar ligada às minhas raízes, não esquecer quem sou e especialmente de onde venho. Que tipo de origens malianas tenho. Ao mesmo tempo já não penso naquilo que tenho de fazer para continuar a ser maliana. Isso era algo que procurava quando era adolescente, quando não sabia o suficiente sobre as minhas raízes. Há dez anos atrás, quando comecei a gravar o primeiro disco, “Mouneïssa”, visitei a minha aldeia para conhecer esta cultura da minha região, onde há muitos tocadores de balafon. Antes disso, apenas conhecia esta cultura somente por os meus pais me falarem dela. Nessa altura senti necessidade de ir à aldeia onde os meus pais nasceram [Kolokani], onde tive a oportunidade de conhecer os meus tios e os meus primos.
Claro que nessa altura fi-lo apenas por causa da música. Fui lá para tentar encontrar um tocador balafon para actuar comigo no resto do mundo. Mas continuo a ter uma grande ligação com minha família dessa aldeia, ainda que não viva lá. Ainda esta sexta-feira dei um concerto em Bamako. Gostava de ter tocado na minha aldeia, mas não foi possível porque não há infraestruturas para realizar um espectáculo deste tipo. Aluguei um autocarro para trazer 75 pessoas a ver o concerto em Bamako. Esta é a relação que tenho com a minha aldeia. Actualmente, não preciso de ligar aos meus pais para ver se há alguém que me possa arranjar um tocador de balafon, caso precise. Tenho a minha própria relação com estas pessoas que fazem parte de mim. Afinal somos da mesma família. Temos apenas estilos de vida diferentes. Mas o facto de virmos das mesmas raízes foi suficiente para nos voltarmos a ligar. E isso, para mim, é algo de muito concreto.
Referiu por diversas vezes o balafon, mas neste disco não há um tocador deste instrumento de percussão. Ao invés, há bateria. Também não há corá, há harpa ocidental. No entanto faz um uso exaustivo do n’goni. Porquê?
Não há uma pesquisa aprofundada naquilo que faço. Tudo acontece de forma muito natural. A história da harpa é muito simples. Esse tema foi composto inicialmente através de corá, o músico que tocou o tema não o pode gravar. O meu melhor músico [o baixista] também toca harpa. A escolha do n’goni na orquestração é que este é um instrumento que faz parte da música acústica clássica maliana e eu adoro o som desse instrumento. Imaginei este disco como algo só com guitarra, n’goni, baixo e bateria. Quando estamos a criar um novo projecto nunca sabemos se vai ser um sucesso ou não, quer em termos acústicos, quer em termos de marketing. Apenas quis fazer aquilo que sentia. Decidi que tinha de mudar ao verificar que tinha trabalhado cerca de oito anos com orquestração clássica e acústica nos três anteriores álbuns. Não queria fazer um quarto disco desta forma.
Foi a partir dessa necessidade que encontrou a guitarra eléctrica “Gretsch”?
O que está claro é que não decidi parar por causa disso. Continuo a trabalhar com orquestração acústica em diferentes projectos, não neste álbum e não na digressão actual. Queria fazer algo novo, como se fosse para mim um desafio. Com novas coisas para perceber e novas pessoas para trabalhar. Quis voltar à guitarra, que é o meu primeiro instrumento. Há mais dez anos atrás, descobriram-me a cantar e a tocar esta guitarra acústica. Diziam que eu dizia que eu era uma Tracy Chapman. [risos]
Toca três tipos de guitarra [acústica e eléctrica]. Pode descrever as diferenças entre todas elas?
Estas guitarras não soam de forma semelhante. A folk é mais suave e está mais próxima de nós. A guitarra eléctrica é fisicamente tocada um pouco mais afastada de nós. A “Gretsch” é tocada numa posição intermédia, entre essas duas guitarras. À parte disto, não podemos exprimir os mesmos sentimentos com uma guitarra folk, do que com uma guitarra eléctrica. O mais complicado é sempre sabermos aquilo que queremos. Não é fácil chegarmos aonde ambicionamos. Mas quando sabemos exactamente onde queremos chegar, temos 40 ou 50% do trabalho feito.
Que tipo de som procurava quando pegou na guitarra “Grestch”?
Um som blues, um som rock e a mesmo tempo o meu som. Não queria fazer um som demasiado eléctrico, demasiado pop. O mais complicado neste projecto foi a pesquisa que fizemos com o engenheiro de som [Phill Brown] que é também um artista. Sabia o que queria, mas não sabia como o conseguir. O trabalho que lhe dei foi o de ajudar-me a conseguir este som diferente. Não lhe estava a pedir que criasse esse som, estava a pedir-lhe que me ouvisse. É muito difícil encontrar alguém disponível para nos compreender e dar luminosidade à nossa música. Algo que não saberia como fazer, pois esse não é o meu trabalho.
[continua amanhã]
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A sensualidade de Rokia, a alma «zorniana» de Koby e os amigos franceses dos Mandrágora no FMM de Sines
May 18, 2008
Ainda não é conhecido o programa oficial da X edição do FMM de Sines que se realiza entre os dias 17 e 26 de Julho, mas já é possível saber que o décimo e último «round» de 2008 promete um grande, grande espectáculo da repetente maliana Rokia Traoré. Esta semana, a senhora que divide residência entre Paris e Bamako editou “Tchamanché” e passou por Lisboa para actuar com Kronos Quartet e falar a alguma imprensa. “Tchamanché” é um álbum que homenageia o mestre Ali Farka Touré e marca uma viragem assumidamente «blues-rock» nas canções de crítica social aguçada, interpretadas por Rokia agora com uma guitarra eléctrica (e não acústica) “Gretsch” (famosa entre as bandas de «rockabilly» dos anos 60 e 70). Sem nunca perder a génese da música africana e da sua etnia bambara, Rokia aventura-se de forma exemplar pelo repertório de Billie Holiday (que grande versão a de “The Man I Love” que aparece escondida a seguir ao último tema do disco).
No último dia (26 de Julho) do FMM é também possível assistirmos à estreia de Koby Israelite. Compositor e multi-instrumentista (toca acordeão, bateria, guitarra, piano, banjo, clarinete de bolso, flauta, melódica) israelita residente em Londres que edita os seus discos com selo da editora de John Zorn (de quem se considera discípulo), a Tzadik, na série ‘Radical Jewish Series’. No Castelo iremos ter em palco um homem que, à semelhança de projectos como Naked City, Mr. Bungle, Farmers Market ou Secret Chiefs 3, percorre em meia-dúzia de minutos uma amálgama (e sobreposição em camadas) de estilos: do metal e do funk, ao klezmer e ao jazz e à música cigana dos Balcãs. Em Sines, Koby deverá tocar somente acordeão e será acompanhado por Yaron Stavi-Upright (baixo eléctrico), Tim Giles (bateria), John Turville (teclados) e Jez Franks (guitarra).
Dois dias antes (24 de Julho), é também possível observarmos a união entre a folk progressiva que traça no horizonte paisagens repletas de fiordes (tais os altos e baixos) dos portuenses Mandrágora e três músicos oriundos da Bretanha e intimamente ligados à Kreiz Breizh Akademy dirigida artisticamente por Erik Marchand. São eles o gigante violinista Jacky Molard, a luso-francesa Simone Alves e Guillaume Guern. Um encontro que é consequência da residência bretã dos Mandrágora (que ocorreu no início deste ano), sugerida pelo programador do FMM, Carlos Seixas.
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Prémios de World Music da BBC Rádio 3: O ano de BASSEKOU KOUYATÉ
April 11, 2008
O Maliano BASSEKOU KOUYATÉ, que actuou no África Festival da Torre de Belém em 2007 e que faz parte do cartaz do FMM de Sines de 2008, é o nome a reter da edição deste ano dos prémios de World Music da BBC Rádio 3. O tocador maliano de n’goni que é acompanhado em palco pela sua mulher AMY SACKO (considerada como a TINA TURNER do Mali) e pela pequena orquestra de n’gonis, NGONI BA, além de ter conquistado o prémio de melhor disco de 2007 com “Segu Blue”, arrecadou foi também o prémio de melhor músico na categoria “África” sub-saraiana. E só não conquistou uma terceira distinção porque a cabo-verdiana MAYRA ANDRADE encontra-se em muito boa forma, tendo levado para Paris o prémio de “artista revelação”. Refira-se que a autora de “Navega” (recém galardoado disco de ouro pela AFP), que ainda há bem pouco levou a cabo uma digressão de meia-dúzia de datas no nosso país, regressa ao nosso país já este Verão para actuar em Junho no Cool Jazz Festival (Oeiras) e em Agosto no Sons do Atlântico (Porches / Lagoa). E os restantes artistas distinguidos foram: a chinesa SA DINGDING (melhor artista da “Ásia / Pacífico” que tem criado uma certa polémica nestes meios ao apoiar o regime chinês em relação ao que se está a passar no Tibete), o malogrado ANDY PALACIO e a banda que o acompanhava em vida GARIFUNA COLLECTIVE (na categoria “Américas”), os espanhóis SON DE LA FRONTERA (como melhor grupo da “Europa”), o argelino residente em França, RACHID TAHA (como melhor artista do “Norte de África”), a dupla JUSTIN ADAMS & JULDEH CAMARA (dois grandes nomes para ver em Sines que conquistaram o galardão de “cruzamento de culturas”) e os veteranos TRANSGLOBAL UNDERGROUND (na categoria “dança global”). À parte, FRANCIS FALCETTO, francês responsável pela longa série Ethiopiques e por dar a conhecer ao mundo ocidental o enorme músico etíope MAHMOUD AHMED, foi distinguido com o prémio de “agitador do mundo”.
Os BALKAN BEAT BOX, nomeados para três categorias e um dos nomes em cartaz para o Festival Med de Loulé deste ano, foram os grandes perdedores da noite. Também se esperava mais de nomes como TOUMANI DIABATÉ, VIEUX FARKA TOURÉ e MARIA RITA.
No entanto, falta ainda conhecer o prémio dos ouvintes da BBC Rádio 3. A partir de hoje, e até ao dia 8 de Maio, poderemos seleccionar entre os 27 artistas nomeados para todas as categorias, aquele que nos é mais querido. A votação online poderá ser efectuada aqui.
O vencedor deste prémio será anunciado no programa de rádio “World Routes” de Lucy Duran (a 5 de Julho) e juntar-se-à SA DINGDING, BASSEKOU KOUYATE & NGONI BA, SON DE LA FRONTERA, MAYRA ANDRADE AND JUSTIN ADAMS & JULDEH CAMARA na Celebração da “World Music”, durante a festa dos “Proms” que ocorrerá a 30 de Julho, no Royal Albert Hall de Londres.
A BBC Rádio 3 transmite hoje, entre as 19h e as 20h45, a cerimónia de entrega destes prémios realizada ontem à noite.
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A MANDRÁGORA que subiu à escarpa
March 19, 2008
Há três anos atrás, não tive qualquer problema em afirmar que o álbum de estreia dos portugueses MANDRÁGORA havia sido o mais surpreendente álbum gravado por músicos portugueses da colheita de 2005. No próximo dia 5 de Maio, o projecto de FILIPA SANTOS, RICARDO LOPES, PEDRO VIANA, SÉRGIO CALISTO e JOÃO SERRADOR oferecem-nos uma visita guiada a uma “Escarpa” que os coloca muito acima daquilo que se chama muito simplesmente de música tradicional portuguesa. Primeiro porque é muito redutor aplicar tal termo a este projecto. “Escarpa” é o resultado do amadurecimento criativo e do balizar das excelentes indicações deixadas no primeiro disco. Há o acentuar do drone do violoncelo, nickelharpa e moraharpa de SÉRGIO CALISTO (que também trouxe outra consistência aos MU); o constante vai-acima-vai-abaixo (típico de projectos pós-rock como GYBE!); o formato mais encorpado (e menos frágil) da sonoridade dos MANDRÁGORA, quer pelo maior uso do saxofone de FILIPA SANTOS (é pena haver menos espaço para as flautas que emanam orvalho e à densa floresta que se abre) e pela intensidade do baixo de JOÃO SERRADOR (excelente aquisição que veio dar uma tonalidade muito mais dinâmica e roqueira à banda), que não absorvem os momentos cintilantes da muito bem dedilhada guitarra clássica de PEDRO VIANA; um inesperado e exemplarmente bem metido solo de bateria em “Erva Moura”; a agradável surpresa de ouvirmos FRANCISCO SILVA cantar em português “Abaix´esta serra / verei minha terra / Ó montes erguidos /deixai-vos cair /deixai-vos sumir / e ser destruídos / pois males sentidos / me dão tanta guerra / por ver minha terra.”, na única canção deste disco, “Abaixo Esta Serra”; os urrares demoníacos com que HELENA MADEIRA (ex-DAZKARIEH, actualmente no PROJECTO IARA) nos brinda no último tema (“Turbilhão”), cujo exercício vocal (também empregue em “Casa Nostra” dos MU) se assemelha a uma “spell song” retirada do épico finlandês Kalevala.
“Escarpa” foi gravado no Estúdio Fortes & Rangel (Porto) e para além dos convidados já referidos contou também com as colaborações de prestação de Simone Bottasso no acordeão diatónico e de Matteo Dorigo na Sanfona. Os treze temas que constituem o alinhamento do disco são: “Candelária”,”Picões do Diabo”, “Baile do Escangalhado”, “Cubo”, “Mijavelhas”, “Abaixo Esta Serra”, “Ervamoura”, “Ó Que Calma Vai Caindo”, “Escancaras”, “Odelouca”, “Malagrado”, “Tardo” e “Turbilhão”.
Daqui por duas semanas, os MANDRÁGORA embarcam numa digressão pela Bretanha onde terão a oportunidade não só de apresentar este disco ao público francês, como também efectuar uma residência com a KREIZ BREIZH AKADEMI que participou no FMM de Sines do ano passado. Entre os dias 9 e 17 de Maio a banda percorre alguns auditórios do Porto. Os quatro espectáculos marcados para a invicta são de entrada livre.
APRESENTAÇÃO DO DISCO ESTRANGEIRO:
4 Abril - Lorient, Bretanha, França
5 Abril - Rostrenen, Bretanha, França
11 Abril - Langonnet, Bretanha, França (com a Kreiz Breizh Akademi)
12 Abril - Kergloff, Bretanha, França (com a Kreiz Breizh Akademi)
13 Abril - St. Nicolas du Pélem, Bretanha, França (com a Kreiz Breizh Akademi)
APRESENTAÇÃO DO DISCO EM PORTUGAL:
9 de Maio - Porto, Auditório do ISEP
10 de Maio - Porto, Auditório de Aldoar
16 Maio - Porto, Auditório da Pasteleira
17 Maio - Porto, Auditório da Campanhã
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Numa casa portuguesa fica bem «bröd» e «rött vin» sobre a mesa
March 10, 2008
A Casa da Música volta a realizar um festival com grupos de inspiração na música tradicional em que mistura, este ano, não só experiência e jovialidade lusas, como também propostas do norte da Europa, já que este é o ano em que esta casa tem abertas as portas aos músicos escandinavos, ao abrigo da temática «Føcus Nórdico». “Uma Casa Portuguesa” (é assim que se chama a edição deste ano), realiza-se entre os dias 15 a 18 de Maio. Na primeira noite, RÃO KYÃO, JOSÉ PEIXOTO e RUCA REBORDÃO reúnem-se com o norueguês KARL SEGLEM (encontro já aqui anunciado há largos meses). Juntos voltam a apresentar o “Skrey Project” estreado há cerca de nove meses em Porto Covo, no 9º FMM de Sines. Ainda no primeiro dia (15 de Maio) actuam também os conimbricenses REAJEJO (a propósito, quando é que sai o próximo álbum?).
A 16 de Maio, os mirandeses GALANDUM GALUNDAINA repartem o palco da Sala Suggia com o quarteto vocal sueco KRAJA de Umeå. «O seu repertório provém, em grande parte, da tradição local de Västerbotten e de outros locais da Escandinávia, e é formado por hinos tradicionais, canções cómicas e de amor e temas de dança, em arranjos para quatro vozes que primam pela elegância e originalidade», lê-se no site da Casa Da Música.
A 17 de Maio, os TOQUES DO CARAMULO encontram-se com os finlandeses ANNA KAISA-LIEDES (que participou na edição de 2007 do festival Voz de Mulher) e TIMO VÄÄNÄNEN (inovador intérprete de kantele electrificado que se encontra neste momento a preparar um trabalho de doutoramento sobre as Faces de Väinämöinen, o herói bardo do épico Kalevala - representado na foto).
“Uma Casa Portuguesa” encerra a dia 18 de Maio com a apresentação do espectáculo “Geografias” de JÚLIO PEREIRA, SOFIA VITÓRIA e MIGUEL VERAS e com um dos principais intervenientes do escasso lote de intervenientes da folk dinamarquesa (se comparado com o sueco, finlandês ou norueguês): o duo HAUGAARD & HØIRUP que toca guitarra acústica e violino.
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BASSEKOU KOUYATE e KTU: Mais dois grandes nomes para o FMM de Sines 2008
March 4, 2008
O Cartaz da X edição do FMM de Sines ganha de dia para dia contornos épicos. Ao que tudo indica, a extensão de Porto Covo terá um cartaz bem mais apelativo se comparado com o do ano passado. No primeiro dia, 17 de Julho, deverá apresentar-se novamente no nosso país (um ano após a sua passagem pelo África Festival da Torre de Belém) aquele que é um dos mais exímios tocadores de ngoni. BASSEKOU KOUYATÉ, o seu grupo NGONI BA de vários tocadores de ngoni e a sua mulher AMY SACKO (considerada no Mali como a Tina Turner local dado o seu poderio vocal), voltam a incidir a sua actuação em “Segu Blue”, que é um dos quatro candidatos ao prémio de world music 2008 da BBC Rádio 3, categoria de melhor álbum editado em 2007.
Uma semana depois, a 25 de Julho (data já anunciada pelo vizinho Juramento Sem Bandeira), é também possível re-assistir à actuação dos KTU, agora nas longas noites do Castelo e da Avenida da Praia. O projecto de KIMMO POHJONEN, SAMULI KOSMINEN, PAT MASTELOTTO e TREY GUNN irá apresentar em Sines a obra sucessora de “8 Armed Monkey”.
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JUSTIN ADAMS E JULDEH CAMARA: continua a pesca grossa na baia de Sines
February 28, 2008
Aí está mais uma das dez noites de Sines (à semelhança da de 24 de Julho com BEIRUT e ORCHESTRA BAOBAB) que está a ganhar contornos de uma certa grandiosidade. A 23 de Julho, no dia dos congoleses KASAÏ ALLSTARS, a Xª edição do FMM de Sines recebe JUSTIN ADAMS e JULDEH CAMARA. Dupla que é capa na última edição da revista britânica da especialidade, a fROOTS. Tais nomes podem não dizer muito ao regular leitor das Crónicas, mas J&J são só os responsáveis por um dos dez melhores discos editados o ano passado: “Soul Science”. Obra que nos oferece mais uma dose hipnótica, abrasiva e encorpada de afro-blues e que poderá ficar muito bem encaixada na nossa prateleira de discos, algures entre os trabalhos dos malianos TINARIWEN e ALI FARKA TOURÉ e dos franceses LO’JO.
JUSTIN ADAMS, veterano guitarrista que ao longo da sua carreira musical já trabalhou com BRIAN ENO e JAH WOBBLE, além de ter produzido o primeiro e o terceiro disco dos TINARIWEN, é também um pouco responsável pela aproximação de ROBERT PLANT ao rock do deserto do Sara. Faz parte do line-up da STRANGE SENSATIONS BAND e em co-escreveu, com o ex- LED ZEPPELIN, o álbum “Mighty ReArranger” (2005).
JULDEH CAMARA é um griot oriundo da Gâmbia que, além de possuir voz de trovão, fortíssima para interpretar blues africanos, tem também algo de feiticeiro ancestral habituado a comunicar com espíritos. Canta e toca ritti, um violino rudimentar de uma corda semelhante à njarka, que ALI FARKA TOURÉ manuseava e respeitava (por ser esse o instrumento que lhe permitia contactar com o mundo astral).
Em palco, JUSTIN e JULDEH terão a companhia do percussionista SALAH DAWSON MILLER. Músico batido que já actuou com gente tão distinta quanto esteticamente e geograficamente distante, como PHILLIP GLASS e os lendários e saudosos 3 MUSTAPHAS 3.
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BEIRUT no FMM de Sines e no Coliseu de Lisboa
February 27, 2008
Há já algum tempo atrás, este espaço tinha sugerido a inclusão de BEIRUT com a brass band macedónia KOCANI ORKESTAR (de quem ZACH CONDON é um acérrimo fã) na próxima edição do Festival de Músicas do Mundo de Sines. Há já algum tempo atrás que, no fórum sons , se vinha especulando sobre esta possibilidade que se tornou uma realidade.
Hoje, a organização do FMM confirmou oficialmente a participação do autor de “The Flying Club Cub” (infelizmente sem a banda cigana que já actou em Portugal no Festival Cantigas do Maio) na X edição do festival “world” do litoral alentejano, que este ano se realiza entre os dias 17 e 26 de Julho.
BEIRUT deverá assim repartir o cenário do Castelo (não estou a imaginá-lo na Av. Da Praia) com a ORCHESTRA BAOBAB a 24 de Julho.
Para quem não conseguir arranjar bilhetes ou deslocar-se a Sines, há ainda a esperança de ver o projecto de ZACH CONDON no nosso país, a 27 de Julho, no Coliseu de Lisboa (de acordo com o comunicado de uma operadora de telemóveis, igualmente divulgado hoje à imprensa).
Beirut cruza referências aparentemente tão distantes quanto a música das fanfarras
ciganas dos Balcãs, música folk e pop independente e a criatividade dos grandes
cantautores clássicos. No espaço Myspace da banda, as influências assumidas incluem
nomes como Jacques Brel, The Magnetic Fields, The Smiths, Kocani Orkestar e Serge
Gainsbourg.O centro dos Beirut é o cantor e multi-instrumentista americano Zach Condon, um
prodígio musical de 22 anos que com apenas 15 gravou em casa um disco electrónico
inteiro inspirado pelo seu amor a The Magnetic Fields.Ainda adolescente viaja pela Europa, onde toma contacto com universos musicais que
serão determinantes na definição da sua trajectória musical, como o dos ciganos dos
Balcãs, o francês e o alemão.Não tem mais de 19 anos quando, no seu quarto de Albuquerque, Novo México, grava
praticamente sem ajuda o seu disco de estreia, “Gulag Orkestar” (2006), onde toca
mais de uma dezena de instrumentos.Desde esse disco, a crítica não tem poupado elogios à maturidade da sua voz e ao
charme europeu e intemporal das suas composições.
Fonte: CM Sines - SIDI
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ERIKA STUCKY, HAZMAT MODINE, MARFUL, LO CÒR DE LA PLANA: Tubarões, baleias brancas e golfinhos na X edição do FMM de Sines
February 22, 2008
Nos últimos quatro, cinco anos, o FMM de Sines ofereceu-nos cartazes verdadeiramente hiper calóricos em quantidade e qualidade musical. Se a fasquia já tinha sido colocada uns metros bem acima de tudo aquilo que viramos antes, a X edição do FMM de Sines promete elevar ainda mais todas as expectativas. Para além de termos já anunciado em primeira-mão a presença de nomes como a KASAI ALLSTARS do Congo, a ORCHESTRA BAOBAB do Senegal, numa breve ronda por alguns my spaces, sites de bandas, de editoras e agentes é possível verificar que há mais grandes nomes apontados para Sines.
ERIKA STUCKY(na foto), norte-americana de ascendência suíça que faz o que quer com a voz, interpretando clássicos de blues, versões incendiárias de clássicos pop em andamento yodel como o «Roxanne» dos POLICE. Uma grande senhora que actua a solo, com a sua banda ROOTS OF COMMUNICATION e que tem projectos paralelos com ilustre gente tão, díspar, como os suíços YOUNG GOODS ou os HUUN HUUR TU de Tuva. Aquela que foi, provavelmente, a maior revelação do FMM de Sines de 2007, regressa este ano ao Castelo para evocar a memória de JIMI HENDRIX. À semelhança do que aconteceu no ano passado, actua no último dia, a 26 de Julho.
Os ainda norte-americanos HAZMAT MODINE, que também tocam blues com metais (tuba) e usufruíram de uma profícua relação com os HUUN HUUR TU no seu último disco, “Bahamut”, ficavam muito bem alinhados antes ou depois da actuação de ERIKA STUCKY. Mas este projecto, candidato ao prémio da BBC Rádio 3 na categoria “Américas”, actua uma semana antes (a 18 de Julho) em Porto Covo.
Outro dos espectáculos que irá merecer a nossa atenção, o nosso carinho, o nosso rejubilado contentamento (pelo menos, a avaliar pelo que se passou no palco Off-WOMEX de Sevilha, em Outubro do ano passado), será o do grupo galego MARFUL da transgressora e arrebatadora intérprete (e também directora Conservatório de Música Tradicional e Folque de Lalín) UGIA PEDREIRA. No dia 24 de Julho (data já anunciada pelo vizinho Raízes e Antenas), UGIA, PEDRO PASCUAL (acordeão diatónico), MARCOS TEIRA (Guitarra), PABLO PASCUAL (Clarinete Baixo), montam o «Salon de Baile» ao sabor de twists, habeiras, tangos, pasodobles dos anos 30 / 40. Antes, os MARFUL actuam no Porto, já na próxima semana (a 1 de Março), no Bar Maus Hábitos. O espectáculo insere-se na intervenção cultural galega na Invicta, “Galiza em Trânsito” que inclui um cardápio de concertos, djing, lançamento de livros e apresentação de exposições.
Por último, os marselheses LO CÒR DE LA PLANA, responsáveis por mais um enorme showcase de polifónicas e afinadíssimas vozes e poderosas percussões de cadência frenéticas a marcarem cadencias infernais. Imaginem os HEDNINGARNA a interpretar o «Vottikaalina» em langue d’oc, só com voz e percussão… A presença do sexteto ocitano a 24 de Julho em Sines, ainda carece de confirmação (conforme é possível observar no My Space do grupo).
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Décima edição do FMM de Sines recebe ORCHESTRA BAOBAB
January 31, 2008
A décima edição do FMM de Sines que se realiza durante dez dias, entre 17 e 26 de Julho, promete mais grandes nomes em cartaz. Apesar de ter perdido o contributo de ANDY PALACIO, que assinou um dos melhores discos de 2007 e que deveria proporcionar um memorável espectáculo, há muitos outros pontos de interesse. Além da KASAI ALL STARS que actua a 23 de Julho, é possível agora saber-se, através do site da editora World Circuit, que a ORCHESTRA BAOBAB irá marcar presença em Sines a 24 de Julho. Uma das grandes instituições da música de baile africana dos anos 70. Há quem lhes chame os SKATALITES senegaleses, mas a irmandade onde pontifica o virtuoso guitarrista BARTHÉLEMY ATTISSO é, como o próprio nome do álbum lançado em 2002 deixa transparecer, um colectivo «especialista em todos os estilos»: rumba, salsa, mbalsa, mbalax, highlife, reggae, etc. Oportunidade única para apreciarmos (também) canções em crioulo das antigas colónias portuguesas gravadas em “Made In Dakar”. Uma obra candidata ao prémio de melhor álbum de world music da BBC Rádio 3 deste ano.
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KASAI ALLSTARS já estão confirmados para o FMM de 2008
December 13, 2007
Na página da Divano Prod já é possível verificar que os KASAI ALLSTARS irão actuar no próximo dia 23 de Julho de 2008, no Festival de Músicas de Sines (que comemora no próximo ano o seu décimo aniversário). De referir que este colectivo congolês já estava alinhado para a programação deste ano do FMM mas a não obtenção de vistos não permitiu que os KASAI ALL STARS efectuassem a digressão deste verão pela Europa previamente planeada.
Este colectivo de dezena e meia de elementos e que já gravou alguns temas na série “Congotronics 2” (que sucede ao disco de estreia dos KONONO Nº1), é composto por cinco dançarinas, dois tocadores de guitarra eléctrica, mais dois tocadores de liquembés electrificados (
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KONONO Nº1 vão ao Porto no final de Junho
November 23, 2007
De acordo com a página da produtora belga Divani Prod., os congoleses KONONO Nº1 que levaram o transe circular «bazombo» à Av. Da Praia, no FMM de Sines de 2005, preparam-se para regressar ao nosso país, a 29 de Junho de 2008. MINGIEDI e a sua trupe de construtores de microfones rústicos, likembes, kits de percussão e sistemas de amplificação com megafones construídos com peças de automóvel e sucata, deverão apresentar-se na Casa da Música em mais uma edição do Festival Mestiço. Recorde-se que depois de dois volumes da série “Congotronics” (em que a segunda incluía outros grupos congoleses como a KASAI ALLSTARS que também deverá passar no próximo ano por cá), os KONONO Nº1 participaram nas gravações de “Earth Intruders” de BJÖRK e editaram este ano um registo ao vivo verdadeiramente hipnótico e repetitivo denominado “Live At Colour Café”.
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FMM de SINES: a garbosa armada do “almirante” Seixas
August 10, 2007
Pela primeira vez, consegui assistir a todos os dias e a todos os espectáculos do FMM de Sines alargado à extensão de Porto Covo. Foram nove dias de grande intensidade em que tive a missão e a oportunidade de entrevistar cerca de vinte dos trinta e três intervenientes desta nona edição para editar posteriormente em vídeo (a disponibilizar via you tube no blog e no site do FMM) e em áudio (para o programa de rádio Terra Pura). Foram nove os dias de enorme gozo (e de grande estresse também) em que pude sobretudo saborear aquilo que é melhor profissão do mundo: a de ser consecutivamente e agradavelmente surpreendido com artistas fascinantes, seja como repórter, seja como entrevistador. Destaco uma conversa com Erika Stucky em que ela continuamente fez uso de todos os seus recursos vocais, quer a imitar o choro de um bebé, quer a exemplificar o yodel. A norte-americana de ascendência helvética possui uma forma expansiva de ser aliado a uma simplicidade e uma humildade que cativa de imediato que nunca ouviu falar dela. São esses momentos como este, em que nos cruzamos com um ser humano fascinante (aqui não é necessário falar das suas várias artes performativas) que nos dão o necessário suplemento energético para continuarmos a viver de alma e coração o FMM e esquecer todo o cansaço e a tensão acumulada pelo facto de termos de estar disponíveis a todo o momento, há nove dias sucessivos.
Aproveito para agradecer profundamente ao “almirante” Seixas e à incansável e muito organizada e motivada equipa de produção e promoção do FMM toda esta experiência extremamente enriquecedora que nos foi proporcionada (a mim e ao Mário Pires que filmou e fotografou). Creio que não tínhamos conseguido efectuar metade das entrevistas realizadas se não fosse o vosso trabalho planificado ao detalhe. Há aqui muito material com interesse como revelações em primeira-mão e momentos musicais informais que necessitam de ser editados e que por isso mesmo irão ser publicados a pouco e pouco, a partir da próxima semana. Além disso, tive também a oportunidade de recolher gravações com boa qualidade sonora de alguns dos concertos que vão ser também editados e transmitidos em cinco ou seis emissões especiais da Terra Pura, a partir de Setembro. Prometo também, até ao próximo feriado de quarta-feira, dia 15, completar as apreciações (pessoais) aos restantes 27 concertos em falta daquele que considero, por todas as razões já explanadas, o melhor festival de sempre a que já assisti no nosso país (claro que nunca esquecerei as experiências vividas nem em Kaustinen na Finlândia, nem em Falun na Suécia, que fazem de mim um verdadeiro aficionado da folk nórdica).
Tal como o Andanças (por razões distintas), o FMM é um festival vivido intensamente por cada espectador a qualquer hora do dia. Com ou sem actividades programadas. O meu FMM foi uma epifania vivida sobretudo à base de música. E que grandes concertos e que belos momentos de improviso a que eu, pelo menos, assisti…
Nota 5:
GOGOL
BELLOWHEAD
JACKY MOLARD
ERIKA STUCKY & ROOTS OF COMMUNICATION
Nota 4,5:
HAYDAMAKY
NORSKT
TRILOK GURTU BAND
GALANDUM GALUNDAINA
MAMANI KEITA & NICOLAS REPAC
ETRURIA CRIMINALE BANDA
DARKO RUNDEK & CARGO ORKESTAR
CARLOS BICA
Nota 4:
TARTIT
MAHMOUD AHMED
LULA PENA
OUMOU SANGARÉ
K’NAAN
Alguns dos grandes momentos:
- A sincronia perfeita entre o fogo de artifício e os Gogol Bordello e toda a excitação final de quem viu este concerto no telhado do gabinete de imprensa;
- A Erica Stucky a integrar na sua performance as badaladas dos sinos de igreja de Sines (curiosamente, só os ouvi na sua actuação);
- As Ttutunak que não se sentiram minimamente incomodadas ao partir involuntariamente uma das pedras de uma das suas Txalapartas durante um dos seus improvisos;
- o DJ Ill Vibe a tocar percussão com a agulha de um dos seus pratos;
- O embaraço da Lula Pena a tentar afinar a guitarra;
- Os “Gamíadas” do camarada Pires;
- A declaração de amor entre Rachid Taha e Carlos Seixas em cima do palco (esta é meramente provocativa);
- O balde de caipirinhas que se encontrava no gabinete de imprensa no último dia;
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FMM de SINES: a garbosa armada do “almirante” Seixas
August 10, 2007
Pela primeira vez, consegui assistir a todos os dias e a todos os espectáculos do FMM de Sines alargado à extensão de Porto Covo. Foram nove dias de grande intensidade em que tive a missão e a oportunidade de entrevistar cerca de vinte dos trinta e três intervenientes desta nona edição para editar posteriormente em vídeo (a disponibilizar via you tube no blog e no site do FMM) e em áudio (para o programa de rádio Terra Pura). Foram nove os dias de enorme gozo (e de grande estresse também) em que pude sobretudo saborear aquilo que é melhor profissão do mundo: a de ser consecutivamente e agradavelmente surpreendido com artistas fascinantes, seja como repórter, seja como entrevistador. Destaco uma conversa com Erika Stucky em que ela continuamente fez uso de todos os seus recursos vocais, quer a imitar o choro de um bebé, quer a exemplificar o yodel. A norte-americana de ascendência helvética possui uma forma expansiva de ser aliado a uma simplicidade e uma humildade que cativa de imediato que nunca ouviu falar dela. São esses momentos como este, em que nos cruzamos com um ser humano fascinante (aqui não é necessário falar das suas várias artes performativas) que nos dão o necessário suplemento energético para continuarmos a viver de alma e coração o FMM e esquecer todo o cansaço e a tensão acumulada pelo facto de termos de estar disponíveis a todo o momento, há nove dias sucessivos.
Aproveito para agradecer profundamente ao “almirante” Seixas e à incansável e muito organizada e motivada equipa de produção e promoção do FMM toda esta experiência extremamente enriquecedora que nos foi proporcionada (a mim e ao Mário Pires que filmou e fotografou). Creio que não tínhamos conseguido efectuar metade das entrevistas realizadas se não fosse o vosso trabalho planificado ao detalhe. Há aqui muito material com interesse como revelações em primeira-mão e momentos musicais informais que necessitam de ser editados e que por isso mesmo irão ser publicados a pouco e pouco, a partir da próxima semana. Além disso, tive também a oportunidade de recolher gravações com boa qualidade sonora de alguns dos concertos que vão ser também editados e transmitidos em cinco ou seis emissões especiais da Terra Pura, a partir de Setembro. Prometo também, até ao próximo feriado de quarta-feira, dia 15, completar as apreciações (pessoais) aos restantes 27 concertos em falta daquele que considero, por todas as razões já explanadas, o melhor festival de sempre a que já assisti no nosso país (claro que nunca esquecerei as experiências vividas nem em Kaustinen na Finlândia, nem em Falun na Suécia, que fazem de mim um verdadeiro aficionado da folk nórdica).
Tal como o Andanças (por razões distintas), o FMM é um festival vivido intensamente por cada espectador a qualquer hora do dia. Com ou sem actividades programadas. O meu FMM foi uma epifania vivida sobretudo à base de música. E que grandes concertos e que belos momentos de improviso a que eu, pelo menos, assisti…
Nota 5:
GOGOL
BELLOWHEAD
JACKY MOLARD
ERIKA STUCKY & ROOTS OF COMMUNICATION
Nota 4,5:
HAYDAMAKY
NORSKT
TRILOK GURTU BAND
GALANDUM GALUNDAINA
MAMANI KEITA & NICOLAS REPAC
ETRURIA CRIMINALE BANDA
DARKO RUNDEK & CARGO ORKESTAR
CARLOS BICA
Nota 4:
TARTIT
MAHMOUD AHMED
LULA PENA
OUMOU SANGARÉ
K’NAAN
Alguns dos grandes momentos:
- A sincronia perfeita entre o fogo de artifício e os Gogol Bordello e toda a excitação final de quem viu este concerto no telhado do gabinete de imprensa;
- A Erica Stucky a integrar na sua performance as badaladas dos sinos de igreja de Sines (curiosamente, só os ouvi na sua actuação);
- As Ttutunak que não se sentiram minimamente incomodadas ao partir involuntariamente uma das pedras de uma das suas Txalapartas durante um dos seus improvisos;
- o DJ Ill Vibe a tocar percussão com a agulha de um dos seus pratos;
- O embaraço da Lula Pena a tentar afinar a guitarra;
- Os “Gamíadas” do camarada Pires;
- A declaração de amor entre Rachid Taha e Carlos Seixas em cima do palco (esta é meramente provocativa);
- O balde de caipirinhas que se encontrava no gabinete de imprensa no último dia;
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[video FMM Sines #1] EUGENE HÜTZ
August 10, 2007
Há jovens cantoras lusófonas em ascensão que se recusam a dar entrevistas no próprio dia de um concerto. Há virtuosos músicos que utilizam o myspace como ferramenta fundamental de promoção a um novo disco, mas que ignoram os sites da especialidade, a blogosfera e as rádios locais e on-line. Há, no entanto outra estirpe de artistas que, apesar de nos pedirem para não puxarmos muito por eles pelo facto de se encontrarem com alguns problemas de voz, chegam ao local onde vão actuar quase em cima do seu espectáculo e ainda conseguem dar três ou quatro entrevistas.
EUGENE HÜTZ dos GOGOL BORDELLO falou durante o concerto de K’NAAN (à volta de 11 minutos), com o escriba deste tasco sobre o facto de os DEAD KENNEDYS serem para ele “world music”, sobre o orgulho cigano e a sua ascendência “servo”, sobre o seu idolo de infância SACHA KOLPAKOV e a sua recente integração nos KOLPAKOV TRIO (que agora é quarteto), sobre a influência de Itália e da tarantela no novo disco “Super Taranta”, sobre as jovens moças ucranianas que “emigram” para o Dubai. Um artista completo e inteligente que parece conhecer todos os truques para manter uma enorme plateia em contínuo clímax, do primeiro ao último momento. Os GOGOL não criam a música mais original do mundo, mas oferecem dos mais esforçados, intensos e excitantes espectáculos rock. Ora voltem lá a sentir a combinação perfeita de “Not a Crime” com a habitual pirotecnia do fim de festa em Sines. Não os percam em Paredes de Coura por nada deste mundo.
Este é o primeiro vídeo de uma série de 20 entrevistas e momentos de improviso que serão publicados no blog e no site do FMM de Sines, com ERIKA STUCKY, BELLOWHEAD, NORSKT, JACKY MOLARD, LULA PENA, TARTIT, TRILOK GURTU, KARL SEGLEM & RÃO KYAO, TTUKUNAK, DAVID MURRAY, MAHMOUD AHMED, ETRURIA CRIMINALE BANDA, HAYDAMAKY, MAMANI KEITA, DETI PICASSO, DARKO RUNDEK, ETRAN FINATAWA, OUMOU SANGARÉ e HAMILTON DE HOLANDA.
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FMM SINES 2007: Top 10
August 2, 2007
O FMM de Sines de 2007 foi, sem dúvida, o festival que reuniu o lote mais valioso de espectáculos (quer pela quantidade, quer pela qualidade) realizado até hoje no nosso país (numa só edição). Para já, deixo-vos a lista dos dez espectáculos que mais impressionaram este vosso escriba, com a promessa de deixar nas próximas horas apreciações aos 27 em falta.
10 - ETRURIA CRIMINALE BANDA

9 - MAMANI KEITA & NICOLAS REPAC

8 - GALANDUM GALUNDAINA

7 - TRILOK GURTU BAND

6 - NORSKT

5 - HAYDAMAKY

4 - ERIKA STUCKY & ROOTS OF COMMUNICATION

3 - JACKY MOLARD ACOUSTIC QUARTET

2 - BELLOWHEAD

1 - GOGOL BORDELLO

fotos: (c) Mário Pires / CMS
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[reportagem FMM2007 #5] MAMANI KEITA + NICOLAS REPAC: o eléctrico de Bamako
July 25, 2007

MAMANI KEITA + NICOLAS REPAC | FMM Sines 2007 | Porto Covo | dia 21 de Julho | muito bem composto
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Há cada vez mais gente a considerar a música tradicional do Mali como a melhor do mundo. Tal afirmação poderá soar a exagero, mas as várias músicas do Mali (desde a tradição rítmica wassolou do sul, ao blues eléctricos e encantatórios do norte tocados pelos sonrai e pelos tuaregues, sem esquecer o riquíssimo legado mandinga), apesar de serem actualmente as músicas provenientes de África mais bem divulgadas mundialmente, são também aquelas que se encontram mais expostas à miscigenação. TOUMANI DIABATÉ, uniu a kora e a música clássica mandinga com flamenco, folk britânica (projecto SONGHAI com KETAMA e DANNY THOMPSON) e delta blues (com TAJ MAHAL). Mais recentemente, o percussionista indiano TRILOK GURTU efectuou algumas experiências com griots do Mali registadas em discos como “Farakala”. Na série e na editora francesa Frikiwa, o DJ FREDERIC GALLIANO misturou batidas de house com grandes vozes do Mali, como a griot HADJA KOUYATÉ e outra das representantes da expressão sulista wassoulou, NAHAWA DUMBIA. É neste contexto de exposição total à mistura com várias expressões de dança e da pop do ocidente que pudemos observar MAMANI KEITA (de etnia bambara) com uma banda de formato (quase) rock, liderada pelo guitarrista francês NICOLAS REPAC, que se fazia acompanhar por mais dois franceses (BIENVENUE TANGA, baixo e contrabaixo; PATRICK GORAGUER, bateria) e, finalmente, por um tocador de maliano de n’goni (MORIBA KOITA). Infelizmente, por questões de logística, não foi possível trazer um tocador de balafon que usualmente acompanha a banda e que iria dar outra autenticidade rítmica ao lote de canções apresentadas. leia mais»»»
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[reportagem FMM2007 #2] DARKO RUNDEK & CARGO ORKESTAR: canções de pecado e salvação
July 21, 2007

DARKO RUNDEK & CARGO ORKESTAR | FMM Sines 2007 | Porto Covo | dia 20 de Julho | bem composto
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O que é que faz com que a sérvia Tatjana de 42 anos, nascida em Belgrado, tenha visto à volta de sete concertos (em várias cidades da Europa) de DARKO RUNDEK com a sua CARGO ORKESTAR num espaço de um ano e tenha estado também em Porto Covo a cantar todas as canções deste croata? O que é que faz com um músico de voz sumida e arrastada, de ar sombrio, denso, que carrega às costas toda a tristeza do universo, consiga criar uma grande empatia com um público que não entende uma palavra de servo-croata? À beleza nostálgica de um exilado apátrida (que se fixou em França devido à guerra civil na Jugoslávia) que nos remete um pouco para o universo decadente, pós apocalíptico, mas luminoso de BORIS KOVAC, há imensa classe e sabedoria na forma como RUNDEK e a sua orquestra abordam os seus poemas e as suas composições.
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