Reportagem fotográfica do FMM traduzida em miúdos
O Mário Pires, fotógrafo oficial do FMM de Sines, além de nos proporcionar a visualização de óptimas imagens de todos os intervenientes das três / quatro últimas edições do maior festival “world” do nosso país, visíveis na sua galeria, dá-nos uma visão detalhada da forma como pensa e capta cada imagem. A não perder.
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O amor à música segundo Luke Quaranta
Não bastava aos Toubab Krewe que se estrearam na Europa no FMM de Sines terem alugado uma casa no litoral alentejano durante duas semanas para tirarem férias e gozar os dez dias de festival. Luke Quaranta, um dos últimos músicos a regressar aos Estados Unidos ainda teve tempo de passar pelo CCB Fora de Si. «- Mudei a minha viagem de avião para ver o Toumani», respondeu-me quando lhe peerguntei porque é que ainda não tinha regressado aos Estados Unidos uma vez que tinha viagem marcada para o dia anterior à actuação do «rei da kora» e da sua Symmetric Orchestra em Lisboa.
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E o músico papa-festivais portugueses é…
O guitarrista israelita Uri Brauner Kinrot. Já não lhe bastava o facto de ter vindo em Junho ao Festival Med de Loulé com a Balkan Beat Box. No FMM de Sines actuou, no penúltimo dia, com os Firewater e foi um dos responsáveis pela grande pândega dos Boom Pam, na surreal cerimónia de encerramento desta décima edição. Na semana seguinte regressou ao litoral alentejano para fechar o primeiro dia de Sudoeste, no regresso da Balkan Beat Box ao nosso país. Por pouco não tínhamos os UBK (mais um dos seus projectos) num outro festival nacional. Uri Brauner Kinrot é uma mais-valia para qualquer banda. Além de tocar “surf guitar” da mesma forma inflamada de Dick Dale, ao mesmo tempo que vai dando saltos em palco, consegue reproduzir na sua guitarra eléctrica uma míriade de acordes de diversas proveniências: da hora romena, à rembétika grega e ao bhangra do punjab. Um grande, grande músico.
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Os vistos que afectaram Sines e Loulé
A revista semanal Visão publicou, na sua edição de hoje, o artigo “Músicas com Barreiras”, da autoria deste vosso escriba, que aborda as dificuldades que os principais festivais de músicas do mundo em Portugal (FMM de Sines e Med de Loulé), na Europa e nos Estados Unidos, estão a sentir devido às restrições dos vários consulados na obtenção de vistos por parte de artistas africanos e asiáticos.
Em breve, publicarei neste espaço breves histórias com nomes sonantes que dão uma dimensão absurda que dificulta a livre circulação das artes.
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FMM Sines (Dia #8): Marful
Mostraram em Sines, porque são provavelmente, a mais interessante banda folk galega da actualidade. Ugia Pedreira, com todo seu sangue na guelra, continua a encher o palco. Os manos Pascuais (sobretudo Pabro, o clarinetista baixo) são grandes músicos, mestres na arte de fundir a música rural, das tabernas galegas, com danças da américa latina (de Cuba a Argentina) trazidas pelos seus emigrantes. Num projecto em que Gaudi Galego (ex-Berrogüetto) nem precisa vir cá à frente mostrar os seus dotes vocais, está tudo dito. Mais uma apresentação arrebatadora, belíssima e extremamente emotiva, em que conseguimos achar graça a um par de dois homens a (muito bem) dançar o tango.
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FES + Jimi Tenor, Last Poets e Enzo Avitabile unidos em Porto Covo pelo funk
July 23, 2008 by Luís Rei
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Afazeres particulares que me obrigaram a conduzir mais de quinhentos quilómetros neste dia, impediram-me de ver boa parte da actuação de Jimi Tenor com a Flat Earth Society. Do pouco a que tive a sorte de presenciar, deu facilmente para notar que este foi um dos espectáculos de maior criatividade com músicas «para filmes que nunca existiram». Uma grande orquestra de dezena e meia de músicos liderada pelo compositor belga e clarinetista Peter Vermeersch, acompanhada pelo artesão sonoro finandês Jimi Tenor, atacaram free jazz, funk, metal «naked cityano», soul, exotica, lounge. Tudo misturado num «shaker» que produzia «cocktails» sonoros que poderiam muito bem servir de banda sonora para filmes de acção influenciados pela “blaxploitation” dos anos 70. Má sorte ter visto pouco mais de 20 minutos de «caos» organizado em cima do palco. Read more
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Hazmat Modine: De Nova Orleães a Tuva
July 19, 2008 by Luís Rei
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Uma das grandes qualidades dos Hazmat Modine que salta ao ouvido à primeira audição do seu disco “Bahamut”, é a forma mutante como os seus blues de raiz sulista nos oferecem multiplas visões temporais e geográficas da música americana e do resto do mundo: das canções de trabalho em linhas férreas, registadas por Alan Lomax com aquele som analógico e poeirento; à alma negra de Sonny Boy Williamson e ao «swing» do performer e do saltimbanco britânico Rory McLeod, quando as duas harmónicas se confrontam e imprimem um ritmo frenético; ao balanço do ragtime e do foxtrot do início do século XX; à serenidade acústica de uma banjitar que suporta os harmónicos vocais dos Huun Huur-Tu de Tuva; à forma esguia como as guitarras eléctricas facilmente entram em territórios caribenhos do reggae e do calypso, à slide que nos remete para o Hawaii e ao olhar para a música de casamentos judaicos e cigana do leste da Europa (sobretudo Romena), por via dos metais, do clarinete e do cimbalão. Read more
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Hermínia: mornas estilizadas de sangue quente
July 19, 2008 by Luís Rei
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Uma das grandes qualidades que distingue o FMM de Sines é uma certa obsessão pelo pormenor, quer em Sines, quer na extensão de Porto Covo. Grande parte dos músicos que vou podendo entrevistar revelam-se quase sempre surpreendidos com a forma como são recebidos pela organização. No ano passado, Oleksandr Yarmola, o vocalista ucraniano dos Haydamaky, que prolongaram a sua actuação para além de todos os limites (mais de duas horas em palco), mostrava-se estupefacto com as condições que tinha no back-stage, com a reacção do público português que, mesmo assim, devido ao adiantado da hora, foi abandonando o recinto progressivamente. Na noite da actuação de Hermínia, o tocador de harmónica e banjitar dos norte-americanos Hazmat Modine, Wade Schuman, falava-me na boa comida, no abraço que recebeu do produtor e até mesmo nos tapetes e dos vasos com plantas que se encontravam na zona da área de produção. Algo que não tinha visto nem sentido em festivais da Europa «civilizada» por onde tinha andado nos dias anteriores (na Suíça e na Áustria). Read more
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A Naifa: cortando o frio em todo-o-terreno
July 19, 2008 by Luís Rei
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Ao Segundo dia, o FMM de Sines abre a extensão de Porto Covo. À semelhança do que aconteceu o ano passado com os Galandum Galundaina, a humidade, o vento e o (ainda) pouco público causam um certo desconforto a quem se encarrega de dar início a mais uma noite que serviu para A Naifa ultrapassar uma série de sucessivos testes. Há uns meses atrás, Luís Varatojo, após a última entrevista à Naifa que a Terra Pura passou, por alturas do lançamento de “Uma Inocente Inclinação Para o Mal” falava do desejo de figurar no cartaz do FMM e revelava-nos que propunha à organização a devolução do cachet, caso o público fosse indiferente ao quarteto. A Naifa tinha então a dura tarefa, não só de aquecer todo o ambiente, como também mostrar que não é apenas uma banda de auditórios (e que os festivais ao ar livre também fazem parte do seu habitat natural), e de minimizar a ausência do baixista João Aguardela (a quem este espaço envia os votos de rápido restabelecimento).
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Bassekou Kouyaté: a vingança do n’goni
July 18, 2008 by Luís Rei
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Ao primeiro dia, Bassekou Kouyaté e a sua orquestra de n’gonis ofereceram a todos aqueles que couberam no auditório do CAS, uma arrebatadora hora e meia de blues enraizados na história do império bamana, servidos por doses brutais de virtuosismo e um «groove» afro-funk omnipresente, complementado, por vezes, com ritmos avassaladores de «talking drum». Um dia antes, no curtíssimo «showcase» que estes malianos deram na Fnac do Colombo facilmente deu para perceber que eles respiram música, ou não fossem todos «griots». Read more
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Serra-lhe aí & Os Rosales: Ternura dos setenta
July 18, 2008 by Luís Rei
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Depois do maracatu de baque solto, o exterior do CAS voltou a tornar-se num verdadeiro salão de baile, com os galegos Serra-lhe aí de dois ex-Diplomáticos do Monte Alto: Manolo Maseda (acordeão e voz) e Lola de Ribeira(percussão e voz). Que pena eles não terem tocado o “Deixa-me Subir o Alto”. Um dos grandes momentos daquela noite de 24 para 25 de Abril de há uns cinco anos em que eles actuaram na Av. Da Praia, depois de Fausto. Read more
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Siba e a Fuloresta: Fuá na terra de Gama
July 18, 2008 by Luís Rei
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Um dos grandes encantos do FMM de Sines, é a forma como os músicos se deslumbram com o público e, ao receberem a energia destes, se transcendem em palco ou na rua. Às sete da tarde, Siba Veloso do interior da região nordestina de Pernambuco, abriu oficialmente a X edição do FMM, no interior do auditório do Centro de Artes. Em cima do palco, Siba e a «turma» Fuloresta de Nazaré da Mata liderada pelo carimático septuagenário Biu Roque (ausente por motivos de saúde), toca nas várias manifestações musicais do carnaval nordestino e da música que nasceu na rua, do frevo, à ciranda, ao côco e ao maracatu de baque solto.
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FMM Sines 2008: guia de sobrevivência para dez intensos dias
Arranca hoje a mais extensa edição do FMM de Sines, com um a discussão «A Barreira do Som: Seminário “Música, cultura e nação”». “Discussão sobre as raízes do fenómeno da “world music” e as identidades musicais na era da globalização”, que serve de aquecimento para os restantes dez dias que apresentará mais de quarenta espectáculos. Um conjunto de conversas organizadas pela e pelo INET (Instituto de Etnomusicologia da Universidade Nova de Lisboa), com coordenação científica de Manuel Deniz Silva que, com Pedro Moreira (também do INET - MD), a partir das 12h, debruçar-se-ão sobre “O que é a «world music»”. Um pouco mais tarde (a partir das 15h30), o tema «Música, cultura e nação» será aprofundado pelos investigadores Salwa Castelo Branco (INET-MD), Nuno Domingos (SOAS, Londres) e José Neves (ICS-UL). Às 18h haverá ainda uma mesa-redonda sobre «Música Portuguesa e globalização com José Mário Branco (músico), Chullage (músico) e Pedro Rodrigues (musicólogo e jornalista do Público).
Ao todo, são mais de 40 projectos distribuídos por dez dias de festival que, este ano, além de ganhar mais um palco (na zona exterior do Centro de Artes de Sines), acrescenta mais horário ao alinhamento típico dos últimos dias (totalmente) fora-de-horas na Avenida da Praia, com início previsto para as 4h da manhã.
Isto quer dizer que, este ano, as sessões de DJ foram reduzidas apenas e só à noite (ou será manhã?) do último dia, num final em total apoteose com início às 6h e em que terá como protagonistas o cativo Bailarico Sofisticado com o convidado António Pires.
Num FMM ecléctico a tocar em várias franjas e à procura de públicos diversificados, do rock, ao hip hop e à música de dança, ao jazz e à música experimental, esta décima edição apresenta propostas para todos os públicos, apesar de insistir em não oferecer espectáculos em simultâneo (como acontece em qualquer festival internacional).
As lendas
A Orchestra Baobab do Senegal, a indiana Asha Bhosle, rainha da indústria cinematográfica Bollywood (que já gravou para cima de 12 mil canções), os norte-americanos Last Poets, que estiveram na génese do hip hop e da luta pelos direitos civis dos afro-americanos na década de 60, e o rocker chinês Cui Jian que enche estádios no continente asiático, são os nomes deste FMM que maior peso do passado carregam consigo.
As estrelas do momento
Entre aquilo que de mais suculento se vai fazendo actualmente nestas áreas, destacam-se os nomes do maliano Bassekou Kouyaté & Ngoni Ba que não pára de ganhar prémios de “world music”, do britânico Justin Adams e do gambiano Juldeh Camara que oferece provavelmente o blues-transe-rock-do-deserto actual mais acutilante, os congoleses Kasaï All Stars responsáveis por mais uma boa dose de dança tribal «congotronics», o afrobeat do colectivo norte-americano Antibalas, o surf-tuba-rock dos israelitas Boom Pam, o afro-rock dos Toubab Krewe, o tributo «garifuna» a Andy Palácio, a tecno e o chili-downtempo de inspiração mariachi com Nortec Collective presents Bostich and Fussible, a música de baile dos galegos Marful, os blues que vão ao encontro dos metais e do canto gutural das estepes da Ásia Central dos norte-americanos Hazmat Modine, o portento rítmico e vocal da Ocitânia denominado Lo Cor de La Plana, o italiano Enzo Avitabile, a folk sombria, bucólica e belíssima da britânica Rachel Unthank & The Winterset, a enorme voz da checa Iva Bittova, a multi-músicas «naked-citianas» de Koby Israelite, o experimentalismo jazzístico e clássico da Moscow Art Trio.
Encontros de peso
Ao longo das nove anteriores edições, o FMM tem sido palco de encontros provocados e já «empacotados», como é o caso de Toto Bona Lokua que reúne Gerald Toto, Richard Bona e Lokua Kanza. Há também um tributo a Jimi Hendrix pelo quarteto quarteto Doran – Stucky – Studer – Tacuma. Ou seja, os repetentes Erika Stucky e Jamaladeen Tacuma, com Fredy Studer e Christy Doran. A união que o FMM «fabrica» este ano é entre os portugueses Mandrágora e os músicos residentes na Bretanha ligados à Kreiz Breizh Akademy (Jacky Molard, Simone Alves e Guillaume Guern e também da “big band” belga Flat Earth Society com o finlandês Jimi Tenor.
Os Repetentes
Uma grande novidade. Este ano não consta no cartaz nenhum dos muitos projectos de David Murray. Mas volta a haver Kimmo Pohjonen com o trio KTU. E a enormíssima Rokia Traoré que acabou de editar aquele que será certamente um dos dez melhores discos de 2008: “Tchamanché”
A lusofonia
Entre os músicos residentes em Portugal, Sines apresenta além dos já referidos Mandrágora, A Naifa que está neste momento a terminar uma muito bem sucedida digressão de “Uma Leve Inclinação Para O Mal”, o duo Dead Combo que ainda têm fresco o grande disco “Lusitânia Playboys” (belíssima a voz de Ana Quintans), o quarteto de concertinas Danças Ocultas que estreia um novo espectáculo audiovisual e encontra-se neste momento a gravar o sucessor de “Pulsar”, o angolano Waldemar Bastos que, além de ter participado numa compilação de tributo aos U2 por músicos africanos, deve lançar novo disco em breve. De Cabo Verde teremos ainda o registo clássico das mornas de Hermínia. Do nordeste brasileiro, a banda sonora perfeita para o processo Apito Final (canção “Meu Time”) com Siba e a Fuloresta e o amor pelo forró e o frevo de um apoiante do Movimento dos Sem Terra: o ex-Cascabulho Silvério Pessoa.
Para descobrir
Neste universo das músicas do mundo, com propostas oriundas de mais de 190 países e com músicos que são descobertos ao minuto, seria muito mau se já não nos surpreendêssemos com mais nada. A música sul-africana de Dizu Plaatjies’ Ibuyambo Ensemble, canto qâwwali oriundo do Paquistão de Asif Ali Khan & Party, o bhangra-punk dos norte-americanos Firewater, a poesia e a soul do trinidense Anthony Joseph, a música de tabernas e aldeias galedas de Serra-lhe Aí!!! & Os Rosais, a «weird folk» dos americanos radicados em França, Moriarty, prometem agradáveis surpresas.
Mais Iniciativas Paralelas
- Exposição “Transurbana”, de Luís Campos
Integrada num retrospectiva do trabalho de Luís Campos, uma visão original das figuras e paisagens dos subúrbios de Lisboa. No Centro de Artes de Sines, de 19 Julho a 20 Setembro. Todos os dias, 14h00-20h00. Inauguração: 19 de Julho, 15h00. Parceria O Museu Temporário / CAS. Entrada livre.
- Ciclo de cinema documental: Migrações
As migrações e o modo como estão a alterar a geografia política, cultural e económica do mundo são o tema do ciclo de cinema do FMM 2008. No Centro de Artes de Sines, 23, 24, 25 e 26 de Julho. Sessões às 16h00. Entrada livre.
- 23 Julho: “Les Maîtres Fous”, de Jean Rouch. Clássico do cinema antropológico de Jean Rouch, mostra uma cerimónia de possessão, mas também tudo aquilo que a antecede e que se lhe segue, a vida de cada um dos “possuídos” independentemente desta cerimónia. (1954, França, 36m)
- 24 Julho: “Before the Flood”, de Yan Yu e Li Yifan. A barragem das Três Gargantas na China, a maior jamais construída no mundo, deverá estar terminada em 2009. Até lá, milhões de pessoas terão que ser realojadas e várias cidades e monumentos ficarão submersos. Neste filme, regista-se o processo de realojamento na cidade de Fengjie e o modo como afectou a vida dos seus habitantes. (2005, China, 143m)
- 25 Julho. “Bab Sebta”, de Pedro Pinho e Frederico Lobo. “Bab Sebta” significa “a porta de Ceuta” em árabe e é o nome da passagem na fronteira entre Marrocos e Ceuta. É o local para onde convergem aqueles que, vindos de várias partes de África, procuram chegar à Europa. Neste filme percorre-se quatro cidades, ao encontro dos rituais de espera e das vozes desses viajantes. (2008, Portugal, 110m)
- 26 Julho. “One Plus One”, de Jean-Luc Godard. “One Plus One” não é um musical com ou sobre os Rolling Stones, mas uma reportagem sobre o capitalismo, a publicidade, a sociedade de consumo, o nazismo, as lutas raciais, as guerras mundiais e tantos outros dramas do Ocidente. (1968, França, 110m).
- Ateliês para crianças
Os artistas do Festival Músicas do Mundo partilham conhecimentos e experiências com o público mais novo. No Centro de Artes de Sines, 24-26 Julho. Sessões às 11h30. 6-12 anos. Gratuito sob marcação (Tel. 269 860 080). Com Toubab Krewe (dia 24), Rachel Unthank & The Winterset (dia 25) e The Dizu Plaatjies’ Ibuyambo Ensemble (dia 26).
- Masterclasses
Oportunidades para conhecer a visão da música e alguns segredos criativos de cinco artistas de elite que passaram ou vão passar pelo FMM. Na Escola das Artes de Sines, 23-26 Julho. Duração média das sessões: 2 horas. Preço: 25 euros. Tel. 912158903 (Vasco Agostinho). Marcação no Centro de Artes de Sines e na Escola das Artes de Sines. Com Pat Mastelotto (dia 23, 11h30), Carlos Bica Portugal (dia 23, 15h30), Zé Eduardo (dia 24, 11h30), Jacky Molard (dia 25, 11h30), Koby Israelite (dia 26, 11h30)
- Conversas com artistas
No Centro de Artes de Sines, de 24 a 26 Julho. Sessões às 18h00. Entrada livre. Com Silvério Pessoa (dia 24), Cui Jian (dia 25) e Boom Pam (dia 26).
Alterações de última hora
Devido a questões logísticas, os espectáculos que irão ocorrer no exterior do Centro de Artes de Serra-lhe Aí & Os Rosais (dia 17), Danae (dia 21) e Dead Combo (dia 22) passam a realizar-se não no fim da noite, mas no seu início, às 21h00.
Ao longo destes dez dias poderão ocorrer outras alterações de última hora, nomeadamente no cartaz. Devido, uma vez mais às questões dos vistos, ainda não é certo que o colectivo do Pasquistanês Asif Ali Khan possa pisar solo europeu.
Para ir acompanhando eventuais alterações de última hora, aconselha-se a consulta diária do blogue do FMM.


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Terra Pura 09JUL08: Vinicio Capossela
Vinicio Capossela é já um dos músicos mais fascinantes de Itália. No ano passado, brindou-nos no Festival Med de Loulé, com um combo musical de rembetica-western-spaghetti. Meses depois, regressaria ao nosso país para, em vários auditórios (Culturgest, Aveirense, José Lúcio) do sul e do centro do país, apresentar um espectáculo muito mais cinematográfica e teatral. Do noise-rock, à banda sonora de Ben Hur, da música de cabaré, da sensualidade do amor e do romance, à falta de protecção e decadência humana, de Kerouac a Paolo di Tarso, de Pasolini a Sérgio Leone. Vinicio Capossela é um verdadeiro artista de estrada e dos caminhos de peregrinação, que regressa este mês ao nosso país para participar no FMM de Sines, numa altura em que está a gravar o seu próximo álbum que contará com as participações de Ricardo Parreira e Fernando Alvim. A Terra Pura transmite, durante esta hora, a conversa com este germanico-italiano gravada em vésperas de actuar na Culturgest, em Novembro de 2007.
Rádio Zero - Segunda a Sexta-feira, entre as 18h às 19h. Repete no dia seguinte entre as 8h e as 9h da manhã.
Rádio Universitária do Minho - Terças-feiras, às 21h
Miróbriga - Domingos, entre as 21h e as 23h
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Rokia Traoré: À procura do som perfeito III
July 3, 2008 by Luís Rei
Filed under Entrevistas
Terceira e última parte da entrevista com a maliana Rokia Traoré, a propósito do seu regresso ao nosso país para apresentar no FMM de Sines o mais recente álbum, “Tchamantché”
Uma das suas canções refere que toda a riqueza de África atrai guerras e chacina. Este não é um problema que tem a ver com a qualidade de muitos dos líderes africanos? Por exemplo, muitos músicos como o Thomas Mapfumo do Zimbabué, têm de viver no exílio por questões políticas. Por ter escrito canções com os nomes de “Disaster” e “Corruption”. Na sua opinião, qual será a solução para tornar a riqueza dos recursos naturais em bem-estar e prosperidade?
A solução é tão complicada como o problema em si. Alguns líderes africanos estão a vender todas as riquezas, não sei a quem. Mas se os líderes europeus não tivessem mesmo nada a ver com isto, o problema seria mais simples de resolver. Mas é mesmo complicado. No Mali, é muito difícil de concretizar os projectos que tenho em mente. O colonialismo foi uma coisa muito má para África. Muitas das pessoas estão de mãos atadas, não podem realizar os seus sonhos. A corrupção é a forma que muitos têm para melhorar a sua vida. O dia de hoje pode ser mais fácil, mas amanhã voltará a ser difícil outra vez. A corrupção é como um enorme buraco sem janelas e sem portas. E quando esse buraco cresce, não há forma de sair dele. O problema de muitos africanos é que vêem esse buraco ficar maior e continuam felizes. É muito difícil para mim falar da classe política africana porque eu não gosto de falar sobre um meio que eu não conheço. Não faço parte da classe política e, por isso, não sei o que custa ser um líder político em África. Quando um líder político começa a governar um país africano, poderá achar que o poder totalitário é o melhor. Mas, para ele, isso não será boa coisa. É sempre melhor que toda a população lhe peça resultados. O grande problema em África é que as populações não sabem como questionar os políticos.
O povo não está informado…
Não
Mas os músicos vão informando o povo…
Certamente. Mas há certos limites. A democracia é uma cultura de escrita, de leitura. A maior parte da população não vai à escola e não sabe ler e escrever. De momento, pensamos que o poder militar não é uma coisa boa para África, mas eles trouxeram a democracia e esta tem de ser construída. As pessoas têm de ter tempo para compreender como este sistema funciona. Há jornalistas que vão fazendo o seu trabalho, mas isso não é fácil. Porque os líderes não gostam do contraditório. E a democracia sem contraditório é mais eficaz do que o poder militar. África tem este paradoxo. Penso também que o trabalho de um líder é muito difícil. A democracia está a desenvolver-se, há mais jornalistas, há mais músicos, há mais jovens a irem à escola. As populações têm mais educação e maior capacidade de pedir contas aos líderes. Mas este progresso não é ainda usado pelos líderes de forma mais positiva. Sentem-se chocados com algumas reacções e, de uma maneira geral, ainda não fazem aquilo que deveriam fazer. É complicado. Ao mesmo tempo, quando há eleições, as pessoas votam em quem lhes dá uma t-shirt. O programa não tem qualquer valor.
Acontece o mesmo em Portugal. T-shirts, canetas, sacos de plástico e até mesmo electrodomésticos…
Por causa da extrema pobreza as pessoas contentam-se com pouco. Vendem-se por 10 euros. Não pensam que se trabalharem de forma árdua mais um pouco, podem ganhar mil euros amanhã. Toda a gente quer dinheiro rápido e fácil. Penso que teremos de trabalhar a parte psicológica e social das populações.
Este álbum é uma homenagem a Ali Farka Touré. Porquê? Por ele ter sido um músico de excepção? Um homem que comunicava com os espíritos do Rio Níger? Ou por ter sido aquele que também realizou através da agricultura enormes progressos sociais na aldeia onde vivia? O tal homem que preferiu trabalhar de forma árdua e não cedeu à vida fácil, que «pegou na cana de pesca e começou a pescar» e que nunca quis viver fora do Mali e que é um modelo para o desenvolvimento de África?
Penso que é tudo isso que acabou de descrever. Era uma das grandes estrelas de África. Não tenho mais nada a dizer, você disse tudo. Este disco não é suficiente grande para homenagear a pessoa que ele foi.
“Tchamantché” acaba com um tema escondido que é uma versão de “The Man I Love” imortalizado por Billie Holiday. Tem planos para gravar repertório de Billie Holliday com a Diane Reeves?
De facto, eu a Diane Reeves fizemos a digressão «Bilie And Me» em que cantámos juntas vários temas da Billie Holiday. Foi uma grande experiência. No final desta digressão queria continuar o meu tributo à Billie Holiday, porque é uma cantora que gosto muito. Gostava de dar continuidade a este tributo. Um jornalista disse-me que não havia nenhuma cantora africana que tivesse gravado este repertório. Fiquei muito satisfeita em gravar “The Man I Love”. Para já, não há nada planeado. Vamos ver o que acontece no futuro.
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Terra Pura 28ABR08: Entrevista Mandrágora
Rádio Zero - Segunda a Sexta-feira, entre as 18h às 19h. Repete no dia seguinte entre as 8h e as 9h da manhã.
Rádio Universitária do Minho - Terças-feiras, às 21h
Miróbriga - Domingos, entre as 21h e as 23h
Entrevista com Mandrágora. Fala-se do álbum “Escarpa”, da residência na Bretanha e da possível ida ao FMM de Sines com três músicos franceses
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