Julie Fowlis e Red Hot Chilli Pipers inauguram Galaicofolia
O cartaz é extremamente apelativo e inclui um sem número de actividades complementares como recriação histórica do local, actividades para crianças, desafios galaicos (provas como arborismo, escalada e jogos de perícia), passeios de balão de ar quente, passeios de burro e animação musical extra cartaz principal com Sons da Suévia, Celtas Iberos, Zés Pr’eiras de Antas, Zés Pereiras do Grupo de Danças e Cantares de Forjães e DJ Osga que animará ambos os fins de noite (madrugrada?).
O cartaz «oficial» do Galaicofolia arranca sexta-feira, dia 1 com os portugueses Monte Lunai (sempre é este ano que lançam o disco de estreia?) e a belíssima escocesa e cantora gaélica Julie Fowlis (”Mar a Tha mo Chridhe” é um dos mais açucarados discos da folk britânica de 2007). No sábado, dia 2, os minhotos Arrefole partilham o palco do Castro de São Lourenço com os Gaiteiros de Lisboa (em fase de integração do novo - e experiente - percussionista António José Martins. O Galaicofolia encerra domingo, dia 3, com os galegos e veteranos Fia Na Roca e os escoceses Red Hot Chilli Pipers (não confundir com os califorianos Pepers) que apresentam uma dose cavalar de êxitos rock (de Queen a Coldplay) para gaita-de-foles escocesa.
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TRILOK GURTU passa por Águeda numa das «sextas culturais»
Águeda é, provavelmente, uma das pouquíssimas cidades do país onde existe uma cultura cimentada de assistir (e ouvir mesmo) um espectáculo musical. Para esta verdadeira educação cultural muito tem contribuído a Associação Cultural d’Orfeu. Como se não bastassem já as inúmeras iniciativas que se prolongam ao longo do ano na sede da Associação e em bares e outros espaços de norte a sul do país (nomeadamente no Outonalidades, a Câmara Municipal promove a partir de 11 de Janeiro, no Cine-Teatro São Pedro, as «Sextas Culturais Águeda 2008» que unem a música a outras artes (sobretudo à representação e ao humor), com um espectáculo de arranque de ciclo a cargo dos GAITEIROS DE LISBOA. Seguem-se LEO BASSI: “A Revelação” (a 8 de Fevereiro), CAMANÉ (a 14 de Março), o brilhante percussionista indiano TRILOK GURTU (na foto de Mário Pires tirada no FMM de Sines) com um espectáculo a solo (A 11 de Abril), A NAIFA (a 9 de Maio) e os Melhores Sketches de Monty Python (a 13 de Junho).
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Terra Pura 26OUT07
Rádio Zero - Segunda a Sexta-feira 18h às 19h. Repete no dia seguinte entre as 8h e as 9h da manhã.
Recuperação de uma entrevista com CARLOS GUERREIRO dos GAITEIROS DE LISBOA gravada na altura de lançamento de “Sátiro”, num fim-de-semana em os autores de “Invasões Bárbaras” prometem incendiar um dos palcos da WOMEX de Sevilha.
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GAITEIROS DE LISBOA na mais importante feira de músicas do mundo

GAITEIROS DE LISBOA no CCB | (c) Mário Pires
BAJOFONDO TANGO CLUB, MAYRA ANDRADE, MAMANI KEITA & NICOLAS REPAC, TANYA TAGAQ GILLIS, SEUN KUTI & EGYPT 80, BALKAN BEAT BOX, AMAN AMAN (projecto de música sefardita dos músicos de L’HAM DE FOC) e GAITEIROS DE LISBOA. Estes são alguns dos nomes conhecidos do público português que se apresentam entre os dias 25 e 28 de Outubro em Sevilha, na WOMEX, a maior feira de músicas do mundo. Esta é, sem dúvida, uma das edições com maior número de nomes sonantes e que recentemente passaram pelo nosso país. Mas há ainda um outro mundo de músicas para descobrir. Apesar de ainda não ter sido divulgado o programa do espaço paralelelo “offWOMEX”, eis o atractivo cartaz de “showcases” previstos para quatro intensíssimos dias:
Dia 25:
[à hora do almoço] ROSS DALY QUARTET (Irlanda / Grécia)
[noite] BAJOFONDO TANGOCLUB (Argentina / Uruguai)
BALKAN BEAT BOX (Israel / EUA)
ENSEMBLE “ALTAIKAI” (Rússia)
FANFARA TIRANA (Albânia)
HAZMAT MODINE (EUA)
MARAVILLA DE FLORIDA (Cuba)
MASTAKI BAFA (Congo)
ROSS DALY QUARTET (Irlanda / Grécia)
SHANBEHZADEH ENSEMBLE (Irão / França)
TANYA TAGAQ GILLIS(Canadá)
TOUMAST (Niger / França)
YAMANDU COSTA (Brasil)
DJ: DJ 99 (Noruega)
Dia 26
[à hora do almoço] BADILA (Índia / Irão / França)
[à noite] ABDELJALIL KODSSI (Marrocos / Espanha)
AMAN AMAN (Espanha)
BADILA (Índia Irão / França)
KASAI ALLSTARS (Congo)
LA SHICA (Espanha)
MAMANI KEITA & NICOLAS REPAC (Mali / França)
MELINGO (Argentina / França)
MONO BLANCO(México)
SEUN KUTI & EGYPT 80 (Nigéria)
TAKSIM TRIO (Turquia)
TARA FUKI (República Checa / França)
THE DIZU PLAATJIES IBUYAMBO ENSEMBLE (África do Sul)
DJ: [DUNKELBUNT] (Alemanha / Áustria)
Dia 27
[à hora do almoço] MAJORSTUEN (Noruega)
[à noite] 3CANAL (Trinidade & Tobago)
CARAVAN PALACE (França)
DENGUE FEVER (Cambodja / Estados Unidos)
ELECTRIC KULINTANG (Filipinas / cuba / Estados Unidos)
GAITEIROS DE LISBOA (Pt)
JULIE FOWLIS (Reino unido)
LO CÒR DE LA PLANA (França)
MAJORSTUEN (Noruega)
MAYRA ANDRADE (Cabo Verde)
SIBA E A FULORESTA (Brasil)
SVÄNG (Finlândia)
TELMARY (Cuba)
DJ: DALADALA SOUNDZ (Alemanha)
Dia 28
UMALALI & THE GARIFUNA COLLECTIVE FEAT. ANDY PALACIO (Belize / Guatemala /Honduras)
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GAITEIROS DE LISBOA: Força mágica de Sátiro
GAITEIROS DE LISBOA
Sátiro
Sony-BMG

Há uma força mágica (ou obra de Satanás) que me leva a não conseguir largar a música dos GAITEIROS. Ao longo de vários anos fui seguindo a forma apaixonada como trabalham sobre a música tradicional portuguesa, reinventado-a.
Cada disco novo agarra-me pelos cabelos. Depois a música vai-se entranhando, vão-se descobrindo os pormenores, as canções tornam-se amigas e membros da família, daqueles de quem se gosta e com quem fazemos noitadas, que tanto podem terminar em conversas serenas sobre o sentido da vida, como em festas demoníacas.
É sempre de festa que falo quando digo GAITEIROS DE LISBOA. E fazer uma boa festa dá trabalho. Os ritmos contagiantes, vistos com mais atenção, são entrançados, endemoninhados, tortuosos; as melodias são mais que infantis; as harmonias fazem todo o sentido e, em lume forte, se cozinha esta amizade com os discos que guardamos ao longo dos anos à cabeceira.
Junta-se agora ao grupo de amigos SÁTIRO, o quarto disco dos GAITEIROS. E entra de rompante pela sala chamando a atenção de todos, como se quer do puto mais novo da família.
É um disco onde se voltam a fundir todos os elementos que fazem a música dos GAITEIROS: os coros e polifonias, os instrumentos por eles construídos, as mais diversas percussões e sopros, com as gaitas em menor destaque neste disco, o que nem é propriamente uma novidade, nem é necessariamenta mau.
Pontos altos desta festa de Belzebú:
“Nem fraco nem forte” (AMÉLIA MUGE / JOSÉ SALGUEIRO): viciante e dançável canção conduzida pelo pulsar criativo das percussões e por um vigoroso refrão.
“Comprei uma capa chilrada” (CARLOS GUERREIRO): é uma das melhores (e mais complicadas) lengalengas que os GAITEIROS já produziram, terminando num enérgico lamento, em tons ocre do Norte de África.
“Movimento perpétuo” (CARLOS PAREDES): já editada na compilação de homenagem ao guitarrista. Génios descomplexados em diálogo, transfigurando uma guitarra num festim de xilofone e sopros.
“As freiras de S.ta Clara” (Popular/CARLOS GUERREIRO): uma canção sobre freiras com 3’33”, até aqui tudo bem; o sinal da conjura de Lúcifer está no fim, quando o repeat é inevitável, e o tempo da canção duplica. Só porque nos apetece chegar de novo àquela gaitada final.
“Haja Pão” (JOSÉ SALGUEIRO): uma orgia de ritmos e gaitas de amolador, com a voz de RUI VAZ a planar sobre a chuva que se anuncia, que sempre se anuncia quando passa o homem, que na sua bicicleta amola facas e tesouras e arranja os guarda-chuvas.
“Os versos que te fiz” (FLORBELA ESPANCA / CARLOS GUERREIRO): a doce voz de MAFALDA ARNAUTH e o som das flautas de pan faz-me acreditar que vou a caminho do céu, mefistofélico embuste.
“Se fores ao mar pescar” (Tradicional do Alentejo/JOSÉ MANUEL DAVID): é fácil explicar a qualquer iniciado na obra dos GAITEIROS. Polifonias, Alentejo, RUI VAZ e JOSÉ MANUEL DAVID. Foi por isto que primeiro me apaixonei quando ouvi INVASÕES BÁRBARAS. Coisas do Demo.
Pedro Almeida Sousa
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[Entrevista GAITEIROS DE LISBOA]: “O nosso caminho natural é o do Mediterrâneo”
June 27, 2006 by Luís Rei
Filed under Entrevistas

@Mário Pires
Excerto da entrevista com CARLOS GUERREIRO que passou na emissão da Terra Pura de 19 de Junho 06
Na altura em que gravaram o disco, decidiram editá-lo através de uma editora estrangeira de modo a terem outra visibilidade. Entretanto passaram-se seis meses e o disco é editado através da Sony BMG. O que é que correu mal neste processo?
Carlos Guerreiro: O disco anterior foi editado pela Adufe, editora da casa, sem meios de promoção. Vendeu-se o que se vendeu, mas o grupo foi perdendo visibilidade. Uma editora é outra coisa, tem outra máquina a funcionar. Por outro lado, o nosso público, o público que nos entende como eu gostaria de ser entendido não está em Portugal. Vamos à Alemanha, à Holanda ou a França e temos pessoas sentadas a analisar atentamente aquilo que ouvem. Coisa que em Portugal não acontece. As pessoas gostam, batem palmas, dão pulos. Mas aquela nota que nós metemos lá, aquela subtileza, só nós é que sabemos e mais ninguém. Estivemos uma vez num festival da Córsega onde estavam os maiores craques da crítica musical francesa e os tipos vieram bater em todos os pontos que nunca nos tinham falado em Portugal. É outra coisa.
Daí todo este interesse. Já que não é de dinheiro que andamos à procura (claro que também gostamos de ganhar algum com isto), ao menos que sejamos reconhecidos a nível de prestígio e qualidade. Como tal demos prioridade à procura de uma editora estrangeira. Uma das editoras contactadas foi a Galileu [de Espanha] que nos enviou inclusivamente o contrato. Os contratos não são para assinar de imediato, são para estudar e reflectir e contra-propor. Como caímos na asneira de dizer que estávamos com pressa, eles disseram-nos: “ – Ou é assim, ou é melhor irem bater a outra porta”. Como tínhamos de facto muita pressa, apareceu a possibilidade da Sony e fomos por aí. Não está excluída a possibilidade de voltarmos à carga daqui por seis meses.
- Este contrato com a Sony é somente de distribuição nacional.
- Não tenho o contrato presente, mas acho que a Sony tem uma prioridade de seis meses para o poder distribuir no estrangeiro. Se não o fizer perde esse direito preferencial.
- De qualquer forma o disco sai a 26 de Junho. Acaba por ser um num tempo recorde.
- Sim agora estamos todos a correr. Vamos uma vez mais andar a correr e à pressa.
- O que é que o dia 27 nos reserva em termos de grandes surpresas? Presumo que haja dois convidados óbvios: Mafalda Arnauth e Manuel Rocha.
- Sim. E a grande surpresa que não entrou no disco. Aquele tema de homenagem ao Carlos Paredes [“Movimentos Perpétuos”] foi o Zé Salgueiro que tocou Xilofone, mas nem ele tem técnica para o tocar de uma vez só. O Xilofone é um instrumento muito complexo. O Zé Salgueiro é mais um percussionista rítmico do que um percussionista melódico. Não vamos fazer mal aquilo que poderia ser bem feito. Ele foi o primeiro a sentir isso, pegou no telefone e convidou o Pedro Carneiro. É uma máxima honra termos o Pedro Carneiro a tocar o tema do Carlos Paredes e, provavelmente outro da sua autoria. É um desperdício ter o Pedro Carneiro em cima do palco a tocar só um tema.
- O que é que falta aos músicos portugueses da área tradicional [que não interpretem fado] para vingar lá fora. Isto é, para tocar com maior regularidade, como certos fadistas?
Acho que o fado foi imposto. Não é nada contra o fado, acabei de compor um para este disco. É uma fama que vem de longe a de transformar o fado na música nacional. Isso foi uma coisa “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”. Ainda hoje e apesar de todas as campanhas que todos os músicos do país fizeram contra isso, sem que fosse uma luta contra o fado, faz com que o fado posto em competição com outra música tenha um peso desigual. Basta dizer que fomos nomeados para aquele prémio de World Music da BBC, conjuntamente com Madredeus e Mariza e é evidente que ganhou a Mariza. Independentemente do grande valor que ela tem, acho que ganhou por ser fado. Ainda hoje a Mísia vende um disparate de discos na Holanda. Acho muito bem que ela venda. O que lamento não é o facto de o fado vender por ser uma música particular, mas sim pelo simples facto de o fado ser fado. Isso faz com que haja uma certa cegueira em relação ao resto da música que se faz em Portugal. Cada vez que nós e outros grupos tradicionais portugueses saímos para o estrangeiro, vamos para um circuito. O circuito dos festivais daquele tipo de música e às vezes não é raro que os outros grupos que lá estão são muito piores que os portugueses. Muitas vezes não são os festivais da qualidade. São os festivais daquela música. Da música dos coitadinhos, muitas vezes. Acho que é assim mesmo. É tudo uma questão de marketing. Os grupos africanos estão extremamente na moda graças a uma máquina que os promoveu. Se tivéssemos máquinas em Portugal a promover a Ronda dos Quatro Caminhos, se calhar eles estavam lá em cima.
- Agora vou ser um bocado provocador. Não achas que os Gaiteiros de Lisboa podiam ser vendidos de várias formas? Quer como folk celta português, quer como folk mediterrânico?
Já sabes a minha posição em relação a essa história do folk celta. Não concordo muito. Mas acho que o nosso caminho natural é mesmo o caminho do Mediterrâneo, das canas do “harundo donax”, a cana com que se fabrica a palheta dos instrumentos que tocamos. Isso faz-me impressão por que já lá devíamos de estar. Tínhamos obrigação de já ter ido a não sei quantos festivais da Bacia do Mediterrâneo, sejam eles da Córsega, da Sardenha, do Egipto, do Algarve, de Marrocos…Acho que toda a nossa linguagem está para aí virada.
Acho que o nosso país andar de olhos postos nos celtas… eh pá! Acho que sim. Mas acho que isso vem matar também um bocado… acho que estes grupos que se dedicam à música tradicional portuguesa andam muito atrás de um modelo que não é o seu. O Mediterrâneo sim. Acho que nós e todos os grupos que tocam música tradicional portuguesa deveriam olhar mais para o Mediterrâneo do que para o Norte. Já bastam os Galegos com a mania que são Celtas.
Já bastam os galegos com a mania de que são Celtas.
Entrevista integral em versão mp3 (57 minutos, 80 megas), aqui
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[Entrevista GAITEIROS DE LISBOA]: “O nosso caminho natural é o do Mediterrâneo”
June 27, 2006 by
Filed under Entrevistas

@Mário Pires
Excerto da entrevista com CARLOS GUERREIRO que passou na emissão da Terra Pura de 19 de Junho 06
Na altura em que gravaram o disco, decidiram editá-lo através de uma editora estrangeira de modo a terem outra visibilidade. Entretanto passaram-se seis meses e o disco é editado através da Sony BMG. O que é que correu mal neste processo?
Carlos Guerreiro: O disco anterior foi editado pela Adufe, editora da casa, sem meios de promoção. Vendeu-se o que se vendeu, mas o grupo foi perdendo visibilidade. Uma editora é outra coisa, tem outra máquina a funcionar. Por outro lado, o nosso público, o público que nos entende como eu gostaria de ser entendido não está em Portugal. Vamos à Alemanha, à Holanda ou a França e temos pessoas sentadas a analisar atentamente aquilo que ouvem. Coisa que em Portugal não acontece. As pessoas gostam, batem palmas, dão pulos. Mas aquela nota que nós metemos lá, aquela subtileza, só nós é que sabemos e mais ninguém. Estivemos uma vez num festival da Córsega onde estavam os maiores craques da crítica musical francesa e os tipos vieram bater em todos os pontos que nunca nos tinham falado em Portugal. É outra coisa.
Daí todo este interesse. Já que não é de dinheiro que andamos à procura (claro que também gostamos de ganhar algum com isto), ao menos que sejamos reconhecidos a nível de prestígio e qualidade. Como tal demos prioridade à procura de uma editora estrangeira. Uma das editoras contactadas foi a Galileu [de Espanha] que nos enviou inclusivamente o contrato. Os contratos não são para assinar de imediato, são para estudar e reflectir e contra-propor. Como caímos na asneira de dizer que estávamos com pressa, eles disseram-nos: “ – Ou é assim, ou é melhor irem bater a outra porta”. Como tínhamos de facto muita pressa, apareceu a possibilidade da Sony e fomos por aí. Não está excluída a possibilidade de voltarmos à carga daqui por seis meses.
- Este contrato com a Sony é somente de distribuição nacional.
- Não tenho o contrato presente, mas acho que a Sony tem uma prioridade de seis meses para o poder distribuir no estrangeiro. Se não o fizer perde esse direito preferencial.
- De qualquer forma o disco sai a 26 de Junho. Acaba por ser um num tempo recorde.
- Sim agora estamos todos a correr. Vamos uma vez mais andar a correr e à pressa.
- O que é que o dia 27 nos reserva em termos de grandes surpresas? Presumo que haja dois convidados óbvios: Mafalda Arnauth e Manuel Rocha.
- Sim. E a grande surpresa que não entrou no disco. Aquele tema de homenagem ao Carlos Paredes [“Movimentos Perpétuos”] foi o Zé Salgueiro que tocou Xilofone, mas nem ele tem técnica para o tocar de uma vez só. O Xilofone é um instrumento muito complexo. O Zé Salgueiro é mais um percussionista rítmico do que um percussionista melódico. Não vamos fazer mal aquilo que poderia ser bem feito. Ele foi o primeiro a sentir isso, pegou no telefone e convidou o Pedro Carneiro. É uma máxima honra termos o Pedro Carneiro a tocar o tema do Carlos Paredes e, provavelmente outro da sua autoria. É um desperdício ter o Pedro Carneiro em cima do palco a tocar só um tema.
- O que é que falta aos músicos portugueses da área tradicional [que não interpretem fado] para vingar lá fora. Isto é, para tocar com maior regularidade, como certos fadistas?
Acho que o fado foi imposto. Não é nada contra o fado, acabei de compor um para este disco. É uma fama que vem de longe a de transformar o fado na música nacional. Isso foi uma coisa “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”. Ainda hoje e apesar de todas as campanhas que todos os músicos do país fizeram contra isso, sem que fosse uma luta contra o fado, faz com que o fado posto em competição com outra música tenha um peso desigual. Basta dizer que fomos nomeados para aquele prémio de World Music da BBC, conjuntamente com Madredeus e Mariza e é evidente que ganhou a Mariza. Independentemente do grande valor que ela tem, acho que ganhou por ser fado. Ainda hoje a Mísia vende um disparate de discos na Holanda. Acho muito bem que ela venda. O que lamento não é o facto de o fado vender por ser uma música particular, mas sim pelo simples facto de o fado ser fado. Isso faz com que haja uma certa cegueira em relação ao resto da música que se faz em Portugal. Cada vez que nós e outros grupos tradicionais portugueses saímos para o estrangeiro, vamos para um circuito. O circuito dos festivais daquele tipo de música e às vezes não é raro que os outros grupos que lá estão são muito piores que os portugueses. Muitas vezes não são os festivais da qualidade. São os festivais daquela música. Da música dos coitadinhos, muitas vezes. Acho que é assim mesmo. É tudo uma questão de marketing. Os grupos africanos estão extremamente na moda graças a uma máquina que os promoveu. Se tivéssemos máquinas em Portugal a promover a Ronda dos Quatro Caminhos, se calhar eles estavam lá em cima.
- Agora vou ser um bocado provocador. Não achas que os Gaiteiros de Lisboa podiam ser vendidos de várias formas? Quer como folk celta português, quer como folk mediterrânico?
Já sabes a minha posição em relação a essa história do folk celta. Não concordo muito. Mas acho que o nosso caminho natural é mesmo o caminho do Mediterrâneo, das canas do “harundo donax”, a cana com que se fabrica a palheta dos instrumentos que tocamos. Isso faz-me impressão por que já lá devíamos de estar. Tínhamos obrigação de já ter ido a não sei quantos festivais da Bacia do Mediterrâneo, sejam eles da Córsega, da Sardenha, do Egipto, do Algarve, de Marrocos…Acho que toda a nossa linguagem está para aí virada.
Acho que o nosso país andar de olhos postos nos celtas… eh pá! Acho que sim. Mas acho que isso vem matar também um bocado… acho que estes grupos que se dedicam à música tradicional portuguesa andam muito atrás de um modelo que não é o seu. O Mediterrâneo sim. Acho que nós e todos os grupos que tocam música tradicional portuguesa deveriam olhar mais para o Mediterrâneo do que para o Norte. Já bastam os Galegos com a mania que são Celtas.
Já bastam os galegos com a mania de que são Celtas.
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“Sátiro” apresentado no CCB a 27 de Junho, antes de chegar às lojas
O novo disco dos GAITEIROS DE LISBOA, que muita gente já ouviu, mas que ainda não foi editado no circuito comercial, poderá ver a luz do dia no próximo mês de Julho. O acordo ainda não foi selado, mas é provável que seja a Sony-BMG a editar o último disco de originais, “Sátiro”.
O concerto de apresentação deste disco têm lugar marcado no próximo dia 27 de Junho, no Grande Auditório do CCB. É muito provável que Manuel Rocha da Brigada Victor Jara e Mafalda Arnauth (vionilista e cantora que participaram nas gravações de “Sátiro”) sejam dois dos artistas convidados nesta noite especial. Os bilhetes custam entre 10 e 20 euros.
Antes (16 de Junho), os GAITEIROS DE LISBOA deverão apresentar temas deste disco no Festival Portugal a Rufar (organizado por Rui Júnior) em Arrentela - Seixal, num espectáculo que contará com a participação de mais de 30 percussionistas. No dia 22 de Julho sobem ao Porto, para actuarem na Casa da Música. Cinco dias depois, deverão apresentar-se no FMM de Sines (para abrir a primeira noite do Castelo). A 8 de Agosto vão ao Faial - Açores e a 9 de Setembro ao Teatro Municipal da Guarda.
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“Sátiro” apresentado no CCB a 27 de Junho, antes de chegar às lojas
O novo disco dos GAITEIROS DE LISBOA, que muita gente já ouviu, mas que ainda não foi editado no circuito comercial, poderá ver a luz do dia no próximo mês de Julho. O acordo ainda não foi selado, mas é provável que seja a Sony-BMG a editar o último disco de originais, “Sátiro”.
O concerto de apresentação deste disco têm lugar marcado no próximo dia 27 de Junho, no Grande Auditório do CCB. É muito provável que Manuel Rocha da Brigada Victor Jara e Mafalda Arnauth (vionilista e cantora que participaram nas gravações de “Sátiro”) sejam dois dos artistas convidados nesta noite especial. Os bilhetes custam entre 10 e 20 euros.
Antes (16 de Junho), os GAITEIROS DE LISBOA deverão apresentar temas deste disco no Festival Portugal a Rufar (organizado por Rui Júnior) em Arrentela - Seixal, num espectáculo que contará com a participação de mais de 30 percussionistas. No dia 22 de Julho sobem ao Porto, para actuarem na Casa da Música. Cinco dias depois, deverão apresentar-se no FMM de Sines (para abrir a primeira noite do Castelo). A 8 de Agosto vão ao Faial - Açores e a 9 de Setembro ao Teatro Municipal da Guarda.
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O difícil novo disco dos Gaiteiros de Lisboa
April 8, 2006 by
Filed under Actual
“Sátiro”, o novo disco dos Gaiteiros de Lisboa, já está gravado desde Dezembro de 2005. Neste momento, ainda não se sabe qual a data de edição do disco, nem a editora que o edite. Há, contudo, uma forte esperança que o enguiço possa ser quebrado muito em breve.
“Sátiro” é, provavelmente, um dos melhores discos dos Gaiteiros de Lisboa. Aquele em que as Gaitas aparecem um pouco mais escondidas em detrimento da utilização de uma maior panóplia de instrumentos (há, finalmente, um violino de Manel Rocha em “Camarrita”, um clarinete baixo de Fausto Córneo, para além de uma variedade notável de aerofones e do uso mais exaustivo de percussões feitas de PVC). É aquele em que há mais gente a criar. Paulo Marinho e José Salgueiro juntam-se aos incontornáveis Carlos Guerreiro e José Manuel David. Talvez, por isso, a corda da criação tenha esticado como nunca. À genuinidade transmontana de “Pracá-dos-montes” (que quase soa a uma recolha de uma composição transmontana por Michel Giacometti) e açoriana de “Chamarita do Pico”, contrapõe-se a versão líquida de “Movimento Perpétuo” de Carlos Paredes a remeter para o universo experimentalista / new age dos brasileiros UAKTI. Há ainda tempo (pouco mais de minuto e meio) para unir o universo bárbaro e palaciano dos Gaiteiros à voz de fadista de Mafalda Arnauth, por via de um poema de Florbela Espanca, em “Os Versos que Te Fiz”. Notável (ainda) a forma como Amélia Muge (“O Fim da Picada” e “Nem Fraco Nem Forte”) e de Carlos Guerreiro (“Comprei uma Capa Chilrada”) parecem brincar com as palavras nas letras destas canções.
O disco é grande. Resta pô-lo cá fora.
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