Hazmat Modine: América selvagem
August 22, 2008 by Luís Rei
Filed under Entrevistas
Os Hazmat Modine deram uma belíssima actuação na decima edição do FMM de Sines, extensão de Porto Covo. Wade Schuman, o mentor e o maestro desta orquestra que absorve as várias músicas afro-americanas (dos Estados Unidos às Caraíbas) desde o início do século XX à actualidade e as mistura com outras sonoridades que vão da folk das balcãs e da música klezmer ao canto gutural de Tuva, revela-se um músico com as raízes bem assentes no universo rural dos Estados Unidos, mas sempre atento às sonoridades dos quatro cantos do mundo. “Bamahut”, o seu álbum de 2006, é o resultado de um longo processo criativo edificado peça a peça (como uma cidade da Lego) em que Schuman foi requisitando músicos e adquirindo instrumentos raros à medida das suas necessidades. Urge ouvir o disco e, sobretudo vê-los novamente (ou pela primeira vez) em palco.
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Hazmat Modine: De Nova Orleães a Tuva
July 19, 2008 by Luís Rei
Filed under Reportagens
Uma das grandes qualidades dos Hazmat Modine que salta ao ouvido à primeira audição do seu disco “Bahamut”, é a forma mutante como os seus blues de raiz sulista nos oferecem multiplas visões temporais e geográficas da música americana e do resto do mundo: das canções de trabalho em linhas férreas, registadas por Alan Lomax com aquele som analógico e poeirento; à alma negra de Sonny Boy Williamson e ao «swing» do performer e do saltimbanco britânico Rory McLeod, quando as duas harmónicas se confrontam e imprimem um ritmo frenético; ao balanço do ragtime e do foxtrot do início do século XX; à serenidade acústica de uma banjitar que suporta os harmónicos vocais dos Huun Huur-Tu de Tuva; à forma esguia como as guitarras eléctricas facilmente entram em territórios caribenhos do reggae e do calypso, à slide que nos remete para o Hawaii e ao olhar para a música de casamentos judaicos e cigana do leste da Europa (sobretudo Romena), por via dos metais, do clarinete e do cimbalão. Read more
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ERIKA STUCKY, HAZMAT MODINE, MARFUL, LO CÒR DE LA PLANA: Tubarões, baleias brancas e golfinhos na X edição do FMM de Sines
Nos últimos quatro, cinco anos, o FMM de Sines ofereceu-nos cartazes verdadeiramente hiper calóricos em quantidade e qualidade musical. Se a fasquia já tinha sido colocada uns metros bem acima de tudo aquilo que viramos antes, a X edição do FMM de Sines promete elevar ainda mais todas as expectativas. Para além de termos já anunciado em primeira-mão a presença de nomes como a KASAI ALLSTARS do Congo, a ORCHESTRA BAOBAB do Senegal, numa breve ronda por alguns my spaces, sites de bandas, de editoras e agentes é possível verificar que há mais grandes nomes apontados para Sines.
ERIKA STUCKY(na foto), norte-americana de ascendência suíça que faz o que quer com a voz, interpretando clássicos de blues, versões incendiárias de clássicos pop em andamento yodel como o «Roxanne» dos POLICE. Uma grande senhora que actua a solo, com a sua banda ROOTS OF COMMUNICATION e que tem projectos paralelos com ilustre gente tão, díspar, como os suíços YOUNG GOODS ou os HUUN HUUR TU de Tuva. Aquela que foi, provavelmente, a maior revelação do FMM de Sines de 2007, regressa este ano ao Castelo para evocar a memória de JIMI HENDRIX. À semelhança do que aconteceu no ano passado, actua no último dia, a 26 de Julho.
Os ainda norte-americanos HAZMAT MODINE, que também tocam blues com metais (tuba) e usufruíram de uma profícua relação com os HUUN HUUR TU no seu último disco, “Bahamut”, ficavam muito bem alinhados antes ou depois da actuação de ERIKA STUCKY. Mas este projecto, candidato ao prémio da BBC Rádio 3 na categoria “Américas”, actua uma semana antes (a 18 de Julho) em Porto Covo.
Outro dos espectáculos que irá merecer a nossa atenção, o nosso carinho, o nosso rejubilado contentamento (pelo menos, a avaliar pelo que se passou no palco Off-WOMEX de Sevilha, em Outubro do ano passado), será o do grupo galego MARFUL da transgressora e arrebatadora intérprete (e também directora Conservatório de Música Tradicional e Folque de Lalín) UGIA PEDREIRA. No dia 24 de Julho (data já anunciada pelo vizinho Raízes e Antenas), UGIA, PEDRO PASCUAL (acordeão diatónico), MARCOS TEIRA (Guitarra), PABLO PASCUAL (Clarinete Baixo), montam o «Salon de Baile» ao sabor de twists, habeiras, tangos, pasodobles dos anos 30 / 40. Antes, os MARFUL actuam no Porto, já na próxima semana (a 1 de Março), no Bar Maus Hábitos. O espectáculo insere-se na intervenção cultural galega na Invicta, “Galiza em Trânsito” que inclui um cardápio de concertos, djing, lançamento de livros e apresentação de exposições.
Por último, os marselheses LO CÒR DE LA PLANA, responsáveis por mais um enorme showcase de polifónicas e afinadíssimas vozes e poderosas percussões de cadência frenéticas a marcarem cadencias infernais. Imaginem os HEDNINGARNA a interpretar o «Vottikaalina» em langue d’oc, só com voz e percussão… A presença do sexteto ocitano a 24 de Julho em Sines, ainda carece de confirmação (conforme é possível observar no My Space do grupo).
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MARI BOINE: «SAY IT LOUD, I’M SAMI AND I’M PROUD»
February 15, 2008 by Luís Rei
Filed under Actual, Entrevistas
Não. MARI BOINE não lutou pelos direitos civis da população negra norte-americana, mas é uma espécie de zapatista Sami, que tem contribuído para que o seu povo, aqueles que “foram empurrados para o tecto do mundo”, sintam mais orgulho na sua cultura e na sua etnia.

Antes de passar este fim-de-semana pelo Teatro Municipal da Guarda e pela Culturgest em Lisboa, a cantora sami que vive na Noruega, participou na segunda edição do Festival Sons em Trânsito. A entrevista que se segue, realizou-se a 30 de Novembro de 2004, no próprio dia da sua actuação no Teatro Aveirense. Nessa altura, MARI BOINE preparava-se para descansar um pouco e para depois disso pensar no álbum que viria a editar em 2006, “Idjagiedas”. Uma obra que marcou um regresso às origens, a uma sonoridade mais orgânica, após a experimentação electrónica com o produtor de electro-jazz norueguês Bugge Wasseltoft, em “Eight Seasons” (2002) e do lançamento do disco “Remixed” (2001), que incluía remisturas de alguns dos temas mais simbólicos da sua carreira. Nesta conversa, MARI BOINE não renegou a hipótese de voltar a incluir electrónica em discos futuros, mas diz que é preciso «ir com calma». É preciso que isso não “retire a espiritualidade à minha voz”. Pode pressupor-se que o resultado de “Eight Seasons” e do álbum de remisturas não foi inteiramente do seu agrado. Boine escuda-se. Afima: “não é que não goste de trabalhar com electrónica, mas não é isso que quero fazer no futuro”; e destaca apenas duas ou três remisturas de que realmente gostou: as de “Gula Gula”, uma realizada pelos BIOSPHERE, a outra pelo seu saxofonista.
A pausa de cerca de dois anos que ocorreu depois do lançamento de “Room of Worship” (1998), permitiu a Mari participar em vários projectos com outros músicos de gélidas latitudes: com os FARLANDERS, com quem gravou o disco “Winter In Moscow” e com o projecto multinacional VERSHKI DA KORESHKI que envolvia dois artistas também russos, um senegalês, um indiano e o cantor dos HUUN HUUR TU de Tuva. Tempos conturbados em que parte dos elementos da banda de MARI BOINE foram à sua vida, colaborando com o queniano AYUB OGADA, ou multiplicando-se em inúmeros projectos, como é o caso da criativa violinista HEGE RIMESTAD. “Foi como um divórcio, por vezes não consegues compreender o que aconteceu”, tenta MARI BOINE explicar a causa afastamento desta norueguesa. Da anterior formação, restam agora apenas dois elementos. Destaque óbvio para o peruano das flautas, CARLOS QUISPE. Para a «yoikker», ele é um elemento chave na formação devido à sua “espiritualidade e profundidade enquanto ser humano”. Homem das montanhas andinas, que dá uma tonalidade mais xamânica ao projecto.
Zapatista xamânica.
A sua música, além de combinar arranjos de jazz com yoik, tem uma veia extremamente xamânica. Se repararmos, os xamans encontram-se em partes difusas do nosso planeta. Na Lapónia, na Sibéria, na Austrália, nas Américas. Que leitura faz deste “puzzle” com pedaços espalhados pelo mundo? Como é que a sua música recebe essas influências?
É a cultura original de todo o ser humano. Era a cultura que vigorava quando o homem estava muito próximo da natureza. Não é exclusivo apenas da Lapónia, existe até mesmo na Europa. A Cultura Celta tem esses elementos. É quando se torna interessante. A minha cultura não é apenas restrita ao local de onde venho, é universal. É como um tesouro que certas pessoas tiveram o privilégio de o preservar. Não percas isto! Este é o teu presente.
Quando os Cristãos colonizaram a Noruega, proibiram que se cantasse o yoik e queimaram todos os “Shaman Drums”, além dos violinos tatuados. «Era a música do diabo», diziam eles. Ainda cresceu no seio de uma geração em que era proibido cantar «joik» e falar-se o seu dialecto sami nas escolas. Até que ponto é que este panorama se tem alterado?
Agora as nossas crianças já falam sami nas escolas e cantam yoik sem restrições. No entanto, continua a haver um grupo cristão muito fundamentalista. Afirma que não deve ensinar as crianças a cantar desta forma e que o yoik nunca será permitido na igreja.
É o medo que eles têm dentro deles acerca da natureza. Se olhar para a história, observa o que Inquisição fez. Durante todos estes anos, temos lutado contra algo que está dentro de nós. O homem a lutar contra sua a natureza. Gosto de ver isto como um todo, não apenas como uma simples opressão Sami. O opressor oprime uma parte de si próprio. Precisamos de voltar a ter esta ligação com a natureza e de ter orgulho nisso.
Considera-se uma Zapatista Sami?
Não sei o que é o Zapatismo.
É o símbolo de resistência indígena no México liderado pelo Subcomandante Marcos que, através de canções e poemas tem tentado chamar a atenção dos média mundiais para a luta dos direitos dos indígenas mexicanos a não abdicarem das suas terras.
Penso que é o que sou (ri-se). Mas penso que na Escandinávia a situação social para o meu povo é muito melhor do que a dos Mexicanos. No entanto, continua a haver discussão sobre posse de terras. É uma situação difícil para a Escandinávia aceitar isso. Não somos noruegueses, finlandeses ou suecos, somos uma comunidade que possuía essas terras antes de sermos colonizados. Isto é algo que está a começar a ser discutido.
Ao longo de quase vinte anos de carreira como cantora de intervenção, o que é que conseguiu conquistar para a sua causa e para o seu povo?
As pessoas sentem-se mais orgulhosas em serem Samis. Já não se sentem tão envergonhadas. Os jovens têm ídolos Samis, o que é importante para esta geração. Fala-se mais abertamente de como nos sentíamos envergonhados da nossa cultura. Muitos Samis queriam esquecer a sua cultura, a sua língua e falavam com os seus filhos em norueguês. Isto tem mudado. Tem havido maior abertura. Essa mudança só se dá quando as pessoas se tornam mais orgulhosas de si próprias. As mudanças não vêm de um governo, vem de um povo que começa a sentir-se orgulhoso.
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Terra Pura 22NOV07
Rádio Zero - Segunda a Sexta-feira 18h às 19h. Repete no dia seguinte entre as 8h e as 9h da manhã.
Música para levitar com o norueguês KARL SEGLEM, a cidadã do Tartaristão ZULYA e o seu projecto CHILDREN OF THE UNDERGROUND, o blues que liga new-orleães às estepes de Tuva unindo HAZMAT MODINE com HUUN-HUUR-TU, as “slides” do verdadeiro músico todo-o-terreno BOB BROZMAN, as visões mitológicas do italiano VINICIO CAPOSSELA, os galegos MARFUL e as belgas LAÏS.
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Terra Pura 04NOV07
Rádio Zero - Segunda a Sexta-feira 18h às 19h. Repete no dia seguinte entre as 8h e as 9h da manhã.
RUSSKAJA - “Morije” [tema não masterizado de álbum a sair em 2008]
RUSSKAJA - “Dobri Abend” [tema não masterizado de álbum a sair em 2008]
ALAMAAILMAN VASARAT - “Helmi Otsalla” [álbum "Maahan", 2007]
AFENGINN - “Ralli I D-Mol” [álbum "Akrobakkus", 2006]
AFENGINN - “Febrilsken” [álbum "Akrobakkus", 2006]
MELECH MECHAYA - “Bulgar From Odessa” [demo, 2007]
HAZMAT MODINE + HUUN-HUUR-TU - “It Calls Me” [álbum "Bahamut", 2007]
NINI D’ARAC E I TAMBURELLIST DI S.ROCCO- “Tamburi A San Rocco” [álbum "Salento Senza Tempo", 2007]
NINI D’ARAC E I TAMBURELLIST DI S.ROCCO- “Quante Tarante?” [álbum "Salento Senza Tempo", 2007]
LO CÒR DE LA PLANA - “La Noviòta” [álbum "Tant Deman", 2007]
BIDAIA - “Basamartxa” [álbum "Duo", 2007]
LANTZ - “Aldapeko” [álbum "", 2007]
TOMÁS SAN MIGUEL + TXALAPARTA - “Noche de San Juan” [álbum "Dan_Txa", 2005]
ZULYA AND THE CHILDREN OF THE UNDERGROUND - “Clocks” [álbum "3 Nights", 2007]
VÁRIOS - SEVDALINKA - “mOJ dILBERE kUD sE sECES” [álbum "Sarajevo Love Songs", 2007]
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CORDEL DO FOGO ENCANTADO transfigura-se no Viriato?

CORDEL DO FOGO ENCANTADO em Sines | (c) Mário Pires
O mês de Junho promete ser de grande actividade em Viseu. O Teatro Viriato prepara uma programação especial de (ao que se escuta em conversas cruzadas) 24 horas ininterruptas de animação (e onde o Projecto “Mountain Tale” que engloba o grupo coral bulgaro THE BULGARIAN VOICES ANGELITE, os HUUN-HUUR-TU de Tuva e o MOSCOW ART TRIO da Rússia, deverá actuar a 16 de Junho). No site e no espaço “My Space” do grupo nordestino CORDEL DO FOGO ENCANTADO (para quem não os conhecia foram uma das grandes supresas do FMM de 2006) poderemos constatar que a banda de LIRINHA passará pela cidade beirã a 15 de Junho. Esperemos que desta vez os instrumentos de percussão e o todo o aparato cénico não sejam desviados por uma qualquer companhia aérea e que o grupo não se desloque ao nosso país (e regresse de imediato a Olinda) só para efectuar um espectáculo de apresentação do mais recente disco “Trasfiguração” editado no final do ano de 2006.
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