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BASSEKOU KOUYATE e KTU: Mais dois grandes nomes para o FMM de Sines 2008

March 4, 2008

bassekoukouyate.jpgO Cartaz da X edição do FMM de Sines ganha de dia para dia contornos épicos. Ao que tudo indica, a extensão de Porto Covo terá um cartaz bem mais apelativo se comparado com o do ano passado. No primeiro dia, 17 de Julho, deverá apresentar-se novamente no nosso país (um ano após a sua passagem pelo África Festival da Torre de Belém) aquele que é um dos mais exímios tocadores de ngoni. BASSEKOU KOUYATÉ, o seu grupo NGONI BA de vários tocadores de ngoni e a sua mulher AMY SACKO (considerada no Mali como a Tina Turner local dado o seu poderio vocal), voltam a incidir a sua actuação em “Segu Blue”, que é um dos quatro candidatos ao prémio de world music 2008 da BBC Rádio 3, categoria de melhor álbum editado em 2007.

Uma semana depois, a 25 de Julho (data já anunciada pelo vizinho Juramento Sem Bandeira), é também possível re-assistir à actuação dos KTU, agora nas longas noites do Castelo e da Avenida da Praia. O projecto de KIMMO POHJONEN, SAMULI KOSMINEN, PAT MASTELOTTO e TREY GUNN irá apresentar em Sines a obra sucessora de “8 Armed Monkey”.

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[entrevista] Kimmo Pohjonen - Guerra e Paz

December 1, 2004

Hoje em Coimbra, amanh� em Lisboa, depois de amanh� no Porto. Depois do SET de 03, Kimmo Pohjonen regressa com Samuli Kosminen para voltar a apresentar o projecto “Kluster”. Apertem os cintos, protejam-se. A sess�o de “wrestling” de acorde�o vai come�ar.

Kimmo Pohjonen �, actualmente sin�nimo de ebuli��o e revolu��o musical oriunda de um prol�fico norte � beira do B�ltico, que j� nos deu a conhecer tantos projectos que extravasam a folk, como os ateus Hedningarna, as fugazes V�rttin�, a contestat�ria sami Mari Boine, ou o electro yoiker Wimme Saari. Ambos constituem uma pequen�ssima ponta de um extenso iceberg da efervesc�ncia musical que se vive em muitas aldeias / vilas n�rdicas onde n�o tocar um instrumento ou n�o cantar, o que quer que seja, � uma anormalidade. A velha hist�ria volta a repetir-se. Kimmo Pohjonen �, � semelhan�a de tantos outros m�sicos folk, uma individualidade que nasceu em ber�o de m�sicos tradicionais (o seu pai era acordeonista) numa aldeia musical � Viiala � que est� para o fole crom�tico, como as aldeias de Jarvella e de Kaustinen est�o para o violino e para o kantele (o instrumento nacional na Finl�ndia).

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KIMMO POHONEN, KROKE, BORIS KOVAC: A Sant�ssima trindade da folk europeia

April 14, 2003

Kroke
Ten Pieces to Save the World
(Oriente / Megam�sica)

Kimmo Pohjonen
Kluster
(Rocadillo / Mundo da Can��o)

Boris Kovac & Ladaaba Orkest
Ballads at the End of Time
(Piranha / Megam�sica)

Kroke, Kimmo Pohjonen e Boris Kovac encontram-se no clube restrito dos compositores e int�rpretes da folk do velho continente que, ap�s terem estudado a fundo as suas tradi��es musicais (afinal, a matriz do seu trabalho), conseguem apresentar solu��es inovadoras, extravasando a geografia e as compartimenta��es estanques a que muitos g�neros estavam sujeitos pelos mais puristas, conferindo uma nova e empolgante dimens�o ao seu legado, sem necessidade de ceder aos clich�s das modas da miscigena��o de ocasi�o, impostas pelo mercado editorial e pelos produtores de espect�culos.

Os polacos Kroke de s�lida forma��o cl�ssica e jazz�stica, para quem a m�sica klezmer � um modo de vida, continuam a esbater todas as fronteiras da m�sica caracter�stica da di�spora judaica, aprofundando a ruptura com o modelo de base um pouco mais conservador (mas que, m�os dos Kroke � bastante criativo, basta escutar o �lbum ao vivo “Live at The Pit”) assente na tr�ade violino, contrabaixo e acorde�o. “Sounds Of The Vanishing World” (de 99) f�-los olhar para o Universo atrav�s de uma janela em Crac�via. Em “Ten Pieces To Save The World” os Kroke tornam-se cidad�os errantes do mundo, sem contudo perderem as suas maiores refer�ncias. O sangue klezmer a continua a correr-lhes nas veias. Em “Cave”, tema inicial, mant�m o mesmo tom fren�tico, a sublime t�cnica com que mudam frequentemente de ritmo e pe�a, incorporando agora instrumentos de sopro, guitarra e percuss�o (al�m daquela que Tomasz Kukurba improvisa com o seu contra-baixo), em flashes de flamenco e m�sica mediterr�nica de aroma turco que encaixam na perfei��o, como num puzzle, entre andamentos klezmer de euforia e tristeza. Em “Cave”, escutam-se pingos a cair por entre ambientes electr�nicos e soturnos de contempla��o aos Boards of Canada. “Montains” repleto de altos e baixos como as montanhas e a folk norueguesa, revela-nos o lado mais cl�ssico-contempor�neo por via das cordas. Um �lbum inovador, com solu��es simples onde uns assobios, um estalar de dedos, um dedilhar do contra-baixo e um acorde�o manso, chegam para construir uma pe�a carregada de swing (“Take It Easy”).

Embuido do esp�rito da Sibelius Academy e de um dos mais carism�ticos professores de m�sica finlandeses, Heikki Leitinen que aconselha primeiro a estudar a fundo a tradi��o e posteriormente a efectuar trabalho explorat�rio, a ir mais al�m, Kimmo Pohjonen cedo se revelou como um dos mais criativos, rebeldes e consistentes m�sicos da folk europeia. J� no seu anterior projecto, os Ottopasuuna, testava o experimentalismo (sobretudo em “Suokaasua”), incorporando ru�dos de correntes a serem arrastadas, decompondo melodias, sem perder a adocicada sonoridade da folk finlandesa. No seu projecto a solo, Pohjonen, transcende-se, projectando momentos de tens�o e ambientes sombrios kalevaliano-cibern�ticos. “Kluster” � a parte dois de “Kielo” onde a folk purista � literalmente implodida. Aqui Pohjonen usa o acorde�o como um instrumento de destrui��o maci�a, ocupando todo o nosso espectro sonoro, inquietando-nos, amorda�ando-nos a alma. As notas que tira do fole contaminado por overdubs e samples do pr�prio acorde�o usados como percuss�o, s�o como m�sseis que explodem nas nossas colunas, anunciando o apocalipse de forma t�o veemente quanto a israelita Meira Asher.

Boris Kovac apresenta a sequela de “Last Balkan Tango”, m�sica p�s-apocal�tica para fazer dan�ar quem sobreviveu ao fim do mundo, carregada de nostalgia, humor negro e eleg�ncia, de coordenadas bem definidas no grande caldeir�o balc�nico da extrema pobreza cigana, mas a piscar o olho �s vetustas e decandentes valsas, cha cha chas e tango de requintada ostenta��o, prato forte dos bailes nobres dos grandes sal�es imperiais da velha e rica Europa. H� na m�sica deste jugoslavo um certo toque minimal e cin�filo, tornando-o numa op��o pertinente para criar os ambientes sonoros dos maravilhosos universos imagin�rios de Peter Greenway, em alternativa a Michael Nyman. S�o deliciosas as passagens em que se escutam vozes de rua que parecem ser italianas e que se erguem dos escombros de uma guerra nuclear, ou quando o jazz swingante rasga a toda a tristeza melanc�lica que atravessa o �lbum e devolve-nos a alegria esfuziante de uma big band dos anos 40 / 50.

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KIMMO POHONEN, KROKE, BORIS KOVAC: A Sant?ssima trindade da folk europeia

April 14, 2003

Kroke
Ten Pieces to Save the World
(Oriente / Megam?sica)

Kimmo Pohjonen
Kluster
(Rocadillo / Mundo da Can??o)

Boris Kovac & Ladaaba Orkest
Ballads at the End of Time
(Piranha / Megam?sica)

Kroke, Kimmo Pohjonen e Boris Kovac encontram-se no clube restrito dos compositores e int?rpretes da folk do velho continente que, ap?s terem estudado a fundo as suas tradi??es musicais (afinal, a matriz do seu trabalho), conseguem apresentar solu??es inovadoras, extravasando a geografia e as compartimenta??es estanques a que muitos g?neros estavam sujeitos pelos mais puristas, conferindo uma nova e empolgante dimens?o ao seu legado, sem necessidade de ceder aos clich?s das modas da miscigena??o de ocasi?o, impostas pelo mercado editorial e pelos produtores de espect?culos.

Os polacos Kroke de s?lida forma??o cl?ssica e jazz?stica, para quem a m?sica klezmer ? um modo de vida, continuam a esbater todas as fronteiras da m?sica caracter?stica da di?spora judaica, aprofundando a ruptura com o modelo de base um pouco mais conservador (mas que, m?os dos Kroke ? bastante criativo, basta escutar o ?lbum ao vivo “Live at The Pit”) assente na tr?ade violino, contrabaixo e acorde?o. “Sounds Of The Vanishing World” (de 99) f?-los olhar para o Universo atrav?s de uma janela em Crac?via. Em “Ten Pieces To Save The World” os Kroke tornam-se cidad?os errantes do mundo, sem contudo perderem as suas maiores refer?ncias. O sangue klezmer a continua a correr-lhes nas veias. Em “Cave”, tema inicial, mant?m o mesmo tom fren?tico, a sublime t?cnica com que mudam frequentemente de ritmo e pe?a, incorporando agora instrumentos de sopro, guitarra e percuss?o (al?m daquela que Tomasz Kukurba improvisa com o seu contra-baixo), em flashes de flamenco e m?sica mediterr?nica de aroma turco que encaixam na perfei??o, como num puzzle, entre andamentos klezmer de euforia e tristeza. Em “Cave”, escutam-se pingos a cair por entre ambientes electr?nicos e soturnos de contempla??o aos Boards of Canada. “Montains” repleto de altos e baixos como as montanhas e a folk norueguesa, revela-nos o lado mais cl?ssico-contempor?neo por via das cordas. Um ?lbum inovador, com solu??es simples onde uns assobios, um estalar de dedos, um dedilhar do contra-baixo e um acorde?o manso, chegam para construir uma pe?a carregada de swing (“Take It Easy”).

Embuido do esp?rito da Sibelius Academy e de um dos mais carism?ticos professores de m?sica finlandeses, Heikki Leitinen que aconselha primeiro a estudar a fundo a tradi??o e posteriormente a efectuar trabalho explorat?rio, a ir mais al?m, Kimmo Pohjonen cedo se revelou como um dos mais criativos, rebeldes e consistentes m?sicos da folk europeia. J? no seu anterior projecto, os Ottopasuuna, testava o experimentalismo (sobretudo em “Suokaasua”), incorporando ru?dos de correntes a serem arrastadas, decompondo melodias, sem perder a adocicada sonoridade da folk finlandesa. No seu projecto a solo, Pohjonen, transcende-se, projectando momentos de tens?o e ambientes sombrios kalevaliano-cibern?ticos. “Kluster” ? a parte dois de “Kielo” onde a folk purista ? literalmente implodida. Aqui Pohjonen usa o acorde?o como um instrumento de destrui??o maci?a, ocupando todo o nosso espectro sonoro, inquietando-nos, amorda?ando-nos a alma. As notas que tira do fole contaminado por overdubs e samples do pr?prio acorde?o usados como percuss?o, s?o como m?sseis que explodem nas nossas colunas, anunciando o apocalipse de forma t?o veemente quanto a israelita Meira Asher.

Boris Kovac apresenta a sequela de “Last Balkan Tango”, m?sica p?s-apocal?tica para fazer dan?ar quem sobreviveu ao fim do mundo, carregada de nostalgia, humor negro e eleg?ncia, de coordenadas bem definidas no grande caldeir?o balc?nico da extrema pobreza cigana, mas a piscar o olho ?s vetustas e decandentes valsas, cha cha chas e tango de requintada ostenta??o, prato forte dos bailes nobres dos grandes sal?es imperiais da velha e rica Europa. H? na m?sica deste jugoslavo um certo toque minimal e cin?filo, tornando-o numa op??o pertinente para criar os ambientes sonoros dos maravilhosos universos imagin?rios de Peter Greenway, em alternativa a Michael Nyman. S?o deliciosas as passagens em que se escutam vozes de rua que parecem ser italianas e que se erguem dos escombros de uma guerra nuclear, ou quando o jazz swingante rasga a toda a tristeza melanc?lica que atravessa o ?lbum e devolve-nos a alegria esfuziante de uma big band dos anos 40 / 50.

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