DISCOGRAFIA ESSENCIAL (2)
KROKE - LIVE AT THE PIT
Kroke
Live at the Pit
Oriente / Megam�sica

Quem j� teve a oportunidade de ver os Kroke ao vivo, dificilmente os esquecer�. Podem n�o ser judeus, mas todo o sentimento que a di�spora de leste introduziu na m�sica klezmer est� bem presente. S� � preciso um contra-baixo, violino e acorde�o para que tal r�plica seja perfeita e reinvente tal conceito. Kroke � a palavra que se encontra no dicion�rio de yiddish cujo significado � Crac�via. A cidade natal deste trio foi at� 1939 um dos grandes centros culturais europeus da cultura judaica.
“Live At The Pit” apesar de ser um �lbum ao vivo, reproduz apenas o som de palco, facto por si merecedor de nota m�xima. Isto �, vinte valores no exame do professor Marcelo. Mas um espect�culo dos Kroke � muito mais que isso. Vive de uma forte presen�a dos m�sicos que se vestem tal e qual como os judeus mais ortodoxos, aliado a um virtuosismo e entrosamento not�vel, que convida a ir para fora, dentro da m�sica klezmer. O sentimento � judaico, a energia, essa, parece ter sido roubada aos ciganos dos Balc�s, o dedilhar dos instrumentos denuncia a forma��o cl�ssica e a grande rodagem de um grupo que toca em m�dia mais de 250 vezes por ano. Ao longo da actua��o de “Live At The Pit” somos ludibriados pelo inesperado. A facilidade com que a sexta velocidade sucede � primeira em “The Night In The Garden Of Eden”, a descoordena��o ordenada de “Sher” em que os m�sicos tocam em tempos diferentes em forma de gozo, s�o bem exemplo disso.
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DISCOGRAFIA ESSENCIAL (2) KROKE - LIVE AT THE PIT
July 3, 2003 by
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Kroke
Live at the Pit
Oriente / Megam?sica

Quem j? teve a oportunidade de ver os Kroke ao vivo, dificilmente os esquecer?. Podem n?o ser judeus, mas todo o sentimento que a di?spora de leste introduziu na m?sica klezmer est? bem presente. S? ? preciso um contra-baixo, violino e acorde?o para que tal r?plica seja perfeita e reinvente tal conceito. Kroke ? a palavra que se encontra no dicion?rio de yiddish cujo significado ? Crac?via. A cidade natal deste trio foi at? 1939 um dos grandes centros culturais europeus da cultura judaica.
“Live At The Pit” apesar de ser um ?lbum ao vivo, reproduz apenas o som de palco, facto por si merecedor de nota m?xima. Isto ?, vinte valores no exame do professor Marcelo. Mas um espect?culo dos Kroke ? muito mais que isso. Vive de uma forte presen?a dos m?sicos que se vestem tal e qual como os judeus mais ortodoxos, aliado a um virtuosismo e entrosamento not?vel, que convida a ir para fora, dentro da m?sica klezmer. O sentimento ? judaico, a energia, essa, parece ter sido roubada aos ciganos dos Balc?s, o dedilhar dos instrumentos denuncia a forma??o cl?ssica e a grande rodagem de um grupo que toca em m?dia mais de 250 vezes por ano. Ao longo da actua??o de “Live At The Pit” somos ludibriados pelo inesperado. A facilidade com que a sexta velocidade sucede ? primeira em “The Night In The Garden Of Eden”, a descoordena??o ordenada de “Sher” em que os m?sicos tocam em tempos diferentes em forma de gozo, s?o bem exemplo disso.
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KIMMO POHONEN, KROKE, BORIS KOVAC: A Sant�ssima trindade da folk europeia
Kroke
Ten Pieces to Save the World
(Oriente / Megam�sica)
Kimmo Pohjonen
Kluster
(Rocadillo / Mundo da Can��o)
Boris Kovac & Ladaaba Orkest
Ballads at the End of Time
(Piranha / Megam�sica)
Kroke, Kimmo Pohjonen e Boris Kovac encontram-se no clube restrito dos compositores e int�rpretes da folk do velho continente que, ap�s terem estudado a fundo as suas tradi��es musicais (afinal, a matriz do seu trabalho), conseguem apresentar solu��es inovadoras, extravasando a geografia e as compartimenta��es estanques a que muitos g�neros estavam sujeitos pelos mais puristas, conferindo uma nova e empolgante dimens�o ao seu legado, sem necessidade de ceder aos clich�s das modas da miscigena��o de ocasi�o, impostas pelo mercado editorial e pelos produtores de espect�culos.
Os polacos Kroke de s�lida forma��o cl�ssica e jazz�stica, para quem a m�sica klezmer � um modo de vida, continuam a esbater todas as fronteiras da m�sica caracter�stica da di�spora judaica, aprofundando a ruptura com o modelo de base um pouco mais conservador (mas que, m�os dos Kroke � bastante criativo, basta escutar o �lbum ao vivo “Live at The Pit”) assente na tr�ade violino, contrabaixo e acorde�o. “Sounds Of The Vanishing World” (de 99) f�-los olhar para o Universo atrav�s de uma janela em Crac�via. Em “Ten Pieces To Save The World” os Kroke tornam-se cidad�os errantes do mundo, sem contudo perderem as suas maiores refer�ncias. O sangue klezmer a continua a correr-lhes nas veias. Em “Cave”, tema inicial, mant�m o mesmo tom fren�tico, a sublime t�cnica com que mudam frequentemente de ritmo e pe�a, incorporando agora instrumentos de sopro, guitarra e percuss�o (al�m daquela que Tomasz Kukurba improvisa com o seu contra-baixo), em flashes de flamenco e m�sica mediterr�nica de aroma turco que encaixam na perfei��o, como num puzzle, entre andamentos klezmer de euforia e tristeza. Em “Cave”, escutam-se pingos a cair por entre ambientes electr�nicos e soturnos de contempla��o aos Boards of Canada. “Montains” repleto de altos e baixos como as montanhas e a folk norueguesa, revela-nos o lado mais cl�ssico-contempor�neo por via das cordas. Um �lbum inovador, com solu��es simples onde uns assobios, um estalar de dedos, um dedilhar do contra-baixo e um acorde�o manso, chegam para construir uma pe�a carregada de swing (“Take It Easy”).
Embuido do esp�rito da Sibelius Academy e de um dos mais carism�ticos professores de m�sica finlandeses, Heikki Leitinen que aconselha primeiro a estudar a fundo a tradi��o e posteriormente a efectuar trabalho explorat�rio, a ir mais al�m, Kimmo Pohjonen cedo se revelou como um dos mais criativos, rebeldes e consistentes m�sicos da folk europeia. J� no seu anterior projecto, os Ottopasuuna, testava o experimentalismo (sobretudo em “Suokaasua”), incorporando ru�dos de correntes a serem arrastadas, decompondo melodias, sem perder a adocicada sonoridade da folk finlandesa. No seu projecto a solo, Pohjonen, transcende-se, projectando momentos de tens�o e ambientes sombrios kalevaliano-cibern�ticos. “Kluster” � a parte dois de “Kielo” onde a folk purista � literalmente implodida. Aqui Pohjonen usa o acorde�o como um instrumento de destrui��o maci�a, ocupando todo o nosso espectro sonoro, inquietando-nos, amorda�ando-nos a alma. As notas que tira do fole contaminado por overdubs e samples do pr�prio acorde�o usados como percuss�o, s�o como m�sseis que explodem nas nossas colunas, anunciando o apocalipse de forma t�o veemente quanto a israelita Meira Asher.
Boris Kovac apresenta a sequela de “Last Balkan Tango”, m�sica p�s-apocal�tica para fazer dan�ar quem sobreviveu ao fim do mundo, carregada de nostalgia, humor negro e eleg�ncia, de coordenadas bem definidas no grande caldeir�o balc�nico da extrema pobreza cigana, mas a piscar o olho �s vetustas e decandentes valsas, cha cha chas e tango de requintada ostenta��o, prato forte dos bailes nobres dos grandes sal�es imperiais da velha e rica Europa. H� na m�sica deste jugoslavo um certo toque minimal e cin�filo, tornando-o numa op��o pertinente para criar os ambientes sonoros dos maravilhosos universos imagin�rios de Peter Greenway, em alternativa a Michael Nyman. S�o deliciosas as passagens em que se escutam vozes de rua que parecem ser italianas e que se erguem dos escombros de uma guerra nuclear, ou quando o jazz swingante rasga a toda a tristeza melanc�lica que atravessa o �lbum e devolve-nos a alegria esfuziante de uma big band dos anos 40 / 50.
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KIMMO POHONEN, KROKE, BORIS KOVAC: A Sant?ssima trindade da folk europeia
April 14, 2003 by
Filed under Discos
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Kroke
Ten Pieces to Save the World
(Oriente / Megam?sica)
Kimmo Pohjonen
Kluster
(Rocadillo / Mundo da Can??o)
Boris Kovac & Ladaaba Orkest
Ballads at the End of Time
(Piranha / Megam?sica)
Kroke, Kimmo Pohjonen e Boris Kovac encontram-se no clube restrito dos compositores e int?rpretes da folk do velho continente que, ap?s terem estudado a fundo as suas tradi??es musicais (afinal, a matriz do seu trabalho), conseguem apresentar solu??es inovadoras, extravasando a geografia e as compartimenta??es estanques a que muitos g?neros estavam sujeitos pelos mais puristas, conferindo uma nova e empolgante dimens?o ao seu legado, sem necessidade de ceder aos clich?s das modas da miscigena??o de ocasi?o, impostas pelo mercado editorial e pelos produtores de espect?culos.
Os polacos Kroke de s?lida forma??o cl?ssica e jazz?stica, para quem a m?sica klezmer ? um modo de vida, continuam a esbater todas as fronteiras da m?sica caracter?stica da di?spora judaica, aprofundando a ruptura com o modelo de base um pouco mais conservador (mas que, m?os dos Kroke ? bastante criativo, basta escutar o ?lbum ao vivo “Live at The Pit”) assente na tr?ade violino, contrabaixo e acorde?o. “Sounds Of The Vanishing World” (de 99) f?-los olhar para o Universo atrav?s de uma janela em Crac?via. Em “Ten Pieces To Save The World” os Kroke tornam-se cidad?os errantes do mundo, sem contudo perderem as suas maiores refer?ncias. O sangue klezmer a continua a correr-lhes nas veias. Em “Cave”, tema inicial, mant?m o mesmo tom fren?tico, a sublime t?cnica com que mudam frequentemente de ritmo e pe?a, incorporando agora instrumentos de sopro, guitarra e percuss?o (al?m daquela que Tomasz Kukurba improvisa com o seu contra-baixo), em flashes de flamenco e m?sica mediterr?nica de aroma turco que encaixam na perfei??o, como num puzzle, entre andamentos klezmer de euforia e tristeza. Em “Cave”, escutam-se pingos a cair por entre ambientes electr?nicos e soturnos de contempla??o aos Boards of Canada. “Montains” repleto de altos e baixos como as montanhas e a folk norueguesa, revela-nos o lado mais cl?ssico-contempor?neo por via das cordas. Um ?lbum inovador, com solu??es simples onde uns assobios, um estalar de dedos, um dedilhar do contra-baixo e um acorde?o manso, chegam para construir uma pe?a carregada de swing (“Take It Easy”).
Embuido do esp?rito da Sibelius Academy e de um dos mais carism?ticos professores de m?sica finlandeses, Heikki Leitinen que aconselha primeiro a estudar a fundo a tradi??o e posteriormente a efectuar trabalho explorat?rio, a ir mais al?m, Kimmo Pohjonen cedo se revelou como um dos mais criativos, rebeldes e consistentes m?sicos da folk europeia. J? no seu anterior projecto, os Ottopasuuna, testava o experimentalismo (sobretudo em “Suokaasua”), incorporando ru?dos de correntes a serem arrastadas, decompondo melodias, sem perder a adocicada sonoridade da folk finlandesa. No seu projecto a solo, Pohjonen, transcende-se, projectando momentos de tens?o e ambientes sombrios kalevaliano-cibern?ticos. “Kluster” ? a parte dois de “Kielo” onde a folk purista ? literalmente implodida. Aqui Pohjonen usa o acorde?o como um instrumento de destrui??o maci?a, ocupando todo o nosso espectro sonoro, inquietando-nos, amorda?ando-nos a alma. As notas que tira do fole contaminado por overdubs e samples do pr?prio acorde?o usados como percuss?o, s?o como m?sseis que explodem nas nossas colunas, anunciando o apocalipse de forma t?o veemente quanto a israelita Meira Asher.
Boris Kovac apresenta a sequela de “Last Balkan Tango”, m?sica p?s-apocal?tica para fazer dan?ar quem sobreviveu ao fim do mundo, carregada de nostalgia, humor negro e eleg?ncia, de coordenadas bem definidas no grande caldeir?o balc?nico da extrema pobreza cigana, mas a piscar o olho ?s vetustas e decandentes valsas, cha cha chas e tango de requintada ostenta??o, prato forte dos bailes nobres dos grandes sal?es imperiais da velha e rica Europa. H? na m?sica deste jugoslavo um certo toque minimal e cin?filo, tornando-o numa op??o pertinente para criar os ambientes sonoros dos maravilhosos universos imagin?rios de Peter Greenway, em alternativa a Michael Nyman. S?o deliciosas as passagens em que se escutam vozes de rua que parecem ser italianas e que se erguem dos escombros de uma guerra nuclear, ou quando o jazz swingante rasga a toda a tristeza melanc?lica que atravessa o ?lbum e devolve-nos a alegria esfuziante de uma big band dos anos 40 / 50.
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Drum’n'brass
Boban Markovic Orkestar
Live In Belgrade
Piranha / Megam�sica
King Naat Veliov & The Original Kokani Orkestar
Gypsy Folies
Plane / Megam�sica
Kokani Orkestar
Alone At My Wedding
Crammed / Megam�sica
Omnipresentes em qualquer celebra��o cigana de origem balc�nica, conforme � poss�vel constatar nos filmes do realizador Servo-croata Emir Kusturica, as brass bands s�o mais um espelho que reflecte a forma como os m�sicos desta etnia andarilha tornam extremamente flex�vel um formato simples (metais e percuss�es) que remonta �s herm�ticas bandas militares turcas do S�culo XIX. Como � poss�vel verificar em outro tipo de ensembles ou tarafs, os ciganos que cresceram sob a influ�ncia das mem�rias do Imp�rio Otomano s�o ex�mios a absorver melodias e ritmos de todos os quadrantes da “pangeia” balc�nica, mediterr�nica e asi�tica: Egipto, Turquia, Bulg�ria, Rom�nia, Maced�nia, Gr�cia, Kosovo, Rajast�o, Azerbaij�o e Ge�rgia.
Boban Markovic � uma esp�cie de Mohamed Ali do trompete. “Live In Belgrade”, gravado ao vivo no festival s�rvio de brass bands da localidade Guca, revela porque � que Markovic tem sido imbat�vel nos duelos de pesos pesados de brass bands que o evento anualmente promove h� j� mais de 40 anos, for�ando a organiza��o a impedi-lo de voltar a participar, depois de ter conquistado por diversas vezes o trompete de ouro (principal galard�o). Entre ritmos cocek, dan�as ora, uma composi��o de origem klezmer e a revisita��o dos inevit�veis cl�ssicos “Mesecina” e “Ederlezi”, a m�sica encorpada deste cigano S�rvio extravasa todas as fronteiras estil�sticas. Al�m da not�vel t�cnica de Markovic que ora se perde em improvisos jazz�sticos, ora em ex�mio controlo do f�lego, mantendo por mais de trinta segundos constante uma nota do seu trompete, de acrescentar ainda a atitude de banda indom�vel que nada deve � rudeza do rock e � crueza do funk, repescando por vezes ritmos de samba.
King Naat Veliov, outro ex�mio do trompete, abandonou o anterior projecto que liderava (a Kocani Orkestar), mas n�o conseguiu levar o nome da banda consigo. Facto que n�o o impediu mesmo assim de formar a Original Kocani Orkestar com familiares seus. O cl� Veliov, ciganos de origem turca, prosseguem a matriz de “L’orient Est Rouge” (terceiro �lbum da KO), introduzem a darbouka e deixam-se influenciar melodicamente cada vez mais pelo vento que sopra do continente Vermelho. Naat Veliov mant�m o seu instinto mort�fero de brincar com as constantes varia��es r�tmicas numa melodia de, por exemplo, um 5/8 para um 11/8, conferindo-lhe um estatuto de um dos mais virtuosos m�sicos ciganos a par de Markovic e Ferus Mustafov.
Al�m das habituais brass bands de fanfarra que se ocupam nas principais celebra��es ciganas de andar pelas ruas a conduzir os noivos e respectivas fam�lias aos devidos locais da cerim�nia (no caso de um casamento), existe ainda na Maced�nia a banda de banquete. Esta distingue-se da primeira pela inclus�o de darbouka, clarinete, banjo (tocado como um oud), acordi�o e um cantor � estrutura inicial (bombo, tambor e trompete e tuba). Al�m da base brass, a Kocani Orkestar de origem ganha uma dimens�o mel�dica e r�tmica turca / b�lgara mais acentuada, atrav�s de uma estrutura pop. No entanto, com a sa�da de Naat Veliov, esta forma��o perdeu uma certa capacidade explosiva e de improviso.
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