MASTER MUSICIANS OF JAJOUKA: Ecos da “mais antiga música da terra”
April 4, 2007

MASTER MUSICIANS OF JAJOUKA
Ciclo Paul Bowles “Um Abrigo na Terra”, CCB - Lisboa
31 de Março 2007
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Há músicas que são mais duras do que o granito e que permanecerão sempre em estado bruto, imunes ao corroer dos tempos. Haja o que houver. Furacões, tsunamis, dilúvios. Há 3 ou 4 mil anos que a música dos MASTER MUSICIANS OF JAJOUKA é imutável, como um ritual sagrado passado de pais para filhos e que se aprende assim que se começa a andar, conjuntamente com os actos mais mundanos de uma tribo, como caçar ou pescar. Mas se estas e outras tarefas (como semear e colher o que a terra dá) necessárias à sobrevivência de um povo vão evoluindo (tornando-se mais mecânicas e menos manuais), a forma com que os discípulos do sufi Sidi Ahmed Sheikh (santo que levou o islamismo a Marrocos e fundou a aldeia de Joujouka) tocam ghaita (aerofone estridente, espécie de oboé, ou de bombarda bretã), lira (flauta de bambu), gimbri (alaúde de três cordas tocado também em cerimónias de transe gnawa), diversas percussões rústicas (tebel, tariyya) e se cobrem de pele de cabra para encarnar Boujeloud e dançar em memória desta espécie de Minotauro das montanhas Rif que clama fertilidade para as suas terras e para aqueles que nelas (e delas) vivem, deverá ser a mesma de há 1300 anos (quando a família Attar começou a tocar na corte para os sucessivos Sultões da dinastia Alawi). É curioso que, nem mesmo o facto de esta estranha e estridente música andar em ouvidos ocidentais há mais de meio século, de o seu actual mentor – Bachir Attar - ter vivido (nos anos 90) entre Marrocos e Nova Iorque (e aí ter tocado com uma miríade de músicos da “downtown”) e de o som dos JAJOUKA já ter sido desconstruído por diversas vezes (ora por BILL LASWELL, ora por TALVIN SINGH), não acusar quaisquer resquícios de miscigenação, de adulteração. O mesmo acontece com a expressividade qawwali do imortal paquistanês NUSRAT FATEH ALI KHAN (outro sufi que misturou a sua arte de cura com “ingredientes” ocidentais, mantendo a matriz intocável) que nos faz entrar nos “jardins de éden” sempre que escutamos a sua voz. »»»
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MASTERS MUSICIANS OF JAJOUKA | CCB
December 27, 2006
Os verdadeiros MASTERS MUSICIANS OF JAJOUKA (e não JOUJOUKA) de BACHIR ATTAR regressam ao nosso país, no dia 31 de Março (ao Grande Auditório do CCB - Lisboa), depois de terem actuado no FMM de Sines de 2005. Espectáculo especial misto, com o pianista e cantor norte-americano JEFF COHEN, denominado “PAUL BOWLES – SECRET WORDS: A Suit of Six Songs”.
Esta é mais uma iniciativa do ciclo “Um Abrigo na Terra” dedicado a uma das mais importantes figuras da literatura norte-americana do século passado, que se inicia a 26 de Março e que inclui exposições de de livros e de fotografias, debates, leituras, visionamento do filme “Um Chá no Deserto”, entre outras actividades.
PAUL BOWLES
Em 1947, o compositor e escritor norte-americano Paul Bowles veio para a Europa com a intenção de estudar composição com Aaron Copland. Nesse mesmo ano, porém, ambos visitariam Tânger: Copland regressou a Paris, Bowles resolveu ficar naquela cidade do Norte de África, onde viveu até à sua morte, em 1999.
Autor de romances como The Sheltering Sky (O Céu que nos protege), adaptado por Bernardo
Bertolucci para o seu filme Um Chá no Deserto, e Let it come down (Deixai a chuva cair), foi também contista (A Missa do Galo), compositor musical e fotógrafo.Com outros contemporâneos seus ligados ao movimento da beat generation, Bowles foi um dos principais responsáveis por ter inscrito Marrocos no itinerário obrigatório dos intelectuais vanguardistas norte-americanos. Descobriu e revelou algumas das formas mais interessantes da música marroquina, entre as quais se contam os Master of Jajouka - Bachir Attar, que actuarão no CCB a encerrar o ciclo. E a sua apaixonada convivência com a cultura e os costumes marroquinos tornaram-no um escritor de culto, tão fascinante pela sua prosa límpida e misteriosa, quanto pela singularidade do seu percurso biográfico.
CCB
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MASTERS MUSICIANS OF JAJOUKA | CCB
December 27, 2006
Os verdadeiros MASTERS MUSICIANS OF JAJOUKA (e não JOUJOUKA) de BACHIR ATTAR regressam ao nosso país, no dia 31 de Março (ao Grande Auditório do CCB - Lisboa), depois de terem actuado no FMM de Sines de 2005. Espectáculo especial misto, com o pianista e cantor norte-americano JEFF COHEN, denominado “PAUL BOWLES – SECRET WORDS: A Suit of Six Songs”.
Esta é mais uma iniciativa do ciclo “Um Abrigo na Terra” dedicado a uma das mais importantes figuras da literatura norte-americana do século passado, que se inicia a 26 de Março e que inclui exposições de de livros e de fotografias, debates, leituras, visionamento do filme “Um Chá no Deserto”, entre outras actividades.
PAUL BOWLES
Em 1947, o compositor e escritor norte-americano Paul Bowles veio para a Europa com a intenção de estudar composição com Aaron Copland. Nesse mesmo ano, porém, ambos visitariam Tânger: Copland regressou a Paris, Bowles resolveu ficar naquela cidade do Norte de África, onde viveu até à sua morte, em 1999.
Autor de romances como The Sheltering Sky (O Céu que nos protege), adaptado por Bernardo
Bertolucci para o seu filme Um Chá no Deserto, e Let it come down (Deixai a chuva cair), foi também contista (A Missa do Galo), compositor musical e fotógrafo.Com outros contemporâneos seus ligados ao movimento da beat generation, Bowles foi um dos principais responsáveis por ter inscrito Marrocos no itinerário obrigatório dos intelectuais vanguardistas norte-americanos. Descobriu e revelou algumas das formas mais interessantes da música marroquina, entre as quais se contam os Master of Jajouka - Bachir Attar, que actuarão no CCB a encerrar o ciclo. E a sua apaixonada convivência com a cultura e os costumes marroquinos tornaram-no um escritor de culto, tão fascinante pela sua prosa límpida e misteriosa, quanto pela singularidade do seu percurso biográfico.
CCB
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[entrevista] MASTER MUSICIANS OF JAJOUKA:
July 15, 2003
MASTER MUSICIANS OF JAJOUKA: Cristãos, Muculmanos, Berberes e Hindus
[entrevista a propósito do álbum "Master Musicians of Jajouka Featuring Bachir Attar" realizada em 2000 e publicada na revista "On"]
Depois de Brian Jones e Bill Laswell é a vez do indiano Talvin Singh gravar e produzir, provavelmente, o clã musical mais antigo do mundo. Apesar da tecnologia e das tablas empregue pelo anglo-indiano, os Master Musicians of Jajouka mantém intacta toda a sua aura de misticismo e hipnose de uma música de transe capaz de curar moribundos.
Marrocos tem sido durante este século XX um verdadeiro ponto de passagem e inspiração para artistas das diversas artes. Mark Twain, Jack Kerouac, Paul Bowles, William Borroughs, são alguns dos homens da escrita tocados nas suas obras pelas culturas árabe e berbere à beira Atlântico.
Em 1958, o pintor Brion Gysin descobriu perto de Tanger, os Master Musicians of Jajouka durante as festividades de um dos eventos sagrados destes berberes. O Pan Festival em memória de Bou Jeloud, um Deus animal representado nas cerimónias sagradas através de um figurante metade bode, metade homem (um pouco à selhança do mito grego do Minotauro) que dança freneticamente e cujo ritual anual propicia maior saúde aos aldees. Gysin captou o espito e a magia destes m�sicos de transe que, revezando-se, conseguem tocar interminavelmente durante dias. Uma d�cada depois, Brian Jones dos Rolling Stones aterra nesta aldeia berbere para registar aquele que seria o primeiro disco oriundo de Marrocos editado no mundo ocidental: ?Brian Jones Presents The Pipes of Pan At Jajouka?. Bachid Attar, filho do antigo l�der Hadj Abdesalam Attar que herdou a chefia de um cl� musical com mais de 600 anos revela que ?ele ouviu cassetes gravadas pelo Brain Gyson e adorou. Disse-lhe que tinha de ir a essa vila e trabalhar na m�sica. Gravou mais de 7 horas da nossa actua��o, como se estiv�ssemos a tocar nas cerim�nias da nossa aldeia, foi para Londres onde estava a trabalhar num disco dos Rolling Stones e a� mostrou a nossa m�sica ao resto do grupo. Misturou o �lbum e editou-o, em 71, pela editora deles.?
A partir daqui, o universo de Bachid Attar e dos Master Musicians Of Jajouka ampliou-se consideravelmente. Desde ha s�culos, ?a nossa m�sica tem sido oferecida como oferenda aos sucessivos reis de Marrocos. Sempre serviu para celebrar actos de extrema import�ncia para o nosso povo como casamentos, nascimentos, circuncis�es e tomadas de trono?.
S�o estes possantes ritmos e harmonias hipn�ticas interpretadas atrav�s de instrumentos como ghaita (esp�cie de obo�), percuss�o, flauta e gimbri (ala�de de tr�s cordas) que conferem aos cerca de 50 m�sicos que constituem o cl� o estatuto de m�gicos e curandeiros. �, � semelhan�a da tradi��o gnawa dos sufis uma m�sica ?que comunica com os esp�ritos, de forma a curar e a aben�oar pessoas. Quando tocamos sentimos os nossos antepassados o tempo todo, porque esta m�sica de fam�lia � um presente que nos foi oferecido por eles.?
Depois de mais de doze anos de estrada pelos quatro cantos do mundo, de outras visitas not�veis a Marrocos efectuadas por Bill Laswell que produziu o segundo disco do grupo ?Apocalypse Across The Sky? e de Bachid Attar ter residido em Nova Iorque, onde gravou com Maceo Parker e tocou, por exemplo, com Lee Ranaldo dos Sonic Youth, � natural que os horizontes deste berbere agora sejam outros: ?ao longo da minha vida, tudo tem influenciado o meu trabalho: a beat generation, o rock?n?roll, o jazz. O Brian Jones foi o primeiro a querer juntar a m�sica de Jajouka � ocidental e de diferentes culturas. Foi o primeiro com a mente aberta para a m�sica marroquina. Atrav�s dele, conheci e toquei com muita gente do rock e do jazz, como o Ornette Coleman, os Rolling Stones no �lbum ?Steel Wheels?. Tamb�m conheci os Aerosmith, os Guns N?Roses. Estive no Woodstock de 94 e toquei l� com o Santana.?
� por isso normal que Talvin Singh, mestre anglo-indiado do ?tabla?n?bass?, tenha em Mar�o do ano passado subido as montanhas Rif para captar, uma vez mais, toda a aura de misticismo que envolve uma sonoridade, segundo Bachid, que n�o se cansa de pegar nas palavras de Burroughs, ?soa a uma banda de rock?n?roll com 4000 anos de exist�ncia?.
Talvin Singh, considerado por Bachid Attar ?uma ben��o divina? integrou-se no cl� e conduziu o processo sem restri��es”. � que ?existe uma liga��o hist�rica entre minha fam�lia que tem ra�zes indianas de h� centenas de anos e Talvin Singh. � por isso que neste disco tocamos a m�sica dos Jajouka com tablas. Houve uma liga��o forte entre n�s. � dif�cil encontrar algu�m que perceba aquilo que fazemos. O Talvin trouxe o est�dio para a nossa aldeia e gravou a nossa m�sica, tocou percuss�o, levou os registos para Londres e convidou-me a ir com ele, de forma a trabalharmos em est�dio. Neste �lbum apenas tr�s can��es foram registadas integralmente na nossa aldeia, sem qualquer tratamento posterior, o resto do disco foi todo trabalhado no est�dio em Londres.?
Ap�s esta experi�ncia com Singh e logo a seguir a uma digress�o de apresenta��o ao vivo do disco que passar� pela Europa, Am�rica e Australia, Bachid Attar planeia gravar um disco a solo. Conforme confessa, ?pretendo unir a minha cultura com influ�ncias indianas, americanas, europeias e africanas. Preciso de tempo para isso e para tentar contactar Keith Richard, David Gilmour e outros m�sicos indianos de c�tara.
N�o h� nada em concreto, s�o apenas ideias.?
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