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Terra Pura 14JUL08: Siba e a Fuloresta

July 14, 2008 by Luís Rei  
Filed under Radio

siba260.jpgSiba, o ex-líder dos pernambucanos e inventores do forró pé de calçada (variante urbana do forró pé da serra), Mestre Ambrósio, anda em digressão pela Península Ibérica com o seu mais recente projecto. Siba e a Fuloresta («brass band» da localidade rural de Nazaré da Mata dominada pelo carisma e voz rouca de Biu Roque) passaram até ao final deste fim-de-semana por Torres Novas, Vila Real e Cartagena. Esta semana actuam em Tavira (terça-feira, dia 15) e inauguram a Xª edição do FMM de Sines (quinta-feira, dia 17, às 19h, no espaço exterior do CAS). Siba pega em ritmos regionais como o côco, ciranda, maracatu de baque solto, frevo e, com a Fuloresta, realiza uma obra global e cosmopolita, carregada de crítica social e política, servida com humor corrosivo e repentista, próprio de quem fala a língua de Lampião. A Terra Pura falou com um Siba bastante engripado (mal se notou no espectáculo a sua maleita) em Torres Novas, durante a actuação do portuense Slimmy (daí o ruído de fundo da gravação).

Rádio Zero - Segunda a Sexta-feira, entre as 18h às 19h. Repete no dia seguinte entre as 8h e as 9h da manhã.

Rádio Universitária do Minho - Terças-feiras, às 21h

Miróbriga - Domingos, entre as 21h e as 23h

 
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MESTRE AMBRÓSIO: vale a pena seguir Cabral

March 11, 2007 by Luís Rei  
Filed under Discos

MESTRE AMBRÓSIO

“Fuá Na Casa de CaBRal”"

Sony Music(CD 2000)

uma visão mais enraizada e regionalista do mangue beat

[texto originalmente publicado em Maio de 2004 neste espaço]

Se CHICO SCIENCE correspondia à renovação da música nordestina a partir de elementos exteriores como funk e hip hop, os MESTRE AMBRÓSIO partem de toda uma panóplia riquíssima de ritmos como o maracatu, coco de roda, baque solto, baque virado, forró, chote e ciranda para dar uma visão mais enraizada do mangue beat (género musical apelidado pelos brasileiros do sul à nova música regional que vem do nordeste).

Ao segundo álbum, os MESTRE AMBRÓSIO aprofundam as suas raízes locais, numa amálgama sonora essencialmente construída à base de inúmeras percussões (pandeiro, alfaias, chocalhos, preacas, reco-reco, agogô, zabumba, caxixi, caixa com hit-hat top 13”, bombo 12”, etc), alimentada por uma rabeca de sonoridade vetusta, um fole de 8 baixos folião que comanda o forró pé de calçada (vertente urbana do forró pé da serra), além da guitarra e baixo responsáveis pelo formato híbrido de tradição e modernidade.

O universo dos MESTRE AMBRÓSIO é grande como o Brasil e profundo como a Amazónia. Entre os ritmos trazidos pelos escravos africanos, dilui-se a harmonia portuguesa e respira-se o ambiente misterioso da Mata Norte, complementado com uma dose lúdica e encenada do Cavalo Marinho - folguedo do norte de Permanbuco composto por dança, poesia, teatro que comporta várias personagens e cujo mestre de cerimónias é… Mestre Ambrósio.

Neste disco há um maior risco por parte da banda, não só em assumir um lado mais popular, como também na exploração de outras paisagens (“Chamá Maria” é um misto de tango com melodias ciganas de leste). Há ainda a inclusão de três temas já editados no álbum de estreia em versões que conseguem ter nova amplitude: “Usina”,” Se Zé Limeira Sambasse Maracatu”, “Pé-de-Calçada”). O humor e sátira de SIBA continua irrepreensível. Tentem escutar a história de como Cabral descobriu o Brasil e logo se arrependeu.

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