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Aleluia: a colecção de fado é (finalmente) nossa

brucebastin.jpgEstado compra colecção de música portuguesa

A colecção dos discos de música portuguesa na posse do britânico Bruce Bastin vai ser adquirida por Portugal, garantiu ontem à agência Lusa o secretário de Estado da Cultura, Mário Vieira de Carvalho. “Dentro de uma semana, poderemos acertar a minuta do contrato da compra, no valor de 1,1 milhões de euros”, disse o governante.

O Ministério da Cultura e a Câmara de Lisboa “aceitaram reforçar em 100.000 euros cada um, a sua participação, de modo a cobrir o valor pedido por Bruce Bastin”, disse Vieira de Carvalho.
O ministério, a quem caberá a guarda e tratamento do espólio, participará com 400 mil euros, tal como a Câmara de Lisboa, e os restantes 300 mil euros são assegurados por um mecenas, cuja identidade não foi revelada, sabendo-se tratar de uma entidade bancária. “A colecção irá integrar o futuro Museu da Música e do Som, onde há pessoal técnico para o tratamento específico deste material”, disse Vieira de Carvalho.

Contactado pela agência Lusa, o advogado José Alberto Sardinha, representante legal de Bruce Bastin, confirmou ter sido já contactado no sentido “de se redigir minuta da versão final do contrato de compra”.

O estudo deste espólio, maioritariamente constituído por discos de fado, é considerado essencial por vários investigadores. Para o musicólogo Rui Vieira Nery, a aquisição deste espólio “é essencial para um melhor conhecimento da história fadista, nomeadamente nos primórdios da gravação fonográfica”.

A colecção inclui registos fonográficos efectuados entre 1904 e 1945 pela His Master’s Voice, Columbia, Homokord, Victor ou Grammophone, estando, na sua maioria, dados como perdidos.

Colecção em bom estado
Entre os cerca de oito mil discos encontram-se algumas das primeiras gravações de artistas nacionais como José Bastos, Isabel Costa, Almeida Cruz, Eduardo de Souza, Rodrigues Vieira ou Delfina Victor. O espólio encontra-se em “muito boas condições”, afiançou o investigador José Moças, que o descobriu e propôs a sua aquisição por Portugal. “Estas são – realçou – as primeiras gravações de fado de sempre, que nos irão dar, certamente, uma outra perspectiva da história desta canção popular urbana”. Além dos fados, são, na avaliação de Moças, “igualmente importantes do ponto de vista musical e etnográfico registos mais tardios de Maria Alice, Manasses de Lacerda, Avelino Baptista, Estêvão Amarante, Madalena de Melo, Maria Emília Ferreira, Júlia Florista e Maria do Carmo Torres, bem como dos mais conhecidos Ercília Costa, Berta Cardoso, António Menano, Edmundo de Bettencourt, Armandinho e o popular Alfredo Marceneiro”.
Lusa

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14 Comments

  1. É bom que a colecção venha, finalmente, para Portugal. Resta saber porque é que levou tanto tempo a ser comprada. Esta foi uma história mal contada desde o princípio, uma vez que alguns “intermediários” tentaram fazer “negócio”, a que o MC (muito bem) se opôs. Não sabemos, no entanto, se os 8.000 discos são tão valiosos assim. Muitos deles são de um período relativamente recente (anos trinta em diante) e já existem em diversas instituições oficiais (Museu do Fado, Museu do Teatro ou em colecções particulares). O que realmente interessa (as duas primeiras décadas) é minoritário e, nesse sentido, a colecção é cara. Mas, é “nossa”. Como a Taça…

  2. Mas, Rui, gasta-se dinheiro tão mal gasto em obras, foguetes, festejos, etc que seria humilhante para o nosso país não podermos comprar a colecção por limitações orçamentais. Espero que a tradisom possa trabalhar em várias compilações conforme o José Moças referiu há algum tempo atrás.

    abraço

  3. Claro. O problema não está na compra em si. O problema está em que o estado português (que sempre quis comprar a colecção) só não o fez logo porque “alguém” estava mais interessado em “representar” o Bruce Bastin do que trazer a colecção para Portugal. Dito de outro modo: porque “carga de água” é que o MC (que paga a colecção a peso de ouro) há-de emprestá-la a terceiros para estes fazerem negócio com ela? Esta é a questão. Por isso, a colecção “original”, que de 5.000 exemplares passou para 8.000 (ninguém sabe ao certo quantos discos são e qual a percentagem de discos de “fado”) valia 900.000 euros e agora “vale” 1.100.000 euros. Já fizeste as contas a quanto é que fica cada disco, depois de deitarem fora mais de 50% do total da colecção que não serve para nada? Prepara-te para o pior…

  4. meus caros Luis e RM (que não sei quem é). Tenho que dizer qualquer coisa porque me parece que naquilo que o RM escreve se está areferir a um tal “alguém” que parece que sou eu! É muito fáciol dizer coisas sem se estar dentro do assunto e atacar de qualquer maneira as pessoas. Eu passo a esclarecer: Eu, José Moças descobri a colecção e andei durante vários anos a tentar convencer o Bruce Bastin a vendê-la ao Estado Português. Ao fim de alguns ele concordou. Nessa altura eu apresentei um projecto ao Ministério da Cultura que preconizava que o mesmo adquirisse a colecção e permitisse que eu (entenda-se Tradisom) desenvolvesse um projecto de inverntariação, digitalição e edição, em parceria com o Museudo Fado e nas condições que fossem decididas pelo MC. Nunca exigi nada, apenas achava que se alguém teria que estar envolvido nas edições no futuro, porque não eu que lutei pela sua vinda e que a descobri?
    Passaram-se anos sem que nunca se vislumbrasse um fim para esta odisseia…
    Se vos contasse toda a corja de sacanices de que fui alvo ao longo destes anos, nomeadamente dum senhor João Pinto de Sousa que foi o co-editor com o Público da falsa colecção sobre os 100 anos do Fado (tema penas meia dúzia de gravações dos primeiros 50 anos e nenhuma das duas primeiras décadas!) cujo projecto tinha por mim sido apresentado anteriormente ao citado jornal, por exemplo.

    Ainda sobre as gravações o RM sabe alguma coisa sobre elas, conhece-as, tem a lista?? Que gravações é que há no Museu do Fado?? Quantos discos?? e no Museu do Teatro?? Bom, eu só quero que fique a saber mais alguma coisa, não estou nada chateado, mas custa-me que se fale de ânimo leve sobre alguém que se tem esforçado durante anos para recuperar um importante património da nossa cultura musical.

    Sabem por acaso quantas cartas o advogado do Bruce Bastin enviou ao Ministério da Cultura ao longo destes anos sem que tena recebido UMA ÚNICA CARTA DE RESPOSTA!!!!!

    É vergonhoso, por exemplo, que, depois de ontem se ter anunciado a compra do espólio se tenha marcado uma reunião esta tarde no MC e quando o José Alberto sardinha lá chegou não estava ninguém??? Acreditam nisto?? E que lhe deixaram um recado para que voltasse na segunda feira à mesma hora?? O Dr. José Alberto Sardinha tem sido tratado abaixo de cão pelo MC e só ainda não os mandou à merda porque tem noção da importância de não perdermos estas gravações.

    Leiam o Expresso de sábado e já ficam informados de que a reunião marcada para esta tarde não se concretizou. E o prazo para a compra termina impreterivelmente no dia 30 deste mês. Se isso não acontecer alguém vai ter de colocar o pescoço na forca e podem ter a certeza de que eu faço muita força para esticar essa corda…

    Depois da assinatura da comora falamos sobre o espólio e de mais coisas em cooncreto, ok?
    Qualquer coisinha estou ao dispor, como sempre fiz desde o ano de 1970 em que, com o Zé Sardinha recuperamos o nosso património musical… Já deve servir para alguma coisa…
    Um abraço.
    José Moças

  5. Só mais uma coisa que me esqueci. Em relação ao preço não é nada do que o RM diz, a não ser que ele esteja por dentro das negociações!
    O espólio do Bruce Bastin nunca esteve à venda por menos de 1.1 milhões de euros. O Ministério da Cultura é que andou a receber o tal Sr. Pinto de Sousa, que lhes deve ter dito que o espólio devia ser comprado por 900 mil euros. O advogado do Bruce, Dr. José Alberto Sardinha nunca foi contactado para discutir o preço!!! Dá para acreditar? Tem que dar porque foi o que aconteceu!!
    Mais tarde quaqndo eu descobri mais 3000 gravações no Brasil, que vieram a ser adquiridas pelo Bruce Bastin a minha sugestão (quem me dera ter dinheiro para as comprar!!) o valor final não fio alterado porque eu sempre lhe disse que sabia que havia mais disco, pelo que, pensasse bem no preço que ia solicitar pois eu haveria de encontrar mais discos e ele tinha que se compremeter a adquiri-los para a sua colecção, sem aumentar valores. E foi o que fez, portanto, uma colecção que estava a ser negociada por 1.1 milhões com 5000 registos, foi acrescida de mais 3000 gravações, sem aumento de preço!

    E onde é que foi buscar a informação de que 50% da colecção é para deitar fora? Já a viu?? Nem sei para que é que estou aqui a perder tempo com estes esclarecimentos, mas acho que o senhor RM devia pensar melhor no que disse e pelo menos reconhecer que foi longe de mais a falar do que não sabe. Tenho razão, ou não? Não sou pessoa de tratar mal ninguém, mas acho que ficava bem reconhecer que errou. Ou então diga de sua justiça… Cumprimentos a todos.

  6. O meu nome é Rui Mota e o José Moças conhece-me bem. Eu nunca explicitei quem era “quem”, mas se o José Moças quer “enfiar o barrete”, o problema é dele. É bom que ele vá contando o que se passou, pois assim vai-se percebendo melhor a história. Mas, ainda estamos longe da história completa. Certo?

  7. Pois muito bem aqui está´o homem do barrete! Apesar de ser alentejano e apenas usar chapéu algumas vezes no inverno, a minha intervenção fez-se apenas porque estou cansado de que se escrevam coisas sem se colocar os nomes verdadeiros. Parte dessa verdade que está por contar (aqui estamos plenamente de acordo) vem hoje expressa no Expresso! O Ministério aliás tem-se portado muito mal e eu até nem sou suspeito ao dizer isto porque desde o 25 de Abril só não votei PS quando votei no meu antigo partido o MRPP. Se o Rui Mota ler o que a Alexandra Carita escreveu hojr no Expresso ficará mais elucidado e eu estou aqui disposto e aberto a falar de tudo o que quiser, sem esconder seja o que for! Já agora nessa mesma notícia do Expresso vem anunciada uma reunião que deveria ter ocorrido esta quinta feira. Só que a senhora doutora Paula Pires, assessora do Sr. Secretário de Estado não apareceu à reunião e deixou recado de que ficava adiada para segunda feira. Assim sem mais nem menos!!! São estas as pessoas que andam a dirigir a nossa cultura. Um abraço e fico ao dispor…

  8. Óptimo. Eu também não tenho confiança nenhuma nestas pessoas que dirigem a nossa cultura. Nas do PS, muito menos. É exactamente por isso e porque aparecem muitas versões sobre a “compra dos discos”, que seria bom alguém contar a verdadeira história de fio a pavio (não esquecendo o período PSD). Eu, se tivesse no vosso lugar, já o teria feito. Mas eu não tenho interesses, por isso posso falar…

  9. Ola!

    Tenho lido os Vossos comentarios e opinioes sobre a dita coleccao adquirida pelo Pais,… e essas opinioes podem defacto variar e ate serem menos corretas ou mesmo (improprias),… mas fiquem ja cientes que dentro de alguns anos isso que agora estao a dizer de nada interessa e so importa defacto que alguem teve o cuidado de os adquirir e de ter feito o esforco para que os mesmos hoje sejam nossos. – Falo particularmente assim com conhecimento de causa, pois detenho algumas pecas dessas tambem, e pelas quais tenho lutado bastante, onde se teem incluido alguns desconfortos familiares, primeiro com meu pai, no seguimento de uma oferta que me foi feita em 1976 ou 77 e que eu perentoriamente disse nao, e mais tarde de minha “ex” que num dia a que chego a casa tinha as minhas “rodelas” (era assim que ela lhe chamava), todas na rua o que fez com que eu viesse a sair,… e, mais recentemente ando a recusar um assedio de um comprador Japones, por este estar interessado nos meus discos da Amalia Rodrigues,… Por estas e por outras compreendo-o perfeitamente Sr José Moças, e, como se dizia nos nossos tempos, creio que deveria deixar que certos comentarios resvalassem na courassa da Sua indiferenca, hehehe ,… “desculpe-me esta observacao em geito de risota, mas e na realidade o merecido’,…

    PS: Hoje particularmente adoro de quando em vez ouvir uns disquinhos dos meus, para meu belo prazer e de alguns amigos proximos, se um dia quizer ter o prazer de provar um chouricinho de quiaios e beber um bom tinto a ouvir, quem sabe alguma coisa que nunca tenha ouvido mesmo,…

    Em prol do nosso patrimonio, subscrevo-me, girao

  10. Olá Girão, obrigado pelo seu comentário. Consta que a coleccção (sobrevalorizada em termos monetários ou não) vem já a caminho.

    abraços

  11. Ola Luis Rei

    Subvalorizada ou nao diz voce, pois olhe que a mim so por um dos discos, ja me foram oferecidos 2500 euros e eu nem por isso me desfiz dele, mas tambem tratava-se da primeira versao da Mae Preta da Amalia,…
    Nao creio que haja subvalorizacao, ate pelos valores a que eu tenho comprado algumas pecas,… e, creio que so comenta asneiras sobre o negocio, quem nunca tenha amado estas coisas,.. hehe,….

    Ainda ontem tive um prazer enorme, de ouvir alguns discos onde constaram Vasco Santana no Sr Contente, Amalia, sei finalmenmte, Dr Edmundo Betenckout na igreja de Santa Cruz, Fado hilario cantado pelo nosso saudoso Antonio Menano, e tantos outros,… hummmm que prazerrrrrrrr hehe

  12. Primeiro pedir desculpa pela minha ausência nestes comentários, mas hoje dei uma voltinha para recuperar alguns locais de visita e aqui estou. As intervenções do Fernando Girão que conheço há muitos anos (não pessoalmente, mas pela sua voz e intervenção inconfundível na nossa música portuguesa) deixam-me satisfeito.
    Passaram alguns meses e posso dizer-vos que esta história ainda vai no adro. Não posso falar neste momento mas espero vir a fazê-lo no futuro. Já agora gostava que o F. Girão me confirmasse se o disco que ele fala da Amália (Mãe Preta) é a gravação efectuada em 1954 em Paris e editada no 78 rpm da Odeon X-3523 com p título Barco Negro (mãe negra)?? e for o caso também o tenho!!
    É que eu também tenho uma colecção, porque ando nas feiras e noutros locais à procura e encontro!!!

  13. desculpem enganei-me a escrever, o disco é Barco Negro (Mãe Preta) em que a Amália é acompanhada por Sntos Mreira e Domingos Camarinha!

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