Reportagens

FMM Sines 2015 – Assalto ao castelo I/IV

thea

Depois de Porto Covo e do “aquecimento” de início de semana no Centro de Artes e no Largo Poeta Bocage para preparar mais uma assalto épico de 4 dias ao Castelo de Sines e à Av da Praia, as CDT revelam-lhe a estratégia do primeiro de quatro assaltos que irão crescer de intensidade há medida que os dias avançam.

1 – A artilharia pesada do fado.

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Ricardo Ribeiro é, como todos sabem, uma das mais profundas e poderosas vozes do fado. Um “sufi” que muito bem poderia estabelecer a ponte entre a canção urbana de Lisboa e a música espiritual qawwali paquistanesa, ou que (se quiser) melhor poderá desbravar a nossa herança do al-Andalus, da miscigenação entre a música árabe, sefardita e cristã da Idade Média. Escute-se os emblemáticos fados “Destino Marcado” ou “Moreninha da Travessa”. Aprecie-se a descontração e o lado mais entertainment de Ricardo Ribeiro a imitar despudoradamente a peculiar acentuar silábico de Tony de Matos, ou os tiques aristocratas de Vicente da Câmara em “Nem às Paredes Confesso”. Mas o que verdadeiramente arrebatou a audiência de fim-de-tarde no Castelo foi o Fado do Alentejo” em que se acentua a costela al-Andaluz de Ricardo Ribeiro. (8/10)

 

2 – Metais explosivos mexicanos

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Na Av. da Praia, um anoitecer vertiginoso e pujante que fez lembrar os momentos vividos de há 3 anos com a Dubioza Collective da Bósnia. Troker é uma enorme banda de palco. Saxofone e trompete são as grandes armas deste colectivo de Guadalajara, que tanto fazem lembrar Naked City (que vão do metal ao p-funk, hip hop e ao jazz em segundos), como piscam o olho a frases melódicas de corridos. Mas a performance, sobretudo do DJ (Zero Lopez) e do baterista (Frankie Mares) sobrepõe-se ao reportório. O combate de beats de hip hop – scrach vs vassoura a percutir na tarola entre o DJ e o baterista foi qualquer coisa de memorável. (8/10)

 

3 – Cavalo de tróia norueguês

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Num festival onde se descobrem “bandas com nomes esquisitos” (ouvido na TV), ficará na memória de muitos o nome da norueguesa Thea Hjelmeland. Um verdadeira caixa de surpresas de canção para canção a tocar bandolim percutido, banjo, guitarra. Um repertório rico e variado longe dos hallings dos fiordes, bastante mais próximo da melancolia onírica e cinemática de uns Lonely Drifen Karen ou de uma Maïa Vidal. Um nome que encaixa na perfeição no catálogo da editora belga Crammed Discs.

Num palco onde alguns nórdicos sentiram alguma dificuldade em afirmar-se (Värttinä, Frigg – excepção à sami Mari Boine), Thea Hjelmeland conquistou o público de Sines com a sua naturalidade, simpatia e interactividade causando o efeito nova sensação que a suíça Erica Stucky grangeou há meia-dúzia de anos. Foi a rainha da noite. (8,5/10)

4 – O avanço das torres francesas

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Guillaume Perret é, para já, aquele que esteve mais perto de derrubar as muralhas do castelo. Uma luz vermelha ilumina o saxofone do francês (ladeado por um power trio de rock tão intenso quanto os Rage Against The Machine, constituído por guitarra, baixo, bateria), qual sabre jedi que evoca outras pelejas tão intensas e assombrosas vivenciadas neste recinto, como as de Kimmo Pohjonen ou KTU. (7,5)

5 – O afrobeat é uma arma de entretenimento massivo

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FMM sem afrobeat é como o Município de Sines sem estátua de Vasco da Gama. Dele Sosimi não tem sex-appeal para mostrar, nem chegou ainda à força tranquila e “cool” de outros pioneiros do género. Dele Sosimi tem um estilo muito peculiar que parece saído de um personagem de banda desenhada. Ora assume o micro e transporta os problemas políticos africanos para o contexto da (falta) de democracia no mundo ocidental actual (crise das dívidas soberanas, repressão policial, situação económico-politico-social da Grécia), ora assume os teclados e dilui-se entre uma muito competente orquestra branca de afrobeat constituída por músicos de grande virtuosismo. Caso da saxofonista-tenor Tamar Osborn. (7,5)

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(c) fotos: Arquivo CM Sines

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